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Por José Antonio Lima

O ato de Obama foi corajoso, tomado em um momento de pressão após o plebiscito que vetou o casamento de homossexuais na Carolina do Norte. Foto: AFP

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu nesta quarta-feira 9 uma rara demonstração de coragem que entrará para a história. A seis meses da eleição presidencial, em meio a um debate acirrado, Obama decidiu se posicionar sobre um dos temas que mais divide a sociedade americana: afirmou ser a favor do casamento entre homossexuais. Foi um ato de coragem, digno de um governante preocupado em igualar os direitos de todos os cidadãos. Foi um ato que os brasileiros, lamentavelmente, ainda esperam para ver.

Obama fez a declaração em uma entrevista concedida à rede de TV americana ABC News. Segundo Obama, o primeiro presidente dos EUA a se declarar favorável ao casamento gay, sua nova posição a respeito do tema é uma “evolução”. Até aqui, Obama se limitava a apoiar a “união civil” de homossexuais. Para ele, isto era “suficiente”, pois garantia direitos básicos para os parceiros homossexuais e não atingia sensibilidades religiosas e tradicionais de determinados grupos da sociedade. A “evolução” veio, segundo Obama, de conversas com amigos e familiares e ao perceber que excelentes funcionários do governo e militares, gays, ainda se sentiam constrangidos por não poder se casar.

No Brasil, a “evolução” ainda não ocorreu. No levante obscurantista das eleições presidenciais de 2010, diversos grupos sociais caíram vítimas do conservadorismo de religiosos de todo o tipo que ameaçavam declarar guerras santas aos políticos caso fossem contrariados. Os gays foram as maiores vítimas. A presidenta Dilma Rousseff (PT) e o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) passaram semanas negando ser a favor do casamento gay. Ambos se limitavam a dizer, como Obama fazia antes, ser a favor da “união civil”. Marina Silva (PV), a evangélica que ficou em terceiro lugar, foi vista como virtuosa por manter firme sua posição inicial, também a favor da “união civil”, mas contra o “casamento gay”.

A fala de Obama é simbólica porque se deu em um clima ainda mais tenso que o experimentado pelos candidatos brasileiros em 2010. Como no Brasil, religiosos de todo o tipo se mobilizam nos EUA para impedir que homossexuais tenham o mesmo direito de se casar que eles, religiosos, têm. Nesta quarta-feira 9, o Estado da Carolina do Norte aprovou, em plebiscito, a proibição do casamento gay ao estabelecer que um casamento só pode ser concebido como tal se for firmado entre um homem e uma mulher. A Carolina do Norte foi o 31º estado norte-americano a aprovar uma legislação deste tipo. Por lá, a nova posição de Obama deve complicar sua votação. Conservador, o estado é estratégico no sistema de colégio eleitoral em vigor nos EUA, e pode pender para Mitt Romney, o candidato republicano.

O ato de Obama, ainda que corajoso, precisa ser entendido como um ato político tomado sob pressão. Nesta semana, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, se declarou “confortável” com os casamentos homossexuais. E, pela primeira vez na história, uma pesquisa de opinião pública mostrou que mais da metade dos norte-americanos (53%) acham que o casamento entre pessoas do mesmo sexo deve ser considerado válido perante a lei. Da mesma forma, a posição dos políticos brasileiros é também um ato político. Em julho de 2011, dois meses depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) legalizar a união civil de homossexuais, 55% dos brasileiros se diziam contrários à decisão. Com base nisso, pode-se entender que os políticos brasileiros estavam em 2010 apenas refletindo a opinião pública. Refletir ou ecoar o que pensa a população, entretanto, não é a missão de um líder. Liderar é ter coragem para guiar um povo para o caminho certo e fazer cada um entender que lutar para impedir direitos iguais para todos é se colocar do lado errado, e cruel, da história.

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http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5h4fWpm7UvyeNxvfd...

Obama aposta na causa gay com aproximação das eleições presidenciais

WASHINGTON — O presidente americano, Barack Obama, se pronunciou na quarta-feira a favor do casamento entre homossexuais, depois de levar um longo tempo para considerar o tema, o que despertou a especulação de analistas sobre se essa postura o favorecerá nas eleições de novembro.

"Para mim, a título pessoal, é importante dizer que eu penso que os casais do mesmo sexo devem poder se casar", afirmou o presidente em uma entrevista à rede de televisão ABC.

Ao fazer essas declarações, Obama abandonou a cômoda postura que mostrava até agora, na qual dizia estar "em evolução" a respeito da questão do casamento entre homossexuais, um tema que semeia profundas divisões na esfera política americana.

O risco que corre é claro, apesar da crescente pressão dos liberais para que o presidente democrata defendesse de forma mais contundente sua posição quanto aos direitos dos gays.

Obama sempre teve dificuldades para se relacionar com o eleitorado conservador de raça branca pertencente à classe trabalhadora, e a postura que revelou na quarta-feira sobre uma questão moral tão sensível pode complicar para ele a batalha eleitoral em certos estados-chave do país.

Exemplo disso é a Carolina do Norte (sudeste), que na terça-feira aprovou a proibição do casamento entre homossexuais, assim como uniões civis e concubinatos entre eles.

Alguns especialistas pensam que Obama pode enfrentar um revés por parte dos eleitores hispânicos e negros religiosos, voto importante para obter um novo mandato na Casa Branca.

Tony Perkins, da organização "Family Research Council", afirmou que 10 dos 16 estados-chave na eleição presidencial já fizeram emendas constitucionais que contradizem a nova posição de Obama quanto ao casamento entre homossexuais.

"O anúncio de hoje praticamente garante que o casamento (entre gays) será novamente um tema crucial na eleição presidencial", considerou Perkins.

Dennis Goldford, professor de Ciência Política da Drake University, Iowa (centro-norte), sugeriu que a decisão de Obama reflete um "cálculo e estratégia eleitoral".

Os democratas tendem a favorecer mais os direitos dos homossexuais, e aqueles que se opõem categoricamente são conservadores que, de qualquer forma, não votariam em Obama, acrescentou.

"A questão é saber se há indecisos sobre este tema que podem se afastar por isso. Mas até agora não sabemos", apontou.

Também é possível que Obama tenha dado um golpe de mestre ao decidir mostrar atitudes liberais no tema dos homossexuais, junto no momento indicado.

Segundo analistas, a percepção pública do casamento entre gays está evoluindo mais rapidamente que qualquer outro tema político nos Estados Unidos.

Cada vez mais gente entra em contato com famílias de pais do mesmo sexo, um ponto que Obama evocou na entrevista, ao dizer que falou disso com suas filhas.

Uma pesquisa do jornal The Washington Post sugere que a opinião dos americanos no tema evoluiu, no mesmo sentido que a de Obama: em 2008, apenas 36% apoiavam a legalização do casamento entre gays, contra 52% no último estudo.

As declarações de Obama foram feitas dias depois de o vice-presidente, Joe Biden, ter mudado a postura que tinha em 2008 sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, ao se declarar desta vez a favor, em uma entrevista divulgada no domingo pela rede NBC.

Tentarei concentrar neste tópico as notícias em torno de Romney vs Obama

http://dezanove.pt/345854.html

 

O candidato republicano Mitt Romney às presidenciais dos Estados Unidos deixou ontem bem clara qual a sua posição sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. "Acredito que o matrimónio não é outra coisa se não a união entre um homem e uma mulher", disse num acto de campanha em Oklahoma.Num comício em Outono do ano passado, Romney tinha declarado ser até contra as uniões civis já que, justificou, "supõem uma equiparação total de direitos aos do matrimónio, mas com outro nome". Romney, que é considerado um moderado dentro do Partido Republicano, já tinha dito que, no máximo, seria a favor de um "acordo de associação" entre pessoas do mesmo sexo.Ainda dentro do Partido Republicano, é publico que o ex-vice-presidente D*** Cheney apoia o casamento, já que uma das suas filhas é lésbica. Também a ex-primeira dama Laura Bush declarou-se há dois anos a favor das uniões entre pessoas do mesmo sexo.O tema regressou à agenda política dos Estados Unidos depois de Barack Obama, pela primeira vez, ter-se declarado a favor do casamento. As eleições estão marcadas para 6 de Novembro.                                                                                               

Bom, Sarkozy vs Hollande, como foi próximo no tempo, também cabe.

Esta matéria (mostrando um material de campanha) está estranha. A união civil já tem uns 10 anos na França, só que com o nome de parceria civil, projeto pra transformá-la em casamento em 2009 não passou no parlamento de lá. Que eu saiba, Sarkozy iria brecar o retorno da questão, não cancelar a união civil. E Hollande falou em casamento no programa. Mas enfim, se eu souber de algo depois informo e fica como mostra da importância de colocar Casamento Gay no discurso de políticos.

http://portogay.org/wordpress/franca-novos-horizontes-lgbt/


França novos Horizontes LGBT

No domingo as urnas francesas confirmaram a eleição de François Hollande, do Partido Socialista (PS), como o novo presidente da França pelos próximos cinco anos. As suas principais medidas são: revisão dos contratos de ajuste fiscal com a União Europeia e em especial os realizados pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy (UMP), feito com primeira ministra da Alemanha, Angela Merkel (Partido Liberal), a união civil e adoção por casais gays e a eutanásia.

A eleição de Hollande significa uma vitória para a comunidade gay da França no que diz respeito aos direitos civis dos homossexuais, visto que, em campanha, o candidato da direita, Nicolas Sarkozy, deixou claro que se fosse eleito não seria favorável  nem à união civil gay, nem à adoção casais do mesmo sexo

Hollande declarou que se vai debruçar sobre o tema da adoção e união civil gay em 2013. De acordo com o presidente, neste momento é prioritário resolver as questões económicas da França.
O que realmente importa é a afirmação de uma agenda para a questão gay na França, que foi um dos primeiros países do mundo a realizar parceria civil para casais homossexuais, conhecido como PAX.

 

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2012/05/10/analise-...


Análise: Obama assumiu risco calculado ao apoiar casamento gay

BBC


A menos de seis meses das eleições americanas, o presidente Barack Obama assumiu um risco calculado ao apoiar o casamento gay.

Por um lado, o presidente põe em risco a sua popularidade junto aos eleitores mais conservadores nos chamados Estados-pêndulo - que não fecham com democratas nem republicanos e precisam ser disputados a cada eleição.

Por outro, Obama finalmente desce do muro e abre a possibilidade de reenergizar sua base - de militantes e de doadores - frustrada com a falta de clareza do presidente nesse assunto. O tema já entrou no debate eleitoral e, ao assumir uma posição, creem analistas, Obama lidera o debate ao invés de ser engolido por ele.

Independentemente da opinião do presidente americano, a decisão de permitir ou não o casamento entre pessoas do mesmo sexo cabe aos Estados. Atualmente, nove já votaram para permiti-lo, sendo que em dois (Washington e Maryland) a lei ainda precisa entrar em vigor.

Mas Obama vinha sendo pressionado a dizer o que acha sobre a ideia depois que outros membros de sua equipe, incluindo o vice-presidente, Joe Biden, expressaram seu apoio à proposta.

Reflexão pessoal

Observadores políticos não deixaram de notar o tato do presidente ao abordar um tema sensível, trazendo-o para o plano pessoal e "refletindo sobre o tema como todo mundo reflete", como disse a analista política da CNN, Hilary Rosen.

Obama disse à jornalista Robin Roberts, da rede ABC, que resolveu assumir sua posição depois de notar que membros gays de sua própria equipe eram "incrivelmente comprometidos com relacionamentos monógamos do mesmo sexo e que estão criando suas crianças juntos" e de pensar "naqueles soldados, ou aviadores, ou fuzileiros navais, ou marinheiros que estão lutando por mim, e apesar disso se sentem constrangidos".

"No fim, o que mais nos importa (a ele e à esposa, Michelle Obama) é a forma como tratamos as pessoas. Somos ambos cristãos praticantes e obviamente esta posição pode ser considerada como contrária à visão de outros. Mas quando pensamos na nossa fé, o que está na raíz não é apenas Cristo se sacrificando por nós, mas a regra de ouro, sabe, trate os outros como quer ser tratado".

'Evolução'

Até então, Obama dizia que sua visão sobre o casamento gay estava "evoluindo".

Questionado sobre o assunto em 2004 e 2008, o presidente era contra o casamento gay, e dizia que ainda não estava convencido em 2010 e no ano passado.

Como mostraram pesquisas de institutos de opinião, a própria visão dos americanos sobre o tema também "evoluiu" na última década e meia.

Em 1996, quando o instituto Gallup começou a colher seus dados, 68% dos americanos eram contra o casamento gay e 27% a favor. Dois anos atrás a diferença desapareceu e hoje os que apoiam o casamento gay são ligeiramente mais numerosos dos que se opõem (50% a favor, 48% contra).

Outra pesquisa do jornal Washington Post e da rede ABC mostra que em 2004 os que eram contra o casamento gay superavam os favoráveis (55% a 41%). Hoje a relação se inverteu e os que apoiam são 55% contra 43% que se opõem.

Perde e ganha

Analistas ainda tentam avaliar o impacto que a declaração de Obama pode ter na sua candidatura. É possível que sua posição complique as chances de uma vitória em Estados-pêndulo como a Carolina do Norte - que na terça-feira reafirmou a sua proibição ao casamento gay -, Virgínia e Flórida.

Por outro lado, muitos analistas acham que é improvável que os eleitores negros, que se sentiram valorizados com a eleição de Obama, muitos deles no Sul do país, deixem de votar pela reeleição de Obama por causa de um único ponto polêmico.

Se as eleições fossem hoje, as pesquisas indicam que Obama venceria seu rival, Mitt Romney, na Carolina do Norte, por apenas 2,4 pontos percentuais. Entre os afroamericanos da Virginia, venceria por 97% a 1%.

Um especialista republicano citado pela analista de política da rede ABC, Amy Walter, disse que "os eleitores que são fortemente contra o casamento gay - ou seja, que deixariam a opinião de um candidato sobre esse assunto determinar o seu voto - já não votariam pelo presidente de qualquer maneira".

O que tem sido apontada como benefício para Obama é a injeção de ânimo na sua base de militantes, frustrada com a insistência do presidente em declarar sua posição quando tantos representantes do partido já são favoráveis ao casamento gay.

"O apoio do presidente para a igualdade no casamento é uma grande notícia, que deve energizar os ativistas progressistas em todo o país", disse Justin Ruben, diretor-executivo da organização Move On, que faz campanha pelos direitos civis e pelo partido democrata.

O analista de política e autor do blog The Fix, do Washington Post, Chris Cillizza, apontou que "a base LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) não apenas é uma grande parte da base democrata, como compreende algumas das pessoas mais politicamente ativas do partido".

Além disso, disse, "não é segredo para ninguém que, para vencer, o presidente Obama precisa de um apoio muito consolidado entre as pessoas entre 18 e 29 anos de idade - o grupo que mais apoia o casamento gay".

Análises dos financiamentos da campanha de Obama já mostraram que o candidato, além de ser movido pelas pequenas doações (abaixo de US$ 200), também recebe um de cada seis dólares que vão para o seu caixa de doadores homossexuais.

Reações

A declaração de Obama gerou reações positivas e negativas. O virtual candidato republicano à Presidência, Mitt Romney, disse que sua visão é a de que o casamento é apenas entre um homem e uma mulher, e as uniões civis são "suficientes" e "apropriadas" para contemplar os direitos dos homossexuais.

O presidente do Comitê Republicano Nacional, Reince Priebus, acusou Obama de "fazer política nesse assunto", enquanto o seu partido e Romney "são claros". "Apoiamos a manutenção do casamento entre um homem e uma mulher, e nos opomos a qualquer tentativa de mudar isto."

Um dos primeiros a se manifestar foi o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, um ex-Democrata que se elegeu pelo partido Republicano e agora é independente. Bloomberg disse que a decisão de Obama de declarar seu apoio ao casamento gay, que é permitido em Nova York, é "um ponto de inflexão na história dos direitos civis americanos".

Já a organização Human Rights Campaign, que faz campanha pelo casamento gay, colocou em seu site uma carta aberta ao presidente - que os internautas podem assinar - agradecendo ao presidente Obama em letras garrafais pela sua posição.

"O presidente Obama fez história dizendo firmemente que gays e lésbicas americanos merecem nada menos que o igual respeito e reconhecimento que vem através do casamento", disse a organização."

"Estamos confiantes que nossa nação continuará a caminhar inexoravelmente em direção à igualdade, e agradecemos o presidente por nos liderar nesta direção."

http://oglobo.globo.com/mundo/video-de-obama-cobra-mudanca-de-romne...

Campanha é lançada um dia após presidente se dizer a favor de direitos para homossexuais

O GLOBO

COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Publicado:10/05/12 - 14h21

WASHINGTON — Mais do que assumir uma posição como presidente, Barack Obama lançou o tema do casamento gay na campanha eleitoral ao dizer, numa entrevista à rede ABC na noite de quarta-feira, que apoiava a união entre pessoas do mesmo sexo. Sua equipe foi rápida, e na manhã desta quinta-feira já lançava na internet um vídeo em que cobrava do principal adversário do democrata, o ex-governador republicano Mitt Romney, que volte atrás em suas posições e faça o mesmo.

Na entrevista para a TV, Obama, que nos últimos meses dizia que sua opinião sobre o assunto ...tenham os mesmos direitos que os heterossexuais. E, nessa manhã, "Mitt Romney: Backwards on Equality" (algo como Mitt Romney, atraso em questão de igualdade) entrou no ar, comparando os dois candidatos.

O vídeo começa com Obama declarando na entrevista que pessoas do mesmo sexo deveriam ter o direito de se casarem, para em seguida mostrar Romney, dizendo na quarta-feira que se opunha ao casamento gay e é a favor de reverter alguns direitos dos casais homossexuais.

O clipe também procura pintar Romney distante da maioria dos americanos, dizendo que até o ex-presidente republicano George W. Bush apoiava a união civil, uma etapa próxima ao casamento.

Com o anúncio, a campanha de Obama pretende energizar os democratas, principalmente os eleitores jovens, apesar de saber que o assunto pode incomodar os eleitores independentes mais conservadores.

Na noite desta quinta-feira, Barack Obama vai participar de um jantar de gala junto com o ator George Clooney. O ingresso para o evento, que tem como objetivo arrecadar fundos para a campanha, custa US$ 40 mil. Estima-se que US$ 15 milhões serão arrecadados, um recorde para um único evento. Em uma única noite, Obama e os democratas vão coletar mais do que Romney conseguiu em seu melhor mês de arrecadação.

E as contas de Obama vão ficar com ainda mais crédito: em outro evento nesta quinta-feira, em Seattle, ele deve receber US$ 3 milhões e, na segunda-feira, deve arrecadar mais com eleitores latinos e gays de Nova York.

Uma pesquisa feita pela Associated Press em parceira com a GfK, antes da entrevista de quarta-feira, mostra que a popularidade de Obama entre mulheres, minorias e independentes lhe dá uma ligeira vontade contra Romney. Metade desses eleitores disseram que votarão no democrata em novembro, contra 42% que optarão pelo republicano. Um quarto se disse vulnerável, o que significa que está indeciso ou que pode mudar de opinião antes da votação.

Gunter,

Fique tranquilo, nunca adotamos posições que não estejam secularmente estabelecidas. Não há no mundo povo tão conservador quanto o nosso. Não importa qual a posição política. Aqui, todos esperam o consenso para então se posicionar, sempre a favor é claro!

Longos caminhos foram trilhados, não só neste, como em vários outros assuntos. Procure saber sobre a história do divórcio. Pela diferença de idade que temos, acho que você não acompanhou toda a trajetória. Passamos, ao menos, três décadas para chegar a um PRIMEIRO acordo. Bem restrito, e que obrigava a cumprir um ritual muito mais longo que o casamento.

He he he!!! Acho que é para preocupar...

Oi Gilberto, eu estou super tranquilo. O que você fala é apenas que o Brasil continuará sempre atrasado em relação aos mais avançados da América Latina (Uruguai, Argentina, México, Chile e Venezuela.) E que depois irá atrás do prejuízo. Eu sei disso e não é apenas em questões LGBT, o tratamento a mídia e ao passado político são outros exemplos.

Mas andei conversando pelo facebook ontem até bem tarde e cheguei a conclusão que as falas de Cristina, Hollande, Senado do Chile e, principalmente, Obama, vieram em muito boa hora.  Não há mais desculpa para políticos brasileiros não tocarem mais no assunto. Nesse sentido o Alckmin até que se antecipou, dando entrevista pro Portal Mix Brasil em março. Os governadores dos estados de SP-MG-RJ anunciaram que vão promover uniões homoafetivas comunitárias no fim de junho (época do Stonewall Day), aí fica mais fácil cobrar dos governadores de RS-BA a mesma coisa.

Não temos muita diferença de idade não, e o Luiz é 9 anos mais velho. Mas eu acompanhei bastante coisa do divórcio, de Nelson Carneiro, da importância do presidente da época ser o único protestante da história do Brasil, que levou uns 3 ou 4 anos até sair algo. E que apenas há dois anos atrás finalmente o divórcio virou rito simples.

Mas em relação ao que conversávamos outro dia é que fico ainda mais tranquilo. Já troquei até minha assinatura no brasilianas para "só voto em político que apoia o casamento gay". E em um blog (o brasilianas, não me refiro ao Portal aqui) com frequência tão antiamericana e machista, coloquei o bottom de Obama com arco-íris. Temos que provocar as verdades estabelecidas, mesmo que na margem. Afinal, 5 meses mostrando Lula segurando a bandeira gay não provocou nenhum efeito positivo mesmo...

É o que eu digo Gunter: Sempre à espera do consenso, para então afirmar a decisão à favor. No meio tempo, toma lugar comum... 

Estranha posição de fugir do confronto, assumir sempre o discurso predominante e ter medo de brigar, se tiver em minoria. Por isto mesmo, sempre se juntar aos grupos maiores. A ausência e a impossibilidade de opinião, razão critica... Talvez por falta de cultura, e estou falando de cultura de qualquer tipo. Reparou como qualquer atividade com qualquer tipo música, literatura, poesia nas periferias abre a cabeça, cria linguagem e discursos novos? É claro que não aquela que só explora e reforça os estereótipos.

É triste, mas até a contravenção aqui é passiva. De alto a baixo. De demóstenes a cachoeira ou beira-mar. Eles transgridem para ter mais, do mesmo. E aí, são os gays os passivos...Vai entender!!!!

PS Sei que estás tranquilo, foi só uma provocaçãozinha. Anda tudo calmo demais por aqui!  

Bom, Gilberto, melhor pra um político esperar o discurso predominante aparecer e apoiá-lo que deixar o discurso predominante aparecer e deixar o bonde passar...

Existe isso sim, dos políticos brasileiros fugirem do confronto, de abrirem mão de suas ideias e princípios em prol do que diz a maioria. Eu não acredito, por exemplo, que metade dos políticos que se dizem a favor da criminalização do aborto ou pelo ensino oficial de religião nas escolas falem isso sinceramente.

Mas ainda bem que gays, lésbicas e transgêneros não são passivos, nénão? 

Gunter,

Penso que adotar o senso comum (como fora ideia própria), não é exclusiva dos políticos. A maior parte das pessoas se comporta assim.

Considera mais seguro seguir o discurso dominante, mesmo significando abrir mão de um verdadeiro pensar sobre as coisas.

Quais as razões?

Mais cômodo? Fuga do conflito? Submissão? Passividade? Se sentir inserido? Falta de cultura? Um pouco de cada um? Não sei dizer, um mistério...  

Em geral, na maioria das vezes e para a maioria dos assuntos, trata-se de medo. Eu não acho muito mistério não, portanto. Nossas sociedades vivem amedrontando as pessoas, não se trabalha para remover os medos. Não é à toa que falamos em fobias.

Cultura pesa, claro, quem tem mais cultura (o que inclui método de pensamento) consegue ou manipular os outros ou escapar das manipulações.

Fica interessante isso no problema proposto agora aos políticos: "digam se são favoráveis ou não ao casamento gay". É binário, não há meio termo. Ficam entre (o medo de) perder o voto dos eleitores que por sua vez acreditam em medos absurdos (como os relatados na resenha do livro "A Estratégia") e (o medo de) perder o voto de pessoas que já sabem do absurdo disso (e que estão preocupadas não só com seus familiares e amigos, mas também com seus descendentes.) 

Os dois são medos de não se eleger (dependendo da sociedade parecer atrasado é péssimo), mas o segundo inclui o medo de parecer ignorante ou desorientado. 

Nenhum político que chega a ser candidato à presidência de um país grande é néscio. Ele tem medo de não se eleger, de não atender sua vaidade, de não atender a um projeto (quando bem intencionados.) Aí ficam se equilibrando entre parecer arcaicos e modernos.

Mas o sistema está posto, as regras são relativamente estáveis. É problema dos políticos identificar o que é melhor parecer.

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