A crise financeira iniciada em 2007 chegou, com tudo, à economia real norte-americana, elevando substancialmente o número de desempregados nos EUA.

Em 2008, 2.600.000 trabalhadores norte-americanos perderam os seus empregos. Este é o maior número desde 1945, quando 2.750.000 norte-americanos ficaram desempregados.

Percentualmente, é claro que o número de 1945 é maior, pois a PEA (População Economicamente Ativa) dos EUA naquele ano era bem inferior à de 2008.

Mas, é bom esclarecer que o desemprego cresceu em 1945 devido ao fim da Segunda Guerra Mundial. Com o encerramento desta, milhões de trabalhadores que haviam sido empregados na máquina de guerra norte-americana ou que produziam bens consumidos pela máquina militar do país foram dispensados, ficando desempregados. Milhões de soldados também foram dispensados pelas Forças Armadas e voltaram a ter que procurar emprego, pressionando fortemente o mercado de trabalho do país. Com isso, o desemprego cresceu fortemente nos EUA em 1945 e o país caminhava rapidamente para uma nova Depressão Econômica.

Foi justamente para evitar tal Depressão que os EUA fizeram o Plano Marshall (em 1948) e inventaram um novo inimigo, ou seja, a URSS (ou o Comunismo Internacional) e, também, deram início à Guerra da Coréia, em 1949.

O dinheiro enviado para a Europa Ocidental, através do Plano Marshall, foi (por exigência dos EUA) parcialmente utilizado pelos europeus na aquisição de bens norte-americanos (produtos industrializados, alimentos, etc). Com isso, criou-se um novo mercado consumidor para os EUA, onde os seus produtos podiam ser comercializados livremente, o que ajudou a reconstruir a economia européia, mas também colaborou para a retomada do crescimento da economia norte-americana.

Já com o início da Guerra Fria e da Guerra da Coréia, os EUA usaram tais acontecimentos como pretexto para voltar a elevar consideravelmente os seus gastos militares e mantê-los num patamar elevado nas décadas seguintes, fato este que continua até os dias atuais. E os mesmos foram fundamentais para recuperar o investimento e a produção industrial do país, gerando milhões de novos empregos.

Assim, graças ao Plano Marshall e à Guerra Fria (bem como às Guerras da Coréia, do Vietnã, entre outros conflitos nos quais os EUA se envolveram) os EUA continuaram a desfrutar de um significativo crescimento econômico até 1973, quando ocorreu o primeiro Choque do Petróleo, que deu início à pior recessão do mundo desenvolvido desde a Grande Depressão dos anos 1930.

Portanto, a economia norte-americana depende, para crescer, de grandes e crescentes gastos militares (públicos, portanto). E isso ajuda a explicar porque os EUA tem o maior orçamento militar do planeta, cerca de US$ 800 Bilhões anuais.

Então, a crise atual dos EUA me parece ser de maior gravidade do que a de 1945, pois naquela época não tínhamos nenhuma crise financeira que tivesse provocado o aumento do desemprego no país. Além disso, os EUA detinham, naquele momento, cerca de metade do PIB mundial e era, de fato, a única grande potência industrial.

Hoje, os EUA enfrentam uma crise financeira gravíssima, estão envolvidos em guerras altamente desgastantes e que geram muitos gastos (e este é um fator que contribui para o crescimento da economia dos EUA, como já vimos) e tem grande parte da sua produção industrial realizada fora do seu território (na China, Índia, México, para onde se transferiram inúmeras indústrias e empresas norte-americanas).

Logo, entendo que a crise atual dos EUA é pior do que a de 1945 e a taxa de desemprego ainda deverá crescer muito no país em 2009, sendo que já se prevê que a mesma poderá passar de 10%.

Exibições: 1062

Responder esta

Respostas a este tópico

A Crise dos EUA!!!



É verdade que a crise norte-americana não comporta análises simplistas, como defendem algumas pessoas que são admiradoras da economia e da sociedade norte-americanas.

Por isso mesmo é que eu pergunto em qual crise anterior que:

1) o sistema financeiro norte-americano quebrou, como ocorreu na atual crise?

2) as três maiores montadoras dos EUA tiveram que recorrer à ajuda estatal para não quebrar (o que significa que já quebraram)?

3) 2.600.000 trabalhadores ficaram desempregados num único ano?

4) o Estado norte-americano teve que aprovar um pacote de ajuda de US$ 700 Bilhões (isso representa cerca de 5,5% do PIB/ano) para salvar instituições financeiras privadas falidas e especuladores financeiros que acumularam imensos prejuízos?

5) Durante vários anos a taxa de desemprego nos EUA oscilou em torno de 4,5%. Agora, já está em 7,2%. Isso já representa um aumento de 60%. E como a crise ainda está longe de terminar, já se prevê que a taxa poderá atingir os 10%. Além disso, a taxa de desemprego do Brasil, calculada pelo IBGE, é de 7,5% e não de 13,8%.

Além disso, de que adianta aos norte-americanos saber que a taxa de desemprego em outros países é maior? Nada, é claro. O que interessa, para os norte-americanos, é que o desemprego nos EUA está aumentando rapidamente.

Alguns dizem que as grandes corporações norte-americanas estão em boa situação financeira? Bem, diziam isso também dos grandes bancos norte-americanos... Deu no que deu. Sem falar que as grandes corporações dos EUA já têm uma longa tradição de falsificar seus balanços. A Enron e assemelhadas que o digam...

Além disso, os EUA já estão em guerra (contra os 'poderosíssimos' Iraque e Afeganistão) e o seu orçamento militar já passa dos US$ 800 Bilhões anuais, o que representa 6% do PIB.

Portanto, qualquer estímulo econômico que poderia vir do setor bélico já está acontecendo e, mesmo assim, o país enfrenta a sua pior crise financeira e econômica em várias décadas.

E uma guerra mundial, hoje, é inviável, pois seria nuclear e resultaria na destruição de grande parte do planeta.

E o fato de que a economia norte-americana tem capacidade de superar crises com facilidade, não significa que isso irá acontecer agora. E por vários motivos:

1) o déficit externo supera os US$ 800 Bilhões (6% do PIB, o que é altíssimo, até mesmo para um país rico como os EUA) e isso já ocorre há vários anos;

2) o déficit público irá superar US$ 1 Trilhão anuais nos próximos anos. Isso representa 7,7% do PIB/ano, o que é um patamar gigantesco para qualquer país. Na União Européia, por exemplo, o teto para o déficit público é de 3% do PIB anuais. No Brasil, em 2007, o déficit público foi de 2% do PIB. Esse déficit superior a US$ 1 Trilhão/ano já foi anunciado e reconhecido até mesmo por Barack Obama;

3) as estatizações da F.Mac, da F.Mae e de outras instituições financeiras, bem como os pacotes de ajuda econômica e de estímulo à economia, farão com que a dívida pública do país dispare nos próximos anos, o que irá limitar a capacidade de endividamento do Estado norte-americano, sob o risco de provocar uma aceleração da 'fuga do dólar', que já está em andamento;

4) grande parte do parque industrial norte-americano foi transferido para o exterior (China, Índia, México, etc). Logo, os pacotes de estímulo econômico podem acabar resultando num aumento dos já imensos déficits comercial e externo, que passam de US$ 800 Bilhões anuais, fragilizando ainda mais a situação financeira do país;

5) o dólar está perdendo espaço na economia mundial, seja como reserva de valor, seja como moeda que é utilizada nas atividades comerciais e financeiras globais. A participação do Euro é cada vez maior, até pelo fato de que a economia européia tem finanças muito mais sólidas do que a norte-americana.

Caso a UE consiga criar uma autoridade política que fale em nome de todo o Bloco, esse processo de substituição do dólar pelo Euro irá se acelerar ainda mais.

E inúmeros países criaram 'Fundos Soberanos', que são utilizados, justamente, como mecanismos de fuga organizada do dólar. Até o Brasil já criou o seu. Nem a Gisele Bundchen aceita dólares mais em seus contratos, apenas Euros. Sabe tudo de economia, essa Gisele...

E o fato de que restaurantes estejam cheios não serve como termômetro para dizer que a economia norte-americana vai bem, até porque quem os frequentam são pessoas que integram grupos privilegiados da sociedade, os mais ricos, e que são sempre os que menos sentem os efeitos de uma crise econômica.

São os assalariados e a classe média 'remediada' os que são os mais afetados pelas crises e não os mais ricos. Estes sempre têm 'gordura' para queimar, ao contrário das classes 'menos abastadas', e podem continuar frequentando seus restaurantes prediletos, mesmo que seja somente para manter as aparências de que estão numa boa situação econômica e financeira.

Todos os dados mais recentes e importantes da economia norte-americana mostram que uma significativa recessão começou no país. As vendas de veículos e de imóveis (2 importantes segmentos da economia dos EUA) despencaram. Nem as vendas do Natal escaparam da crise e também caíram.

Outra coisa: nas crises anteriores, os EUA ainda eram considerados a potência mundial incontestável e não tinham, de fato, nenhum concorrente sério a ameaçar a sua liderança global.

Hoje, no entanto, a China e a Índia (bem com a Rússia, o Brasil e inúmeros outros países emergentes) crescem muito mais do que os EUA e isso irá continuar nas próximas décadas, pois tais países ainda tem um grande potencial de mercado para desenvolver internamente.

A UE continuará o seu processo de expansão. A Rússia já superou o pior momento da crise provocada pela extinção da URSS e está crescendo cada vez mais e atua de forma cada vez mais intensa no cenário internacional, mesmo contra a vontade dos EUA e da UE, como se viu na guerra contra a Geórgia, pela qual nem os EUA e nem a UE nada puderam fazer.

Na América Latina, a influência norte-americana é cada vez menor, com a ALCA sendo abandonada e governos nacionalistas, reformistas anti-imperialistas (Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Corrêa, Fernando Lugo, Daniel Ortega, etc) se consolidando no poder, vencendo todas as eleições.

Até mesmo o governo Lula repudiou a ALCA, denunciou todos os subsídios agrícolas dos EUA na OMC, articulou reuniões entre países latino-americanos das quais nem os EUA e nem o Canadá participaram e dá um apoio decidido aos governos nacionalistas da região.

O recente acordo militar assinado pelo Brasil com a França é outra demonstração desta perda de poder dos EUA na região. E tal acordo foi motivado, em grande parte, pela reativação da IV Frota norte-americana, e visa proteger a Amazônia e o petróleo do pré-sal, principalmente.

Além disso, fica cada vez mais claro a impossibilidade de qualquer vitória norte-americana nas Guerras do Iraque e do Afeganistão, dois dos países mais miseráveis do mundo. Se os EUA não conseguem derrotar o Iraque e o Afeganistão, irão vencer guerras contra quem? a China? a Rússia? a Índia?

Portanto, todos estes dados permitem concluir, sem sombra de dúvida, de que a crise norte-americana é muito mais profunda do que se pensa, de que ela não será superada com tanta facilidade, assim (o que até Barack Obama já admitiu) e que os EUA perdem, cada vez mais, influência e poder no Mundo. E este processo irá se desenvolver durante todo o século XXI.

Os EUA continuarão sendo um país rico e poderoso, e por muito tempo, ainda, mas será apenas mais uma potência em meio a várias outras.

Portanto, a Era em que os EUA diziam ao Mundo o que fazer terminou, gostem ou não os norte-americanos e os seus admiradores
Obama e a Crise norte-americana!

A imprensa tem noticiado que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, irá adotar novos pacotes de estímulo à economia e que o valor dos mesmos deverá chegar a algo como US$ 825 Bilhões.

Entendo que qualquer pacote que Obama venha a adotar irá (como o próprio Nassif já comentou no blog), no máximo, evitar mais quebradeira e as pessoas (físicas e jurídicas) usarão o dinheiro recebido do governo para pagar as suas dívidas e não para investir ou consumir. Assim, creio que será muito difícil para Obama tirar o país da crise apenas com tais pacotes de estímulo.

Estou convencido de que os EUA deverão mergulhar num longo processo de estagnação econômica com taxas de crescimento próximas de zero, como aconteceu com o Japão após o estouro da bolha imobiliária em 1989, que deu início à mais longa crise econômica japonesa desde o final da 2a. Guerra Mundial.

Aliás, penso que seria interessante estudar o caso da estagnação econômica japonesa na década de 1990, pois acredito que os EUA têm tudo para repetí-la nos próximos 5 ou 10 anos, pelo menos.

A estagnação japonesa dos anos 1990 também começou com o estouro da bolha imobiliária que jogou o mercado acionário no chão e também arrebentou com o sistema financeiro do país.

E o que o governo japonês fez na época? Pacotes e mais pacotes de estímulo econômico e de ajuda substancial aos bancos falidos. E no que isso resultou? Em uma década de estagnação econômica.

Acredito que existe uma imensa possibilidade de que algo semelhante venha a acontecer com os EUA, agora.

O economista Lester Thurow chegou a dizer, num dos seus livros, que a área na qual se localizava o Palácio do Imperador, em Tóquio, chegou a ter um valor superior ao de todo o PIB da Califórnia (o estado mais rico e mais populoso dos EUA) e ele dizia que isso era totalmente irreal, é claro, fruto de uma especulação desenfreada e irracional que havia tomado conta da economia japonesa, tal como aconteceu com a economia norte-americana no governo Bush.

E se os EUA 'apenas' mergulharem numa estagnação econômica prolongada, isso acontecerá devido aos pacotes gigantescos de ajuda e estímulo econômico do Estado norte-americano. Sem os mesmos, os EUA mergulhariam numa Depressão propriamente dita.

E as grandes empresas norte-americanas estão capitalizadas porque lucraram muito tanto com a especulação financeira desenfreada que tomou conta da economia norte-americana e mundial nas últimas décadas, como pelo fato de terem transferido as suas unidades de produção para países como China, México, Índia, etc, onde os custos de produção são menores e as margens de lucro são imensamente maiores daquelas que vigoram nos EUA e nos demais países ricos. E é justamente por isso que tais unidades produtivas não serão levadas de volta para os EUA.

Simplesmente não há como reduzir os custos de produção e nem elevar a margem de lucro que se obtém nos EUA para os patamares que são alcançados na China, México, Índia, Indonésia, etc. E o próprio Barack Obama já disse isso, em seu livro 'A Audácia da Esperança'.

Na verdade, a tendência é que o processo de transferência destas unidades produtivas se intensifique, devido à gravíssima crise econômica que se abateu sobre a economia norte-americana, rumo aos países emergentes, que são os que sustentam o crescimento econômico mundial, hoje, e que têm um grande potencial de crescimento do seu mercado consumidor interno, algo que não acontece mais nem com os EUA, nem com a Europa e nem com o Japão, que são economias saturadas.

Setores da economia norte-americana como o automobilístico e o siderúrgico somente sobreviverão com vultosa ajuda e participação estatal (empréstimos, protecionismo, subsídios, etc). Esses setores deverão se transformar, no mínimo, em semi-estatais para poder sobreviver. Do contrário, irão se transferir para países com custos reduzidos, também, tal como já aconteceu com setores como o de calçados, têxteis, brinquedos, informática, entre outros.

Durante a estagnação, os norte-americanos terão que reestruturar a sua economia e a sua sociedade. Não dá mais para manter os gigantescos gastos militares (de cerca de US$ 800 bilhões/ano) ao mesmo tempo em que o sistema financeiro quebra, o Estado se endivida rápida e fortemente para salvar o setor privado quebrado (sistema financeiro, indústria automobilística, etc) e milhões de norte-americanos ficam desempregados e seu poder de compra se reduz cada vez mais.

O que os EUA terão que fazer, a meu ver, é:

1) promover uma forte regulamentação do sistema financeiro (inviabilizando novas bolhas especulativas e enquadrando o mesmo, como defende o Paulo Nogueira Batista Jr.). O item 4 do seu post dá a entender, inclusive, que talvez seja necessário elevar ainda mais a participação do Estado norte-americano no sistema financeiro, promovendo até algumas substanciais estatizações e com essas sendo de longo prazo, indo muito além de simplesmente ajudar agora para, daqui a alguns anos, privatizar tudo novamente.

O retorno à mesma situação que existia antes da crise é totalmente inviável, tanto do ponto de vista econômico-financeiro (devido à crise que a desregulamentação do sistema financeiro gerou) como sob o aspecto político-eleitoral, pois o povo norte-americano não aceitará que o sistema financeiro faça o que quiser e, com isso, jogue o país em novas crises econômicas como essa que está acontecendo. Afinal, por mais que acreditem na 'livre-iniciativa', eu duvido que o povo norte-americano seja masoquista;

2) reduzir fortemente os seus gastos militares, acabando com as guerras do Iraque e do Afeganistão, fechando inúmeras bases militares (são mais de 700 espalhadas pelo mundo afora), reduzindo as despesas com mercenários e empresas que se beneficiaram com a privatização das guerras promovidas pelo governo Bush (isso começou já no governo Clinton, mas em escala reduzida, e Bush intensificou o processo).

Qualquer coisa, sugiro a leitura dos livros 'As Aflições do Império' e 'Blackwater - A Ascensão do Exército Mercenário mais Poderoso do Mundo', que mostra como isso se desenvolveu. Tais livros contam coisas de que até Deus duvida, mas mostram de que maneira o complexo industrial-militar foi sendo consideravelmente ampliado, fortalecido e privatizado pelo governo Bush.

3) elevar fortemente os investimentos públicos (em infra-estrutura, saúde e educação, principalmente), promovendo um substancial aumento da participação do Estado na economia e na sociedade, criando-se um sistema público universal de Saúde. O sistema de saúde privado é caríssimo e, com a crise, ficará cada vez mais inacessível para grande parte da população, que ficará cada vez mais pobre, como já está acontecendo, aliás. Hoje, já temos 47 milhões de norte-americanos que não têm Seguro-Saúde nos EUA. Com a crise, esse número crescerá ainda mais, é claro, caso nada seja feito.

Assim, os EUA ficarão com uma 'cara' mais parecida com a da Europa Ocidental (como a França, por exemplo) adotando políticas de natureza tipicamente Social-Democrata, reconstruindo o Welfate State rooseveltiano, que os governos Reagan e Bush (pai e filho) desmontaram. Creio que teremos uma volta à época da 'Great Society', de Lyndon Johnson, que tentou aumentar os investimentos públicos na área social, mas isso foi inviabilizado, na época, pela Guerra do Vietnã. Esta, sugou os recursos que deveriam ter sido destinados aos investimentos públicos na área social e que faziam parte do programa da 'Great Society' de Lyndon Johnson. Assim, nas últimas décadas, os EUA privilegiaram os gastos militares em prejuízo dos investimentos sociais. Agora, terá que se fazer exatamente o contrário;

4) aumentar a taxação sobre as grandes empresas e os mais ricos a fim de financiar uma parte do aumento dos investimentos públicos. É evidente que o dinheiro para financiar o aumento dos gastos públicos terá que sair de algum lugar e é claro que terá que ser do bolso das grandes empresas e dos mais ricos, já que a classe média e os pobres estão empobrecendo ainda mais. Como a concentração de renda aumentou substancialmente nos EUA nos últimos 40 anos, então o único grupo social que poderá abrir mão de uma parte da sua riqueza a fim de financiar o aumento dos investimentos públicos, são os ricos, é claro;

5) elevar o poder de compra da classe média empobrecida pela crise e dos mais pobres, através da redução de impostos, aumentos reais para o salário mínimo, maiores investimentos na saúde pública, na educação e na qualificação da força de trabalho, no seguro-desemprego, mecanismos através dos quais se transferirá recursos para os setores mais atingidos pela crise.

Todas estas medidas ajudarão os EUA a suportar os anos de estagnação econômica que virão pela frente, mas creio que não serão suficientes para levar o país a crescer tanto como ocorreu nas últimas décadas.

Simultaneamente, os países emergentes continuarão crescendo, de forma muito mais rápida do que os EUA, a UE ou o Japão, e isso fará com que o mundo adquira uma feição muito diferente daqui a algumas décadas, com os EUA sendo apenas mais uma potência no meio de várias outras (China, Índia, União Européia, Rússia, Brasil).

RSS

Publicidade

© 2021   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço