Se você der uma busca pelo google digitando “Bei mir bist du schön”, encontrará pouca coisa. A mais completa é a da Wikipedia mesmo. Clicando em outro link, encontra-se a transcrição do mesmo texto.

Pelo título em alemão, posso imaginar ser um lied desconhecido de Schubert ou de Mahler. Puro engano. Está em alemão, porém o original é em ídiche: “Bei Mir Bistu Shein”, e significa algo como “para mim, você é linda”.

A história é, no mínimo, curiosa.

Cahn e seu parceiro lucraram um bocado
Ela se inicia de modo insólito. Sammy Cahn, em 1937, estava entre os espectadores de uma apresentação de Johnny and George no Teatro Apollo, no Harlem novaiorquino. Situação: dois negros cantavam uma música em ídiche e um judeu (Cahn não devia ser o único) estava na plateia. Esse tradicional teatro desde sempre abrigou apresentações para um público miscigenado; era frequentado pelos brancos, mesmo na década de 1930, quando eram ainda bem fortes os sentimentos segregacionistas na América. 
Cahn e seu parceiro musical Chaplin foram atrás dos direitos de compra de Bei Mir Bistu Schein, para verterem à língua inglesa e adaptá-la musicalmente, adequando-a mais para o gosto americano. Está dito que a adquiriram por meros 30 dólares (nem tão ninharia como é hoje, com certeza) de seus autores Jacob Jacobs (letrista) e Sholom Secunda (compositor).

Os primeiros a gravar foram as Andrew Sisters, em 1937 mesmo. O sucesso foi tal que Bei mir lhes rendeu três milhões dólares, ou seja, cem mil vezes: melhor que a Mega Sena. Consta na Wikipedia que Secunda e Jacobs recuperaram os direitos sobre a música em 1961.

Bei mir bist du schön foi gravada, posteriormente, por um elenco estrelado da música americana: Benny Goodman, Brooker Erwin, D*** Hyman, Ella Fitzgerald, Glenn Miller, Jack Teagarden, Judy Garland, June Christy, Lionel Hampton, Louis Prima; a lista é grande: não é à toa que arrecadou 3 milhões de dólares.

A curiosidade pela história de Bei mir surgiu por conta de uma interpretação da baixista e cantora Nicki Parrott. Não é muito conhecida. Australiana de nascimento, tem uma irmã saxofonista e clarinetista talentosa – Lisa Parrott – e andou acompanhando a pianista Rachel Z. Radicada em Nova York desde 1994, faz parte do cenário musical dessa cidade, e tem discos gravados pela prestigiada – por alguns, principalmente dos fãs do formato trio piano, baixo e bateria – Venus Records. É dela a interpretação que você vai ouvir.

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Respostas a este tópico

guen,

acabei de ouvir o melodramático filipe catto.

você já ouviu? bem que queria ouvir sua opinião sobre ele.

 

bom... daí uma transição de fase ao chegar aqui. e bom, muito bom. conheci uma música nova (sim, eu não conhecia) e li uma história incrível. a arte pode dar lucro, né? não no Brasil, onde muitos, extremamente talentosos, sequer conseguem sobreviver da sua arte. lemos umas histórias tristes estes dias, não foi? (tô lembrando aqui da história recente de chico de assis e de... caramba... esqueci... um compositor importante da mpb que mal conseguia dar conta do tratamento médico...)

Saiu uma matéria em O Globo com entrevista do Aldir Blanc. E a história é de que recebeu uma merreca por aquelas músicas feitas com o João Bosco e a Elis cantou. Está na matéria de que vive endividado. E é possível?

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