Segundo informações divulgadas, foi fechado um acordo prevendo o retorno do Presidente Manuel Zelaya ao cargo.

Caso isso realmente se confirme, creio que o Manuel Zelaya sai desta crise muito maior do que entrou nela. Antes da mesma, ele não era conhecido por ninguém fora de Honduras e o que acontecia no pobre país centro-americano tinha pouca relevância internacional.

O Golpe de Estado projetou Zelaya internacionalmente e, fato não previsto pelos golpistas, o transformou em símbolo da Democracia latino-americana pois, goste-se ou não dele, o fato é que ele é o Presidente legítimo do país, eleito diretamente pelo povo.

Além disso, não se derruba um Presidente da República sem que o seu direito de defesa seja devidamente respeitado e tampouco se coloca um Presidente, de pijama, num avião e o envia para fora do país, como se fosse uma pessoa totalmente destituída de direitos.

Em qualquer regime onde vigora o Estado Democrático de Direito deve-se respeitar o direito de defesa e ponto final, não importando se gostamos ou não da pessoa em questão e do que ela fez.

Por tudo isso, mesmo que Zelaya administre o país por pouco tempo e não possa governar com plenos poderes, o simples retorno dele ao cargo de Presidente da República representa uma grande vitória para a Democracia e para o Estado Democrático de Direito.

Os Golpistas perderam! A Democracia venceu!

Por isso, os latino-americanos que desejam ver a Democracia plenamente consolidada na América Latina estão vibrando neste dia, com certeza.

‘Guatemala 1954′? Nunca Mais!

Viva ‘Honduras 2009′! Viva a Democracia!

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Respostas a este tópico

Isso SE o Congresso de Honduras o reconduzir ao governo. Se nao o fizer, estará dada a receita do "golpe legal". É isso o que me preocupa.
Anarquista, isso será mera formalidade. Jogaram a responsabilidade de restitiuir Zelaya ao cargo para o Congresso para não deixar o Micheletti 'mal na foto'. O Micheletti poderá dizer, depois, que foi o Congresso que tomou essa decisão e não ele.
Anarquista, foi divulgado que foi o próprio Zelaya quem exigiu que o seu retorno à Presidência da República fosse aprovada pelo Congresso Nacional.
Melhor assim, fico mais aliviada. Estava com muito medo de que, se o golpe em Honduras desse certo, quisessem fazer algo assim aqui em 2010.
A propósito Anarquista,você leu a crônica do FHC,hoje nos jornais ? O seu "BASTA"soa como um convite aos descontentes com o atual status quo brasileiro,a um golpe, e seu temor que poderia acontecer em Honduras,algo que estimulasse aos descontentes daquí a algo parecido,tem coerencia.
FHC? Aquele mesmo? Por favor, Raí, dê mais informações. Nao leio jornal nem vejo telejornais há séculos, só leio os blogues.
Devagar com o andor: mezzo Vitória, mezzo enrolação. Não é de todo mau.
Michelletti exibiu as manguinhas de fora até que o Depto de Estado americano lhe disse ''Chega!''.
Ainda não ouvi nada sobre a Constituinte. Foi rifada no conchavo?
O Brasil, entretanto, e o Lulão em particular, saiu-se muito bem nessa, com certeza.
Certamente os gorilas da América Latina ficaram/ficarão incomodados com o desfecho.
Hermeneuta, pelo que li, não haverá Constituinte. É claro que ambos os lados do conflito fizeram concessões, senão não haveria acordo.

Mas, o principal foi que os golpistas recuaram e aceitaram o fato de que Zelaya é o Presidente legítimo de Honduras e concordaram com o seu setorno ao cargo. Ao fazer isso, reconhecem que deram um Golpe de Estado.

O mais importante, mesmo, foi barrar o Golpe e a implantação da Ditadura Militar em Honduras. Se isso não fosse feito, o Golpe hondurenho poderia servir de estímulo para outros golpes pela América Latina afora.

Na Guatemala, o empresariado local apoiou o Golpe em Honduras, o clima político no país já estava ficando bastante acirrado, pois o presidente do país, Alvaro Colom, é um reformista e foi eleito com apoio de grupos de Esquerda e de Centro-Esquerda.

E o Brasil, ao manter o seu apoio à Zelaya (e com total apoio da comunidade internacional), presidente legítimo de Honduras, teve um papel fundamental na resolução da crise.

Agora, que fique bem claro uma coisa: o Golpe somente durou tanto tempo porque os EUA permitiram. Afinal, 70% das exportações hondurenhas vão para os EUA e as remessas de hondurenhos que trabalham no exterior representam 23% do PIB do país e quase todo esse dinheiro vem dos EUA.

Assim, se os EUA tivessem adotado um embargo comercial e proibido a remessa de dinheiro para Honduras por parte dos hondurenhos que trabalham em terras ianques, o Golpe não teria durado nem 48 horas.

Os golpistas somente ficaram no poder por tanto tempo porque os EUA permitiram. Os EUA tinham a 'faca e o queijo' na mão para acabar com o Golpe rapidamente, mas preferiram contemporiar com o mesmo, o que foi um grave erro.

A imagem dos EUA na América Latina ficou gravemente manchada com este episódio. Quem saiu engrandecido do mesmo foi o governo Lula e o próprio Zelaya, que virou um símbolo da Resistência Democrática latino-americana.
Flávio Aguiar, como sempre, brilhante. Mas o artigo não menciona a Constituinte.

DEBATE ABERTO

Honduras: gol do Brasil

O Brasil sai com um trunfo e um triunfo na mão, contra todos os fantasmas que se ergueram no caminho, alegando que o Itamaraty estava deixando sua tradicional posição “equilibrada” para se envolver numa disputa que não era sua, como se democracias e ditaduras nas vizinhanças não nos dissessem respeito.

Flávio Aguiar

Foi o Secretário (equivalente a Ministro no Brasil) Thomas Shannon Jr. sair do banco de reservas e entrar em campo para Micheletti, o presidente golpista em Honduras, afinar e aceitar alguma forma de acordo. Pudera: além de levar para a área de Micheletti o risco dos EUA não reconhecerem a eleição de novembro sem um acordo com Zelaya, Shannon levava também por debaixo do pano a ameaça de que isso redundasse na retirada dos milhões de dólares da ajuda norte-americana ao país, cujo governo ficaria então, literalmente, pendurado no pincel e sem escada para descer, ameaçando esborrachar-se.

Mas não nos iludamos. Neste jogo perigoso o gol não foi norte-americano. O gol foi do Brasil, na verdadeira folha seca que foi, em curva pelo lado da barreira, como fazia Waldir Pereira, o imortal Didi, o acolhimento de Zelaya na nossa embaixada em Tegucigalpa. Os norte-americanos escaparam isso sim de marcar um gol contra, ameaçados que estavam de uma conivência velada com os golpistas por omissão, o que arruinaria de vez a política do presidente Barack Obama para a América Latina, além de mergulha-lo no descrédito.

Esse descrédito não seria apenas externo. Seria interno também. A partir de um fracasso de Obama na questão, os republicanos e seus lobistas mais à direita fariam gato e sapato com tudo o que o novo governo tentasse fazer, em qualquer frente, inclusive na área da saúde.
Aparentemente foi mais complicado negociar internamente no próprio governo norte-americano do que soltar a pelota na área de Micheletti e mandar escrever, senão o pau ia comer na pequena área.

Por seu lado, o Brasil sai com um trunfo e um triunfo na mão, contra todos os fantasmas que se ergueram no caminho, alegando que o Itamaraty estava deixando sua tradicional posição “equilibrada” para se envolver numa disputa que não era sua, como se democracias e ditaduras nas vizinhanças não nos dissessem respeito. Junto com a aprovação da entrada da Venezuela na Comissão de Relações Exteriores do Senado, esse acordo em Tegucigalpa, possibilitando que Zelaya deixe a embaixada para o Palácio Presidencial, ou pelo menos encaminhando a questão nesse sentido, é uma grande vitória para o governo e sua política interna e externa. “O Brasil estava certo”, é o que se pode ler nas entrelinhas de qualquer noticiário. Foi a intervenção brasileira, acolhendo Zelaya, que abriu a oportunidade e ao mesmo tempo forçou os Estados Unidos a agirem.

Se os golpistas, apesar das repetidas juras de Micheletti em sentido contrário, atentassem contra a embaixada, os Estados Unidos e sua omissão seriam co-responsáveis pelo que viesse a ocorrer. E ficou mais uma vez comprovado que o Brasil tornou-se um jogador indispensável dentro dessas quatro linhas, que é a complicada quadratura do círculo da política regional e mundial.




Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior.
Coerente,inteligente e atualizado,este jornalista da Carta Maior,que contrariando a grande maioria de seus colegas brasileiros,"desceu de cima do muro"e escreveu esta crônica bem lúcida e elaborada.
Enquanto isto, a resistência... (do Vermelho)

A resistência

Concentrados, em frente ao Congresso, apoiadores de Zelaya anunciaram uma pressão pela restituição. "Estamos iniciando uma pressão forte ao Congresso para que seja ratificado e aprovado o acordo firmado pelas delegações (...) O Congresso tem que confirmar esse acordo porque é o que diz o Acordo de San José", disse Rafael Alegría, em uma entrevista à Telesur. Ele destacou que o povo conseguiu uma grande vitória, com o apoio da comunidade internacional, à qual agradeceu toda a ajuda prestada. "Não há que se prolongar mais o sofrimento do povo", completou.

Alegria afirmou ainda que o movimento formado na resistência ao golpe continuará levantando a bandeira da Assembleia Constituinte, mesmo reconhecendo que ela não será mais realizada num governo de Zelaya. "Estamos seguros de que esta constituinte realizaremos em 2010", concluiu Alegría.
Uma vitória, sim, e que eles não vão deixar passar assim, como vitória...
os golpistas, de lá e de cá (miriam leitão à frente) precisarão arrumar belas desculpas para não parecer assim. agora, claro, nem tudo serão flores.

mas para o Brasil foi um banho de latinidade, ah, isto foi!

tem gente que gostaria que nossas alianças fossem com os ricos, com Miami (arhg!), com a California (agora endividada até o pescoço) mas, alguns devem ter aprendido algo sobre o simples, sobre a humanidade. sobre ser gente.

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