A farsa da pegada ecológica como métrica de sustentabilidade.

As pessoas inventam definições que devem nortear o comportamento humano e para isto medem através de índices como se deve conduzir o homem para respeitar estas definições. Entretanto os índices podem representar exatamente ao contrário do que a definição previu isto ocorre com um conceito e uma métrica, a sustentabilidade e a pegada ecológica (ou pegada de carbono).

O conceito de sustentabilidade diz em sua definição que algo sustentável deverá permitir que as gerações futuras possam viver de acordo com o a capacidade da Terra de regenerar e permitir que as gerações futuras sobrevivam com o mesmo nível de vida que nos dias atuais.

Para quantificar esta sustentabilidade existem várias métricas, que variando de um valor mínimo a um máximo, permitem definir se um país ou uma região é mais ou menos sustentável do que o outro, ou seja, se um grupo social atinge um valor 0,2 e outro um valor 20 o pais que atinge um valor 20 seria 100 vezes menos sustentável do que o outro.

Uma das métricas mais conhecidas e quantificada de acordo com normas e procedimentos definida por uma fundação internacional, a Global Footprint Network, é a pegada ecológica ou também conhecida pela pegada de carbono, esta fundação define através Ecological Footprint Standarts como deve ser calculada esta pegada ecológica.

Partindo dessas definições, um país com baixo valor de pegada ecológica, permitirá que as gerações futuras vivam exatamente no mesmo nível de vida que as gerações presentes, logo olhando sob o ponto de vista humanístico é de se pensar que países que possuem uma ótima pegada ecológica serão exemplos de padrão que devemos seguir, porém se analisarmos friamente os resultados das pegadas ecológicas veremos que esta métrica mostra exatamente ao contrário, pois vamos aos fatos.

De tempos em tempos a partir de dados de diversas organizações é feito o Ecological Footprint Atlas em que são classificados os países que mais respeitam a pegada ecológica e os que menos respeitam. O último disponível em rede é o Ecological Footprint Atlas 2010, onde aparecem os países com menor pegada ecológica (aqueles que teoricamente seriam capazes de manter o meio ambiente para as futuras gerações) e os países com maior pegada ecológica (aqueles que não possibilitariam a vida das suas próximas gerações). No relatório de 2010 os 11 países com melhor pegada ecológica por ordem decrescente de desempenho são:

Bangladesh,

Afeganistão,

Haiti,

Malawi,

República Democrática do Congo,

Paquistão,

Moçambique,

Eritreia,

Burundi,

Zâmbia e

Iêmen.

por outro lado os países que não garantem a vida de suas próximas gerações são por ordem decrescente de sustentabilidade são

Emirados Árabes Unidos,

Qatar,

Dinamarca,

Estados Unidos,

Bélgica,

Estônia,

Canadá,

Austrália,

Kuwait,

Irlanda e

Países Baixos.

Se olharmos com um mínimo de cuidado a lista dos melhores e dos piores e considerarmos que a primeira das próximas gerações são os filhos que estão nascendo nos dias atuais, deveríamos no limite ter um alto grau de possibilidade de sobrevivência dos primeiros e um baixo grau de sobrevivência dos segundos, ou seja, os campeões deveriam ser o primeiro grupo e os perdedores os do último.

Agora cruzando os valores de mortalidade infantil do primeiro grupo com o do segundo chegaremos aos seguintes resultados para os campeões de sustentabilidade na mesma ordem anterior:

47,3; 187,5; 50,92; 76,98; 74,87; 59,35; 74,63; 39,38; 58,86; 68,58 e 51,93

(média = 71,84),

já por outro lado os piores em sustentabilidade tem os seguintes valores de mortalidade infantil

11,25; 6,6; 4,14; 5,2; 4,23; 6,82; 4,49; 4,78; 7,68; 3,78 e 3,69

(média = 5,69), conservando a ordem anterior.

Como outros padrões de vida, como idade média e outros, seguem mais ou menos o índice de mortalidade infantil, podemos dizer baseado em valores concretos que a pegada ecológica mostra simplesmente que os países de melhor pegada possuem um grau de mortalidade infantil 12,6 vezes pior do que os países de pior pegada ecológica, ou seja, a atual geração dos países “sustentáveis” que está nascendo tem uma chance 12,6 menor do que os países "não sustentáveis”.

Poderíamos traçar uma curva de sustentabilidade versus mortalidade infantil e se veria que quanto mais “sustentável” for o país menos sustentável é a vida de sua geração futura.

Parece ridículo, mas temos um índice de sustentabilidade que indica o inverso que ocorre nos dias atuais, exatamente o inverso! Ou seja, como parâmetro de possibilidade de vida das próximas gerações dever-se-ia procurar a maior pegada ecológica possível.

O que se pode dizer é que por motivos históricos, sociais e econômicos a lista dos países “sustentáveis” é realmente uma lista de miséria provinda de fatores como a opressão colonial e o domínio tecnológico. Porém não se pode utilizar um índice que friamente conduz a resultados inversos do que apregoam seus idealizadores, pois ele é completamente distorcido, indicando não um ideal de comportamento humano, mas sim a realidade de quem é miserável consome muito menos de quem é rico a tal ponto de comprometer a vida de suas próximas gerações.

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Respostas a este tópico

Caro Rogério

Se tem uma palavra que tem me dado urticárias é essa tal de "sustentabilidade", a coisa está tão em moda e prestes a virar nome de partido politico, virou a coqueluche dos "ecologos", assim como a expressão "custo/beneficio", também tem me dado a mesma coceira, em qualquer loja, você entra, pergunta o preço de algo, lá vem o vendedor com a historia do "custo/beneficio", acho que estou ficando velho ranzinza estou tendo urticária com qualquer coisa. 

Outro dia estava conversando com um amigo sobre o tema "sustentabilidade", quando ele me indagou como não acreditar em mais de 600 cientistas reunidos pela ONU debatendo e falando sobre a tal pegada, fiz a seguinte comparação, para que ele fosse ao Mc Donald e perguntasse para as pessoas que estavam lá dentro quem gosta de hamburguer e verificasse se não conseguiria respostas afirmativas em mais de 90%, a comparação é mais ou menos essa.

Proporcionam prêmios, viagens, divulgação de trabalhos para todo aquele que escreve algo alinhado com a "cartilha" arrebanhando esse contingente todo de cientistas, sem menosprezar nenhum deles, não sei se poderíamos qualificar todos como "cientistas", tem muito turista e "maria vai com as outras" nessa relação de 600 pseudos cientistas.

Ótimo final de semana

abraços

Sebastião.

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Este texto me deu um bom trabalho, pois para não escrever qualquer coisa tive que olhar com cuidado todos os textos da Global Footprint Network, fica claro que a partir de uma ideia que até pode ser correta em tese, a sustentabilidade, se cria um Frankenstein que é a "pegada ecológica".

Críticas ao resultado final do cálculo da "pegada ecológica", me parece que alguns membros da comunidade ligada a conservação tem uma verdadeira preguiça em verificar o que significa realmente estes valores da classificação de países e regiões. Tomam os resultados como corretos e saem por aí a propagandeá-los.

Olá Rogerio,

A ciência = "entendimento preciso", entre aspas pois nem mesmo a cência tem 100% de certeza,  sobre o que se denomina ecologia é aparentemente novo e vem sendo forçado, por ideologias, a fazerem parte da agenda política mundial. Claro que muitas de suas afirmações não se sustentam quando questionados por cientistas confiáveis. Suas proposições são de difícil verificação e seus custos altíssimos, com o agravante, que seus efeitos são de longo prazo - segundo o entendimento vigente - e, isto tem pouco impacto nos indivíduos, pelo menos a grande maioria leiga.

Particularmente, me preocupa, quando olhamos o espectro formado pelas entidades e até pessoas que lhe garante a propaganda, é fácil perceber que existe, no imediato, o gosto ávido pelo ganho fácil.

Gde abraço.

Caro Capa Dura.

O que me espanta é o uso de uma métrica errada para dimensionar o que na realidade seria ecologicamente sustentável ou não. Para diagnosticar o que é sustentável ou não devemos ter muito cuidado.

Vou dar um exemplo dos erros que podem introduzir métricas como esta. Entre 1967 e 1970 ocorre uma secessão na Nigéria entre um Estado predominantemente Ibo que veio a se chamar Biafra, este conflito ficou conhecido em todo mundo não só através de seu número de mortos (mais de um milhão), mas pela primeira vez que surgiram imagens de crianças famélicas africanas nos jornais e revistas do primeiro mundo.

Não entrando em detalhes sobre a origem ou desenvolvimento desta guerra, sabe-se que a fome matou milhares de pessoas e após o fim da guerra uma série de obras públicas foram realizadas nesta região com o objetivo de compensar os estragos da guerra. Meu pai por volta de 1977 trabalhou como engenheiro exatamente na região mais atingida pela fome na Nigéria, e ele observou que nesta região a biodiversidade nesta época era praticamente zero, pois com a fome durante a guerra todo e qualquer ser de quatro patas que se mexia foi transformado em alimento.

Se fossemos aplicar o conceito de pegada ecológica nesta área na década de 70 a 80 o seu valor seria alto, pois não se levaria em conta a biodiversidade perdida com a fratricida guerra. Da mesma forma nos dias atuais, apesar do Haiti estar colocado em destaque na Pegada Ecológica, por falta de recursos, fome e outros problemas, ocorre neste momento uma extinção de espécies da flora e fauna, estima-se que sobrou somente 1% das florestas nativas originais e grandes grupos ambientalistas norte americanos estão até levando sapos haitianos para continuar a se reproduzir em Miami.

Este exemplo mostra a miopia dos ambientalistas, no lugar de deslocar cientistas, helicópteros equipamentos para salvar meia dúzia de espécies, se eles fizessem um programa de fornecimento gratuito de gás de cozinha para o Haiti, especialmente em áreas próximas as regiões ainda com alguma biodiversidade, os haitianos naturalmente cozinhariam com fogões e não teriam que cortar árvores das florestas remanescentes. Esta ação teria diversos objetivos, entre eles seria a diminuição de mortes por doenças pulmonares causada pelo uso de fogões improvisados (ou até mesmos os ditos ecologicamente corretos http://www.acs.org/content/acs/en/pressroom/presspacs/2012/acs-pres...) utilizando madeira como combustível.

Olá Rogério,

Entendo sua preocupação. Todavia, percebe-se numa análise mais acurada que existe algo muito mais preocupante por trás desta métrica, a indução subliminar de conceitos que servirão a propósitos não mostrados apenas com a métrica. Por exemplo a que interesse serve e que poder obterá os dominadores destas ideias.

Gde Abraço. 

Caro Capa

Desculpe-me entrar no meio da conversa entre você e Rogério, mas se é que posso responder a sua indagação, de quais vantagens os dominadores poderiam tirar dessas ideias, penso que está muito clara as intenções, conservação.

Resume-se em duas correntes de pensamento, desenvolvimentistas e conservacionistas, com os conservacionistas mantem-se tudo como esta, inclusive a economia, ricos permanecem ricos e pobres como estão, já com os propósitos da primeira corrente, desenvolvimento gera alteração dos "status", países ricos em recursos naturais poderão facilmente conquistar posições que não interessa aos hegemônicos atuais.

Sustentabilidade, vincularam essa palavra a produção de CO2 oriundo da queima de combustíveis fosseis, fabricando a teoria que o gás CO2 é o grande responsável pelo suposto aquecimento global que por sua vez não se tem provas suficientes de tal fato.

Por que fizeram esse vinculo? Simplesmente porque energia é desenvolvimento, e quanto mais energia um pais tem a sua disposição, mais chances de desenvolvimento terá, tanto isso é verdade, basta ver os consumos energéticos dos países que figuram no topo da lista.

Assim o conservacionismo está impregnado em nossa sociedade não gratuitamente, vem há muito sendo implantado nas cabeças de nossas crianças, basta ver todas as ações contrarias a desenvolvimento que presenciamos em nosso pais, o mais emblemático que sempre  cito como exemplo foi ou esta sendo a companha que impetraram contra a construção da barragem de Belo Monte, as interrupções da obra, índios munidos de arco e flecha interrompendo os trabalhos, artistas, promotores ambientais dando entrevistas nos meios de comunicação como se fossem os paladinos ambientais, etc,  etc...

Fico por aqui, ótimo feriado.

abraços

Ola Sebastião,

Entendo que que a mobilidade social é algo benéfico e que existem muitos contra e muitos a favor, mas não sei se podemos denominar apenas de conservadores e progressistas ou contra a favor...Esta é uma retórica conveniente justamente aos que tentam convencer que conservar é algo ruim e sustentar é algo bom. E se seguirmos por aí vamos verificar que a Fundação ford e a rockefeller, bem como George Soros e outros da mesma estirpe são todos progressistas. Não necessitamos ser muito inteligente para perceber que esses querem apenas manter o status quo e buscam novas formas de continuar com os mesmos privilégios. Ou por outro lado como muitos pensadores que se dizem progressista que pregam o jogo de somo zero ou o hobihoodinismo, tomar dos ricos para dar para os pobres e a favorecer a alguns poucos embusteiros que através do poder se locupletam da coisa pública para enriquecer a si a aos compadres.

Não posso dizer ainda o que há por trás desta nova onda, mas que há algo escondido que não é muito bom....

gde abraço

Exatamente Capa Dura.

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A métrica induz que o bom é se viver na miséria com fome e alto índice de mortalidade infantil!

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É simples ver a origem de tudo isto, o primeiro mundo viu através de trabalhos como o do Clube de Roma que o mundo se assumisse o mesmo padrão de consumo que os países do primeiro mundo seria insustentável. E o que eles fizeram? Baixaram seu padrão de consumo? Não, simplesmente procuram bloquear países que precisam ainda do mínimo!

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Até nossas hidrelétricas, que na Noruega são consideradas o máximo em sustentabilidade, são no Brasil consideradas fontes de poluição, ou seja, na Noruega que vende energia para o resto da Europa (hidrelétrica e petróleo) as hidrelétricas são limpinhas e o petróleo cheiroso, já no Brasil?

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Ola Rogério,

Entendo que é mais um instrumento para tudo permanecer como está em movimento circular uniforme.

gde abraço.

Caro Capa

Perceba que a coisa toda é feita mais para confundir do que para explicar, assim como sinais trocados, o positivo na verdade é negativo e assim por diante.

Esses mesmos senhores que você cita na sua intervenção, são os mesmos que custeiam todas as ONGs ambientalistas, Greenpeace, WWF, CI, ISA, e outras tantas. Você consegue imaginar esses mesmos senhores classificados por você mesmo como progressistas, derramando verdadeiras fortunas para essas organizações ambientais com o único proposito de receber como retorno o titulo de "corações bondosos" ou "salvadores do planeta" ?

Publicidade pesada a partir da década de 70, quando começaram a aparecer esses  "paladinos, salvadores do planeta", fez com que acreditássemos que desenvolvimento é sinônimo de destruição, e consumo de energia é agressão ao meio ambiente, assim toda uma geração foi formada com essa visão, hoje contamos com juízes, políticos, pessoas de excelente formação nas áreas de humanas, exatas que acreditam e lutam por esse princípios, assim, inconscientemente, trabalha contra o desenvolvimento, principalmente nos países onde o desenvolvimento se faz urgente para o básico das necessidades humanas .

Veja algumas inverdades que tentam nos incutir, tentam talvez seja pretensão minha, nos incutem e está muito bem enraizada em nossas mentes:

- O planeta não aguenta alimentar toda sua população.

- Petróleo é finito e não demora muito para seu fim.

- O consumo de combustíveis fosseis está despejando excesso de CO2 na atmosfera.

- O excesso de CO2 na atmosfera gera aquecimento global.

- A mata amazônica é o pulmão do mundo, sem ele nos faltara oxigênio.

- Gás freon esta causando o buraco de ozônio, que provocara câncer de pele na população do hemisfério sul.

- Animais em extinção, não vou relacionar pois não caberia numa pagina dessas.

- As calotas polares já estão derretendo.

- Os mares subirão 5 m, inundando praticamente todas as cidades litorâneas, já ouvi e li supostos "cientistas" falando em 50 m. 

Você acha que todas essas teorias nos são impostas a custo zero ? 

O preço disso tudo é continuarmos pobres e dependentes dos mesmos senhores que você citou no seu comentário.

abraços

 

 

Caros amigos.

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Enquanto as nossas hidrelétricas são sujas e poluidoras olhe o que a suprema corte norte americana decidiu sobre as poluentes usinas de geração de energia por carvão.

http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2014/06/24/106464-su...

Ou seja, hidrelétrica no Brasil não pode, termoelétrica a carvão no Brasil e Alemanha pode!

PS.: Só para informar, com as usinas eólicas e solares na Alemanha que param quando não tem vento e sol, os alemães estão reativando velhas usinas a carvão!

Sr. Maestri,

Gostei muito do artigo e em especial os debatedores apresentam mais dados para que possamos dizer alto e bom som :

" Queremos fazer parte urgentemente do Grupo Sem Pegada Ecológica "

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