Saiu o World Energy Outlook 2009, em meio a rumores que lançam suspeitas sobre sua credibilidade. Trata-se do anuário da Agência Internacional de Energia, organização criada pela OCDE em resposta à Crise do Petróleo de 1973. Ela visa coordenar as políticas energéticas de seus estados membros. O anuário reúne dados fundamentais, nos quais se baseiam os estados membros da AIE, para efetivarem seus planos estratégicos na área de energia. Informações sobre o WEO podem ser acessadas no endereço a seguir:

http://www.worldenergyoutlook.org/

Antes de entrar na polêmica do WEO e apresentar os documentos que reforçam os argumentos de seus críticos , algumas palavras sobre a gravidade da crise energética que se aproxima.

Esta discussão deve ser aberta para toda sociedade. Não faz sentido afastar a opinião pública do debate, pois além de antidemocrático, a superação dos impasses e a mitigação dos efeitos dependerão de mobilização, de envolvimento coletivo. Sofreremos conseqüências graves advindas da falta de energia, ela terá efeito mais imediato do que uma eventual mudança climática, para qual se dá muita ênfase. Alteração significativa do clima se implanta gradualmente em prazo de séculos. Estancamento da oferta de energia dá efeito imediato na economia, um recuo nessa oferta torna a situação desastrosa.

Estamos no limite da exploração de petróleo no planeta. A mais importante matéria prima para o mundo moderno que extraímos da natureza se esgota, para ela não há meios de reciclagem ou alternativa com a mesma versatilidade. Toda imensa capacidade produtiva da economia atual deriva da energia que obtemos principalmente dos chamados combustíveis fósseis, nenhuma tecnologia de energia alternativa moderna é adequada para substituí-los na escala em que os utilizamos. Se uma tecnologia revolucionária surgir hoje, não há condições para que seu emprego em substituição parcial significativa aos fósseis se dê antes de três décadas. Não há um horizonte firme da chegada de tal tecnologia nem a certeza de que venhamos a alcançá-la.

Depende fortemente do petróleo a agricultura mecanizada moderna - responsável pela maior parte da produção mundial de alimentos - e o transporte usado na distribuição de seus produtos, eles sustentam atualmente com imensas falhas os quase sete bilhões de seres humanos. A chegada do Pico do Petróleo é um ponto de virada para a humanidade. Assim como o emprego dos combustíveis fósseis causou imensa modificação na sociedade, sua saída terá idêntico impacto de modo contrário, será o avesso da Revolução Industrial. Se formos traçar um outro paralelo com eventos do passado, trata-se de algo, em sentido inverso, da mesma dimensão histórica do surgimento das cidades no final da Era Neolítica, pois implicará no colapso das megalópoles modernas. Viveremos fatos extraordinários de consequências gravíssimas. Não se trata do fim do mundo, mas o fim do mundo como o conhecemos (Y. Cochet).

Feito o alerta, vamos aos fatos noticiados:

O jornal britânico The Guardian denunciou manipulações da Agência Internacional de Energia para escamotear o incômodo fenômeno do Pico do Petróleo.

http://www.guardian.co.uk/environment/2009/nov/09/peak-oil-internat...

A reportagem divulga que a AIE minimiza deliberadamente a escassez iminente por temer disparar movimento de especulativos na compra do petróleo, haveria pressões principalmente do EUA para subestimar as taxas de declínio dos grandes campos existentes. Declarações obtidas de funcionários da agência levantam dúvidas sobre a edição WEO divulgada na semana passada.

Diz a matéria assinada por Terry Macalister:

“O mundo está muito mais próximo de ficar sem petróleo do que admitem as estimativas oficiais”.

“Agora a teoria do "Pico do Petróleo" está ganhando apoio no coração do establishment energético mundial. "A AIE em 2005 predizia que a oferta de petróleo poderia chegar até aos 120 milhões de barris diários (mdb) em 2030, contudo foi obrigada a reduzir gradualmente esta quantidade a 116 mbd e 105 mbd no ano passado", disse a fonte da AIE”

"Muitos dentro da organização acreditam que manter as previsões de oferta de petróleo mesmo em 90 a 95 mbd seria impossível, mas se teme que espalhe o pânico nos mercados financeiros se as cifras se reduzirem ainda mais”.

Colin Campbell, fundador da ASPO - The Association for the Study of PeakOil and Gas e citado na matéria em referência, redigiu um comentário, disponível na página da ASPO, sobre o conteúdo exposto pelo The Guardian, para explicitar sua divergência com as cifras da AIE:

http://www.peakoil.net/files/Campbell_comments_20091110.pdf

A matéria dá conta ainda de que existe no parlamento britânico, uma comissão presidida pelo deputado John Hemming para investigar o pico do petróleo e gás. Ele confirma que também foi contactado por funcionários da AIE descontentes com a falta de um ceticismo independente sobre as previsões. Diz Hemming:

"A confiança nos informes da AIE tem sido utilizada para justificar as afirmações de que o petróleo e os suprimentos de gás não alcançarão seu ponto máximo antes de 2030. Agora está claro que este não será o caso e não se pode confiar nas cifras da AIE"

Tudo isto está correlacionado a um relatório divulgado no mês passado pelo Centro de Pesquisa da Energia do Reino Unido (UKERC) - um consórcio de15 centros acadêmicos liderado pelo Imperial College de Londres e a Universidade de Oxford – onde se diz que há “um risco significativo” da produção mundial de petróleo alcançar seu pico antes de 2020 e a partir daí começar a cair de forma gradual.

Steve Sorrell, autor principal do estudo, assegura que as previsões da AIE “são demasiado otimistas no melhor dos casos, quando não inverossímeis”.

Eis a apresentação do lançamento do Relatório: http://www.ukerc.ac.uk/support/tiki-download_file.php?fileId=322

Esta é uma apresentação resumida para imprensa: http://www.ukerc.ac.uk/support/tiki-download_file.php?fileId=323

O relatório completo está aqui: http://www.ukerc.ac.uk/support/tiki-download_file.php?fileId=283

Um sumário se encontra aqui: http://www.ukerc.ac.uk/support/tiki-download_file.php?fileId=293

Os relatórios técnicos suplementares estão abaixo:

Technical Report 1 - Data sources and issues
http://www.ukerc.ac.uk/support/tiki-download_file.php?fileId=285
Technical Report 2 - Definition and interpretation of reserve estimates
http://www.ukerc.ac.uk/support/tiki-download_file.php?fileId=286
Technical Report 3 - Nature and importance of reserve growth
http://www.ukerc.ac.uk/support/tiki-download_file.php?fileId=287
Technical Report 4 - Decline rates and depletion rates
http://www.ukerc.ac.uk/support/tiki-download_file.php?fileId=288
Technical Report 5 - Methods of estimating ultimately recoverable resources
http://www.ukerc.ac.uk/support/tiki-download_file.php?fileId=289
Technical Report 6 - Methods of forecasting future oil supply
http://www.ukerc.ac.uk/support/tiki-download_file.php?fileId=290
Technical Report 7 - Comparison of global supply forecasts
http://www.ukerc.ac.uk/support/tiki-download_file.php?fileId=291
Annex to Technical Report 7
http://www.ukerc.ac.uk/support/tiki-download_file.php?fileId=292

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Caro Almeida.

Venho me batendo algum tempo sobre a ligação da ocorrência do Pico do Petróleo e a Teoria do Aquecimento Global por queima de combustíveis fósseis. Tu poderás estranhar mas logo poderei fazer a ligação.

Conforme tu bem demonstras no teu Post, começa-se a chegar claramente a conclusão que o pico de Hubbert está aí mesmo, porém com todas as evidências quase não se fala nada.

Seriam os governos tão irresponsáveis que deixariam todos na ignorância? Haveria uma conspiração global capitaneada pela indústria de petróleo para aumentar em muito os seus lucros?

Acho que não, há uma estratégia simplesmente de inibir o uso do Petróleo sem dizer que o mesmo está acabando. Como se faria isto? Simples, se magnífica o chamado Aquecimento Global Antropogênico (AGA) e se induz uma redução de consumo sem criar pânico. As pessoas começariam a pensar em reduzir o seu consumo de combustíveis fósseis para não dar problema para seus filhos e netos, não para ter problemas nesta década mesmo, forma “politicamente correta” e “conveniente” de resolver um grande problema, mas escondendo duas mentiras, a existência do Pico do Petróleo e a inexistência do AGA, partindo da idéia que os fins justificam os meios.
Prezado Rogério,

Você pergunta: "Seriam os governos tão irresponsáveis que deixariam todos na ignorância"?

Governantes pensam a longo prazo na duração e renovação de seus mandatos. Pode parecer um prazo curto, mas os líderes das corporações empresariais pensam até o fechamento do balanço no fim do ano, para entregá-lo ao conselho de acionistas; as famílias pensam como vão pagar as contas no fim do mês; os mais miseráveis como comerão no dia de amanhâ.

O Pico do Petróleo tem uma natureza incômoda, lembra aquele ditado popular de falar em corda na casa de enforcado. Ninguém gosta de falar sobre seu próprio final. Todos nós temos uma, mas você nunca assistiu conversas animadas sobre as opiniões que cada um tem sobre sua hora derradeira. Se alguém levanta o tema, a roda se dispersa na hora e o sujeito passa por um chato. Com o Pico do Petróleo é a mesma coisa, ele aponta para o fim da civilização que está aí, que precisa mudar seus paradigmas para sobreviver. As classes dominantes nesta sociedade têm imensos benefícios na queima de petróleo, não querem mudar o padrão.

Quando você fala em responsabilidade de governantes, não sei porque, mas me vem a mente Maria Antonieta. A hegemonia do poder mundial se constitui atualmente numa peculiar forma de pensar; tanto dentro das grandes corporações empresariais quanto na cúpula dos mais poderosos governos esse pensamento se manifesta; eles acreditam que se os recursos energéticos dos combustíveis fósseis entrarem em declínio, um Deus estenderá uma "Mão Invisível" que salvará todos.

Você diz: "mas escondendo duas mentiras, a existência do Pico do Petróleo e a inexistência do AGA"

Suponho que você queira dizer: "mas escondendo duas mentiras, a INEXISTÊNCIA do Pico do Petróleo e a EXISTÊNCIA do AGA"

Não entro no mérito do Aquecimento Global, nem tenho opinião formada para saber se ele está ou não em curso, não nego e nem afirmo nada sobre sua existência, não sou climatologista e não tenho muita informação sobre esta ciência. Acho, porém, sem trocadilho, que é uma imensa cortina de fumaça, um debate transverso. Mais adiante explico, antes devo dizer que, nações não se reúnem para debates científicos ou pelo "bem comum". Elas se mobilizam por interesses, econômicos e políticos. Penso que o que está por trás desse debate é a partilha mundial de recursos energéticos dos combustíveis fósseis existentes, que eles sabem finitos e esgotáveis. A discussão que está em pauta é definir quem vai queimar mais do que os outros e não parar a queima.

Para os que têm opinião firmada do Aquecimento Global, com o pouco que me informei sobre climatologia, eu diria para dar mais atenção ao Pico do Petróleo, um problema de repercussão a curto prazo. Existem comprovações de épocas de mudanças climáticas registradas na história. Na Europa aconteceram eras de aquecimento e pequenas idade do gelo no último milênio. O período de avanço e recuo dessas alterações foi da ordem de século, para uma mudança climática continental.

Há décadas se observa um recuo das geleiras no cume do Kilimanjaro, trata-se de uma área que tem a ordem de grandeza de dezenas de km2 e ela ainda não desapareceu de todo. Alguns alarmistas do aquecimento falam do derretimento do gelo da Groenlândia, uma área equivalente ao Nordeste brasileiro somado aos estados de MG, ES e RJ, com uma cobertura de gelo de espessura de quilométrica; o mesmo dizem do Continente Antártico, que tem uma vez e meia a área do território brasileiro, com camadas de gelo ainda mais espessas; penso que derreter tudo isto levaria muito tempo, antes desse prazo outros problemas mais urgentes nos afligirão, dentre os quais as consequências do Pico do Petróleo.
Caro Almeida.

Quanto ao pico do petróleo a mais de um ano tenho uma opinião formada sobre isto, se não estamos exatamente sobre ele, estamos muito próximo.

Quanta sua observação sobre o derretimento da Groenlândia e da Antártica gostaria que me indicasse a onde estão dados científicos sobre isto. Se procurares não irás encontrar. O que há são variações climáticas naturais pós pequena idade do gelo ocorrida a três séculos que até hoje continua a manifestar.

Sugiro que dê uma olhada na Internet nas notícias em todos os grandes jornais do mundo sobre o chamado climategate, o maior escândalo da ciência moderna só comparável com o que tentaram fazer com Einstein para desacreditar suas teorias só porque ele era Judeu. A nossa imprensa não noticiou nada, New York Times, BBC on line, Washington Post e outros jornais internacionais já tem esse assunto na pauta. Dê uma pequena olhada e depois continuamos a discussão.
É difícil provar que o efeito de aumento de temperatura global dos últimos cem anos é devido ao efeito dos gases "estufa", como o metano e o CO2. Concordo que é difícil separar os fenômenos cíclicos naturais do efeito destes gases. No entanto três fatos parecem verdadeiros do ponto de vista científico, e isto é afirmado pelos climatologistas:
1) A temperatura média do planeta está aumentando (há registros confiáveis há pelo menos cem anos), e o derretimento de gelo das áreas polares está sendo observado.
2) O degelo da Sibéria, que está sendo observado, provocará liberação de metano pela decomposição de materia organica que estava preservada. Tal liberação realimentará positivamente o processo de aumento de temperatura.
3) Os mecanismos de contribuição do CO2 e do metano (mais ainda) para o aumento de temperatura são bem conhecidos. Não é claro qual é a porcentagem desta contribuição para os efeitos observados.
Daí eu pergunto, mesmo que a ciência não tenha ainda meios de comprovar de forma cabal, e que haja um jogo complexo de interesses, será que não há evidências razoáveis que deveriam ser levadas em conta, no mínimo em nome da prudência?
Link interessante sobe o degelo da Sibéria
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=50770
Caro Paulo Sérgio

Li com atenção o artigo, ele só confirma uma coisa, que na época dos Mamutes, quando o homem não tinha indústrias ou outros fatores que liberassem CO2 esta área era quente.

Veja o detalhe, para haver essa quantidade de Mamutes defecando na região deveria haver alimentação abundante, como os Mamutes não eram carnívoros havia vegetação abundante ou da onde esses elefantes peludos iriam retirar alimentos?

Conclusão: Houve épocas, não muito remotas talvez ainda no quaternário, esta região era quente!

Uma coisa é saber sobre os ciclos de frio e calor da Terra, outra coisa é atribuir isto ao homem!
Não sou capaz de provar nada, não sou climatologista, mas a questão é, pode-se provar claramente o contrário? Uma coisa é ter dúvida, a outra é afirmar categoricamente que o efeito da civilização humana sobre a temperatura global é tão desprezível assim. Eu sinceramente não sei. De qualquer forma, uma postura prudente é não desprezar este efeito, ou demonstrar cabalmente que ele é mesmo desprezível. Um fato que voce não levou em consideração é que, se o efeito da civilização sobre a temperatura for pequeno, mesmo assim, um pequeno aumento da temperatura que seja suficiente para derreter o permafrost na Sibéria vai gerar um efeito em cascata que pode levar a uma aceleração enorme de todo o processo. Se tudo não passa de um ciclo natural, toda a limitação de emissões será inútil. Mas será assim tão claro? Se fosse, não seria polêmico. Na dúvida, me posiciono do lado prudente.
Paulo

Aí é que está o ponto central do problema. O que é ser prudente?
Se tivermos chance de ao sairmos de casa um piano caia na nossa cabeça, não devemos sair mais? O princípio da prudência não deve ser associado ao princípio da ignorância (no sentido de ignorar o que pode ocorrer). Se partirmos da suposição válida que qualquer ação do homem altera o meio ambiente e supormos que não há mecanismos de equilíbrio, temos que ficar em casa esperando a morte, pois qualquer efeito alterará tudo.

O que se tem de concreto é que a temperatura da Terra sofre a influência de vários ciclos, desde ciclos anuais, regidos pelas estações, ciclos de média duração, como os ciclos de El Niño e La Niña (ENSO), ciclos solares ou da oscilação decadal do Pacífico, como grandes ciclos de períodos glaciais e interglaciais, ou os maiores ciclos regidos por posicionamento do Sol na galáxia. Além desses ciclos têm-se episódios catastróficos (queda de asteróides, super vulcões e outros eventos). O problema é filtrar cada efeito e verificar a influência de cada um.

A temperatura de nossa Terra é extremamente variável, por exemplo, os níveis dos mares variam entre 5m a 10m acima do valor atual à 130m abaixo do mesmo. Estas variações com testemunhos geológicos claros evidenciam a variabilidade da temperatura. Uma das principais discussões entre os adeptos do AGA e os que são contra a teoria Antropogênica, está na existência ou não do período ótimo Medieval e da pequena idade glacial. Parece insignificante a discussão, mas esta pode definir a existência ou não de fatores antropogênicos no clima da Terra.

Entre os anos 1645 to 1715 ocorreu um mínimo de intensidade solar, medido pela a ausência de manchas solares, que é associado por um período extremamente frio, denominado Pequena Idade do Gelo, antes deste período ocorreu o que se denominou o Ótimo Medieval, em que as temperaturas se supõe da mesma ordem de grandeza das atuais (ou até mais quentes) que levaram a prosperidade grande parte da população européia, lembre-se que durante este período a Groelândia foi colonizada e foram achados sítios arqueológicos indicando a existência de FAZENDAS nesta atual ilha de gelo.

Caso se aceite a existência desses dois períodos, pode-se dizer claramente duas conclusões. Primeira que a Terra num intervalo de 1000 anos passou por um período quente, que não foi uma catástrofe para a civilização da época e que logo após isto veio um período extremamente frio que este sim foi uma catástrofe em termos de grandes fomes e outros problemas. E a segunda conclusão, aceitando-se essas evidências que pior podemos esperar é um mínimo solar (que parece se avizinhar), este sim nos trará problemas conforme a intensidade do mesmo.

O problema principal está na previsão do futuro, o pessoal do AGA, colocam como parâmetro de controle da temperatura da Terra os gases do efeito estufa (diga-se de passagem, se eles não existissem a vida na Terra seria uma incerteza), eles ignoram por completo o efeito do sol, o efeito do aumento do vapor de água e os coeficiente de correlação entre a concentração de CO2 e temperatura, que são extremamente altos.

Toda as estimativas do IPCC baseam-se em modelos matemáticos que por exemplo não explicam a temperatura da Terra nos últimos dez anos. De acordo com esses modelos, na ausência de erupções vulcânicas de porte (que não tem ocorrido), a temperatura deveria continuar subindo e ela praticamente estabilizou-se, em níveis altos, mas estáveis.

Para demonstrar a má vontade do pessoal do AGA, tu verás nos seus press relese que nos últimos dez ou quinze anos têm-se as cinco ou seis maiores temperaturas nos últimos 150 anos. Eles só não explicam que quando estamos num fenômeno que cresceu até um ponto e após isto parou de crescer oscilando em torno de uma média alta, as oscilações, por menores que sejam, registram valores extremos positivos.

Se quiseres detalhes científicos de cada um dos itens que levantei, poderei te indicar claramente a resposta de cada item, não podemos continuar nos guiando por sites nada científicos e totalmente políticos.
Paulo

Só vou responder a tua última palavra, a prudência leia o link:
http://www.fao.org/nr/lada/index2.php?option=com_docman&task=do...
e me diga o que é imprudência. Se o deserto do Sahara está retrocedendo evitando grandes secas para populações africanas, o que é mais prudente?
Caro Rogério,

As glaciações influenciam diretamente o nível dos mares. A concentração de grandes massa de gelo sobre os continentes retira volume de água que fatalmente escoaria para os oceanos, o que faria aumentar seu volume. Estima-se que todo gelo do continente antártico seria capaz de elevar em 60 metros o nível dos mares, o gelo da Groenlândia acrescentaria uns 10 % a mais nessa elevação. Esse seria o cenário radical de um Aquecimento Global severo, divulgado pelas correntes mais alarmistas.

Não tenho dados ou acesso a trabalhos que comprovem que esteja acontecendo o derretimento acelerado das grandes massas de gelo continentais. Tudo que sei é do imenso noticiário divulgado sobre Aquecimento Global. Não tenho opinião formada sobre o assunto - em bases científicas, em bases políticas tenho - minha a intuição me leva a crer que um cenário mais extremo de aquecimento para causar o derretimento do gelo polar, que já ocorreu em eras geológicas passadas, levaria longo período de tempo para se materializar. As mudanças climáticas extremas registradas na história da Terra tiveram durações de tempo em escala geológicas. Elas não ocorreram da noite para o dia. Entenda-se, em termos geológicos, da noite pra o dia como um intervalo de séculos ou talvez milênios, antes disso temos mais com o que nos preocupar.
Almeida

O que posso te dizer que cientificamente não está provado nada.
Mais importante do que o degelo é a dilatação volumétrica do mar, e esta depende da temperatura do mesmo. Há um projeto multinacional, denominado projeto Argo que tem 3000 sondas a medir a temeratura e salinidade do mar. Este projeto tem quase cinco anos e até hoje só apareceu uma publicação científica com os dados medidos, muito criticada de Loehe COOLING OF THE GLOBAL OCEAN SINCE 2003, que mostra a quantidade de calor do mar diminuindo.

Esta publicação é muito questionada pelo pessoal do AGA, mas depois da lambança do ClimateGate, não sei mais nada. De qualquer forma colocarei anexada nesta resposta para leres e olhares também as referências.

Ficou extremamente difícil dicernir o que está errado e o que está certo. O pessoal todo pisou na bola, tanto os contra como os a favor, e logo eu fiquei muito antes pelo contrário!

Tenho outro artigo que não posso botar na rede pois ele tem direito autoral envolvido, se me enviares um e-mail posso te mandar. O que coloquei na rede é de divulgação livre.
Anexos
Somada à complexidade dos problemas climáticos, encontram-se então grupos com honestidade intelectual duvidosa. Aí também não sei mais me posicionar. Vou estudar mais o assunto e aguardar o desfecho do climagate. Obrigado pelas mensagens e discussão interessante.
Paulo

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