Passados oito (8) dias do encerramento da 32 ª Semana Luis Antonio Martinez Correa nos parece oportuno fazer uma reflexão sobre sua programação. Pela planilha que acompanha este texto é possível constatar que a adesão do público não foi das maiores, no entanto, não quer dizer que não tenha sido importante a sua realização. É possível dizer, sem nenhuma dúvida, que a Semana que teve início em quatro (4) de junho de 1989 não será mais a mesma (reprodução do cartaz acima).

O principal sintoma é de que, a partir de agora, tudo poderá ser diferente (como dizia uma canção do Roberto). Também não dá mais para esconder que a vida e obra de Luis Antonio (tema da edição 2020) tenha duas visões: uma é sob o “olhar local”, e outra mais profissional e universal, onde o mesmo aparece como um dos mais relevantes artistas brasileiros do século XX. Por outro lado, chega a ser espantoso que a absoluta maioria desconheça detalhes do que o jovem diretor (morto em 1987) realizou. Por preguiça ou até lapso intelectual, continuam colando toda sua produção a do seu irmão mais velho Zé Celso Martinez Correa. Esse extraordinário diretor teatral e, seguramente, melhor de todos os tempos nascidos em solo brasileiro. Ambos partindo de pressupostos diferentes. Apesar da indiscutível influência que líder do Grupo Oficina exerceu na formação do caçula da família, o discípulo procurou ao longo de sua breve vida, trilhar por caminhos próprios. Para surpresa dessa maioria, Luís conseguiu com muito rigor romper barreiras com mais modernidade do que seu irmão. Zé foi contemporâneo, Luís visionário e apocalíptico. A edição da Semana deste ano deixa claro, que passados 32 anos da realização da primeira, praticamente se sabe apenas o óbvio. Alguns na pressa de se fazer original chegaram até a sugerir um interesse dele sobre Gean Genet. Quem montou As Criadas, num retumbante retorno à cena brasileira foi Zé Celso, e não Luís. A sua não conclusão de montagem tem pouca relevância em seu currículo, até porque outros projetos ficaram pelo caminho, sendo o principal deles - A Divina Comédia que pouco se fala. Este era seu projeto, desde os tempos em que ainda morava em Araraquara. Seus amigos, da época, sabem disso.

Na planilha de visualizações que publicamos, em anexo, consta apenas a lista das propostas em linguagem teatral, como leitura dramática e cena curta. Nesses registros com postagem em Canal Oficial no YUOTUBE, pela primeira vez temos um resultado “sem retoques” do que tem sido produzido localmente, nos últimos tempos. É possível, sim, com essa pequena mostra arquivada na rede, avaliar a produção teatral que se faz na terra onde nasceu e onde se encontra sepultado Luis Antonio. Já quanto ao que ele produziu na capital paulista, Rio de Janeiro e obras que viajaram a Europa, não causa interesse no pessoal que faz teatro na sua cidade. Vamos conferir? Não é também difícil constatar que, além das recentes entrevistas comCacá Rosset, Analu Prestes e Eduardo Montagnari, registradas em documento denominado Mês Luís Antonio (quando este completaria 70 anos), pouco foi feito para motivar esse pessoal mais jovem. Na verdade, os vídeos com entrevistas circulam mais no ambiente acadêmico e ali vai produzir novos e bons frutos.

Ainda mais, existe um importante levantamento histórico e analítico realizado pela professora, Cassia Abadia Silva, sob o título ‘AnarquiaBelezaMagia’ (estudo profundo da montagem de ‘O Percevejo’) que coloca sob crítica qualquer tentativa apressada de se falar da obra aqui citada. A acadêmica ainda trabalha em um outro estudo que será sua tese de doutorado, a respeito de toda a obra de Luis Antonio. Esses dois estudos têm nos ajudado muito.

Paradoxalmente, pouco se fala da vida de Luís Antonio em sua terra natal, onde brilhantemente em poucos anos produziu e dirigiu nada menos do que seis (6) peças. Mais paradoxal, ainda, é que fora da produção teatral tenham tentado imolar o corpo de Luís Antonio como protagonista de uma “peça” que nunca existiu. Quem estuda sua obra ou conversa com seus parceiros de palco sabe que, além de priorizar questões universais, como a libertação da classe trabalhadora, ampliação do alcance da arte diante da história e um exercício frenético na busca de novos caminhos, ele não se dedicou a nenhuma “causa”. A única tarefa para a qual se voltou, profissionalmente, após a versão definitiva de ‘O Percevejo’ foi trabalhar pela memória recuperação do musical brasileiro, traduzida em dois grandiosos espetáculos (THEATRO MUSICAL BRAZILEIRO 1860-1914 e THEATRO MUSICAL BRAZILEIRO 1914-1945).

Por esta razão, como última participação nesse evento fazemos uma publicação de seqüência de fotos, resgatada por amigos e companheiros de cena, ao longo da sua breve, mas e brilhante carreira. Luís exalava alegria, e não se conformava com a possibilidade de olhar e ver o mundo sem resultar numa sonora gargalhada.

 

OBS: sobre a autoria das fotos favor observar anotação ao final das mesmas.

 

 

 

 

 

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(*) As fotos acima que ilustram o belisssimo trabalho de Luis Antônio foram guardadas, algumas recuperadas, outras adquiridas por seus amgos ao longo desses 33 anos que nos separam de sua precoce ausência. Graças a Marshal Netherland, Cassia Silva, Marcio R Mendonça (autor da maioria das fotos) e outros que com o tempo temos esperança de lhes fazer justiça, podemos celebrar hoje esse marco no teatro e nas artes brasileiras.

Pedimos que qualquer identificação que seja possível nos comunique para que imediatamente venhamos identifica-las. Caso alguém discorde dessa ousadia da publicação sem previa autorização pode ter certeza de que retiraremos imediatamente.

email:  jairmacunaima@gmail.com

(CLIQUE AQUI OU NA FOTO ACIMA PARA ACESSAR AS 20:30 A Segunda Morte...

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Nesta quarta-feira, dia nove (9), como parte da programação da 32ª Semana Luís Antonio, vamos apresentar o texto teatral A Segunda Morte de Luís Antonio, do dramaturgo Jair Antonio Alves, às 20:30h, no Canal Yuotube da Prefeitura Municipal de Araraquara. Diferentemente de Edições anteriores, a programação está sendo realizada de forma on-line respeitando o distanciamento devido à epidemia. Uma das propostas da Secretaria de Cultura, prevista no Edital, está “Leitura Dramática” na qual nos inscrevemos. Tais leituras não surgiram agora, mas há décadas atrás tanto na capital de São Paulo com na cidade do Rio de Janeiro. Neste caso Jair Alves, também como diretor, propôs algo diferente de forma a atrair o público “expectador” e, assim, ao invés de os atores se apresentarem, sentados, lendo o texto em voz alta, eles precisavam se esforçar para convencer os internautas que aquilo também se tratava de Teatro. Nunca perdemos a confiança de que os técnicos (profissionais) que estariam nos gravando entenderiam, de imediato, aquilo que estávamos propondo, tanto que não foi preciso gastar mais do que cinco minutos para que os mesmos realizar o trabalho; o que posteriormente ficou comprovado.

Do que se trata – “A Segunda Morte de Luis Antonio”

O protagonista preso numa cela, no porão de uma cadeia pública, e que, mesmo sem comprovação de provas e culpa, acabou esquecido ali por muito tempo naquele lugar. De repente o presidiário, não se sabe como, foi descoberto por uma jornalista que estava pesquisando sobre a morte dos “Britos” e me procurou para eu contar sobre este fato, ocorrido em Araraquara (na época conhecida como ARACOARA), há mais de um século atrás. Soube ela, de “ouvir dizer”, que o preso ali esquecido tinha participado, muitos anos antes de uma edição Histórica deste rumoroso e sombrio” caso, amaldiçoado por muitas  décadas a cidade onde tudo teria acontecido. Sob o ponto de vista do conteúdo, uma prisão assim como uma “morte” sem que houvesse qualquer defesa, estava ali caracterizada, “conectada” com o presente, (o então) primeiro semestre de 2018. Sob o ponto de vista dramatúrgico, idem, pois não é difícil imaginar quem estava preso à época e tirado de circulação para não participar da “História” no presente. Se focado no lado “formal”, ainda levando em consideração a Dramaturgia e o Tempo, a ação ocorre no presente; em plena Pandemia. De resto, são lembranças, sem ‘flash back’ do autor do texto.

Acredita-se, sim, que no salto das cenas, como brilhantemente nos ensinou Brecht com sua magnífica Obra, as experiências teatrais de Luis Antonio, com o passar do tempo de certa forma, foi banalizada. Verdade que no presente o protagonista que tinha como parceiro ao lado, em outra cela, um transexual (morto por aids) e, agora um sujeito (também um artista popular) que está ali preso, por ser acusado de ter matado sua mulher ao surpreendê-la numa traição.

(nesse momento o protagonista sugere que toda cena da Vida Brasileira está registrada em prosa e verso, no caso numa música de Lupicinio (carnaval de 1.939) - Se Acaso você chegasse...

O protagonista, ao ser procurado, novamente, pela jornalista, atuante já no mercado profissional de comunicação, propõe que o depoimento seja focado tão somente no diretor e ator Luís Antonio Martinez Correa, pois mesmo havendo coincidências na morte do Britos e Luis, ao contrário, tendo uma vida completamente oposta, um artista que desfrutou   momentos diversos, além de conviver com inúmeras pessoas relevantes que foram mortos da mesma forma, picados, picadinhos, não tiveram como autor um assassino psicopata.Todos sabem exatamente o que fizeram, e mais, onde querem ficar”.

Esta morte não foi uma “morte acidental de um Anarquista”.

Mas, em se tratando de dramaturgia é preciso observar a ação, o tempo, e onde queremos chegar. E aqui chegamos – um enfrentar a morte, mesmo que tenhamos que “disfarçar” o nosso medo de uma morte (lenta, gradual e relativa), como propunha num passado não muito distante o general Geisel, lá do Planalto Central do Brasil.

No diálogo final entre o protagonista e a jornalista, que no ato da gravação estava no Rio de janeiro, onde Luís Antonio brilhou intensamente nas diversas montagens que realizou, e o prisioneiro que agora desnuda que o tamanho da prisão, pode estar revelando que está na cidade onde Luís nasceu, estudou e, agora, está sepultado.

 

A SEGUNDA MORTE DE LUIS ANTONIO

 

Leitura dramatizada realizada pelo dramaturgo Jair Alves,  Debora Stter, atriz, e o musico André Peres ilustra o que  representa a “Segunda Morte de Luis Antonio”, proposta esta selecionada para participar da programação da 32 trigésima segunda mostra Semana Luis Antonio Martinez Correa, que teve suas atividades postergadas para este mês (dia 9 de agosto de 2020) em razão do Isolamento proposto pelas autoridades, como forma de prevenção do  Covid 19. O texto, de forma resumida, faz uma reflexão sobre a importância e que o significou a obra  do teatrólogo e diretor Luis Antonio, no panorama do teatro Nacional bem como para a Cultura brasileira; nome dado à “Semana Luis Antonio Martinez Correa” e a Casa de Cultura de Araraquara.

A Referência feita à ‘segunda morte’ justifica-se pela maneira predatória como ano a ano a Arte, a Cultura e, em especial, o Teatro vem sendo relegado a segundo plano dentro das prioridades da vida brasileira.

 

Contra isso, a experiência proposta demonstra o quanto todos estes segmentos vêm perdendo espaço para os musicais estrangeiros. Sem se tornar um ato de xenofobia, é cobrado das autoridades uma situação que caminhe num sentido contrário, ou seja, a valorização da Cultura Nacional como questão estratégica.

 

Ficha técnica:

Jair A Alves

Débora Stter

André Peres

Autor do texto: Jair A Alves

Direção: Jair A Alves

Assistente de direção e texto: Suely Pinheiro

OBS: 

1- Na matéria da Folha da Cidade de hoje aparece uma foto de Marcos Rezende Mendonça, que foi usada equivocadamente como ilustração de toda programação de hoje. Na verdade trata-se de uma autorização especifica para acompanhar matéria do texto A Segunda Morte de Luis Antonio.

 2- Caso os leitores desse blog julgarem conveniente tomar conhecimento de outras representações adiantamo-nos a postar aqui links da programação já realizada

https://www.youtube.com/watch?v=Gyw9pcMgZpw&list=PLzV8RZgN50Bgo...

https://www.youtube.com/watch?v=rmXt81UKBao&list=PLzV8RZgN50Bgo...

https://www.youtube.com/watch?v=wUddkktOOKY&list=PLzV8RZgN50Bgo...

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