A liberdade de expressão faz parte dos direitos humanos, é protegida pela Declaração Universal de 1948 e incluída nas constituições de todos os países detentores de sistemas democráticos.

Referida liberdade supõe que todos os indivíduos possuem o direito de se expressar sem que haja recriminação das opiniões emitidas.

Para aqueles que desconhecem o conceito macro dessa prerrogativa, ela é a liberdade de investigar, obter informações e divulgá-las em qualquer meio de expressão sem limitação territorial.

Por outro lado, mesmo sendo garantida a liberdade de expressão, pode-se penalizá-la pelo uso indevido da sua expressão. Nesse ponto é que surge a linha tênue entre o direito de quem publica e a revolta de quem sofre.

Na última quarta-feira em Paris, na França, um grupo de onze chargistas e um segurança foram sumariamente assassinados. Os artistas dos traços foram executados, pois criaram charges que não agradaram a fanáticos religiosos.

A comoção nacional gerou o maior protesto da história da França com mais de 3, 7 milhões de pessoas nas ruas, gritando por liberdade e homenageando a nata francesa do cartum.

Não podemos deixar de lembrar que os falecidos chargistas - pelos menos parte deles - já haviam sido ameaçados e assumiram o risco de morte quando optaram por manter a linha editorial de escracho aos líderes mulçumanos.

Entendo que a liberdade assegurada - e que defendo - precisa ser observada também pela ótica do ofendido. Se, por exemplo, considerarmos que o humor não tem limites, estamos abrindo um abismo onde de um lado estará o riso despretensioso e do outro, a indignação.

O meio termo deveria ser abraçado pela Justiça em reparação de danos morais e ressarcimento de danos materiais desde que houvesse ‘erro na mão’, variando na sua metodologia de acordo com a legislação de cada país.

O problema é que a Religião, quando tratada de forma cômica, traz à tona, principalmente em países com histórico de enfrentamentos, ares de guerra declarada.

Nesse momento, entram em cena os fanáticos que não conseguem discernir o humor do desrespeito e partem para atos irracionais que tantas vidas têm ceifado ao longo dos séculos.

Os ataques de islâmicos armados na França e que redundaram no massacre dentro do Jornal "Charlie Hebdo" são mais um que a História guardará.

Outra vez, os conceitos distorcidos de fé e respeito aliados à expressão artística se misturam de forma explosiva, resultando em derramamento de sangue.

No mês que vem, esse assunto estará superado por mais uma tragédia. Pessoas continuarão a ser mortas em nome do seu deus seja Alá, Buda ou de algum fanático vivo travestido de líder.

Enquanto isso, os conceitos de caridade e amor se esvaem quando interesses bélicos, econômicos e territoriais são escondidos sob o manto da fé.

Viva a arte, a liberdade e a fé.

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Como a maioria do público brasileiro é cristão, fica difícil compreender o contexto dessa polêmica sob o ponto de vista de um "fanático muçulmano." Para ajudar o cristão brasileiro a sentir-se na pele de um islamita ofendido, eu reproduzo abaixo uma recente capa do Charlie Hebdo, intitulada...

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