Afinal, qual o problema com a minha profissão?

Que está mal, não há dúvida: assim como médicos (exemplo 1- uma médica declarou a uma amiga que descobriu ser portadora de hepatite C que ela, a médica, preferia ter aids a sofrer dessa doença, deixando-a num estado doloroso de depressão, e essa senhora exerce a profissão impunemente), advogados, engenheiros, arquitetos, psicólogos, educadores, linguistas, sociólogos, antropólogos, oceanógrafos, enfim, a lista toda de profissões do Imposto de Renda com seus códigos.

Mas o que vejo é que:
1- querem acabar com o diploma de jornalista, mas não com os diplomas de médicos, engenheiros, advogados, educadores, linguistas, sociólogos, psicólogos, antropólogos, oceanógrafos, biólogos, arquitetos, e de toda a lista de profissões do Imposto de Renda.

2- querem não só acabar com o diploma, mas com a profissão, entretanto, não com as profissões de médicos, engenheiros, advogados, educadores, linguistas, sociólogos, antropólogos, banqueiros, oceanógrafos, biólogos , arquitetos e toda a lista/ou não de profissões listadas no Imposto de Renda.

3- esquecem-se da importância do diploma para qualquer profissão deste mundo fechado em corporações. Eu, jornalista, atenderia muito melhor a moça que descobriu ter hepatite C do que a médica diplomada que a atendeu,porque eu sei que 30 milhões de pessoas no país sofrem dessa doença, e que ela é curável após um ano de tratamento. As vezes nem precisa de tratamento. Mas um jornalista não pode exercer a profissão de médico porque não tem o diploma. Por que um médico poderia exercer a profissão de jornalista?

4- as pessoas não têm consciência de que profissões regulamentadas têm leis e direitos, convenções coletivas, representações sindicais: a profissão de jornalista é uma delas.

5- sou uma jornalista consciente, critica e autocritica da minha profissão, sei dos seus desvãos , como também me orgulho de seus acertos.

6- A seção de opinião dos jornais é aberta a profissionais não -jornalistas. A elaboração, desde a captação da notícia até o chamado fechamento do jornal, é função do jornalista profissional. Vá um médico, um sociólogo, um linguista, um arquiteto mudar uma página inteira de jornal em meia hora, antes do fechamento. Vá mourejar nos "pescoções" de sexta-feira até as 3 da matina, vá colocar titulo, legenda, olho, transformar 10 mil toques em 5 mil sem perder o sentido.

7-Trata-se de uma profissão, de uma especialização, de um ramo do conhecimento e nas universidades é até mesmo considerado parte de uma Ciência, das Ciências da Comunicação. Meu diploma de mestrado é dessa categoria.

8- Ora, por que teria eu estudado 4 anos de primário, como se chamava, 4 de ginásio, como se chamava, 3 de colegial, 4 de Universidade, 3 de mestrado, e agora mais 4 de doutorado para me dizerem que diploma de jornalista não é necessário,e quiçá a profissão?

9-Naturalmente, sou aberta ao futuro e às profissões do futuro, e às transformações da mídia do futuro. Mas na modernidade líquida, o que interessa é desfazer rapidamente, desconstruir tudo que é sólido e se desmanchou no ar.
A profissão de jornalista pode ser exercida por qualquer pessoa sem formação? Não, não pode.
O jornalismo vai se acabar? Pode ser, ou em alguns séculos ou em algumas décadas, quem sabe?
Mas e os médicos, engenheiros, arquitetos, socíólogos, psicólogos, linguistas, arquitetos, oceanógrafos, biólogos, advogados, etc, etc, etc da infindável lista corporativa: estão fora dessa?
Ou estamos todos no mesmo barco da formação deficiente, que faz com que um funcionário de governo da área de educação declare , por exemplo, ( e isso li há anos atrás, e só piorou) que a maioria dos formandos em Medicina sai das faculdades sem condições de exercê-la?????

Ao menos, diretamente, nós jornalistas não matamos ninguém. Os médicos sim.

Afinal, o que há de tão errado com a profissão de jornalista? Será o sábado de Aleluia, a malhação do Judas?

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Respostas a este tópico

elizabeth e amigos,

Exige-se talento

Quando o primeiro curso de comunicação social surgiu em São Paulo em 1947 (a Casper Líbero), a imprensa brasileira já estava formada e construída. Tinha personalidade própria, era obra acabada e já tinha uma história. Os jornais eram identificados de longe nos mostruários das bancas pelas manchetes. Cada um tinha uma cara. Só no Rio de Janeiro existiam 22 jornais em circulação. Alguns com duas e até três edições diárias! Hoje são apenas sete jornalecos. O JB diminui tanto que vai acabar virando um pocket news.
Os jornalistas, por sua vez, já tinham a profissão regulamentada desde 1938. A categoria foi contemplada como os demais trabalhadores pela legislação criada no governo Getúlio Vargas. Portanto, não é correto falar em “desregulamentação da profissão” ou em perda de direitos trabalhistas caso o STF decida pelo fim da obrigatoriedade do diploma. Essa questão nada tem a ver com as outras, que não serão objeto de análise da Corte do seu Gilmar. Os juízes vão decidir sobre a constitucionalidade do Decreto-Lei 972/69 e se o jornalismo continuará a ser privativo dos diplomados em comunicação social ou não. A regulamentação e os direitos continuarão preservados pelo Decreto-Lei nº 910/38 e o de nº 51.218/61, assinado por Jânio Quadros, que regulamentou o de 1938.
Repare no seguinte. Todas (todas!) as mudanças editoriais e gráficas, grandes e pequenas, foram criadas, testadas e implantadas pelos próprios jornalistas. Nas redações! As faculdades e cursos apenas observaram e aprenderam. Ainda é assim. Uma clara inversão de papéis, onde quem produz o saber não é a academia, mas sim as próprias redações. A medicina ou a engenharia avançam nas pesquisas dos laboratórios. Só depois o conhecimento produzido chega às enfermarias e aos canteiros de obras. Na imprensa as redações geram o saber que só mais tarde chegará à academia. O "Manual de Redação" do Diário Carioca de Pompeu de Souza, nos anos 50, e a reforma gráfica da Folha de São Paulo bem mais adiante são exemplos. E quando o conhecimento produzido nas redações chega enfim à universidade aquelas já se modificaram, já estão noutra, muitos passos ou anos a frente. O resultado é a produção em escala industrial de profissionais despreparados, desatualizados e com um diploma que vale menos do que um bottom.
Os cursos de comunicação existem no Brasil há 62 anos. A imprensa brasileira é uma velha senhora que completou 200 no ano passado. Uma pergunta pertinente e que, se não merecer resposta imediata ao menos valeria uma reflexão é: Como foram recrutados e formados os jornalistas que construíram nossa imprensa? De onde veio e que formação terá tido, por exemplo, o desconhecido repórter policial que um dia, redigindo matéria sobre um suicídio, criou a expressão “tresloucado gesto”?
Na porta de entrada de cada jornal, revista, TV ou rádio devia estar afixado em local visível e em grandes letras um aviso aos candidatos a trepidante: “Exige-se talento”.
Abraços,
Henrique Marques Porto
concordo,mascinfelizmetne não se exige mais talento, conforme diz o professor Ciro Marcondes Filho, da ECA USP- é sometne preciso curmprir prazos e ser ágil. daí a cosia está como está.
O manual do Diario Carioca- eu o tenho aqui- era muito melhor que todoso os oturos que vieram depois.
acabo de vir de uma defesa de tese de doutorado na USP que tratoude alguams dessas cosias, pena que não caibam aqui. alias, era exatametne sobre lima barreto e João do Rio.
ágil, sem tloca as letlas, né?
dia agitado
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
mas não se preocupe. vc está na academia brasileira de letras.
a prova direta: veja o trecho em negrito.
BILINGÜISMO E CRIOULIZAÇÃO NOS PAÍSES LUSÓFONOS (27/06/2000)
Conferencista: Antônio Martins de Araújo

Presidente TARCÍSIO PADILHA
Vamos dar início a programação de hoje, em seqüência ao Ciclo A língua portuguesa em debate, ocasião em que ouviremos a conferência do professor, doutor Antônio Martins de Araújo sobre Bilingüismo e crioulização nos países lusófonos. Para apresentação do conferencista, dou a palavra ao coordenador do Ciclo, acadêmico Carlos Nejar, secretário-geral da Academia Brasileira de Letras.
Acadêmico CARLOS NEJAR
Eminente presidente da Academia Brasileira de Letras, professor Tarcísio Padilha; eminente conferencista, doutor Antônio Martins de Araújo; ilustres acadêmicos aqui presentes: Geraldo França de Lima, Lêdo Ivo, Alberto Venancio Filho, Evandro Lins e Silva, Antonio Olinto, Murilo Melo Filho, Afonso Arinos de Melo Franco Filho; público presente, que nos honra muito.
O professor, doutor Antônio Martins de Araújo, já conhecido como professor de Literatura Dramática e Análise de Texto da Escola do Teatro Martins Pena, o mais antigo estabelecimento de ensino teatral da América do Sul, é o conferencista que hoje nos falará. Ele se dedicou ao apuramento e recolha de todo o teatro inédito de Artur Azevedo, cuja edição crítica preparou, e o Ministério da Cultura editou em seis alentados tomos, entre 1983 e 1995, todos acompanhados de ensaios seus sobre dramaturgia.
Além de mais de uma dezena de ensaios menores sobre contos, sátira e o teatro de Artur Azevedo, preparou sua tese de doutoramento em Letras Vernáculas, sob a orientação de Afrânio Coutinho, no tocante à teoria do riso, comicidade, humor, grotesco, ironia e sátira, e participou, em sua pós-graduação, de uma série de cursos sobre crítica textual e crioulística, ministrados por Celso Ferreira da Cunha. Em 1986, defendeu essa tese com excelência.
Dois anos depois, em co-edição com a Universidade do Rio de Janeiro e a Editora Perspectiva em São Paulo, publicou na prestigiosa Coleção Estudos, sob o título Artur Azevedo - A palavra e o riso, uma obra com apresentações entusiásticas de Sábato Magaldi e Wilson Cardoso, seu orientador para a área do Português do Brasil. Nessa obra, o conferencista estudou os desvios das falas dos personagens daquele teatro, como a gíria fluminense do século passado, o jargão de algumas profissões da época, o falar baiano, os dialetos de Portugal e o caipira do Brasil, bem como a língua dos escravos das fazendas e dos da Corte Imperial brasileira e da recém-proclamada República.
É a partir disso e sobre isso que o conferencista vai falar. Passo a palavra ao professor, doutor Antônio Martins de Araújo, neste momento.
Professor ANTÔNIO MARTINS DE ARAÚJO
Excelentíssimo senhor presidente, excelentíssimos senhores membros da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Filologia.
Nesta abertura, um agradecimento pela oportunidade que me deram de conviver, ainda que por tão pouco tempo, com tão ilustres pessoas; agradecimento também pela presença de todos que estão aqui para esta rápida conversa sobre um aspecto que nos liga à África. Com perdão pela não referência aos nomes dos demais acadêmicos, queria quebrar a praxe e agradecer a presença da maior autoridade sobre África no Brasil hoje, o doutor José Maria Nunes Pereira, que nos honra com o seu comparecimento.
Bilingüismo e Crioulização nos Países Lusófonos
Vamos iniciar falando de um estudo de caso. Recuemos noventa e dois anos no tempo e abramos o jornal fluminense O Século, edição do dia 20 de fevereiro de 1908, na seção Teatro a vapor, do maranhense Artur Azevedo, um dos fundadores desta Casa. Ali vamos encontrar curioso diálogo travado entre alguns feirantes. A rubrica diz assim: "No novo mercado - este é o título (ficava exatamente onde é o Tribunal de Justiça, hoje) - construído à praia de Dom Manuel. É o dia da inauguração. Vendedores, compradores, grupo de curiosos". (Acompanhem o diálogo que está na mão de cada um, a partir da terceira fala. Vamos fazer alguns cortes para não sacrificarmos muito do que trouxe para apresentar-lhes).
1º curioso - A casa é nova, mas os inconvenientes são os mesmos. E vá ver tudo aqui é pela hora da morte! Nesta terra, só os estômagos ricos podem ter caprichos!
2º curioso - Você quer dizer...
1º curioso - Quero dizer que no Rio de Janeiro não se come, meu caro. (Passam).
Uma quitandeira - Diablo de coisa. Plemelo que turo se costume a mlecado novo, vai passá tempo. Pla que tanta farofa de flelo pintadinha de vlemelo?
Um vendedor de miúdos - Que está você aí a falar, ó tia?
A quitandeira - Que se implota você. Vai plo diablo!
O vendedor de miúdos - Vá você! Olha a jararaca!
(A quitandeira responde com uma obscenidade. Uma senhora que vai passando fica muito vermelha e apressa o passo.)
Um guarda, que viu e ouviu - A senhora não pode dizer palavradas!
A quitandeira - Esse bulo faze zente dizê plocalia! Vai plo diablo que te calegue!...
Essa quitandeira lembra o Hortelino Tloca-letla das histórias de quadrinhos da gurizada. Ela troca o [r] por [l] (plemelo, bulo); depois o troca de lugar na sílaba, deixando-a aberta (mlecado, plocalia), e gosta tanto dele, que até o insere onde não precisava: diz diablo em vez de diabo. Também não gosta de consoantes palatais, sonoriza-as: diz vlemelo, zente, em lugar de vermelho e gente. Como antigamente só os nossos caipiras, e agora até os falantes cultos da urbe, também silencia os erres finais. Diz passá e dizê. Enfim, o que é mais curioso, troca a consoante dental [d] pelo enjeitado [r] vibrante simples: diz turo, em vez de tudo.

e blá... blá... blá...

a fonte?
http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=...
para com isso Luzete, jornalista sofre e ainda tem de digitar direito depois de um dia extenuante. socorro!
nossa, Beth, vi que vc ficou braba. mas minha intenção era só brincar com você. desculpa.
não fiquei braba não, estava brincando, mas esqueci de por os risos
Meu Deus do céu Elizabeth!
Que estresse!
O problema da sua profissão é que tem gente de dentro que são favoráveis a dispensa do diploma de jornalista para trabalhar na mídia. Exemplifico: na mídia esportiva (principalmente TV) que são os casos mais notórios, vemos em todas as modalidades de esportes, comentaristas em partidas de futebol que foram ex-jogadores, comentaristas de árbitros (isso é surreal) que foram árbritos, e dos ruins por sinal.

No volei, basket, atletismo e outros, idem. Quem nós temos que suportar. Neto, Arnaldo César Coelho, José Roberto Wright entre outros e o famigerado Galvão Bueno (tem diploma?). Fiquei sabendo de uma história que o Luciano do Valle teria dito na TV Band que não aceitaria trabalhar com o Neto por este não ser jornalista. Se isso aconteceu, ele foi vencido.

Mas esse problema envolvendo não-profissionais exercendo ilegalmente profissões devidamente regulamentada, ocorre em todas profissões. Só que na sua, tem a particularidade do sujeito aparacer na mídia. Isso aguça o ego do indivíduo. O exemplo mais grotesco desse desejo é BBB.

É bom lembrar minha querida Elizabeth, e isso eu observo em todas as publicações, por mais simples que ela seja, está lá: jornalista responsável... fulano(a) de tal.
Assim como defendo a minha profissão, reconheço que a sua também deve ser defendida. E a sua reclamação é com justa razão. Se assim não fosse, porque criaram faculdade de jornalismo?

Só um comentariozinho malandro. Tudo bem! Em qualquer profissão temos as ovelhas negras. Mas Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Eliane Cantânhede só depõe contra a profissão.
Abraços. Estou contigo.
Jornalista responsável é um só, e infelizmente muitas vezes vende o nome para a publicação e só isso. A maioria das revistas são feitas por terceirizados, mesmo as de grandes grupos, não há mais redações fixas, todos são pessoas juridicas.
elizabeth,
A pergunta que você faz no tópico poderia ser feita por muitos coleguinhas dos EUA. É o que deduzo depois de ler matéria de Letícia Nunes para o Observatório da Imprensa.

"O Pew Research Center estima que cinco mil cargos foram eliminados em jornais dos EUA em 2008. Desde 2001, mais de 10 mil repórteres de jornais perderam o emprego – o que faz com que, atualmente, existam em torno de 47 mil jornalistas de jornal impresso em exercício no país. Mas o "passaralho" anda rápido. Segundo Erica Smith, que administra o monitor online de cortes de cargos Paper Cuts, apenas nos primeiros três meses deste ano já foram 7,5 mil demissões."

Acho melhor começarmos a redigir uma petição ao Greenpeace!
Mas, acredite, mesmo assim aumentou significativamente a procura pelos cursos de comunicação nos EUA. Confira em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=533MON001
abraço
Henrique Marques Porto
Boa ideia a do Greenpeace. Já o aumento da procura pelos cursos, lá como cá, para mim é inexplicável.

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