Arbeit macht frei, tente traduzir do alemão para o português pelo Google!

Estava lendo um site português em que eles "elogiavam" o governo alemão pelo sua visão racista e preconceituosa do resto da Europa, sugeri como frase que mostrava o espírito do governo alemão como o resto dos europeus não anglo-saxões e sugeri a frase

 "Arbeit macht frei", frase que traduzida para o português fica "O trabalho liberta", até aí tudo bem, parece até uma consigna da direita brasileira, entretanto o que tem de importante é que esta frase estava na entrada de todos os campos de extermínio nazista durante o governo de Hitler.

O mais surpreendente que uma portuguesa procurou achar o que significava esta frase e entrou no google translator para traduzir, e o que aconteceu, nada simplesmente há uma censura que impede desta frase ser traduzida. O mais interessante é que se colocando arbeit macht ou arbeit frei ou ainda macht frei o tradutor dá uma tradução estúpida mas aparecem palavras em português, entretanto se é colocada a frase inteira simplesmente é bloqueado o tradutor e aparece a transcrição da frase em alemão, ou seja, há censura na tradutor para não desagradar os alemães.

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Bom, como até a torcida do Flamengo sabe, eu às vezes tenho uma posição condescendente com algumas autocensuras (no caso o Google translator se autocensura.) Eu sou uma pessoa que evita numa boa falar coisas que pensa, não vejo necessidade de expressar tudo se não houver benefício conhecido. Mas isso foi um parênteses.

Deve ser sim para agradar alemães, não apenas as vítimas do Holocausto. Há leis muito rígidas lá em relação a apologia do nazismo. Desconfio que venha de lá o costume adotado por algumas editoras brasileiras de não mostrar suástica em capa, mesmo em livros de história (afinal, dá para usar outra foto sempre!) A Revell (fabricante de miniaturas), quando faz modelos de aviões da época, omite a suástica, manda como adesivo apenas um círculo branco com borda/fundo vermelho. Uma empresa famosa, cujo logotipo por coincidência usava cores e grafismos semelhantes aos da bandeira alemã de guerra, retirou o friso preto de seu logo.

Acho essas preocupações super-ok, uma sensibilidade com as vítimas do passado, um aviso aos do presente que determinados erros não se repetirão. Um cuidado que, ao meu ver, se não é obrigatório, seria elogiável. (Lembro da discussão sobre o título alternativo, o qual não lembro, para “O Caso dos Dez Negrinhos”. A mudança foi combinada entre editora e A. Christie logo nos anos 1940, quando não havia nenhum movimento tão forte ou que fosse apelidade de PC ou algo assim. Ponto para eles por perceberem a gafe. Ponto negativo para as editoras brasileiras que só corrigiram em 2010.)

Bom, mas como fica quem precisa do Google translator? Não vejo muito drama. A frase é muito muito conhecida. Quase todo documentário/filme sobre campos de extermínio mostra a entrada, e aí a contextualização é clara (posto que não existe filme que a mostre como apologia, mas como aviso da tragédia.) Se alguém traduzir um texto vai se deparar com a desconexão nesse trecho e irá associar. Se não associar perguntará a quem estiver conduzindo a pesquisa e saberá. Quem estuda alemão mesmo no primeiro estágio percebe na hora, pois são palavras comuns em construção direta (só que a tentação inicial é traduzir por “O trabalho faz livre”. Certamente a portuguesa que pesquisou encontrou rápido alguém que lhe explicou.

Mas que utilidade teria tal autocensura, além de mostrar sensibilidade? Relativamente muito pouca, apenas torna textos apologéticos, que circulam na internet, um pouco menos acessíveis para quem tem pouca informação, mas, que também a terão.

Nestas situações, especialmente quando não há lei específica debatida antes, fica sempre a dúvida : a autocensura é um receio de ser criticado ou uma demonstração de espírito positivo? No segundo caso acho que nunca há problema, no primeiro caso temos que avaliar se a crítica possível seria ou não pertinente.

Herr Gunter

Como és bonzinho, qual seria o problema de traduzir esta consigna dos campos de extermínio, o único problema é mostrar o humor negro que os alemães brindaram o mundo colocando para as pessoas que entravam para morrer que o trabalho os libertaria.

A portuguesa não encontrou coisa nenhuma, pois além de falar alemão a pessoa deveria ter um conhecimento histórico.

Acho que tudo isto é para facilitar o esquecimento da história. 

Mas bonzinho eu sou mesmo, assumido! rsrs

Olha, na verdade, como disse no penúltimo parágrafo, muito problema em traduzir não há, seria apenas uma regra geral automatizada.

Mas também não há problema, como no antipenúltimo parágrafo, em não traduzir. Só que aqui há uma intervenção humana, foi decidido, não por máquinas, mas por gente, omitir a tradução automática de uma frase usada de modo muito negativo no passado. Por que sentir pena disso? Mais lógico é celebrar a iniciativa.

Eu não acho que seja para facilitar esconder a história, tudo o que falei é no sentido de lembrar a história. Mas não estamos no campo das ciências exatas, mas no das humanas. Há interpretações diferentes. Você encontrou um viés negativo, eu um positivo.

Mas será que nós somos os melhores a opinar? O ideal seria encontrar a exposição de motivos do Google para isso.

Mas aí é outro contexto. O google translator pode ser usado para traduzir/divulgar propaganda antisemita, o portão de um museu não. Este lembra um momento histórico, como os crucifixos.

Google é inimigo, nao amigo... Se houver de novo uma ditadura, eles nem precisarao procurar as pessoas, estarao todas mapeadas pelo Google. 

Gunter

Andei procurando na rede a frase completa encontrando referências em alguns sites, o interessante que achei referências no site da Federação Israelita Brasileira e em outros sites que não poderemos chamar anti-semitas, logo esta tua interpretação de "brasileirrro bonzinho" não fecha muito com a realidade.

Mas eu não estou tentando convencer ninguém, Marco. Apenas achei positivo o que o Google fez, e que vocês acham negativo.

Rogério, é claro que a FIB não é anti-semita. Mas a FIB não faz traduções de textos anti-semitas a não ser para pesquisa própria.

E eu às vezes uso triângulo rosa como avatar e não sou homófobo, certo?

Estamos com uma diferença de avaliação, como em um julgamento. Há promotoria, há defensoria. Um promotor nunca tenta convencer o defensor e vice-versa, caberia termos mais opiniões:

- razões do google

- legislação alemã

- posicionamento de associações ligadas a vítimas do holocausto (não só israelitas), caso saibam da restrição à frase

- se alguém questionou o google juridicamente.

Mas... Vocês testaram? Acabo de testar e no meu "PCPC" o Google tradutor deu o resultado mais conhecido:

Assim, não há iniciativa a criticar ou elogiar...

Rápido assim? Nao é presunçao nossa nao? Eta nóis, se estamos influenciando até o Google... (rs, rs) 

É agora consegui. O mais interessante que tentei das mais diversas formas possíveis ontem e não aconteceu nada, como são rápidos, estou ficando impressionado (e preocupado também!).

Será que já estamos sendo monitorados a este nível?

Uai, vai ver receberam mais críticas que elogios, consultaram a quem de direito e viram que não tem problema não restringir a frase.

E vocês me fizeram elogiar o Google à toa, homessa!

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