As razões que levam os finlandeses a serem pilotos de arromba (gíria nova).

Observando a última corrida F-1, com um finlandês zé-bonitinho chamado Kimi Raikkonen chegar na frente de todo mundo, mesmo com um carrinho capenga, Zé-teórico-esportivo sentiu-se tentado em teorizar sobre as razões intrínsecas porque um pais esquisito como Finlândia, com seu povo esquisito fabricante de celulares e caviares, se dar tão bem atrás do volante de um bólido a 300 kms/hora. Um pouco de despeito, já que chinas e orientais em geral mal conseguem virar á esquerda e apagar o cigarro simultaneamente, quanto mais localizar um cd acariciando o joelho da chininha acompanhante sem causar um desastre sic transit.

Finlândia nem deveria ser um pais, certo? É emaranhado de fiordes, penhascos, geleiras e geladeiras de onde pinguim mantem distância, que pingüim gosta de frio, mas não é otário a ponto de ficar num point onde a única diversão é brincar de pega-pega com leão teddy bear marinho.

À semelhança de Noruega, Dinamarca, Suécia e Islândia, Finlândia é o que se pode denominar “inferno no gelo”, locais aprazíveis onde se tem o prazer de curtir praia sob invernos amenos a -40° ou verões calorentos a -20°. Localidades onde o cara te pergunta: “Quer uma cerva gelada? Peraí que vou deixar uns minutos fora do freezer”.

Só que Noruega, Dinamarca, Suécia e Islândia ainda tem as norueguesas, dinamarquesas, as suecas e as... Björk serve? Mas Finlândia? Conhecem alguma finlandesa dessas Uau!!! (que não seja vodca nem cerveja).

Cecito não, e ao que parece, nem o falecido papatudo Jorginho Guinle.

Então pra que sujeito (ou sujeita) se sujeita a morar em Helsinque ou arredores? Imagina um corretor (não corredor) finlandês tentando empurrar seu bacalhau no incauto: “Puxa, o casal veio de Rio de janeiro? Aqui é quase idêntico! Temos este iglu de frente prum iceberg. Já vem com 15 lareiras, 100 toneladas de lenha congelada e 10 pás king-sizes zeradas pra remover a neve da escadinha da entrada”.

Poisé. Alem disso, parece que os caras lá tem uns 6 meses de noite, com direito a aurora boreal, cavalgada nas Valquírias e diversões menos votadas, como karaokê em fino-úgrico, quebra-cabeças rúnicas, torneios de xadrez e campeonato interregional de guerra com bolas de neve.

Depois de 6 meses de noite, logicamente o cara terá 6 meses de dia, confere? Agora, o cara passou 6 meses dormindo (hibernando), o que vai fazer pra passar os restantes 6 meses do ano acordado?

Pegar bronze na neve? Ir ao parque alimentar as focas? Chutar bunda de urso polar?

Bom, depois de fazer isso tudo, resta ir à despensa descer toda a prateleira de Absolut, Stolichinaya, Velho Barreiro e Nevoeiro, Três Fazendas na Tundra, e tome cana!

E depois?... Depois lhe ocorre o que ocorre a todo bebum nos quatros cantos do mundo: “Acho que vou dar um role de carango (nova gíria) pra ver se arrebanho umas gatas”.

É aí que a jurupoca pia (gíria nordestina recente).

Primeiro ele tem que fazer uma fogueira debaixo do Lada, ou Krönken, ou a marca que for, pra derreter o gelo do cárter, diferencial, eixo, rodas, escapamento, portas e carteira de habilitação que ele esqueceu no porta-luvas-gorros-botas-correntes. Entrementes, tome polca, isto é, vodca!

Se der tudo certo e a fogueira não congelar, ele obtem um nhenhenhé animador do motor de arranque, despeja gasolina no carburador, dá uns trancos, e a máquina quente finalmente dá sinal de vida, desliza uns 2 metros e atola na neve. Aí ele cata a sua pá tamanho-macro pra ir removendo a neve em volta das rodas e pelos 35 quilômetros até a vila mais próxima.

Pronto! O cara está pilotando!... totalmente manguaçado num lamaçal com 80 centímetros de fundura e debaixo de uma nevasca de verão, atarefado em não deixar o resto da biritaiada congelar e controlando um automovel cujos freios se cristalizaram. Digam aí: Cara tem que ser piloto, ou não?

Pior é a volta, ele mordiscando a orelhinha quentinha da Taina ou Riina ou Oili que descolou na cafeteria, dirigindo de ré porque a caixa de cãmbio virou picolé. Digam de novo: Tem que ser piloto, ou não?

Agora botem um cara desses numa savana africana, numa selva amazônica, num estepe siberiano, num pantanal matogrossense ou nos penhascos de Monte Carlo... Ele vai achar mole! Vai pensar, e dizer pro co-piloto e navegador maluco igual a ele: “Mó baba, Jaako, aqui é só rebarba de areia, poeira, ciclones, valeta, lombada, pântano, areia movediça, crocodilos, rinocerontes e desfiladeiros. Isto é que é estrada!”.

Assim, vão fazendo nome os Vatanens, Kovallainens, Kankkunens, Hakkinens da vida e do volante, mergulhando em curvas “U” a 254 kms/hora, deslizando rente a baobás, capotando 17 vezes nas lombadas da Chapada dos Veadeiros e continuando a dirigir como se nada, desatolando de mangues traiçoeiros valendo-se do uso exímio do punta taco, despencando de abismos e se reaprumando aproveitando-se de cipós e arbustos.

Pra eles, não existe trilha ruim.

Basta dizer que a delicada esposa do piloto Erkki em questão, a doce e cautelosa Tanja se atrasou ao descongelar o bichano Toppi antes do café da manhã e, pra chegar a tempo de deixar o pequeno Tatu na escola, sai trafegando a 178 por hora pelo atalho que contorna os fiordes enlameados, escorregadio feito vaselina, enquanto leva um lero com a mana Annukka pelo celular, ajeita os cabelos, dá um trato no blush, uns retoques no batom e umas porradas no pequeno Tatu que está com metade do corpo pra fora da janela, tentando capturar esquilos selvagens pela estrada.

Aí, bicho (gíria nova), vai querer competir com gente assim?

O translúcido Kimi Raikkonen, na primeira vez em que o puseram num circuito F-1 ficou tão pasmo com a lisura do asfalto que executou uma curva em “S” a 296 kms/hora com seus patins, detonando os pneus traseiros e enfiando a cara na caixa de brita. E segue fazendo o mesmo pelos circuitos vida afora com imensa alegria e jovial temeridade. Assim se fazem os campeões.

Tem mais. Os caras se habituaram a Lada e carroções afins. Quando pegam um bibelô tecnológico, brinquedinhos feito Subaru, Toyota, Renault, BMW, Citröen ou similares, enlouquecem de vez. Imaginem Erkki adentrando matagais tropicais assessorado por freio ABS, motor de 500 cavalos, tração nas quatro, motor blindado, diferencial diferenciado, GPS e montão de tralhas feitas pra facilitar a vida do sujeito que vira e desvira volante. O cara está com tudo! E sai da frente senão ele passa por cima!

Tudo, portanto, é questão de habitat. Se transportam Zezinho pra Idade da pedra numa máquina do tempo, adianta Zé-academia querer discutir Kant, FHC, Dilma ou o último filme de Wong Kar-Wai com um bando de mal encarados que trepam em sequóias em 30 segundos pra catar bicho-preguiça pra janta?

E se eles vierem pra cá? Vele um deles sentar o porrete na cabeça de uma delicada donzela da oscar Freire a título de admiração respeitosa e delicado flerte? Zezito morre de fome e ele vai em cana.

Diria o saudoso uncle Albert: Tudo é relativo.

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Respostas a este tópico

Quáquáquá, vc é o MELHOR delinquente que eu conheço...
O melhor delinquente é o melhor ou pior?
Já que pipocam crônicas zoando amarelinhos, pretos, indios e lusos, e nunca jamais alguma sacanagem pracima dos branquelos, zé-revanchista resolveu devolver na mesmo moeda, mesmo a deles sendo euro que pesa pra cacete.
A questão transcendental é que os mencionados, tem que bater palma pra eles, conseguem desenvolver modos de fazer o essencial, que é a velha safadeza, concordam?
Porque no frio, deve ter estatística, a frequencia zezométrica cai em níveis alarmantes. Ou será o oposto pra outros? Dificuldades técnicas, física dinâmica, né? Quaquá!
Tem o comentário de lady Elizabeth sobre o filme da Marilyn "Quanto mais quente melhor", e tem muitos outros... "The postman always rings twice", "Corpos Ardentes", "Mogambo", "Zabriskie Point"...
Calorão favorece o bumba-meu-boi. Até porque demora menos pra se livrar das cascas... Mas no gelo?
E, no entanto, "The Touch" do gélido Ingmar Bergman, sob cenografia branca o tempo todo, neve, neve, neve... o pau some solto, em todos os sentidos, explosões delirantes de libido, raiva, dor e prazer.
Plugue e tomada não tem jeito, arrumam sempre jeito de criar eletricidade e produzir combustão.
Putz, zé tá paulocoelho paca! Chega!
O que acontece, dear cousin, é que finus se finaram, caso típico de fogo de palha ou fogo na tundra.
Restou um Kovalainnen que é um pé na kova, resquício da geração pálido-dourada que acabaram dando uma lição de saudável antiprofissionalismo e banana pro pega-pra-capar no gesto de Mika Hakkinnen, que acelerou pras prendas domésticas depois de ser bi-F-1 (em cima de ninguém menos que Michael Schumacher); e de Kimi Haikkonen, o rabichudo-charming-iceman: "Não tô mais a fim, bye bye" (se bem que por contract segue recebendo a merreca de 16 mijones de doletas anuais da Ferrari, o que facilita sobremaneira a impávida decisão). Isso um ano depois de virar campeão na maior zebra automobilística de todos os tempos. Zebra que por sinal o asturiano Fernando Alonso está pra reeditar, sob os bufos e a secagem do patriota-plim-plim Galvão Buendía.

Quem reina e governa now a days? Democratizou. Asturiano, alemão, australiano e british, tutti buona gente, pintas de roqueiro, pegadores de donnas (auto)móbiles. Esporte de elite, alta octanagem e granagem; mas uma brasa, mora (gíria novíssima)!

RIP, cousin de mierda.
reciclagem não vale!
a história se repete, é?!
vou voltar a ver a globo...
Vale tudo...
Bichinho infernal esse tal computador, máquina do tempo.
Zé tá no limbo, mas dá pra psicografar!
Cecito rides again, quaquá!
Acaricia mi sueño...
Ze da China
Finlandia alem de fabricante de celulares e caviares, tambem tem a melhor tecnologia para fabricação de celulose e papel do mundo, fabrica navios como ninguem, mecanica pesada, e alta tecnologia em eletronica.
Abraços
Há que perdoar o primo. Trombadinha, tio, que odeia branquelos, mas zouzou aaaaammmmmma caviar (produto de primeira necessidade, reconhecemos), e celular Nokia (produto de segunda necessidade, reconhecemos), e IDH arriba (ai, aí doeu, reconhecemos) oooooooooooh......

Zezita que é refinada sabe dos finus-nokias, e vizinhos abastecedores de ongues e lavanderias de grana e vizinhos vikings que estão acabando com os bacalhaus do Ártico. Business men, estação de trem e megabandas heavy. Cada qual se defende com o que tem.
Um dia, quando formos gente-finus seremos todos finlandeses, quiqui...
Por enquanto, essa merda que somos, ché fare?... Sacanear os deuses nórdicos.
Nem sacanear, né? Brincar, puerilizar, hã... caricaturar (como caricaturam chinas e brazucas).
O espírito da coisa e a coisa do espírito, não precisa ser Estadão (novo ou velho) o tempo todo, hein?
Desta vez vá a ganar el Fodón de las Astúrias, e estea lista.

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