Sugiro uma discussão sobre a forma para pressionar o governo estadual a criar uma verdadeira estrutura de ação e logística em momentos de tragédia como estamos vendo em São Luís do Paraitinga e que vimos no início de dezembro na capital paulista.
Estes dois exemplos demontram que o estado de Sp é incapaz de reagir a catástrofes naturais. Relato abaixo algumas impressões sobre o caso de S. L. do Paraitinga.

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O que se viu em SL Paraitinga quanto a ação das autoridades é assustador. Demostra a total falta de coordenação e de condições de agir na hora em que os atingidos mais necessitam. Listo alguns episódios comunicados por uma fonte de dentro do QG montado em SL do Paraitinga.

1) Do dia 1o até hoje o pessoal do rafting da cidade (heróis maiores da tragédia) deram um duro tremendo. Só ontem o corpo de bombeiros enviou uma equipe. Um comandante e 5 soldados. Os 5 demoraram umas 5 horas para preparar barco e motor para por na água. Aí, depois de 2 viagens tiveram que parar tudo por falta de diesel para abastecer o motor. Tá cheio de caminhão de reunião do corpo de bombeiros, mas nenhuma ação concreta.

2) Não se comunicam com os moradores, principalmente com o rafting que conhece cada palmo da cidade.

3) Comunicação não está sendo o forte nesta tragédia. Apesar de uma mesma casa estar servindo de comando para PM, Bombeiros, Defesa Civil e Exército, estes órgãos não se comunicam entre si.

4) Os moradores desta casa (que apareceu na reportagem da Band). Se organizaram para distribuir os donativos que receberam dos amigos de Taubaté e para oferecer lanche ao pessoal do rafting que vararam a madrugada trabalhando nos resgastes sem parar e nem comer. Mas acabaram tendo que alimentar os soldados da PM, Bombeiros e Exército!!!! (Isso mesmo eles chegaram na cidade e ficaram na dependência da alimentação oferecida pela própria população!!)

5) Hoje pela manhã as autoridades não sabiam onde foi parar o barco do corpo de bombeiros que ficou sem combustível ontem!!

6) O pessoal da cidade está P da vida com os helicópteros do Exército que não param de sobrevoar a cidade com equipes de cinegrafistas da Globo e da Band, mas não pousam para ajudar nos resgastes.

7) No sábado o coordenador da Defesa Civil, um comandante não sei do que (que arregaçou as mangas e trabalhou efetivamente), profere as seguintes palavras, depois de um telefonema de São Paulo: “Estou sem apoio externo. Eu literalmente não sei o que fazer”.

8) hoje pela manhã (essa eu acompanhei pelo celular) enquanto moradores gritavam por socorro para um morador que passava mal na parte baixa da cidade, os enfermeiros e médicos que montaram um posto na parte seca (na mesma rua) não se mobveram até o local, apesar da insistência da população.

9) Na parte isolada do centro da cidade, já há muitas noticias de saques nas casas!

10) Além de alimentação, precisaram da ajuda de um residente da casa que virou Comando Geral para arrumar, ligar e ajudar a operar um computador para registrar o nome das pessoas que eram trazidas da parte alta da cidade que está ilhada.

11) Pior, esse jovem teve que correr atrás de um aparelho 3G (Internet móvel) para se conectar e imprimir um mapa da cidade, porque as "otoridades" não trouxeram um.

12) O Exército também enviou um caminhão ontem com 1 tenente e 6 soldados que demoraram 1h30min. para montar uma barraca para armazenar as cestas básicas. O detalhe: num terreno muito ingreme, totalmente inadequado para o depósito de cestas básicas e desnecessário para abrigar meia dúzia de cestas.

13) Vi aqui no portal que o nosso governador após visitar a cidade pede à prefeita que não cancele o calendário de Carnaval na cidade. O cara é totalmente sem noção ou o quê. Essa foi pior do que uma senhora da defesa civil que ao ouvir um morador dizer "isso é uma camalidade pública", volta-se contra quem proferiu a sentença e retruca: "Como é que você pode dizer que se trata de uma calamidade pública?". No que o esperto rapaz responde: "Ah! Não é? Então vamos lá no bar do Beto tomar uma cerveja!" Essa foi ótima.
Diante dos risos contidos em volta, ela ficou quieta, mas espero que tenha aprendido a lição. Quem é de fora, não sabe o que é parar, de uma hora pra outra, de fazer aquilo que sempre se fez. Parar de ver o que sempre se viu...
É preciso um choque de formação nesse pessoal, não dá para ter a Defesa Civil como cabide de emprego para cabo eleitoral ou o que quer que o valha (Há exceções entre os funcionários da DC é preciso dizer, mas sobretudo o alto comando não está preparado para agir em situações como esta).
Caro, a postura dos poderes públicos seria muito diferente se São Luis fosse um refúgio de ricos e 'celebridades'. Sua narrativa dos fatos, tenho certeza, chega muito próxima a exatidão. Eu cobri pelo jornal O Estado de S.Paulo a tragédia em Campos de Jordão em 2000. Para ter uma comparação, basta ver os espaços que a imprensa deu para São Luis e para a pousada em Angra, que logicamente tb merece toda atenção. A tragédia de São Luis só ganhou espaço após saturarem a cobertura em Angra, mesmo tendo aqui uma cidade histórica arrasada. A questão do uso e parcelamento do solo, os desastres induzidos por ação antrópica e da natureza são pontos a se comentar e debater seriamente. Estimulado por nossa troca de mensagem e as conversas com o Jô, escrevi um artigo para o Observatório da Imprensa ( consegui falar com o Luiz Egypto !!). Vamos remexer nisto, pois esse processo discriminatório e descompromissado existente nas esferas do poder é, no mínimo, asqueroso para não dizer criminoso.
Caro Júlio

Não devemos atribuir a "ação antrópica" grande parte desses eventos, eles são eventos naturais que não ocorrem na primeira grande chuva, nem na segunda e podem ocorrer na 18ª (qualquer número).

O problema básico está na ocupação indevida de regiões que nunca poderiam ser construídas. Não são só favelas que são construídas em zonas de risco, a ocupação da base de encostas da Serra do Mar (principalmente junto a talvegs de pequenos riachos) é uma total falta de previsão e de desconhecimento de geotecnia aliado ao desconhecimento de fluxos gravitacionais (debris flow e mud flow) e deslizamentos.

É perfeitamente previsível a situação de instabilidade o problema é dizer quando vai ocorrer, pode demorar um mês até dez mil anos e estes dez mil anos que deixam as pessoas confortáveis.

Cada dia mais ocupam-se regiões que nunca deveriam ser ocupadas, eventos como os ocorridos em todas essas regiões costeiras acontecem com freqüência em estradas, mas salvo que esteja passado um carro por baixo só interrompe o tráfico.

Agora eu pergunto o seguinte, se pedirmos para uma dez mil pessoas retirarem (demolirem ou simplesmente abandoná-las) por um evento que pode demorar dois mil anos para ocorrer qual será a resposta dessas pessoas?
Meu amigo ... a única e verdadeira solução está nas nossas mãos na hora de votar ... votar com consciência ... pesquisar os candidatos antes de depositar o seu voto ... não votar no vizinho ou no amigo.
Nós temas a força e o poder nas mãos !!!
Caro Plinio

Não é tão simples assim, pode-se ter um candidato a prefeito ou governador honesto e bem intencionado, entretanto não for devidamente assessorado ele pode cair nos mesmos erros do que os anteriores.

Há uma tradição no Brasil de colocarmos nos cargos que envolvem infra-estrutura pessoas que não são técnicas, e estes por terem nas mãos o poder fazem valer a sua vontade contra a opinião de técnicos.

Aqui em Porto Alegre temos um caso típico, após uma grande cheia do Guaíba foi realizado pelo ex-DNOS uma obra de proteção contra as cheias, como esta obra enfeia parte da cidade, parte da população capitaneado pelo IAB seção RS quer contra todas as recomendações dos engenheiros especialistas no assunto cortar parte do muro de proteção. Eu participei de uma audiência pública a quase dez anos atrás onde levantei-me contra este despropósito que se vai fazer, e junto a minha intervenção tinham pareceres técnicos dos departamentos de esgotos pluviais da prefeitura e outras instituições que eram contra a retirada mesmo que parcial do muro.

A audiência que falei era para a apresentação das três propostas de escritórios de Arquitetura que propunham obras para o aproveitamento da área em questão, de quase quarenta projetos gerais somente os três finalistas retiravam o muro (parcial ou totalmente), os outros trinta respeitaram as recomendações dos técnicos e conservaram o muro, não preciso dizer que eles não tiveram julgadas as suas propostas, pois uma comissão de “notáveis arquitetos” julgou inadequada a sua proposta. Ou seja a vontade politiqueira (não política) venceu a lógica técnica. Para a felicidade do povo que habita no centro de Porto Alegre a obra não foi executada, entretanto me parece que atualmente voltou-se a mesma besteira e procura-se fazer um novo projeto com a retirada parcial do muro.

Veja o exemplo, o governante, no caso o prefeito é um professor de português, a governadora é uma economista, não tem a mínima capacidade técnica de julgar o assunto, mas “grandes arquitetos" que conhecem “tudo” de hidráulica e hidrologia, não vêem a necessidade deste muro feioso, pois de acordo com o assessoramento de outros profissionais como radialistas, jornalistas, juristas e outros elementos de alta competência técnica no assunto são favoráveis pela derrubada do muro.

Em tempo: A Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mais especificamente o Instituto de Pesquisas Hidráulicas, quando consultado e muitas vezes não sendo consultado, já se manifestou contra a retirada do muro, mas como somos somente 40 especialistas no assunto (hidráulicos, hidrologistas, climatologistas, etc) contra centenas de outros especialistas como arquitetos, jornalistas e outros somos voto vencido.
Na minha concepção para ser um bom político, prefeito, governador ou presidente, está implícito que o mesmo saiba escolher seus assessores de acordo com as habilidades.

Em um país onde os menos favorecidos trocam o voto por um par de sandálias havaianas, votar com a mínima consciência ( o que já é muito difícil ) já é pedir muito.

O parcela da população ( pequena é claro ), que vive "na corte" dos políticos e governantes, essa sim é que devia ser espurgada.

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