Carta capital denuncia diálogos perigosos no telefone na época das privatizações entre FHC e Mendonça de Barros

"A imprensa está muito favorável, com editoriais",
diz Mendonça de Barros.
"Está demais, né?", diz FHC em tom de brincadeira.
"Estão exagerando, até."


Diálogo telefônico
durante as negociatas prévias
à privatização das teles em 1998
entre FHC
e o então ministro das comunicações,
Mendonça de Barros (PSDB,
levado para governo por indicação de José Serra),
.O diálogo completo acima pode ser lido aqui, nos arquivos de Carta Capital.

Por quê a imprensa estava até "exagerando" nos editoriais e na cobertura do noticiário na privataria das teles, em 1998?

Os "impolutos" lobistas da família Mesquita, do Estadão, saíram do processo sócios da empresa de telefonia celular BCP (atualmente comprada pela Claro), na região Metropolina de São Paulo, com o Grupo OESP (Estadão) participando com 6% do consórcio:

Banco Safra (44%)
Bell South - EUA (44%)
OESP (6%)
Splice (6%)

O lobby dos Mesquita junto com lobby da família Sirotsky (Grupo gaúcho RBS) pela privataria, também resultou em 6% e 7% de participação de cada grupo, no consórcio BSE (Estados do Nordeste à exceção da BA e SE):

Banco Safra (40,5%);
OESP (6%);
Splice (6%);
RBS (7%)

Os "impolutos" lobistas da família Frias, mais cautelosos, saíram do processo com opção compra de 5%, do consórcio Avantel Comunicações (disputava telefonia celular no interior do estado de SP), que ficou em 2º lugar no leilão, mas ganhou com a desclassificação do 1º (Consócio Tess), mas o Avantel acabou desistindo em fins de 1998:

Air Touch - EUA (25%);
Stelar (25%);
Camargo Correa (25%);
Unibanco(25%);
Jornal Folha de São Paulo (opção de compra de 5%)

Opção de compra significa que se o Grupo Folha achasse o negócio bom depois de algum tempo, poderia exercer o direito de ser sócio de 5%. Se não achasse o negócio bom o suficiente, não compraria os 5%, não correndo nenhum risco.

Os "impolutos" lobistas da família Marinho (Globopar), participaram do consórcio TT2, que disputava a telefonia celular nas áreas dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo:

Globopar (40%);
ATT - EUA (37%);
Bradesco (20%);
Stet - Itália (3%)

O consórcio acima perdeu o leilão para o Grupo Telefonica da Espanha, mas a família Marinho não ficou no sereno. Ganharam com o consórcio Vicunha Telecomunicações, a telefonia celular na Bahia e Sergipe:

Stet - Itália (44%);
Grupo Vicunha (37%);
Globopar e Bradesco (20%)



Clique na imagem para ampliar





Informações na pág. 70 (figura acima) do estudo "INVESTIMENTO E PRIVATIZAÇÃO DAS TELECOMUNICAÇÕES NO BRASIL: DOIS VETORES DA MESMA ESTRATÉGIA".

É fácil entender porque o Estadão declara apoio a José Serra (PSDB) no seu editorial de hoje.

Leia também:

- Corrupção na Imprensa: Grupo Estadão teve contrato prorrogado sem licitação no governo tucano

- Corrupção na imprensa paulista: esconderam as milionárias transações de Marcos Valério com a TELESP em 1997

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/

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domingo, 26 de setembro de 2010
Corrupção na imprensa paulista: esconderam as milionárias transações de Marcos Valério com a TELESP em 1997




Entidades públicas administradas pelo PSDB teriam depositado R$ 104 milhões na conta de empresa de Marcos Valério

Daniel Pereira e Tina Vieira

BRASÍLIA - A CPI dos Correios demonstrou ontem que tem munição contra o PSDB. Uma nota técnica à disposição da comissão revela que uma conta no Banco Industrial e Comercial S/A (Bicbanco), da agência SMPB São Paulo, de propriedade de Marcos Valério Fernandes de Souza, recebeu em 1997 e 1998 cerca de R$ 104 milhões, em valores atualizados em novembro de 2005, de duas entidades públicas sob responsabilidade de governantes tucanos. Como no caso das operações efetuadas no governo atual, a CPI suspeita de desvio de recursos públicos para alimentar partidos políticos.

Além disso, vislumbra a possibilidade de comprovar que Marcos Valério opera esquemas de drenagem do erário pelo menos desde meados da década passada. Obtida pelo Jornal do Brasil, a nota técnica aponta depósitos e ordens de crédito a favor da SMPB São Paulo efetuados pela TELESP, então empresa de telecomunicações do Estado de São Paulo, e pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), ligada ao Ministério do Trabalho e Emprego.

Em ambos os casos, o enredo não é original e envolve, por exemplo, pagamentos superfaturados por serviços não comprovados e saques em dinheiro vivo. A atenção da CPI dos Correios está voltada, sobretudo, para o relacionamento entre a Telesp e a agência de Marcos Valério.

Entre abril de 1997 e setembro de 1998, a empresa [TELESP] despejou na conta da SMPB São Paulo cerca de R$ 41 milhões, em valores da época, ou R$ 73,3 milhões, em números atualizados em novembro de 2005 com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

A maioria dos depósitos ocorreu antes das eleições gerais de 1998 e da privatização da Telesp, realizada em julho daquele ano. A nota técnica menciona indícios de que os depósitos ''podem ter apresentado irregularidades na sua utilização capazes de caracterizar desvio de recursos públicos''. Entre os indícios, destaca-se o fato de o contrato entre a Telesp e a SMPB São Paulo prever o pagamento de, no máximo, R$ 4 milhões. Ou seja, dez vezes menos do que o total depositado na conta da agência de Marcos Valério.

Diante da disparidade dos números, o presidente da CPI dos Correios, Delcídio Amaral (PT-MS), enviou ofício à Telesp questionando se foram fechados outros contratos de prestação de serviço no período sob investigação e a relação discriminada dos pagamentos deles resultantes. Em resposta à CPI, a empresa declarou a existência apenas do contrato de R$ 4 milhões, assinado pelo então diretor Carlos Eduardo Sampaio Doria. Eleito deputado federal pelo PSDB em 1998, Sampaio Doria também foi presidente da Telesp.

Hoje, ocupa o cargo de diretor de controle econômico e financeiro da Agência de Transportes do Estado de São Paulo e tem assento no conselho consultivo da Fundação Mário Covas, governador de São Paulo entre 1995 e 2001, quando faleceu. Na resposta à CPI dos Correios, a Telesp reconheceu ainda que ''para alguns dos pagamentos realizados não estão disponíveis as informações sobre subcontratada, tipo de serviço e valor dos honorários, em razão do modo de arquivamento anterior ao período de privatização e além do prazo legal de sua manutenção''.

- Isso é gravíssimo, é um crime - disse o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), sobre os desembolsos realizados sem previsão contratual comprovada e sem a respectiva prestação de serviço.

Também causa espécie aos técnicos da comissão o fato de a SMPB ter repassado recursos para seis empresas que teriam sido abertas apenas para receber dinheiro oriundo do caixa da Telesp. As notas emitidas pelas empresas eram seqüenciais, ou seja, sinalizam que a então estatal era a única cliente delas. Todas as empresas são controladas pelos irmãos Ricardo...

Duplicatas da TELESP aparecem na denúncia do PGR contra Eduardo Azeredo

Na denúncia apresentada ao STF pelo Procurador-Geral da República contra Eduardo Azeredo, devido mensalão tucano, já aparecem duplicatas da TELESP sendo oferecidas como garantia ao Banco Rural pela SMPB para retirar empréstimos, que foram usados para financiar a campanha eleitoral
"A imprensa está muito favorável, com editoriais"
Trechos das fitas enviadas pelo governo à Polícia Federal


O ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, André Lara Resende e Pérsio Arida estão reunidos. Eles conversam com Jair Bilachi, presidente da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. O trio quer que a Previ se junte ao Opportunity, visando formar um consórcio para arrematar a Tele Norte Leste:

"Estamos aqui eu, André, Pérsio e Pio (Borges, vice-presidente do BNDES)", diz Mendonça de Barros a Bilachi. "Mas estamos muito preocupados com a montagem que o Ricardo Sérgio está fazendo do outro lado (junto ao consórcio de Carlos Jereissati). Porque está faltando dinheiro, doutor. E a gente está sabendo que uma das alternativas (do consórcio concorrente) é fundir as empresas com a holding. Aí, o negócio não fica limpo e a minha primeira preocupação, e o presidente já me ligou, é que a gente ponha em pé este negócio. Senão, o que aparentemente for um puta sucesso pode ficar um negócio amargo."

"Ministro, nós estamos concentrando forças e a nossa proposta é bem diferente", responde Bilachi. "Mas é justo na linha dos negócios. Nós estamos cacifando aqui. Mas, essa questão do outro negócio (apoio de Ricardo Sérgio de Oliveira, do Banco do Brasil, ao grupo de Jereissati), acho que vocês deviam conversar com o Ricardo Sérgio."

"Tudo bem", diz Mendonça de Barros. "Mas o importante para nós é que vocês montem com o Pérsio, evidentemente chegando a um acordo, e tudo o que precisar nós ajudamos. Temos um probleminha agora que é a carta de fiança. E é chato chegar agora, no meio da tarde, e o Banco do Brasil dizer que não vai dar." "Vou falar com ele (Ricardo Sérgio)", diz Bilachi. "Sei que ele (Ricardo Sérgio) está falando com a Telefónica de España, um negócio meio esquisito."

O ministro das Comunicações telefona para o diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira. E revela: o Opportunity quer participar do leilão da Tele Norte Leste, mas depende da concessão de uma fiança do Banco do Brasil:

"Está tudo acertado", diz Mendonça de Barros para Ricardo Sérgio. "Mas o Opportunity está com um problema de fiança. Não dá para o Banco do Brasil dar?"

"Acabei de dar", responde Ricardo Sérgio. "Dei para a Embratel e 874 milhões para o Telemar (Tele Norte Leste). Nós estamos no limite da nossa irresponsabilidade. São três dias de fiança para ele", continua o diretor do Banco do Brasil, quase rindo.

"É isso aí, estamos juntos", diz Mendonça de Barros.

"Na hora que der merda (Ricardo Sérgio se refere ao astronômico valor da fiança), estamos juntos desde o início."

O presidente Fernando Henrique liga para o ministro Mendonça de Barros na sede do BNDES. FHC queria saber como estava o andamento do leilão das teles:

"Estamos aqui praticamente com o quadro fechado", diz Mendonça de Barros ao presidente.

"Você acha que, no conjunto, vai dar o quê?", pergunta FHC.

"Vai dar uns 16 bi, que é o que eu tinha dito", responde o ministro.

"O nosso preço mínimo é de 13 bi e 400, e nós chegaremos a uns 16 bi, que é muito dinheiro."

"Ajuda, né?, as reservas", comenta FHC.

"A imprensa está muito favorável, com editoriais", diz Mendonça de Barros.

"Está demais, né?", diz FHC em tom de brincadeira. "Estão exagerando, até."


http://www.terra.com.br/cartacapital/espionagem/artigo02.htm

Pergunta que não quer calar. Isso vai repercutir no JN?
Alexandre

Claro que não, eles acobertaram a privataria como vão falar?????
Poxa, mas eles são os defensores da verdade. Como pode?

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