Chapa Quente - Fundamentalismo brota de todos os buracos da cabeça

Repescagem de texto do primo Zé da China, datado de janeiro de 2007 (por ocasião de matéria canaille da sisuda Reuters, espécie de Larry Rother em pessoa jurídica), e ainda oportuno em época de fundamentalidades. Tudo se liga ao todo e nothing comes from nothing. O desprezo ao outro começo dentro do "um" e o "um" faz o "dois" que fazem "dez mil"; às vezes pro bem, às vezes, geralmente, pro mal.

Bein entendu, o mal segue sendo o que sai da boca. Abaixo Reuters e arreutadores. Vive la difference.


Zé da China na fita, zeloso e celoso em ação multifuncional acima do cumprimento do dever de escriba tercermundista mal-pago que caras por aí denominam: babaca, pulha, canalha, e calha de ser Zé canalha que não se calla nem pra rei nem pra dama de paus e bom dia boa noite boa sorte, filmaço dos que Zé aprecia olhar pra torcer pra mocinho que ganha contra bandido que perde; bandidão no casofácil de torcercontra o dileto senator Joe McCarthy que de 1950 a 1956 abriu o saco de maldades contra artistas e intelectas do país dele caçando pelo em ovo peludo e comunas debaixo da cama da indefesa middleclassdemerda, coisa que até tinha sua lógica já que comunas proliferavam mais que baratas e ser comuna era in, notadamente entre artistas e intelectas cabeças, a maioria reds amarelentos que ao aceno do cassetete davam a lista telefônica do Beverly Hills, quer dizer, nada de Estação Finlândia, NKVD, pílulas de cianureto.

Zé da China não tava lá mas sabe de orelhada e dá a ficha de The Book of Daniel, do liberal Edgar L. Doctorow, que narra por vias transversas a saga inglória de Ethel & Julius Rosenberg sob a ótico dos filhos-children inocentes inúteis de Mr. McCarthy, porque Zé é pop-propositivo raramente solopositivo.

Zé da China se perdeu, mas se acha logo, não lembra mais do que ia falar mas era começo e começa de novo todo deferente aos ledores que ao Zé da China se lhe ocorreu certa muita bastante irritação com programinhas do canal de TV do bispo e da bispa, bagulhada chegada a acredite se quiser ou o xou nojento da vida, moda há 100 anos atrás quando cine Comodoro exibia Tabú e Mundo Cão, superproducts em cinethecnicolor com aborígenes, autóctones e selvagens afins a deglutir minhocón em su tinta, gafanhoto em la plancha, barbecue de lesma e iguaria similares a destacar sua/deles diferença/inferioridade e sua/deles nojice em relação aos gurmês anglossaxônicos que por la gracia de Diós nos introduziram ao templo sagrado dos acepipes refinées, como escargôs, codornas com cara de pardal, coelhos com cara de gato, rãs com cara de sapo e fetos de bezerro abortados de vacas mantidas em solitária.

Zé da China navega por águas vírtuas. Tem maicro movido a pedal que permite visualizar visões do paraíso like as page Reuters arreutando matéria metida tirando onda de porcarias que neguinho asiático (passando da Birmânia, é tudo china ou japa, viu? Pra que sutilezas com amarelinhos classe Z?) digere na ceia de Natal (que são pagãos mas acreditam em Papai Noel, viu?), dedurado por patricinhas e mauricinhos nativos assimilados/colonizados se cagando de rir das bostas que comem seus avós, pais e primos.

Zé da China aprecia matéria plural, essa onda de olhar o outro como a Bela olhou pra Fera, e babados afins, mas já o título: “Natal asiático tem carne de ratos, morcegos e barramundas” (viram a elegância do lead?), deu vontade de mandar o dono da Reuters arreutar na casa da mãe dele, senhora de maus bofes entrochada de castanhas, avelâs, rabanadas e do turkey que parece que pra essa gente branca é a única coisa a mostrar valor em qualquer porcaria de celebração.

Zé da China te esclarece, morena dos olhos d’água, que seja canal do bispo ou do cardeal ou da água marinha salobra, é sempre repórter debilóide tirando de joão valentão pedindo close de bandejas de baratas, aranhas, gafanhotos, camundongos ou bereba igual a boi, porco ou tainha que qualquer idiota come mundo afora pra não falecer de fome,e vociferando pra câmera: “Ói tão vendo? Vou provar! (sou repórter mondo-cane intrépido), e engole o troço e fica a turminha cheia de asquenta admiração: “Óia, meu, ele comeu! Credo que eu tinha coragem!... Passa aí a “mortandela”!”.

Zé da China vos afirma: Mral Fahmi de Cingapura, Mita Valina Liem de Jacarta, Karen Iema de Manila, Azad Majumder de Daca, correspondentes globalizados chiqués da Arreuters tirando onda da cara de concidadãos cujo pecado é deglutir o que vêm deglutindo desde priscas eras antes do palhaço Ronald e Buffalo Bill KFC lhes dizer que a comidinha de vocês é bosta cozida.

Zé da China indaga: Por que não tomam vergonha na cara, Miral, Mita, Karen e Azad? Ou em vossa novilíngua traíra: “Shame on you!”. Vossos patrícios comem morcego na brasa? Totó no espeto? Mickey Mouse na chapa? E daí? Os caras lá do vosso pedaço fazem matéria imbecil rindo dos otários que caem de boca em pasta de carne de cadáver de ruminante cagão, ou partes detroçadas de de primo de urubú que como minhoca, mosca e lesmas? Ou curstácio expert em devorar cadáveres de afogados, de dentro pra fora? Não ficam numas de “Eca que nojo!”, “que horror”, “o que essa gente come, hein?”.

Zé da China declara, entonces, bispo, bispa, cardeal e fantásticos animais marinhos, parem de agitar esse show de horrores usando as especificidades culinárias de outros como matéria de chacota provinciana. Pra isso já tivemos Tabú e Mondo Cane, mas isso era quando o mondo cane era mais burro. Ou só piorou de lá pra cá? Vós, arreuterianos branquelos, percebam a imagem vexaminosa, xenófoba e chauvinista que estão a passar de vós próprios com esse exibição de ignorância induzida e idiota.

Zé da China se espanta ainda com tipinhos que escrevem impunemente: “Por serem de país de população muçulmana, indonésios passam o Natal comendo...”. O quê?! What?! Deliramos nosotros?! Depois a ficha cai e o tipinho resolve explicar: “A população cristã da Indonésia...”. Ah, bom!!! Já estávamos achando indonésios safados tinham trocado o bom Alá por Jesus Cristo; apesar de continuar a sensação esquisita de... “Por que caray nenhuma matéria sobre o que faz, bota na cama mesa banho e come a população judaica alemã ou kardecista francesa ou anglicana britânica ou branquelada mondo cane afora entretida com pessachs, ashuras, hannukahs...? Não vale a pena? São festas pagãs? Não rendem amigos-secretos?

Zé da China constata no final do marmitex-jornalístico-gororoba que japinhas, gente fina depois de levar duas enolas gay nas cabecinhas, celebram Natal indo em bando encher o bucho com frango frito nos Kentucky Fried Chicken da vida, já que o perú pirulitou das terras ilhotas. Ninguém por lá a fim de curtir a saborosa, fiapenta e desidratada carne daquela ave lelé da cuca, grandalhona e manguaceira. Então vão de KFC, Yamamotos e Mitikos, que ao menos vocês evidenciam hábitos gastronômicos sadios, higiênicos, adaptados à refinada cuisine kentuckiana. Yiiiiipiaiôôô!!!

Zé da China assim falou: Vamos de rabo, orelha, cú de saúva, pé de porco, aranha, arraia, bode, preá, bucho, língua, miolo e querosene. Tudo vale a pena se o estômago, e a mente, não for pequena. Outrossim, pagar pau de montão pra engolir duas fatias de peixe crú com duas fatias de nabo é trés sofistiqué... Quaquá!

Zé da China deseja aos colonizados o mesmo que deseja ao porcalhão Joe McCarthy! Que passem a eternidade engolindo big macs e batatas de isopor. Os mornos serão vomitados.

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Respostas a este tópico

entendi o lead da matéria!

ah, e eu consigo dizer procê também o seguinte: adoro sushis e sashimis (sou mesmo muito infiel em termos de comida. qualquer coisa, se bem feitinha, tô dentro!) mas concordo com você: paga-se o olho da cara por esta comidinha. por que, afinal, arroz com peixe crú e tão caro, hein? não entendo! e, outra coisa: odeio a KFC. odeio! aquilo é nojento!

e, concluo: se os fundamentalismos brotam do todos os buracos da cabeça, como se faz prá cortar o mal pela raiz? é uma luta eterna, né? ô coisa! e acabei de ver, agora, no debate da redeTV, ele travestido na pele de um homem que mal consegue disfarçar seu ódio.
He he he... e o Zé nem falou do sür strömming, comida predileta de metade do povo (a outra odeia com igual intensidade) super desenvolvido e "culturizado" da Suécia, motivo de despejo de um casal em Paris, pela denúncia dos vizinhos do mau cheiro...
Prefiro minhas rapaduras,

Zezita, fundamentalista sempre é o outro, kkkkkkkk.
Mas falando de comida que é o que o povo aqui tá se ligando, declaro que sou quase onívoro, e diria que por aí, há mais comida mal feita do que comida ruim.
A luta é fazer com que todos tenham acesso a boa comida! Becitos!!!

Bravíssimo, sabores e saberes, funções tão "desimportantes" no comer beber viver que movem poéticas desbragadas de embriagadas sumidades. O prazer, a caça ao prazer que pode residir numa boa mesa, numa boa cama, numa boa extravaganza evacuatória.

Nossa essência animal, nossa condição humana.
Vive la vie!... com endosso luxuoso de Jonathan Swift e Francisco de Quevedo.


Ya sabéis que toda comida,
la que come el campesino en vida
o la que el epicúreo ha de inventar,
hasta el más elaborado manjar,
en el vientre siempre da fermento
que después saldrá como excremento.

Swift

Si un día algún pedo toca tu puerta,
no se la cierres, déjala abierta,
deja que sople, deja que gire,
a ver si hay alguien que lo respire.

Quevedo

Quaquazemos, e que um cura fedapê se atreva a nos proibir!
Uia, falando num cara q é quase proibido, JUbaldo, ele ensina direitinho a fazer passarinha de bispo.... Viva o povo brasileiro....
Baianidades quase proibidas.
JUbaldo num comentário no documentário sobre Glauber:

"Glauber ficou puto porque notou que o empresário americano dele tava com a calça rasgada. "Pô, nem empresário decente me arrumam, esse tá com a calça furada!". Em seguida soltou um peido daqueles bem podres e ficou me encarando como se eu é que tivesse soltado! E eu querendo matar ele: "Glauber, seu filho da puta!!!"

Vivam os altos papos brasileiros.
Ajudo a comer macarthies verdes fritos.

....

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