Tátúducérrrto!

Integração, mundialização, fusão, globalização. Mas nessa suruba cultural por que só no dos amarelinhos?

Quêtutáfalando? Ixprico!

Na ânsia de enfronhar-se no hothothot da galera china jovem muito massa (e os nem tanto) da China itself, Zé-pesquisador foi armado de controle remoto às fontes óbvias: programas de TV, revista de variedades e noticiário local de lá.

Invariavelmente se deparou com emulações do mundinho pop ocidental, figurinhas a causar estranhamento visceral, como se estivesse Zé posto diante de mostruário de replicantes com defeito de fabricação de matrizes já por si esquizóides.

Ta entendo nada? Calma, Zé nem começou ainda a explanação, senta aí e vai lendo.

Evitando ferir sucetibilidades juvenis ou evidenciar pruridos reaças à evolução natural das espécies póstudo cujos efeitos varrem Ásia feito um tsunami comportamental que bomba nas paradas conquistando a moçadinha promovendo megaeventos movendo everestes de bufunfa.

Perdeu o fôlego, quaquá? Zé com preguiça de apertar vírgulas.

Intercomunicação teratológica (falar nisso, cadê o Hermeneuta?) essa de dar de focinho com autóctones de variadas tribos/tendências, como punks, révimetaleiros, indies, rockettes, clubbers, rappers, darks, emos, fora carinhas e boquinhas fashion usuais em veículos gente jovem moderna antenada versão oriental style.

A visão de uma cabeleira eriçada (ou loura, ou vermelha ou furta-cor) combinado a malares salientes, olhinhos puxados e perninhas batatudas é experiência de alto impacto. Sem contar a ala família, misturebas orientalóiders de Celine Dion com Agnaldo Rayol.

Difícil, palavra de honra deste humilde escrevente que cultiva a secreta vaidade vitae curricular de haver transitado na boa por escola dominical de igreja, times de futebol de várzea, espeluncas Grupo Sérgio, happenings hippies mucho locos em Trindade e Arembepe, Bar Riviera, apresentações cabeça de Ricardo Bandeira a Astor Piazzola, bailes de forró, casas de raparigas, rinhas de briga de galo, salões de sinuca, casamento flower power em Ubachuva, cine Marachá, Áurea Strip Show, mesas de gerentes de banco, oficinas e Oficina, arenas e Arena, e uma vez até em faustoso regabofe no frufru La Tambouille (quando entornou duas vezes uma taça de vinho totalmente não-ergonômico), entre peripécias mil por este Brasilzão corcucópico em alternativas, mocós e maluquices.

É vero difícil, conterrâneos das duas pátrias: mas testemunhar a aparição de um asiático de cabelos espetados tingidos de lilás feito dorso de estegossauro da Era LSD, óculos versão Matrix, calças de couro apertadas à collant de bailarina, coturnos molde Frankenstein, membros tatuados à moda sócio-atleta Yakuza, penca de piercings, argolas, brincos e pingentes parecendo árvore natalina extraterrestre... Uia (como diria uma loura sabida amiga), dá no Zé um certo constrangimento de enfiar o rabo entre as pernas e procurar a saida de emergência.

Não tem como conceituar, maninha chininha-japinha, mas não é a nossa. Como não é a nossa o desfile de figurinhas de cabelo laqueado, vestidinho rodado, paletó de lamê, reboladinho à Britney Spears e auditório à Silvio Santos, que são a tônica dos show hiperbólicos transmitidos via parabólica de Hong Kong, Tóquio, Taiwan, e... pasme! República Popular da China.

Que passa com essa brava gente amarela? Os tempos da brilhantina voltaram? Baile de debutante de Sorocaba (quaquá, Tadeu!)? Faustão? Tom Jones? Diversionismo Las Vegas pra te arrancar o couro? Zé-pasmado com esse enigma de que, por feérico, superproduzido, cibernético e bufunfudo que seja, a coisa parece que não vira; babado todo passando a indelével impressão de karaokê com filtro. Esquisito, não?

Tá certo, tu discorda e manda Zezito entrochar tudo o que escreveu. Legal, tu também pondera que Zé-freak andava de rabo de cavalo, poncho e bolsa de feira de artesanato. Igualmente vexaminoso? Pode ser. Mas Zé morava aqui, fez aqui a diplomação cultural, ia fazer o quê? Sair vestido de mandarim? Apesar de que olhar a faccia em foto antiga é lastimar a aptidão ao autorridículo. É com todo mundo. Tese: qualquer um que se olhe numa foto velha se condena: “Puta mané que eu era!”. Antítese: é evolução comportamental retroprojetada em vestes de poses. Síntese: éramos uns ridículos e não sabíamos, quaquá!

Bicho pega pra valer quando se tenta assumir tendências, como dizer, não-compatíveis às características originais; questão de software, sacô?

Não? Então experimenta inverter a coisa, como exercício hipotético da hipotenusa. Imagina a encenação de uma saga tipo “Ópera de Pequim” (é Ópera e não Circo de Pequim, que aquilo é Holiday on Ice china pra embasbacar estranjas), com o imperador Sung, guerreiros, concubinas, conselheiros, sábios, estafetas, mensageiros, hunos, conspiradores, o diabo, todos de caras pintadas e metidos em trajes da China dinástica, com suas espadas, lanças, pavilhões, leques, jades e bronzes.

Imaginou? Óquêi! Agora imagina esta luxuriosa ópera encenada pela Companhia de Teatro Folclórico de Passo Fundo, ou Caruarú! Ih, melou... ? Tenta também imaginar o Coletivo de Artes Cênicas de Luanda levando um quadro estático do celebrado teatro kabuki. Vixe! Fantasia um bando de finlandeses encenando a trágica Quilombo de Palmares, com um finlandês manguaceiro incorporando Zumbi. Vira comédia? Quaquá!

Pois é a sensação que espeta o Zé ao ver um bando de japas uivando e se retorcendo à Judas Priest, uma chininha gemendo com a indolência-gracinha à April Lavigne, um hongkonguês mandando gangsta-rap feito 50 Cent ou um coreaca soltando vozeirão igual Cauby Peixoto. Puro fake! Gugú em versão gugú-dadá! Terrível! Não batem fisionomia com ritmo, expressão com balanço, idioma com melodia, história com forma, cultura com o cultural.

Ô gente boa, tem uma coisa chamada atavismo, que vem de experiência ancestral em gesto e comunicação, inalienável e inapropriavel. Oriental com balanço negro é raridade, europeu com molejo latino é raridade... Por sinal que alguém já viu banda oriental bombar em Seattle, NY, Londres ou Rio? É tudo distração caseira enquanto se aguarda Chemical Brothers, Coldplay, Artic Monkeys...

Música clássica é outro papo, tão vendo? Nessa a gente se damos bem, porque a própria denominação diz tudo: clássico, quer dizer, atemporal, duradouro, supracultural, referencial, universal, total, o escambau. Quanto ao resto, camaradinhas, cada qual na sua, senão fica a gente sendo sempre o sub do sub, simulacro karaokê que faz Zé passar vexame e levar rasteira.

Nénadadisso? Som irado? Feras? Tudo bem, repetindo: cada qual na sua. É tua opinião, mas não é porque tu é jovem tem que estar sempre certo, tá bom? Jovem hoje virou pasto pra MTV’s, managers e publicitários atrás de recolher o cacau de todo mundo, tá ligado? Aqui é Zé-polêmica, que mete a boca em tudo e nunca tem razão. Dofa-se!

O que fazer?! Vai perguntar logo pro Zé? Não são vosmecês os bãbãbãs das invenções?

Inventa aí!

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Respostas a este tópico

Hermeneuta, vc aqui querendo discutir pós-modernidade, texturas e quetaís e ali do lado gente querendo colocar pobre na cadeia porque quer fazer uma reformazinha no barraco.

enquanto a Globo invade área pública e o povo fica caladinho. ah, sim, mas a globo pode, é isto mesmo? ela pode tudo. dentro da ordem... b

eu hein!
Lena, obrigado pela gentileza deste texto.
Minha ex, muito mais culta do que eu, também me recomenda ir devagar com meu porrete pra cima dos pós-modernos, porque, quando a síntese se fizer, algo perdurará... vamos ver.
No momento me sinto impaciente, mais ou menos nos termos do Sergio Troncoso, ainda mais porque não convivo com os gênios contemporâneos da Arquitetura, nem com suas obras, mas sim com reaças de primeira, como o numeroso grupo de ex-trotskistas que se aboletou na Folha e hoje defende o neoliberalismo com unhas e dentes, reconfortando suas consciências com uma recauchutagem ideológica que eles dizem ser pós-moderna.
Sua elegância, Lena, é tocante e me sensibiliza, mas acho que você disperdiçou sua sutileza no post ''Quando menos é mais''. O rapaz se acredita uma fábrica de soluções, quando é sua inconsciência o problema; imagina se um ego destes vai perceber a fina ironia.
Abraços
Lena, fiquemos atentas. com aquela ali em cima, da clarice, etc e tal, acho que o seu zezinho quer nos mandar de volta prá cozinha... alerta, pois... sinal vermelho... dê mais pouco de corda prá ver onde ele vai parar. (por favor, não diga a ele que eu te disse isto, certo?)
Ora, tem coisa melhor que cozinha?
Quitutes, passarinho cantando, bater, amassar, misturar, bolar alquimias culinárias em vez de estresse no trânsito, patrão pentelho, cliente/aluno debilóide.
Clarice foi até comentarista de moda, etiqueta. Muié arretada que não tinha preconceitos, não. Por isso fumava feito chaminé.
Hermeneuta tá pegando pesado, né?
Pós-moderno. Arquitetura.
Inda bem que a mineira faceira foi na frente, dá tempo pro cecito dissipar vapores etílicos e bolar uma resposta. Esse Hermeneuta não dorme? Qual a diferença do fuso daqui à terra dos japas?
Falando nisso, até modernidade era palavra antipática, né? Nóis evitava de usar. Mas tomou conta, enfim... Quem foi o culpado? Marx? Lacan? Jameson? Lyotard? Habermas?
Cecito ainda descobre e pau nele!
Somos exatamente antípodas, Zé. Por isso a diferença é de 12hs.
Abraço
Aliás, tem uma coisa engraçada nessa terra dos japas, a Terra do Sol Nascente. Como assim, terra do sol nascente? O sol nasce e se põe em todo lugar... chamar-se de Terra do Sol Nascente é definir sua própria identidade em relação à China! Isto que é reverência, hein Zé?
Os chineses não davam reciprocidade, é claro: denominavam o Japão de País dos Wa (terra dos anões)
O papo aqui andou para a cozinha e ninguem deu receita de comida. Deve ser coisa de pós-culinária, a comida abstrada já consumida (ou será pós-consumida?). Cecito já foi logo lembrando dos tempos de várias esposas né? Isso era e é coisa prá zelite, que pode manter vários fogões. Êsse negócio de pensamento machão prático e utilitarista, coisa chic di duê no áiguiti soçaite. Coisa pós-moderna antiga de antes do antanho. Faniquitos neoliberais procêis. Sérgio.
Modernidade

Essa menina fica cutucando... Agora vem em dupla.
Deixa ela(s), zezinho tá em fase lunar favoravel a entendimentos harmônicos e filarmônicos.

Altas horas, hora bom pra dar uma conversada.

O interessante disso tudo, é que, já se disse antes aqui, havia certa ojeriza em pronunciar essa palavra maldita: modernidade.

Ou se é moderno ou não se é moderno. Mas modernidade parece que integra uma forma de sintonia fina sobre uma orientação nova baseada no homem, antropocêntrico, dono da ciência, da racionalidade e da capacidade de criar o seu próprio futuro, concordam?

O lado neoliberal, as desvirtuações, são o outro lado; mas modernidade, no precário entender deste zezinho, significa, ou significava, enterrar crendices e tomar as rédeas da história em todos os sentidos, desde o econômico até o cultural.

Pós-moderno já é outro papo, pulverização total do sentido coletivo, formação de tribos para efeitos de consumo, e Sergião produziu um texto bem elucidativo.

Lenita fala de Miers Van der Rohe e Le Corbusier. Ordem no caos, linhas e curvas que impusessem a ideia de um criador humano dotado de racionalidade.

Zé-fresco escreveu um troço num blogue de amiga, que pede licença pra copiar e colar:

"Gaudí é fantástico. Da idade de ouro da arquitetura catalã, graças à grana que jorrava da revolução industrial, que enriquecia o norte da Espanha, teve (tivemos) a sorte de topar com um mecenas ilustradíssimo na figura do conde Eusebi Güell, que "comprou" a genialidade de Gaudí e pegou carona na imortalidade.

Gaudí achava que qualquer intervenção humana tinha que trazer a marca de sua origem natural, uma expressão "religiosa" da própria criação das coisas naturais, e a natureza não trabalha com retas. Tudo é maleavel, fluido, pedra, terra, vegetação, multifacetado, colorido, "mole".

A Sagrada Família é um castelo divino saido da cabeça de uma criança (ainda não condicionada pela geometria da regua e do compasso). Só na velha Europa, mesmo. Porque ele projetou um hotel pra Nova Iorque, que os gringos nem tiveram peito pra levantar.

Ao mesmo tempo, era tão moderno que, um século antes de virar moda, já tinha bolado o processo "just in time", projetando apartamentos com espaço interno flexível, as dependências e o acabamento organizados de acordo com as necessidades e o gosto do morador. Isto é gênio.

Niemeyer deve ter olhado muito Gaudí.
".

Gaudí representará sempre a referência total, porque sempre acumpliciado ao social. Significa o moderno, a modernidade e o pósmoderno, porque trabalhou com suas próprias convicções, universais, supranacionais. Os parâmetros da arquitetura não se prendem a heranças regionais, nacionais, étnicas, e aí está o verdadeiramente moderno. Prendem-se à necessidade local, aos materiais locais e à estética entremeada à cultura, servindo-se da técnica, da tecnologia e das inovações.

O que Hermeneuta reclama é sobre o acessório, que nos tempos neoliberais toma o espaço do fundamental. Está ligado a uma forma de ver o mundo e a uma forma de organizar o espaço. É arquitetura presa a mercado, a modas, e que por isso já deixou de ser arquitetura. Passa a ser diluição formal pra atender desejos criados e transmitidos por matrizes e a cabeças "feitas". A midia hoje vive disso, de vampirizar e se apropriar de "modas" e "tendências" sempre na direção do que "eleva socialmente". A ascensão social via modelos prontos, pseudos,

Patente as modas mediterrâneas, bostonianas, gregas, indianas, O mesmo sentido de fake que grita aos olhos e ouvidos quando se assiste a um programa de auditório com asiáticos macaqueando poses que não fazem parte de seu próprio ritmo cultural.

Era isso, ou tem mais?
Vou te contar uma coisa: em Barcelona, virei uma esquina e dei de cara com a Sagrada Família. Me faltou a respiração e comecei a chorar que nem um bobo. O sentimento era: eu sou membro da espécie que fez essa maravilha.
E vou lá me coçar pra modismos?

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