Chuvas no Rio, deslizamentos e mortes, e lá vem o Aquecimento Global como culpado de tudo.

Como é comum, muito comum, começou a temporada de fortes chuvas na região sudeste junto a Serra do Mar, como é normal, muito normal, começaram os deslizamentos com mortes. O que acontece de anormal é a nossa falta de memória e de registros históricos.

Tentem achar referências de deslizamentos na Serra das Araras e Caraguatatuba em 1967, praticamente não vão ver nada! Agora o que aconteceu na Serra das Araras e em Caraguatatuba em 1967? 1400+300 mortes por deslizamento, alguém ouvia falar em Aquecimento Global Antropogênico (AGA) nesta época? Não, mas a ausência do AGA em 1967 não impediu que chovesse 600mm em dois dias e morresse 400 pessoas devido a isto.

Vou começar (anida não comecei) no meu blog uma discussão séria sobre isto pois chega de patuscadas sobre o assunto, pois a ignorância e o descaso já mataram de 1928 até 2005 no mínimo 3500 brasileiros por deslizamentos (os que foram contados).

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Respostas a este tópico

Rogerio

Bem lembrado essa catastrofe de Caragua, pelo tamanho do estrago até que se falou pouquissimo da tragedia.

No meu entender o que realmente falta como ações governamentais, seria um planejamento com a Defesa Civil, para realização de evacuação de areas com previsões de catastrofes. Plenamente possivel de executar, assim como fazem nos paises desenvolvidos.

Agora, culpar ocupações irregulares, ou projetos e obras para controle de catastrofes, penso ser praticamente impossivel. Veja o caso da ocorrencia na ilha de Angra dos Reis, ano passado, mesmo essa ocorrencia da serra carioca, ou vale do Itajai, Goias, Minas, S.Paulo, Australia, Alemanha, etc, etc..

As grandes catastrofes acontencem no mundo todo assim pergunto: como a engenharia dimensionaria pontes e construções para indices pluviometricos mensais despejados em um unico dia?

Sempre houveram esses fatos, desde sempre, com duas diferenças das ocorrencias do seculo passado, a população era bem menor, e os meios de comunicação não conseguiam cobrir com essa riqueza de detalhes que nos mostram hoje. Temos imagens de enormes montanhas desmoronando, resgate de pessoas das mais incriveis e espetaculares possivel. Vemos tudo em tempo integral.

Como disse, creio que, o melhor a fazer, seria um plano de informação e evacuação de area, coisa relativamente simples graças aos meios de comunicação hoje disponiveis.

 

Abraços

 

Sebastião

 

Hoje em dia há radares doppler que permitem uma previsão bem apurada da intensidade de chuva possível, não há na realidade áreas de risco nesta região, praticamente toda a área é de risco. O que se pode fazer é identificar pontos próximos a residência das pessoas em que eles estejam seguros. Se olhares para fotos de regiões atingidas por fenômenos semelhantes a estes verás que todas as partes que haviam pequenos talvegues nas montanhas eles simplesmente desandam e no vale tudo que está no caminho do escoamento é levado adiante. Isto na realidade é um fenômeno natural, que ocorre em escarpas com alto grau de pluviosidade, quando o homem dá uma mãozinha vai mais rápido, porém há deslizamentos em regiões com matas intocadas.

Maestri, assiste esse vídeo sobre o desmoronamento de um morro numa cidade da Itália. Não houve vítimas.

http://sorisomail.com/email/42722/ja-viram-desmoronar-uma-montanha.html

Webster 

É o mesmo tipo de mecanismo que ocorre na Serra do Mar, com um agravante aqui, chove muito mais, de olhares bem há uma liquefação do solo tornano-o fluido, no caso do filme deve ter formado o que se chama classicamente de "debris flow" fluxo de detritos.

 

O que se tem a dizer a maior parte da população que há determinadas zonas de alta e média declividade de terreno que dependendo da quantidade de água vira uma área de risco.

 

Temos que parar de pensar que áreas de risco estão restritas a residência em morros com alta declividade, também na base desses essas áreas estão sujeitas a tragédias.

Concordo Maestri. As cunhas de rupturas dos solos em muitos morros estão em constante formação, dependendo da intensidade das chuvas, declividade e dos tipos de solos que constituem os morros, estarão sempre em risco eminente.  

Webster

 

Aí tem outro problema, estás dando um diagnóstico de ruptura de talude baseado simplesmente nos deslizamentos chamados rotacionais, há a probabilidade do mecanismo de eclosão de um deslizamento simplesmente por saturação do solo e liquefação do mesmo. É muito mais comum do que se pensa.

Maestri,

Segue uma tese de pós graduação da UFPe em que faz uma análise de soluções de engenharia para estabilização de encostas ocupadas na Região Metropolitana do Recife – PE.

Estudo de caso: Ruptura ocorrida em encosta com ocupação desordenada na UR 2, Ibura 2006.

Coincidentemente cita algumas cidades e estados como Petrópolis - RJ; Estado do Rio Grande do Sul - RS; Salvador - BA; Belo Horizonte - MG.

  http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cp028194.pdf

 

O orientador Professor Roberto Quental Coutinho e vice reitor da UFPe,  formou-se comigo em 1973 e é doutor em mecânica dos solos, com diversos trabalhos publicados.

Sei que é extenso, mas é uma amostra do que acontece em diversas cidades brasileiras.

Abs

 

Webster

 

Muito obrigado.  Quem tiver informações semelhantes pode me enviar.

Webster

 

Olhei rapidamente o texto, ele trata principalmente do que já citei, obras de engenharia para proteção de deslizamentos rotacionais.

 

Recomendo que outras pessoas olhem também o trabalho e com cuidado a série de fotos no capítulo 4.

 

Lá mostra que mesmo se fazendo obras relativamente caras a ignorância e o desrespeito a técnica de grande parte da população levam a verdadeiros crimes que tornam as obras de proteção verdadeiras armas contra os moradores. Os moradores simplesmente por vontade própria obstruem drenos, retiram proteção de gramínias porque os primeiros deixam a água escorrer (dreno é feito para isto mesmo) e outros no lugar de conservar a grama baixa não a cortam, e quando junta lixo eles removem.

 

Temos que ter um Oswaldo Cruz na engenharia neste país, civilizar o pessoal a porrada.

 

 

 

 

 

 

 

As duas fotos indicam áreas de risco que jamais poderia ser construído nada nestes locais.

Maestri,

Se formos fazer um histórico da Serra do Mar, verificaremos que ao longo do tempo ocorreram muitos deslizamentos de encostas, até mesmo em locais que não existiam construções. Construções nessas áreas aceleram o processo de desestabilização das encostas.

 

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