Chuvas no Rio, deslizamentos e mortes, e lá vem o Aquecimento Global como culpado de tudo.

Como é comum, muito comum, começou a temporada de fortes chuvas na região sudeste junto a Serra do Mar, como é normal, muito normal, começaram os deslizamentos com mortes. O que acontece de anormal é a nossa falta de memória e de registros históricos.

Tentem achar referências de deslizamentos na Serra das Araras e Caraguatatuba em 1967, praticamente não vão ver nada! Agora o que aconteceu na Serra das Araras e em Caraguatatuba em 1967? 1400+300 mortes por deslizamento, alguém ouvia falar em Aquecimento Global Antropogênico (AGA) nesta época? Não, mas a ausência do AGA em 1967 não impediu que chovesse 600mm em dois dias e morresse 400 pessoas devido a isto.

Vou começar (anida não comecei) no meu blog uma discussão séria sobre isto pois chega de patuscadas sobre o assunto, pois a ignorância e o descaso já mataram de 1928 até 2005 no mínimo 3500 brasileiros por deslizamentos (os que foram contados).

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Respostas a este tópico

Webster.

 

O Brasil vai pagar caro pelo pouco caso que tem dado as profissões técnicas tanto a nível público como a nível privado.

 

Fala-se neste momento sobre um plano de previsão contra os deslizamentos, posso adiantar, nem em quatro anos chegam a coisa nenhuma. Como vi o programa do CPTEC ta muito bonitinho, mas para avaliar corretamente o que pode cair e o que certamente vai cair, precisam-se geólogos, engenheiros geotécnicos, meteorologistas, hidrólogos e mais um monte de técnicos de nível médio. Eu fiquei preocupado quando botaram o Carlos Nobre na gestão disto tudo, de repente ele vai achar que com modelos globais de circulação, com computadores maiores para o INPE se resolve tudo.

 

Precisamos pessoal de campo, e o serviço público federal não tem, nem nos órgãos que deveria ter como a CPRM (que tem um mínimo que já não dá conta do serviço corrente) nem nas Universidades (que já não consegue gastar as verbas dos fundos setoriais por ausência de pessoal). Aí vai começar a bater água na bunda e o governo federal vai abrir ou concursos ou contratos emergenciais, todos eles com salários abaixo dos salários de mercado e o que vai acontecer, nada.

 

Para planos como estes são necessários geólogos, engenheiros geotécnicos, meteorologistas, hidrólogos, engenheiros hidráulicos e outros profissionais especializados. Desde o governo Collor, incrementado pelo governo FHC e nada feito contra no governo Lula, se desmontou as áreas técnicas do serviço público para ficar mais fácil de vender qualquer coisa para o Estado. Os salários dos corpos técnicos são aviltados, como não são profissões de Estado não merecem bons salários, qualquer juizinho ou procuradorzinho que só produz papel e decisões para os outros fazerem ganham salários duas a três vezes superior aos técnicos do governo federal.

 

O Brasil vai pagar caro, pois não interessa a vontade política se não tem as pessoas para realizar, não interessa as comunidades estarem mobilizadas que quem vai escutá-los não terão capacidade para resolver.

Caro Maestri,

A engenharia no Brasil vem sendo desmontada desde meados da década de 80.

Trabalhei em empresas privadas no início da profissão e ingressei posteriormente  numa estatal de economia mista onde me aposentei em Dez/99, diante do desmonte patrocinado pelo governo FH. Vivi na pele todo esse descaso com a engenharia nacional e assisti grandes técnicos sendo demitidos ou aposentados sem nenhuma renovação nos quadros profissionais.

Como exemplo, cito um grande amigo já falecido da Universidade Federal de Pernambuco, com mestrado e PHD em estruturas especiais na Universidade de Paris, tendo que pedir licença sem vencimento para trabalhar fora e sustentar sua família, uma vez que, o salário da UFPe definhava naquela época.

Concordo plenamente com você o Brasil vai pagar caro e já está pagando por esse descaso com os diversos setores das áreas técnicas, importando mão de obra.

Abraços 

 

    

Estou com a idéia de postar no meu blog algo sobre o assunto, procurando ir um pouco mais longe nesta análise, mostrando algo que os senhores da iniciativa privada não vêem, quando há um setor público forte produzindo bons projetos mais se abre espaço para grandes empreiteiras e grandes firmas projetistas.

 

Algumas empresas de consultoria esfregam as mãozinhas quando notam que o setor público está sem quadro técnico, pensando que com isto mais sobra para eles, entretanto se não há um setor público pensante, não sai nada. Como diz aquele ditado, de um lugar que não se espera nada, é ali que não sai nada mesmo (mudei um pouco).

É uma boa ideia Maestri. Reestruturar o setor público visando soerguer a infraestrutura brasileira, planejando, coordenando e elaborando projetos é uma necessidade que se impõe para o desenvolvimento do país.

Um dos grandes entraves para implantação do PAC é a falta de projetos. Observe que no programa minha casa minha vida, muitos municípios deixaram de ser contemplados simplesmente pela inexistência de projetos, áreas a serem edificadas, saneamento básico, energia, transportes etc...

Webster, meu caro, a natureza já é instável, aí o pessoal da uma ajudinha. É dose, assim não há morro que aguente.
Pois é Maestri, a natureza está em constante movimento e transformações e ainda encontra pela frente a bagunça brasileira na ocupação de áreas urbanas,.. um prato feito para ocorrências de tragédias!  

Rogério, concordo contigo que o paradigma montado para o aquecimento global pelo homem ainda é falho e carece de precisão científica. Ainda que haja uma gama expressiva de cientistas que adotaram esta teoria e os modelos matemáticos acabam levando á corroboração disso tudo, há falhas de expressão e de método.

Temos debatido sobre isso.

Mas a tua hipótese aí descrita cai por terra (sem trocadilhos, hehe!) ao mencionar os eventos recentes. Se o paradigma estabelece que o aquecimento foi intensificado a partir da Revoluçâo Industrial, com o uso ampliado dos combustíveis fósseis, os deslizamentos descritos estão dentro do previsto. 1967 está dentro do esperado.

Pode-se argumentar que ainda não existia um estudo a respeito, etc e tal, mas de acordo com o paradigma, eles adorariam anotar estes eventos. hehe

Alexandre

 

Os eventos recentes estão dentro da lógica climática atual, não esqueça que depois da pequena idade do gelo, ocorrida em torno do século XVIII a Terra vem se aquecendo lentamente com variações para mais e para menos (oscilações). Estamos num ponto de máximo (não bem o máximo, pois a 100.000 anos atrás os oceanos estavam 4m a 5m mais altos do que hoje em dia, logo ainda podemos aquecer um pouco e ainda estaremos no normal).

 

Agora segundo os espertos do aquecimento global, 1967 quarenta e três anos atrás, a quantidade de CO2 não era significativamente importante, eles começam a dar importância a isto em torno de 1970-1980.

 

Não esqueça que para estes senhores a taxa de CO2 é importante e em 1967 ainda estava num valor razoável (segundo eles).

Não duvido disso que afirmas.

Não sou tão cético quanto tu és, embora também possua minhas restrições. Mas a afirmação categórica é que me incomoda. Dos dois lados. Estamos muito longe de uma definição consistente e acabada.

O sistema climático é multilinear e instável, e com fatores diversos. Uma ou outra afirmação é temerosa.

Vide a resposta e o gráfico que coloquei em outra intervenção.

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