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Respostas a este tópico

Desculpem, mas não sei porque adicionei na área de saúde. Quem sabe: saúde mental?
Maria,

O que significa a ideia pra você?
Sinceramente, este filme tem alguns pontos muito interessantes, outros, extremamente negativos. Por exemplo, a misoginia é papável, se olharmos o filme por um único ângulo. Por outro lado, ele aborda a sombra. E a sombra nos assombra. No momento em que a personagem resolve focar o feminicídio, parece que ela entra em contato com comportamentos sombrios humanos e que dela se apoderam (anticristo).
Achei que o diretor teve um cuidado especial com a fotografia, o que os representantes do Dogma se esmeravam em negar. Gostei da fotografia, gostei da abordagem psicoterapêutica (embora eu não entenda nada do assunto).
O que mais me agrada é a abordagem que fez deste vínculo quase inconsciente das mulheres, uma força que me parece primária e instintiva e que tem a ver com a sobrevivência da própria espécie. Na cena final, um verdadeiro exército de mulheres sem rosto sobem a colina em direção ao local aonde uma irmã foi morta (uma fêmea, uma reprodutora). A percepção da morte da "irmã" ocorre além da palavra.
Achei que a parte simbólica foi muito bem trabalhada. Os três mendigos, representados pelos três animais que invadem a casa, anunciando a morte ou o crime que estava prestes a acontecer. Ele trabalhou, a meu ver, de uma forma elaborada vários símbolos o que enriqueceu muito o filme.
Como toda obra de arte, porque embora não se possa enaltecer o teor misógino do enredo, ela é uma obra aberta e esta é apenas a minha visão, claro.
Mas fiquei curiosa para saber como as outras pessoas enxergaram este trabalho do polêmico Lars Von Trier. Qual é a sua visão?
Maria, esse diretor não é um "hollywoodiano" por assim dizer, que trabalha pensando na bilheteria... no oscar... no conforto do espectador na poltrona... Não sei muito da obra dele - vi Dogvile e gostei também - e considero este filme muito bom. Instigante, provocador, chocante...
Ele trata da feminilidade amaldiçoada, da natureza "sem controle" nas mulheres, da perseguição às hereges... de seus crimes e das perseguições que elas sofreram - o trabalho de pesquisa da personagem mulher. Acho que o diretor "desenterra" bruxas da idade média, histéricas dos séc. XVIII, contrapõe a psiquiatria e a psicologia cognitiva e, principalmente, o homem, que a representa - diante desse "mal" que derrota a todos.
Neste filme estes estereótipos chegam a assustar - alguns classificam esse filme como "terror" - dada a "dedicação" do diretor em ir longe "nas tintas" e no uso símbolos.
Um bom filme e que provoca muita discussão.
Na internet, se quiser futucar, achei interessante a discussão postada por "Vitor Hugo" em:

http://miltonribeiro.opsblog.org/2009/10/13/anticristo-de-lars-von-...

abs..
Puxa, Cássio, gostei muito do que você disse. Parece que ajuda a encaixar em minha cabeça a complexidade do filme. Vou visitar o blog que você sugeriu. Um grande abraço. (Me adicione como amiga?)
Lena,
acho que uma obra desta tem que ser vista. Apesar do conteúdo ser fortemente misógino, ele abre infinitas leituras, como toda obra contemporânea, uma obra aberta. A despeito da pesadíssima cena da criança caindo, paralelamente, a fotografia do casal no chuveiro e´muito bonita, a meu ver. A obra de arte nos permite entrar em contato com conteúdos apavorantes como a criança que cai, mas nos garante o distanciamento que nos permite vivenciar com segurança experiências tão fortes. Beijos
Lena, desculpa,
não estou te criticando, jamais! Você é realmente uma pessoa muito sensível e tem todo o direito de escolher o que ver.
Estava falando de uma forma mais geral, porque durante muito tempo eu fugia de muita cena chocante também, mas se agride sua estrutura, não deve mesmo nem olhar. Só quis comentar a beleza da cena de amor do casal num momento em que algo trágico se passava na vida deles. O mais chocante é descobrir que naquele momento a mãe via tudo o que se passou com o filho e nada fez.
Adoro conversar contigo, por você ser sensível e sincera.
Beijos,
A sensibilidade humana é coisa rara e preciosa.
Beijos

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