Foi muito bom e emocionante o ato ontem, na Barão de Limeira, na frente do pédio da FSP. Havia cerca de 400 pessoas, a FSP, na materia que colo abaixo, contabilizou 300.
Começou com a fala de Eduardo Guimarães, do Movimento dos Sem Midia, que convocou o ato.
(http://edu.guim.blog.uol.com.br)

Continuou com a palavra aberta a vários ex-presos políticos, que, cada um, contou as tristes e aterradoras histórias daquelas trevas.

Para ler e ver mais

http://emerluis.wordpress.com

Os professores insultados pela Folha, motivo do abaixo-assinado que corre na internet, e hoje chega a 7.643 assinaturas, não compareceram e nem enviaram representantes e /ou uma carta para ser lida. A professora Benevides havia confirmado sua participação.

A matéria da Folha desculpa-se, mas reafirma suas posições, assinadas pelo dono do jornal

Manifestação contra Folha reúne 300 pessoas em frente ao jornal
Militantes fazem desagravo a professores, que não comparecem a evento


DA REPORTAGEM LOCAL

Cerca de 300 pessoas participaram ontem pela manhã de manifestação contra a Folha em frente à sede do jornal, na região central de São Paulo.
O ato público tinha o duplo objetivo de protestar contra editorial publicado pelo jornal no dia 17 de fevereiro, que usou a expressão "ditabranda" para caracterizar o regime militar brasileiro (1964-1985), e prestar solidariedade aos professores Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato. Nenhum dos dois estava presente.
A Folha publicou no "Painel do Leitor" 21 cartas sobre o assunto, 18 delas críticas aos termos do editorial, entre as quais as assinadas por Benevides e Comparato. Segundo escreveu este último, o autor do editorial e o diretor de Redação que o aprovou "deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro".
Em resposta, o jornal classificou a indignação dos professores de "cínica e mentirosa", argumentando que, sendo figuras públicas, não manifestavam o mesmo repúdio a ditaduras de esquerda, como a cubana.
Desde então, além de cartas, o jornal vem publicando artigos a respeito da polêmica, alguns dos quais com críticas ou reparos à própria Folha.
O protesto de ontem foi organizado pelo Movimento dos Sem-Mídia, idealizado pelo blogueiro Eduardo Guimarães. O público era composto na sua maioria por familiares de vítimas da ditadura, estudantes e sindicalistas ligados à CUT.

Abaixo-assinado
Um abaixo-assinado de repúdio ao editorial da Folha e solidariedade a Benevides e Comparato circulou pela internet nas últimas semanas. Entre seus signatários estão o arquiteto Oscar Niemeyer, o compositor e escritor Chico Buarque, o crítico literário Antonio Candido e o jurista Goffredo da Silva Telles Jr.
Niemeyer disse que "o convite para assinar veio de um amigo muito querido, que foi preso e torturado. Fiquei muito chateado, porque gosto do pessoal da Folha. Fiquei constrangido, mas não podia dizer que não". O arquiteto disse não ter lido o editorial. Na sua versão eletrônica, o abaixo-assinado contava com mais de 7.000 adesões, cuja autenticidade, porém, não há como comprovar.
Segue a íntegra do texto:
"Ante a viva lembrança da dura e permanente violência desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repúdio à arbitrária e inverídica revisão histórica contida no editorial da Folha de S.Paulo do dia 17 de fevereiro de 2009.
Ao denominar ditabranda o regime político vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do país. Perseguições, prisões iníquas, torturas, assassinatos, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no período mais longo e sombrio da história política brasileira. O estelionato semântico manifesto pelo neologismo ditabranda é, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pós-1964.
Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a Nota da Redação, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro em resposta às cartas enviadas ao "Painel do Leitor" pelos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder Comparato. Sem razões ou argumentos, a Folha de S.Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrários e irresponsáveis à atuação desses dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante as insólitas críticas pessoais e políticas contidas na infamante nota da direção editorial do jornal.
Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro."


Folha avalia que errou, mas reitera críticas

DA REDAÇÃO

O diretor de Redação da Folha, Otavio Frias Filho, divulgou ontem as seguintes declarações:
"O uso da expressão "ditabranda" em editorial de 17 de fevereiro passado foi um erro. O termo tem uma conotação leviana que não se presta à gravidade do assunto. Todas as ditaduras são igualmente abomináveis.
Do ponto de vista histórico, porém, é um fato que a ditadura militar brasileira, com toda a sua truculência, foi menos repressiva que as congêneres argentina, uruguaia e chilena -ou que a ditadura cubana, de esquerda.
A nota publicada juntamente com as mensagens dos professores Comparato e Benevides na edição de 20 de fevereiro reagiu com rispidez a uma imprecação ríspida: que os responsáveis pelo editorial fossem forçados, "de joelhos", a uma autocrítica em praça pública.
Para se arvorar em tutores do comportamento democrático alheio, falta a esses democratas de fachada mostrar que repudiam, com o mesmo furor inquisitorial, os métodos das ditaduras de esquerda com as quais simpatizam."
Otavio Frias Filho

Exibições: 420

Responder esta

Respostas a este tópico

Cheguei à manifestação já estava falando o Ivan Seixas, sobre a morte divulgada antecipadamente pela Folha e o medo de Frias de uma retaliação da esquerda, que o levou a morar no último andar do prédio da empresa.
A seguir Toschio fez muita gente chorar, inclusive eu (o que não é muita vantagem..rs..)
Mas, para mim, de todas as intervenções marcou muito uma menina pacifista (infelizmente não lembro a entidade) que afirmou que entendem que a paz não é a paz do silêncio, de um silêncio que angustia porque desconhece o verdadeiro significado das lutas daqueles que foram perseguidos pela ditadura.
Marcou também o Pe. Lancelotti ao pontuar que as torturas não cessaram, pois somos todos ainda vítimas da desinformação, dos assassinatos de caráter, da distorção da história praticada pela Folha e outros veículos.
E as ausências... que ainda resta entender...
Cara Luiza,confesso que poderia ter ido à manifestação em São Paulo,onde resido,porem fiquei com medo de rever amigos que participaram das manifestações daquela época,e como o "velho coração"não está tão firme assim,não quiz arriscar, e agora que fico sabendo que até o Pe Júlio Lancelotti,citou que ainda estamos passando por uma ditadura incessante,fiquei muito triste,pois lutamos tanto para conseguir a liberdade total,em todos os sentidos,e o que percebe-se é que a liberdade de poder ler na imprensa averdade absoluta,ainda dista.
É verdade, Raí.
De todas as discussões e manifestações vai cada vez mais ficando evidente a necessidade de dar acesso à pluralidade de informações às grandes massas.

Bjs
Tem momentos aqui no blog que a gente vai conhecendo tanta gente bonita, grande que só dá orgulho na gente. destas descobertas recentes, a beth e a luiza são de tirar o chapéu. com licença, então... tirado o chapéu.

e não me venha com choramingos seu zezinho que o senhor é amigo das antigas.

quanto ao ato e às coisas que ele traz à memória: como ELES tentaram nos enganar... quantos sonhos destruídos, e isto não pode ser esquecido. nunca.

pois é... as ausências... será que a gente vai saber porquê? cautela? exagero ético? sabe-se lá.
Ainda sobre o que aconteceu ao Benetazzo, Alipio Freire pede para passar essas informações:

"Desde a pesquisa que você fez para aquele cartaz da nossa exposição "Pontos, linhas e planos - Antonio Benetazzo e seus camaradas" (há mais ou menos 18 anos atrás), porém, novas informações vieram à luz.

Depois de preso, Benê (Benetazzo) foi violentamente torturado durante os primeiros dias - como era de supor, pois praxe.
Depois teria sido levado para o Sítio 31 de Março, cárcere privado e clandestino de propriedade do delegado Sérgio Paranhos Fleury, para onde eram encaminhados aqueles que não mais voltariam. Portanto, um centro de extermínio. Ali, segundo as novas informações que ainda não foram disponibilizadas pelo pesquisador ao público, teria passado sua última noite com vida. De acordo com a testemunha ouvida, manteve-se calmo e altivo (sim, era bem ele) durante toda a noite, sem qualquer lamento.

No dia seguinte (não sei o horário, mas creio que cedo, na parte da manhã), seus algozes o teriam tirado da cela e levado para caminhar no sítio, quando o abateram com o golpe de uma pedra na nuca. Em seguida, teriam colocado seu corpo numa viatura e levado para simular um acidente.
No meio do caminho, porém, a equipe da repressão teria percebido que o Benê ainda estava com vida.
De volta ao Sítio 31 de Março, teriam repetido a operação (com a pedra), até se certificarem de que, então, estava morto.
Somente depois disso, o teriam levado definitivamente, e armaram a cena (o teatro) do seu atropelamento - a versão oficial que difundiram.

Fortíssimo abraço,
Alipio Freire
Toshio Kawamura, aquele que nos emocionou

Cada relato desses nos enche de tristeza e muita revolta. E são muitos, e são todos igualmente cruéis.
Em nome de quê brasileiros torturaram, mutilaram, estupraram, outros brasileiros, desta maneira? Qual a causa que defendiam?
São perguntas tolas, eu sei, mas continua difícil admitir a que ponto chegamos em desumanidade. E mais difícil ainda, é admitir que alguém neste país tenta camuflar o que foi o regime ditatorial, entreguista, anti-Pátria, anti-povo.
Por isso repito e defendo o bordão que os irmãos argentinos aplicam no real, saindo às ruas e promovendo escraches: "Ni olvido, ni perdón!!!"
Vou pedir ao zezinho me ensinar aquele joguinho ...
mas, cebola em salada de fruta é de arrepiar... e sou eu a cebola? tô perdida não, esse mininu.

este é o problema do meu nome: as rimas são terríveis.
luzete, obrigada pela parte que me toca... fico feliz.

Mas vc vê como é? Vc passa anos e anos debatendo, postando, pontuando as questões candentes de nosso país, mas as pessoas só passam a nos conhecer quando existe o movimento real, não é?

É de se refletir.

Quanto às ausências, dizem que os dois intelectuais não quiseram tornar a manifestação um desagravo pessoal. Até aí, tudo bem. Mas a gente fica sabendo essas coisas através de outros.

Abs
Desagravo pessoal? Ambos já são bastante maduros e vividos para entender a amplidão do protesto.
Luzete, como a Luiza, também fico feliz. Ontem, naquela comoção, nem consegui responder. bjs
Luzete, Luiza, amigos: não há explicações plausíveis para a ausência inexplicável dos dois professores desagravados.
Um incidente, uma doença, um imprevisto?
Quaisquer desses motivos já teria vindo a público hoje.

O que custava enviar um recado, um alô, um textinho?

E como se portarão doravante?

Escreverão suas explicações na seção Tendencias e Debates da Folha?

RSS

Publicidade

© 2021   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço