Tenho sérias dúvidas se a vida do povo brasileiro continuaria sendo mais ou menos 'igual' à que temos hoje caso Serra, em 2002, ou Alckmin, em 2006, tivessem sido eleitos

Como exemplo deste meu ceticismo, cito o caso do DEM que, quando o Brasil começou a ser afetado pela crise global, no 4o. trimestre de 2008, se reuniu e apresentou as seguintes sugestões de medidas que o governo Lula deveria adotar para combater os efeitos da crise global:

1) aumento da taxa Selic;
2) redução dos investimentos públicos;
3) redução dos gastos sociais;
4) aumento do superávit primário;
5) arrocho salarial.

Notem que, basicamente, o governo Lula fez exatamente o contrário do que o DEM sugeria. Aliás, foi justamente por isso que o Brasil acabou sendo um dos primeiros países a superar as consequências da crise global.

Além disso, num eventual governo do PSDB/DEM/PPS, também teríamos o seguinte:

1) Os movimentos sociais seriam criminalizados: basta ver como Serra trata os mesmos em seu governo em SP e como FHC se relacionou com os mesmos em seu governo;

2) O diálogo com forças políticas de oposição seria muito conflituoso: vejam o que Serra andou falando do governo petista de Mauá sobre os problemas com o hospital municipal e que foram herdados da gestão tucana anterior; E FHC, de quem Serra é um aliado muito próximo, não vivia chamando os oposicionistas de 'neobobos' e de 'fracassomaníacos'?

3) A política externa seria totalmente diferente e o governo brasileiro seria muito mais próximo dos interesses dos EUA e se distanciaria dos governos nacionalistas e reformistas eleitos na América Latina. Aliás, muitos esquecem que FHC apoiou o Golpe contra Chávez em Abril de 2002;

4) O governo tucano teria dado um forte apoio ao Golpe de Estado em Honduras;

5) Muito provavelmente, retornaria a discussão sobre a possibilidade de se implantar a ALCA ou, no mínimo, se fazer um acordo de livre-comércio bilateral com os EUA;

6) Dificilmente o modelo de exploração do petróleo seria alterado e o petróleo do pré-sal seria extraído com base nas regras atuais, que beneficiam muito mais as empresas privadas estrangeiras;

7) Publicações da Editora Abril, da Folha, do Estadão e de 'O Globo' seriam assinadas e distribuídas pelo governo tucano-democrata em todas as repartições públicas federais, universidades federais, empresas estatais, etc;

8) O PAC não existiria, pois tucanos e democratas são defensores notórios do Estado Mínimo;

9) Os programas sociais seriam eliminados ou sensivelmente reduzidos, tal como Serra fez na prefeitura de São Paulo onde, por exemplo, acabou com um programa de qualificação profissional para trabalhadores desempregados com mais de 40 anos de idade chamado de ‘Bolsa-Trabalho’;

10) As empresas que ainda permanecem nas mãos do Estado (BB, CEF, Petrobras) seriam privatizadas.

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Respostas a este tópico

Tá certo que é véspera de finados, mas pensar em um governo demo-tucano dá pra entrar em depressão, não dá não, Marcos?

Abs
Concordo, Luiza. Te esconjuro, sai capeta.
Xô FHC! Vade Retro, Serra e Aécio! Saiam deste país que não lhes pertence!
Põe depressão nisso... nem pense nisso, Luiza... Este texto que postei aqui foi mais para mostrar, mesmo, que existem, sim, reais e verdadeiras diferenças entre um projeto de governo do PT, PC do B, PDT, PSB e seus aliados de centro-direita e um projeto liderado por PSDB/DEM/PPS.

Mas, depois que li 'A Invenção do Trabalhismo' estou mais do que convencido de que o apoio de Lula será fundamental na eleição presidencial de 2010 e que quem ele apoiar vencerá a eleição. É que no livro conta a história de que a disputa, na campanha presidencial de 1945, entre o General Dutra e o Brigadeiro Eduardo Gomes estava muito acirrada, o candidato do Partido Comunista também tinha muita força e o resultado da eleição era imprevisível.

Daí, bastou o Vargas dizer 'Votem em Dutra' que este ganhou a eleição e com a votação maciça das classes trabalhadoras, que simplesmente adoravam Vargas.

Aliás, o texto do FHC publicado hoje, para mim, já é uma admissão antecipada da derrota que virá para os tucanos e seus aliados em 2010. FHC já percebeu que Lula irá conseguir eleger Dilma e, por isso, partiu para o ataque contra ele, numa tentativa de mobilizar a Direita tupiniquim para impedir que isso aconteça.

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