Cada vez mais fico assustado. Sou mesmo muito ingênuo para ficar me assutando a toda hora: ainda não entendi que o mundo mudou; que neste novo mundo não há mais lugar para a antiga divisão entre  direita x esquerda; que eventuais discordâncias se resolvem em um ambiente confortável, com ampla discussão entre pares civilizados, igualmente imbuídos no propósito de savar a natureza ... e por vai.

Não sei, e quero me penitenciar, como pensei coisas horríveis de pessoas como a Senadora Kátia Abreu até bem pouco tempo atrás. Além de promover a paz no campo, de distribuir terras conseguidas com sacrifício, de batalhar contra o trabalho escravo, a Senadora está também muito empenhada em salvar o "meio-ambiente", diria até que o "ambiente inteiro". Não bastasse toda essa demonstração de amor ao próximo e à natureza, e ainda bem que o faz com total desinteresse, atesta, com total fervor e senso de justiça, a qualificação moral, ética, ideológica, política etc.  do Deputado Aldo Rebelo. Penso que agora o país pode dormir em paz. Que os "esquerdistas" tomem consciência de sua importância para o desenvolvimento da nação; que dêem os braços aos nossos tão injustiçados parceiros de "direita",  e sobretudo aprendam com seu sentimento de solidariedade, desprendimento e humildade.

 

Um abraço fraternal a todos.

Francisco

 

Em tempo: para maiores esclarecimentos leia "A coragem moral de Aldo Rebelo" por Katia Abreu, página A3 da Folha de São Paulo de 24/06/10, e "Musa do trabalho escravo, senadora Kátia Abreu comanda....", por Leandro Fortes, Carta Capital, em 27/11/09.

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Caro Herme
Seja sincero, existe algum ponto ou parte dessa historia toda que não se encaixa ?
Como disse, caso exista, me fale onde, pois minha intenção como disse em outro texto não e’ ser o dono da verdade absoluta , pelo que percebo em suas intervenções você concorda comigo da condição imperialista americana porem não acredita que chegue a tal ponto, assim você me indaga o que penso das reuniões do IPCC , aumento das emissões de CO2, discutido pelas Nações Unidas, porque Japão e europeus assinaram o tratado de Quito e EUA não, diferenciação de Ongs serias e as menos serias, também se não acredito na rede de solidariedade muito comum em nosso povo principalmente os de origem latina .
Vou tentar ser breve, se porventura tiver tempo e paciência, procure na internet Michael Leroux, e` um climatologista Frances, tremendamente respeitado nos meios acadêmicos, professor, doutor, mestre e outros tantos títulos, leia o que ele fala sobre aquecimento global antropogenico, para não me alongar muito “TUDO MENTIRA”.
Você me perguntaria, qual a razão das potencias patrocinar essa loucura mentirosa, tida como disse Dr Leroux “o maior engodo cientifico do século”, Tento explicar: emissão de CO2 significa produção de energia, produção de energia significa crescimento econômico, crescimento econômico principalmente dos países ditos emergentes significa alterar a ordem econômica estabelecida, resumindo a alteração dessa ordem vai determinar novas potencias econômicas com ênfase para os países com maiores riquezas naturais, inclua nessa, China, Índia, Brasil, países africanos, e outros tantos. Para isso criam-se cotas de carbono, (Você já ouviu falar sobre credito de carbono?) que resumindo significa vocês continuam pobres e nos ricos lhe daremos uns trocados.
Indignado assim como você esta, creio eu, fui pesquisar mais sobre CO2 e os males que provoca, pasme, pois foi assim que fiquei, CO2 pode ser considerado como o gás da vida, se porventura aumentarmos os índices de CO2 na Terra, teremos sim mais vida, pois esse e` o veiculo que transporta o tão necessário carbono para dentro das plantas que por sua vez separa gratuitamente o oxigênio para nosso deleite. Para falar bem a verdade, creio que inventaram essa de aquecimento global mas incriminaram a pessoa errada, digo o gás errado.
Não se esqueça de rememorar a massa publicitária que envolveu esse projeto, teve filmes do espetacular Al Gore, com Oscar e tudo, tivemos palestras ao redor do planeta, milhares de “ditos” cientistas emitindo pareceres, relatórios, aparecendo nos mais diversos meios de comunicação de massas, foi e esta sendo como diria um velho tio meu “a festa da uva”, tudo isso para falar, “ pobres não produzam energia, continuem assim como estão e’ muito mais saudável”.
Com relação ao tratado de Quioto, diminuição das emissões de CO2, os EUA não vão assinar mesmo, e digo outra, se assinarem não vão cumprir, como pedir para EUA diminuir sua produção de energia? Isso não existe. Mesmo porque CO2 não faz mal algum para o ser humano, acredite se quiser.
Ongs serias e as menos serias, vi a que você me indicou de Cuiba, não pense que não acredito na existência de gente honesta com bons princípios disposta a ajudar o próximo, não e’ esse o caso, porem se porventura COOPERIMBATA se não me falhe a memória quiser se aventurar a obter verbas internacionais, marque bem o que estou lhe escrevendo, inexoravelmente terá que participar de projetos que visem os objetivos dos “gringos”, entenda como objetivos dos gringos, política indigenistas, quilombolas, meio ambiente,( o porque dessas políticas já escrevi acima) pois com aquelas ações que vi pelo site que você me apontou jamais conseguira verba alguma, Por acaso você conhece aquela pessoa fundadora da entidade? Caso conheça , pergunte para ela o que estão montando, que projetos estão montando para angariar fundos internacionais, e verifique só por curiosidade.
Quando comecei a encaixar toda essa historia, também fiquei pasmo, indignado, pois tudo isso parece um livro de ficção cientifica, como disse as vezes tento desencaixar a pecas para montar outro quebra cabeças, pelo que tudo indica ele e’ assim mesmo.
Da licença, pois estou atrasado para a consulta com meu psiquiatra. rs

Em tempo: Luzete, nao sou direita nem esquerda, nao defendo alhos ou bugalhos, tente ler meus textos desapaixonadamente, pois assim conseguimos maior racionalidade em nossas conclusoes.

Abraços
entendo perfeitamente, sebastião, que vc se declara não ser de direita, nme de esquerda, vc está acima destas questões menores, não é isto? vc busca a verdade pura, isenta, objetiva, desprovida das contaminações postas pelos homens. já vi isto antes, sabia?

e sobre esta sua busca de verdade, acima do bem e do mal, vou te deixar este pequeno texto (catei na internet, viu!) acerca desta sua "explanação" sobre o CO2. são coisas banais, mas, às vezes, elas precisam ser ditas...

olha, sebastião, não sei onde vc se perdeu, mas, te asseguro, vc tá perdidinho...

"O dióxido de carbono, também conhecido como gás carbônico, é uma substância química formada por dois átomos de oxigênio e um de carbono. Sua fórmula química é CO2.

É um gás importante para o reino vegetal, pois é essencial na realização do processo de fotossíntese das plantas (processo pelo qual as plantas transformam a energia solar em energia química).

Este gás é liberado no processo de respiração (na expiração) dos seres humanos e também na queima dos combustíveis fósseis (gasolina, diesel, querosene, carvão mineral e vegetal). A grande quantidade de dióxido de carbono na atmosfera é prejudicial ao planeta, pois ocasiona o efeito estufa e, por consequência, o aquecimento global.

Este gás é usado comercialmente em algumas bebidas (carbonatadas) e também em extintores de incêndio. Se inalado, em grande quantidade, pode provocar irritações nas vias aéreas, vômitos, náuseas e até mesmo morte por asfixia (o que ocorre geralmente nos incêndios)."
fonte: http://www.suapesquisa.com/o_que_e/dioxido_de_carbono.htm

e, mais uma, bem simplória:
água é vida, não é isto?
vc viu o que aconteceu lá no NE?
água pode ser morte!
aproveita hermê, volta em tempo de aproveitar...
sertão vai virar mar, dá no coração, o medo que algum dia o mar tb vire sertão...
e vamos pastorear na amazônia...

RIO AMAZONAS
Como isso é lindo!
Caro Sebastião

Sou obrigado a lhe dizer que a conversa está ficando meio constrangedora.

1. É provável que as minhas noções sobre o imperialismo americano sejam muito mais sombrias que as suas. Baseio-me em fatos históricos, em lugar de fantasias conspiratórias, que a gente fica sempre sem saber direito a que interesses servem. No presente caso, pensando bem, não é difícil perceber que esse conceito fantasmagórico da ''governança global'' serve como uma luva aos latifundiários brasileiros, porque desqualifica QUALQUER objeção à sua histórica, incansável e parcialmente bem sucedida labuta pela devastação da natureza do país.

2. Não é Michael, mas Marcel Leroux. E é forçar a barra afirmar que ele diz que é ''TUDO MENTIRA''.
Há gente qualificada que questiona alguns aspectos do aquecimento global antropogênico, principalmente porque é muito difícil provar que seja antropogênico ou não.
São poucos, entretanto, os que se atrevem à irresponsabilidade de afirmar que o incremento das emissões de CO2 seja inócuo para o futuro da humanidade. Sobre estes, convenhamos, pode cair a suspeita de estarem a soldo dos interesses das grandes corporações e das economias mais industrializadas, que querem mais é continuar queimando combustíveis fósseis. Uma conspiraçãozinha bem mais factível que a sua, não lhe parece? O modelo teórico do efeito estufa está longe de ter sido descartado - para dizer o mínimo - ao contrário do que vc quer dar a entender.

3. Só para citar um cientista que vc diz que conhece e admira: o prof Aziz Ab'Saber afirma que ''o mundo inteiro repugna para a diminuição radical de emissão de CO2, (enquanto) o projeto de reforma proposto na Câmara Federal de revisão do Código Florestal defende um processo que significará uma onda de desmatamento e emissões incontroláveis de gás carbônico...'' Vai rotular o prof Aziz como um ''desses ambientalistas'', agora? Vc argumenta ao sabor das conveniências?
Por favor, leia o documento que vc disse que leu em:
http://www.advivo.com.br/blog/gustavo-belic-cherubine/aziz-nacib-ab...

4. O Brasil figurava como quarto maior emissor de CO2 do planeta por causa, principalmente, do ritmo criminoso de queimadas. O que é que a incineração das florestas tem a ver com produção de energia? ou com desenvolvimento?

5. Vc demonstra que não tem idéia do que sejam os ''créditos de carbono''.

6. Na sua próxima incursão didática pela internet, sugiro que estude a fotosíntese. Vai-lhe ser útil.
perfeito hermê.
será que vão entender do que se está falando?

será que vão entender que o processo de desenvolvimento, que inclui a exploração das nossas riquezas, pode acontecer de forma sustentável, sem a gananciosa agressão comandada por grandes interesses (que acho que tem tudo a ver com aquela turma da lambança global)?

será que vão entender que a não agressão à natureza é um interesse humano e não um fato geográfico? e que existem formas inteligentes e racionais de produção de alimentos e tudo o mais que a terra permite, sem a dependência de esquemas comandados por monsantos de qualquer espécie?

será que eles entendem que somos absolutamente favoráveis ao desenvolvimento, de maneira sustentável, das nossas riquezas, sem abrir mão do controle público deste processo?

será que vão entender que a falta de alimentos no mundo, que a presença de famintos não é um problema de agricultura, mas de política e que não é a monsanto que deve dizer o caminho?

será, hermê, que eles querem entender isto ou a tal da governança global não autoriza este simples entendimento?
Eles quem, Luzete?
Os latifundiários (aka agro-businessmen)?
O prontuário é desanimador, amiga...
Mas essa tal de ''governança global'' é um mito construído sob medida para o que há de mais atrasado no capitalismo nacional, que são eles mesmos.
Na esfera nacional, na luta política, serve para desqualificar QUALQUER crítica à sua atuação predadora; na esfera internacional, serve para inibir qualquer pretensão a sermos mais do que somos.
Funciona como se a tal ''governança global'' tivesse definido nosso lugar no mundo: produtores de commodities, fado do qual não adianta tentar escapar.
Temos que nos dar por felizes com esta sagrada missão de produzir a sagrada soja para as sagradas vacas da Europa. Derrube-se a Amazônia, em nome desta sublime missão.


Cemitério do progresso.
12/julho/2010
Caro Herme
Analisando os seis tópicos de sua ultima manifestação, resolvi proceder diferentemente para as respostas de hoje, melhor, não vou responde-los pois penso que todos os questionamentos ali levantados já foram razoavelmente respondidos e repetir as mesmas respostas para as mesmas indagações começa a parecer conversa de botequim.

Concluo que chegamos a um único ponto em comum, americanos são imperialistas, onde no meu entender somos apenas meio acordados, pois coloquei como anglo-americanos são imperialistas.
Subvertendo meu raciocínio sobre quem banca as políticas de convencimento de massa, você não coloca categoricamente, porem faz algumas insinuações de que, quem custeia toda essa monumental maquina publicitária seria os latifundiários e multinacionais, cujo maior interesse alem de ganhar rios de dinheiro, seria ver a Amazônia destruída quem sabe por pura maldade ou espírito de destruição e mais para os imperialistas mundiais e’ de vital interesse transformar o Brasil numa imensa plantação de soja para possibilitar a criação de vaquinhas na Europa.

Você acredita mesmo nisso ? Não lhe parece uma historia sem qualquer consistência ?
Porque a existência dos subsídios para a agricultura de la’, uma vez que a intenção seria tornar o Brasil seu fornecedor? Porque ainda as barreiras alfandegárias, sobretaxas, rigorosas fiscalizações fitossanitárias e outras tantas dificuldades que nossa agropecuária encontra ao exportar?

Em outro item você me corrigiu sobre o verdadeiro nome do climatologista Marcel Leroux, realmente faz dois ou três anos que li os relatórios do Dr Leroux, foi exatamente na época em que Al Gore estava ganhando o Oscar por aquele “’formidável” documentário, fico agradecido pela correção, porem pergunto, você leu o conteúdo do relatório?

Quanto ao aumento de CO2 ter efeitos nocivos ao homem, apenas para balizar com números, estamos falando algo em torno de 300 a 350 ppm (parte por milhão ), muito longe em irritar olhos ou asfixiar uma pessoa, a alegação dessa teoria não e’ que o gás faz mal devido a inalação, mas sim que uma cortina de CO2 na atmosfera retém a reflexão dos raios solares provocando o dito aquecimento. Lembre-se CO2 não e’ poluição, faz parte da composição atmosférica. Atenção, poluição deve ser combatida e controlada o que não e’ objeto de nossa conversa.

Quanto ao processo de fotossínteses, lhe passo a seguinte equação abaixo :
CO2 + Luz solar = Linda arvore + oxigênio
Desculpe-me, mais didático que isso não conseguirei ser.

Para concluir nossa conversa, finalizo com a seguinte pergunta: Voce participa de alguma ONG, trabalho remunerado ou voluntario ?

Não lhe respondi antes, pois como bom paulista tive que aproveitar o 9 de julho, afinal apesar das nossas divergências somos constitucionalistas.

Abraços, ótima semana
Sebastião

Dei-me ao trabalho de reler todos os comentários deste tópico, e confesso que fiquei impressionado com a sua perseverança em desqualificar argumentos contrários pela mero expediente de associá-los à conspiração anglo-americana da ''governança global''. Discordo da sua afirmação de que já tenha respondido aos questionamentos que lhe foram feitos. Vc nos deixou sem resposta sobre vários temas importantíssimos:
- como é que a convenção da ONU sobre as mudanças climáticas se constitui numa armadilha para nosso desenvolvimento?
- como é que o estabelecimento de reservas indígenas e áreas de propriedade coletiva (remanescentes dos quilombos) podem comprometer nosso futuro?
- como é que uma economia rebaixada ao perfil de produtora de commodities, e ainda por cima dependente de insumos controlados por multinacionais, pode significar desenvolvimento?

Todos estes questionamentos dizem respeito a qual desenvolvimento devemos nos dedicar e, é claro, denotam uma forte componente ideológica. Sossegue: isso não é palavrão nenhum.

Com relação à proeminência do agro-negócio, que se constata devastador da natureza por sua própria história, deixo aqui um texto que resume minha visão:

Industrialização versus vocação agrícola

A luta pela industrialização do Brasil enfrentou a elite agromercantil exportadora, aliada do imperialismo, que sempre defendeu a tese da “vocação agrícola” do Brasil, contrária à produção local de bens industriais.

Por José Carlos Ruy

A luta pela industrialização do Brasil é muito antiga. Ela vem desde o final do período colonial quando, em 1785, a rainha D. Maria I, de Portugal, proibiu o funcionamento no Brasil de “fábricas, manufaturas ou teares” e todo tipo de indústria. Mas havia resistência, e um exemplo dela foram os inconfidentes mineiros de 1789 cujo programa falava na instalação de “fábricas de tecidos de algodão e forjas para ferro. Assim como fábricas de pólvora”.

Essa luta antiga aprofundou-se ao longo das décadas. O desenvolvimento de uma economia autônoma foi uma exigência do programa de José Bonifácio, nos anos da independência. Ele defendia um desenvolvimento harmônico que combinasse a agricultura, a indústria e o comércio para melhor atender ao interesse nacional, e não aos das potências externas. “É preciso apoiar as manufaturas, aperfeiçoa-las, mas deve-se ter cuidado em não terem o primeiro grau na atenção do governo: a fabricação é um ente subsidiário da produção; neste ponto de vista é o mais útil agente da produção, pelo preço que dá aos frutos e a venda que procura, é a alma do comércio favorável, diminuiu o volume de seu peso e aumenta proporcionalmente os ganhos”, escreveu.

O anseio por um desenvolvimento nacional centrado nas necessidades do país, de sua economia e dos brasileiros fundamentou a luta pela industrialização durante todo o período imperial, enfrentando o enorme obstáculo representado pela política liberal dominante, que favorecia a agricultura de exportação e sua contrapartida, a importação de bens industriais produzidos fora do país.

A “vocação agrícola” do Brasil

Era uma época em que prevaleceu a tese da “vocação agrícola” do Brasil, durante a qual a ação de industriais como Mauá, no Império, ou Delmiro Gouveia, na República Velha, foi derrotada ao chocar-se contra os interesses da oligarquia agroexportadora e do imperialismo inglês, que aliaram-se para impedir o desenvolvimento de indústrias no Brasil.

Com a proclamação da República, em 1889, cresceu a influência dos partidários do desenvolvimento sendo tomadas algumas medidas favoráveis à produção local, como a lei do similar nacional, por exemplo, que proibia a importação de produtos já fabricados no país (a abrangência dessa lei foi severamente reduzida cerca de um século depois, nos governos neoliberais de Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso).

Foi preciso esperar até a revolução de 1930 para que um modelo de desenvolvimento autônomo pudesse firmar-se com mais consistência. Aquele movimento pôs um ponto final na República Velha e em sua política econômica liberal, podendo ser considerado o marco inicial daquilo que, mais tarde, ficou conhecido como nacional desenvolvimentismo.

A partir de então a correlação de forças mudou e o sonho industrialista começou a tomar forma num modelo de desenvolvimento, embora ainda enfrentando a oposição da velha oligarquia agromercantil, que foi fragilizada em 1930 mas não eliminada. O poder político passou a ter novos sócios e a orientação econômica adotada contemplou os interesses dos industriais sem desconsiderar as demandas do latifúndio e do grande capital comercial.

Intervenção do Estado pela industrialização

Mesmo assim a industrialização se aprofundou. Sob o governo de Vargas foi marcante a intervenção estatal em favor da industrialização. Foram criadas também criou condições para a incorporação dos trabalhadores à vida política ao adotar uma legislação trabalhista (que incorporou antigas reivindicações operárias) e ao transformar os sindicatos em verdadeiros órgãos do Ministério do Trabalho agindo no movimento operário (subordinando a atividade dos trabalhadores e orientando-as dentro dos estritos limites permitidos pelo modelo de desenvolvimento adotado).

A influência da orientação industrialista cresceu como nunca, incorporando-se desde então, de forma duradoura, à política de governo. E fomentando um debate intenso que opôs industrialistas e agraristas ao longo daqueles anos, expondo um conflito entre os dois modelos que – com a persistência de importante parcela do poder dos liberais e agraristas na sociedade e mesmo no governo - poderia eclodir assim que houvesse condições.

A disputa entre dois modelos cresceu desde o final do Estado Novo, em 1945, demarcando os campos que se enfrentariam no cenário político brasileiro nas décadas seguintes: o nacional-desenvolvimentista, liderado por Getúlio Vargas, e o campo pró-americano e conservador (hoje chamado de neoliberal) liderado pela União Democrática Nacional e pelos antepassados políticos do PFL (hoje DEM) e do PSDB.

Nacional desenvolvimentismo

A deposição de Vargas, em 1945, e a eleição do marechal Eurico Gaspar Dutra representaram um golpe que interrompeu, temporariamente, a busca de um desenvolvimento autônomo. No segundo governo de Getúlio Vargas, a partir de 1951, o nacional-desenvolvimentismo foi retomado e teve uma formulação mais clara. Ele previa o uso dos instrumentos do Estado para a promoção da infraestrutura necessária ao desenvolvimento de uma indústria brasileira de bens de capital vista como a base para a industrialização autônoma do país.

“A minha atuação obstinada” – Vargas assegurou durante a campanha eleitoral – “foi transformar em nação industrial uma nação paralisada pela monocultura extensiva e pela exploração primária das matérias-primas". Vargas voltou à Presidência com a idéia de retomar o impulso perdido em 1945, mas em condições internas e externas difíceis. As reservas externas acumuladas durante a Segunda Grande Guerra haviam sido consumidas em importações de bens de consumo para a classe dominante; a reação interna fora fortalecida sob Dutra, que manietou os sindicatos, perseguiu os comunistas e impediu, diligentemente, o reaparecimento de qualquer forma de organização popular (uma das medidas democratizantes de Vargas, que impulsionou a participação dos trabalhadores na luta pelo desenvolvimento, foi o fim da exigência de atestados ideológicos nas eleições sindicais); externamente, o imperialismo, refeito do impacto da guerra, se fortalecia e a guerra fria estava no auge.

Oposição neoliberal

Naqueles anos o choque entre o imperialismo e o nacional-desenvolvimentismo se aprofundou. Embora moderado, o nacionalismo de Vargas assustava a oligarquia e o capital estrangeiro. A “oposição conservadora”, diz Maria Victória M. Benevides, “liderada pela UDN, alimentava suas criticas à política econômica do governo pela aversão às propostas de política social e salarial anunciadas por Getúlio (...) e ao avanço do nacionalismo, em termos de intervenção estatal e controle do capital estrangeiro. Estava em jogo, portanto, a defesa de um modelo ‘neoliberal’, no qual predominavam definições conservadoras sobre a questão operária e privatistas sobre a questão da fórmula para o desenvolvimento”.

Vargas criou alguns organismos que tiveram enorme influência na industrialização do país, cujo avanço foi então acelerado. Lançou as bases do planejamento econômico; fundou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), em 1952; criou a primeira comissão governamental para fomentar a indústria automobilística (em 1952); criou a Petrobras (em 1953) etc.

O clímax da reação conservadora contra Vargas foi a crise de agosto de 1954 e o suicídio do presidente no dia 24 daquele mês. Mas o governo dos golpistas – dirigido com expoentes do entreguismo, como Eugenio Gudin, Otávio Gouveia de Bulhões e Otávio Marcondes Ferraz, aliados ao capital estrangeiro, do latifúndio e do grande capital financeiro brasileiro –, não teve forças para impor integralmente seu programa conservador e neoliberal. Não conseguiu fazer sua reforma cambial nem acabar com o monopólio estatal do petróleo. Mas revogou as restrições às remessas de lucros ao exterior pelas multinacionais.

Modelo associado dependente

Eles criaram a condição para uma alteração fundamental no nacional-desenvolvimentismo. Favoreceram a entrada de empresas estrangeiras com a adoção da famosa Instrução 113 que permitiu às empresas estrangeiras importarem equipamentos isentos de tarifas alfandegárias, mas excluindo desse benefício os capitalistas brasileiros.

Foi a porteira aberta para a avassaladora desnacionalização da economia nacional, com a invasão de empresas estrangeiras que passaram a dominar os setores de ponta, particularmente a indústria automobilística. Outra mudança essencial foi a ênfase na produção de bens de consumo duráveis, como automóveis e eletrodomésticos, deixando em segundo plano a indústria de bens de capital necessária para a autonomia da produção brasileira.

A opção conservadora pela industrialização com base no capital estrangeiro tinha uma razão: ela não levaria à alteração profunda nas relações sociais, fortalecia o vínculo com o imperialismo e a dominação externa, não ameaçava a arcaica estrutura social e era uma opção de financiamento do desenvolvimento que não desviaria capitais da agricultura. A instrução 113 foi assim o certificado de nascimento de um novo modelo de desenvolvimento, o associado dependente, que foi uma espécie de variação conservadora do nacional desenvolvimentismo. Ele foi fortemente impulsionado pelo Plano de Metas de Juscelino Kubitschek e aprofundado pelos governos militares após 1964.

As multinacionais e a desnacionalização da economia

O governo de Juscelino Kubitschek reorientou a industrialização, atraindo algumas das mais poderosas multinacionais, que se instalaram ou aprofundaram as atividades no Brasil, beneficiadas pela Instrução 113. Entre elas, a Ford, a General Motors, a Volkswagen, a Krupp, a Mannesman etc que, rapidamente, se transformaram no pólo dinâmico da economia, estimulando todas as demais atividades produtivas. Estavam lançadas assim as bases do enorme desenvolvimento das décadas seguintes, baseado nas empresas estatais, empresas privadas nacionais e empresas estrangeiras, e no consumo de bens duráveis, como automóveis e eletrodomésticos.

Era um projeto de desenvolvimento aceitável para as classes dominantes, principalmente as elites agrárias e o capital financeiro, solidamente representados no Congresso Nacional com a vantagem, para elas, de manter o movimento operário sob controle. O latifúndio continuava intocado, os industriais conseguiram bons negócios com as multinacionais e os trabalhadores pareciam satisfeitos com as possibilidades de novos empregos abertos pelas novas indústrias. Esse modelo importou os fabricantes para substituir a importação dos produtos.
Para a classe dominante brasileira foi um verdadeiro achado; a modernização conservadora unificou seus vários setores, deu-lhes um arremedo de projeto nacional, ligou-os aos interesses do imperialismo e, ao mesmo tempo, promoveu a modernização sem alterar a arcaica estrutura social.

A marcha triunfante do modelo associado dependente enfrentou ainda no governo de João Goulart (1961/4) uma breve e frágil tentativa de restauração do nacional-desenvolvimentismo, marcada por uma pauta extensa de reformas vistas como necessárias para a modernização do país. Entre elas destacava-se a reforma agrária, a renegociação da dívida externa, o controle da remessa de lucros das empresas estrangeiras e a regulamentação do ingresso do capital estrangeiro no país, as reformas urbana, administrativa, bancária, da previdência social, da educação, a regulamentação do direito de greve, a nacionalização das concessionárias de serviços públicos etc.

Ditadura militar

Mas Goulart foi deposto, em 1º de abril de 1964, e o modelo associado dependente prevaleceu nas décadas seguintes, sob o regime dos generais. O governo do primeiro general presidente, Castelo Branco, implantou uma política econômica rigidamente liberal expressa no Plano de Ação Econômica Governamental (PAEG) gerido pela dupla Otávio Gouveia de Bulhões e Roberto Campos, herdeiros de Eugênio Gudin e da tradição livre-cambista. Seu fundamento era o corte dos gastos públicos, aumento de impostos, restrição ao crédito e arrocho salarial. Adotaram também a Instrução 289, em 1965, que favorecia ainda mais a entrada das empresas estrangeiras, financiadas agora com mecanismos cambiais garantidos pelo Tesouro Nacional. O PAEG facilitou, ainda, a compra de empresas brasileiras por multinacionais, aumentando a desnacionalização e à desorganização da economia nacional.

Em 1971 o governo militar promoveu uma discreta reorientação com o I PND (Plano Nacional de Desenvolvimento) que, sem hostilizar as multinacionais, propunha-se a colocar o empresário brasileiro em situação de igualdade com as empresas estrangeiras em algumas áreas, reservava alguns setores estratégicos da economia aos empresários brasileiros e procurava encaminhar as multinacionais para a criação e expansão das indústrias de base.

Mais tarde, em 1974, o II PND (no governo Geisel), reiterou a promessa de fortalecer a indústria nacional, prevendo o equilíbrio entre empresas estatais, privadas nacionais e estrangeiras, e propondo o fortalecimento da produção de bens de capital e insumos duráveis. Isto é, propunha-se a corrigir a debilidade fundamental do desenvolvimento industrial dando-lhe autonomia e maturidade ao tornar nossa economia independente da necessidade de importar máquinas e equipamentos para sua atualização tecnológica.

A crise da dívida externa

O calcanhar de Aquiles do II PND foi o financiamento com empréstimos externos, principalmente na época em que o “milagre econômico” de 1968 a 1973 dava sinais de esgotamento. A crise econômica mundial, que estouraria nos anos 1980, germinava lentamente fazendo com que aquele esforço de lançar a economia numa nova fase de desenvolvimento se traduzisse no pesadelo da dívida externa crescente. Vinculada a juros internacionais flutuantes, que começaram a crescer sem controle desde a chamada “crise do petróleo” de 1973-74, a dívida externa brasileira pulou rapidamente para o patamar de 100 bilhões de dólares.

A crise eclodiu com força nos anos 1980, atingindo frontalmente a indústria brasileira e colocando o país, no final da ditadura militar, numa encruzilhada histórica que atravessou a década de 1980 e opôs a alternativa entre um modelo de desenvolvimento para fortalecer a economia brasileira e atender às necessidades da economia e do povo, ou a volta do velho modelo liberal (agora neoliberal), da subordinação do país ao imperialismo, do enfraquecimento da produção nacional e sua esteira de desemprego e empobrecimento dos brasileiros.

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=133064&id_sec...

Voltarei às outras questões em breve.
perfeito, hermê.
só que eu acho que o teu interlocutor não vai acrescentar nada ao que ele (não) diz, para além da tal de lambança global, panacéia boba.
Concordo com grande parte da análise, porém outros aspectos me guardo comentar mais tarde com tempo.

Só um detalhe, o endividamento externo foi feito na época de juro baixo, para resolver um problema de crise no USA o juro real americano foi elevado e os países que estavam individados pagaram a conta. Não foi a falência de um modelo brasileiro foi a forma dos USA tranferir a solução de seus problemas para nós.

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