Alguém me pisou o  Pala!

Coloco o Teixeirinha - Vitor Mateus Teixeira - para justificar o buchincho que aramarei no Portal, mas não se assustem, será um buchincho cultural de construção de primeira:

"Mas se alguém me pisar no pala,

Meu revólver fala 

E o buchincho está feito!"

Para amenizar os movimentos dos narizes em torcicolo enojado, Chico Buarque

De Construção.

Definição não completamente amadurecida para Construção na Wikipédia:

"Na arquitetura e na engenharia, a construção é a execução do projeto previamente elaborado, seja de uma edificação ou de uma obra de arte, que são obras de maior porte destinadas a infraestrutura como pontesviadutos ou túneis. É a execução de todas as etapas do projeto da fundação ao acabamento. Consistem em construir o que consta em projeto, respeitando as técnicas construtivas e as normas técnicas vigentes.

No Brasil, o termo reforma é o mais utilizado na língua portuguesa, quando se trata de fazer alguma ampliação, inovação, ou restauração, ou apenas uma pintura, ou a troca de um piso cerâmico de umimóvel, seja comercial, industrial ou residencial. Os termos construção e obra também são utilizados."

Obs.: Um mestre que tenho diz que para utilizarmos corretamente um termo, necessitamos consultar cinqüenta, cincoenta ou 50 dicionários. Apesar do exagero, o que ele quer dizer que devemos achar e  pinçar o melhor sentido das palavras para que  as usemos de tal maneira que todos os que ouvirem ou lerem, entendam. Para o tópico e para o meu objetivo, esta definição basta.

De Conhecimento.

"Conhecimento é o ato ou efeito de abstrair ideia ou noção de alguma coisa, como por exemplo: conhecimento das leis; conhecimento de um fato (obter informação); conhecimento de um documento; termo de recibo ou nota em que se declara o aceite de um produto ou serviço; saber, instrução ou cabedal científico (homem com grande conhecimento).

O tema "conhecimento" inclui, mas não está limitado a, descrições, hipóteses, conceitos, teorias, princípios e procedimentos que são ou úteis ou verdadeiros. O estudo do conhecimento é a gnoseologia. Hoje existem vários conceitos para esta palavra e é de ampla compreensão que conhecimento é aquilo que se sabe de algo ou alguém. Isso em um conceito menos específico. Contudo, para falar deste tema é indispensável abordar dado e informação.

Dado é um emaranhado de códigos decifráveis ou não. O alfabeto russo, por exemplo, para leigos no idioma, é simplesmente um emaranhado de códigos sem nenhum significado especifico. Algumas letras são simplesmente alguns números invertidos e mais nada. Porém, quando estes códigos até então indecifráveis, passam a ter um significado próprio para aquele que os observa, estabelecendo um processo comunicativo, obtém-se uma informação a partir da decodificação destes dados. Diante disso, podemos até dizer que dado não é somente códigos agrupados, mas também uma base ou uma fonte de absorção de informações. Então, informação seria aquilo que se tem através da decodificação de dados, não podendo existir sem um processo de comunicação. Essas informações adquiridas servem de base para a construção do conhecimento. Segundo esta afirmação, o conhecimento deriva das informações absorvidas.Se constrói conhecimentos nas interações com outras pessoas, com o meio físico e natural. Podemos conceituar conhecimento da seguinte maneira: conhecimento é aquilo que se admite a partir da captação sensitiva sendo assim acumulável a mente humana. Ou seja, é aquilo que o homem absorve de alguma maneira, através de informações que de alguma forma lhe são apresentadas, para um determinado fim ou não. O conhecimento distingue-se da mera informação porque está associado a uma intencionalidade. Tanto o conhecimento como a informação consistem de declarações verdadeiras, mas o conhecimento pode ser considerado informação com um propósito ou uma utilidade.

A definição clássica de conhecimento, originada em Platão, diz que ele consiste de crença verdadeira e justificada.

O conhecimento não pode ser inserido num computador por meio de uma representação, pois neste caso seria reduzido a uma informação. Assim, neste sentido, é absolutamente equivocado falar-se de uma "base de conhecimento" num computador. No máximo, podemos ter uma "base de informação", mas se é possível processá-la no computador e transformar o seu conteúdo, e não apenas a forma, o que nós temos de fato é uma tradicional base de dados.

Associamos informação à semântica. Conhecimento está associado com pragmática, isto é, relaciona-se com alguma coisa existente no "mundo real" do qual temos uma experiência direta.

O conhecimento pode ainda ser aprendido como um processo ou como um produto. Quando nos referimos a uma acumulação de teorias, ideias e conceitos o conhecimento surge como um produto resultante dessas aprendizagens, mas como todo produto é indissociável de um processo, podemos então olhar o conhecimento como uma atividade intelectual através da qual é feita a apreensão de algo exterior à pessoa.

A definição clássica de conhecimento, originada em Platão, diz que ele consiste de crença verdadeira e justificada. Aristóteles divide o conhecimento em três áreas: científicaprática e técnica.

Além dos conceitos aristotélico e platônico, o conhecimento pode ser classificado em uma série de designações/categorias:

Conhecimento sensorial: É o conhecimento comum entre seres humanos e animais. Obtido a partir de nossas experiências sensitivas e fisiológicas (tato, visão, olfato, audição e paladar).

Conhecimento intelectual: Esta categoria é exclusiva ao ser humano; trata-se de um raciocínio mais elaborado do que a mera comunicação entre corpo e ambiente. Aqui já pressupõe-se um pensamento, uma lógica.

Conhecimento vulgar/popular: É a forma de conhecimento do tradicional (hereditário), da cultura, do senso comum, sem compromisso com uma apuração ou análise metodológica. Não pressupõe reflexão, é uma forma de apreensão passiva, acrítica e que, além de subjetiva, é superficial.

Conhecimento científico: Preza pela apuração e constatação. Busca por leis e sistemas, no intuito de explicar de modo racional aquilo que se está observando. Não se contenta com explicações sem provas concretas; seus alicerces estão na metodologia e na racionalidade. Análises são fundamentais no processo de construção e síntese que o permeia, isso, aliado às suas demais características, faz do conhecimento científico quase uma antítese do popular.

Conhecimento filosófico: Mais ligado à construção de ideias e conceitos. Busca as verdades do mundo por meio da indagação e do debate; do filosofar. Portanto, de certo modo assemelha-se ao conhecimento científico - por valer-se de uma metodologia experimental -, mas dele distancia-se por tratar de questões imensuráveis, metafísicas. A partir da razão do homem, o conhecimento filosófico prioriza seu olhar sobre a condição humana.

Conhecimento teológico: Conhecimento adquirido a partir da fé teológica, é fruto da revelação da divindade. A finalidade do teólogo é provar a existência de Deus e que os textos bíblicos foram escritos mediante inspiração Divina, devendo por isso ser realmente aceitos como verdades absolutas e incontestáveis. A fé pode basear-se em experiências espirituais, históricas, arqueológicas e coletivas que lhe dão sustentação.

Conhecimento intuitivo: Inato ao ser humano, o conhecimento intuitivo diz respeito à subjetividade. Às nossas percepções do mundo exterior e à racionalidade humana. Manifesta-se de maneira concreta quando, por exemplo, tem-se uma epifania.

1.Intuição sensorial/empírica: “A intuição empírica é o conhecimento direto e imediato das qualidades sensíveis do objeto externo: cores, sabores, odores, paladares, texturas, dimensões, distâncias. É também o conhecimento direto e imediato de estados internos ou mentais: lembranças, desejos, sentimentos, imagens.” (in: Convite à Filosofia; CHAUÍ, Marilena).

2.Intuição intelectual: A intuição com uma base racional. A partir da intuição sensorial você percebe o odor da margarida e o da rosa. A partir da intuição intelectual você percebe imediatamente que são diferentes. Não é necessário demonstrar que a “parte não é maior que o todo”, é a lógica em seu estado mais puro; a razão que se compreende de maneira imediata."

Obs.: Novamente me basta a Wikipédia, visto que a pretensão desse tópico não é o desenvolvimento científico de uma tese.

De Drogas.


Recorro à Wikipédia novamente.

"Droga (do francês drogue, provavelmente do neerlandês droog, "seco, coisa seca"), narcótico,entorpecente ou estupefaciente são termos que denominam substâncias químicas que produzem alterações dos sentidos.

Droga, em seu sentido original, é um termo que abrange uma grande quantidade de substâncias, que pode ir desde o carvão à aspirina. Contudo, há um uso corrente mais restritivo do termo (surgido após quase um século de repressão ao uso de certas substâncias), remetendo a qualquer produto alucinógeno (ácido lisérgicomescalina etc.) que leve à dependência química e, por extensão, a qualquer substância ou produto tóxico (tal como o fumoálcool etc.) de uso excessivo, sendo um sinônimo assim para entorpecentes."

Entrando no âmago da questão.

Embora fosse interessante trazer mais definições sobre drogas, o próprio texto da wikipédia nos diz que o espectro é amplo. E na sua amplitude usado para designar um problema que carece de apresentação. Na frase "Vamos repensar as drogas" o que nos ocorre imediatamente? Com o conhecimento intuitivo intelectual, exposto acima, sabemos, ao ler as primeiras frases, do que se trata, não necessitando de mais explicações. Esse foi o primeiro pisão no pala, o texto foi desqualificado por não ser mais explícito ao mencionar que tipo de drogas. Não houve uma avaliação do que foi escrito. "Problema" detectado, tudo o mais some e cria-se um debate paralelo.

A exposição de problemas/assuntos/conhecimentos/fofocas também tem uma variedade enorme. Podemos trazer um determinado problema/assunto/conhecimento/fofoca ao conhecimento de todos com uma fotografia, com várias fotografias, com um texto mal redigido(mas inteligível), com um texto impecável sem falhas, com exemplos pessoais, com exemplos assistidos, com exemplos descritos por outros, através de vídeos do Youtube, com reportagens das mídias, com estudos publicados na internet, enfim, para quem está realmente com intuito de auxiliar na construção e divulgação de conhecimento, não se prenderá a detalhes menores desde que a informação passada seja verdadeira. Assertivas pode ser ditas aos berros, sussurradas, escritas em letrinhas miúdas ou graúdas, com fotos decentes, com fotos indecentes - se o conhecimento assim o exigir - com fotos chocantes e tudo o mais. Retire-se a verdade contida na informação e a teremos  para construir ou divulgar o conhecimento. Foi o segundo pisão no pala, para outro participante, as fotos chocantes do tópico, o remeteram para a desqualificação do tópico e para muitos clichês que beiram o preconceito num policiamento que não aceito. Engraçado, não fosse preocupante, que a um comentário escrito, houve uma reação muito mais poderosa ao que se chamou de um texto chocante. Dois pesos duas medidas. Talvez se acompanhado de fotos das situações descritas, a resposta seria desconsiderada?

Quanto ao título.

O último que sair, apaga a luz, ou....

A um tópico que não havia me chamado a atenção, voltei para estudar um pouco da essência do Portal. Colocação e participação nos tópicos. Abriu-me os olhos para muitas coisas e essas destacaram-se  nas duas ocorrências no meu tópico que trago aqui. Minha mãe colocava que uma pessoa se abaixa muito, sua bunda aparece. Parece ser o meu caso. Será que não estou à altura de postar/debater por falta de estrutura cultural formal? Não acredito mas suponho que outros sim. Com isso trago à baila o tema construção. O que é uma construção? Quem são os agentes? O projetor desta construção abriu a participação de todos para que? Qual seu objetivo com essa abertura? Traçando um paralelo, a construção projetada pelos Engenheiros e  Arquitetos ergue-se sozinha? Claro há os Mestres, os Contramestres e os Capatazes que na hierarquia da construção, são "os mais estudados". Ainda assim, teremos construção? Só se houver concurso de outros trabalhadores. Então não me acho inferiorizado por não ter doutorado. O modo  que desenvolvi minha vida me permite ter uma ideia muito boa do que se chama vida e dos conhecimentos para entendê-la e evoluir enquanto agente ativo.

Não ia falar no terceiro pisão, que beira o deboche. Esse mesmo tom havia notado no "O último...". Não vou citá-lo, vou à sua crítica. Trago dessa forma  o conhecimento intuitivo sensorial/empírico que vem dos carinhos e afagos melosos e que abrandam arestas para o conhecimento se tornar pleno, mais aceitável. A exposição seca, fidagal, das respostas e das  tréplicas não são necessárias para impor um maior conhecimento ou posição. Que estas se façam com argumentos e inteligência sem o pisoteio dos preconceitos que aqui combatemos. Sem o sensorial/empírico a construção pende para a aridez. O conhecimento teria como objetivo o quê, então? No meu entendimento o alvo é o ser humano.

Se assim é as nuances sensoriais que o cercam devem ser incorporadas na construção do conhecimento!

Qual o conhecimento que queremos?

Se somos o somatório de conhecimentos adquiridos ou trazidos - por vidas passadas, na visão de uns ou geneticamente, na visão de outros = inatos - já paramos para perguntar o que construímos até agora (o que somos nós) e o que projetamos ( para onde vamos)?

Temos que "assuntar" muito sobre isso para realmente possamos  Construir Conhecimento!

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Respostas a este tópico

Sabe, li o texto, respirei fundo, e meu único comentário agora é: gente é muito complicado... 

Vou repetir mais uma vez algo que costumo dizer. Sartre dizia que o Inferno é o Outro. Sempre corrigi essa frase. O Inferno nao é o Outro, sem o Outro nao vivemos. O Inferno é o fato do Outro ser Outro... 

A gente nao pode controlar as interpretaçoes que outros fazem do que dizemos, mas quero pelo menos tentar... (rs, rs). Joel, isso que eu digo NAO vai contra o seu tópico. Eu concordo que às vezes, no calor das discussoes, as pessoas estao sendo desnecessariamente agressivas (e nao estou me excluindo disso, embora eu tente evitar). E que isso nao ajuda em nada a construçao do conhecimento. Ao contrário, faz o grupo explodir. Nao sei a soluçao. 

Mas tb acho que, até aqui pelo menos, todas as vezes que se abre um tópico com protestos contra algum aspecto do Portal, tentativa de corrigir, etc (seja a "intolerância", seja o "marasmo", etc), o que acaba se conseguindo é mais briga, como aliás ocorreu nesse tópico que você citou. Outra vez, nao sei a soluçao. 

Todos os dias, todo mundo, NAO. Às vezes, algumas pessoas... sem dúvida. 

O problema, Marco, é que, quando as "cabeçadas" sao duras demais, é difícil conseguir ficar sem rancor no coraçao... Gente é gente, nao é poste. 

E entre "troca de salamaleques" e "cabeçadas" será que nao pode haver um meio termo? Pelo menos tentarmos, com eventuais tropeços, claro, acontecem. 

O grande e principal desafio é a gente perceber que não é o dono da verdade. Existem 6 bilhões e meio de verdades no mundo, portanto a nossa é apenas mais uma. Ultrapassando esta arrebentação do desafio proposto, o resto vem com a água.

Concordo com você, pelo menos acho que o princípio é correto. Na prática, às vezes a gente está convencido pra dedéu de que está certo mesmo... Eu nao sou nada boa em "arredondamento de ângulos", sei que às vezes sou meio dura. Agora, procuro nao ser injusta... Procuro pelo menos, com bastante sinceridade, ver a coisa tb do ponto de vista que imagino o outro esteja vendo. O problema da história está no "imagino", porque o que a gente imagina que o outro está pensando nem sempre é o que o outro está pensando realmente... 

Nós estamos num grupo pequeno. Se deixarmos a corda muito solta, daqui a pouco estará todo mundo brigado com todo mundo, e adeus construçao do conhecimento. Porque, afinal, nao somos seres abstratos puramente racionais, ou somos? Eu gosto do convívio, quando ele está prazeiroso, claro, gosto de brincar, às vezes até de implicar, o que é um problema, porque nem sempre o outro aceita a implicância numa boa. Agora, se pisam no meu pé... explodo fácil. Até que tenho melhorado nisso, mas... fácil é que nao é.  

E nao é por nada nao, mas as pessoas mais atuantes que restaram aqui sao legais, pelo menos a maioria delas na maior parte das vezes. Eu vou sentir muita pena se o grupo vier a se desintegrar por acúmulo de ressentimentos. 

Talvez a grande constatação que se chega, depois de tudo, é que o conhecimento foi construido. Em nós mesmos. O conhecimento da convivência.

Se algum pessoa vier a entrar no Portal e adotar a frequência de visitas que este pequeno grupo apontado por você fizer, não mais nos ressentiremos e nem nos abalaremos se a suposta pessoas entrar com os dois pés na porta. Creio que aprendemos.

É uma aprendizagem, sem dúvida. Ando dizendo que isso aqui é o meu "laboratório", no sentido que os atores/atrizes usam essa palavra, de preparaçao para a hora da própria representaçao. Só que essa aprendizagem às vezes é bem doída...

Bom, melhor aqui, na vida online, em que as relaçoes pessoais têm mesmo um caráter muito imaginário, do que na vida "real"; é nesse sentido que isso aqui serve como um laboratório (nao para a atuaçao ficcional, mas para a atuaçao real). As relaçoes pessoais da vida off-line tb têm um aspecto imaginário, isso é constitutivo dos eus; mas há mais conhecimento concreto sobre o(s) outro(s), há o tom da voz, a expressao do rosto, várias coisas que guiam mais a interpretaçao.  

A propósito, sobre isso, sobre esse contato "olhos nos olhos" este vosso criado deu um depoimento neste video:

http://www.youtube.com/watch?v=_V1ieJH1lkE&feature=fvsr

Apareço da metade pra frente.

Você acha mesmo que nao há relaçao interpessoal verdadeira na Internet, nem em grupos razoavelmente fechados, onde as pessoas se conhecem há anos, como aqui? Eu nao diria tanto. E olhe que já me decepcionei com tantas pessoas pelas quais sentia empatia aqui... Sou uma ingênua incorrigível?

Acho que é diferente das relaçoes da vida off-line, mas sao relaçoes verdadeiras, malgré tout... Até nos conflitos... 

Falando nisso, você viu um filme sobre isso chamado "Denise está chamando"? Se nao viu, procure ver, vale a pena. 

Na minha opinião, o contato pessoal é a melhor resposta. E faz as pessoas serem verdadeiras, ou dizer o que pensam sem suas bengalas. Na internet, como eu disse ali no video, o teclado e o monitor nos protegem. Isso pode parecer um sinal de autenticidade, mas eu acho que é esconderijo.

No cara a cara, o que a gente diz ao outro, olhando nos olhos, é mais autêntico.

Nao duvido de que seja MAIS autêntico. Questao de grau... 

Caro Joel

Se eu entendi bem, você está se queixando de três pisões:

1. Do Marco, que disse não aceitar a generalidade do conceito ''drogas''; 

2. Meu, quando desqualifiquei as fotos que você apresentou (e foi isso mesmo que eu fiz);

3. não sei de quem, mas você acha que deveríamos... ser mais meigos, ou coisa parecida.

Acertei até aqui?

Você faz uma longa exposição sobre o conhecimento, que deixa de fora uma dimensão que eu acho importante. Permita-me uma breve digressão:

Todos nós aprendemos, na escola, que o Brasil é um dom de Deus e da Natureza, tem um povo ordeiro e pacífico, é um país sem preconceitos, é acolhedor para todos os que querem trabalhar, é um país de contrastes regionais que lhe dão um sabor especial... essa lenga-lenga não deixa de ser uma forma de conhecimento. É o mito fundador do Brasil, cuja função é impedir que lidemos com a realidade. Isto se chama ideologia. Desconstruir a ideologia construída pelas classes dominantes também é construir conhecimento. Sua formulação, meio platônica, não contempla isso.

Nossa colega Beatriz Silva Ferreira, que se apresenta como terapeuta e mediadora da família em São Paulo, declara que ''ao que parece, a meta (da desocupação da crackolândia) é levar os dependentes de crack a uma desintoxicação, e não a um tratamento''. Não sei se ela o faz conscientemente ou não, e isso nem vem ao caso, mas ela está executando uma manobra de manipulação ideológica manjadíssima: a UDN de São Paulo quer mesmo é jogar aqueles pobres coitados no meio do Atlântico, no estilo lacerdista, então ela tira o foco deste desejo e inventa um outro problema. Num passe de mágica, que se chama deslizamento ideológico, a ''turma dos direitos humanos'' é que atrapalha, com suas objeções à internação não voluntária. Ora, os tucanos sabiam que não havia vaga nenhuma para tratamento, sabem que o ''tratamento'' disponível é aquela monstruosidade que eles fabricaram com suas terceirizações e nunca cogitaram sequer em uma  desintoxicação. A proposta era baixar o porrete, e só, desocupando a área para dar lugar aos empreendimentos imobiliários. Enquanto o higienismo deslavado rolava, o que vimos naquele tópico? Uma longa seqüência de ''Tem que internar'', ''Doente não tem vontade'', etc, com a honrosa exceção de uma objeção do Alexandre (''não confundir com o que está acontecendo em São Paulo, que é higienismo!''). Um show ideológico.

''Mas isso só não basta'', começou você em seu outro tópico, cujo fulcro (quá!) eram as benditas fotos.

''Pra que essas porras dessas fotos?'' perguntei eu, com toda a minha conhecida meiguice.

''Pra te deixar triste.'' me respondeu você, na sua maldade.

E que cazzo teria esta tristeza a ver com conhecimento?

As fotos estavam lá com o objetivo único de criar medo, de demonizar as drogas, de propiciar posturas irracionais diante da miséria retratada, que poderiam, eventualmente, legitimar qualquer coisa, inclusive o porrete policial na crackolândia. Claro, isto é apenas minha opinião, mas não vejo outra explicação. Minha avó italiana me ensinou que nada que vem do medo presta. O que inclui, naturalmente, o fascismo.

Postura racional, nestes tempos, é exigir do Estado tratamento digno para esses pobres coitados que a miséria empurrou para o crack.

Eu dou razão ao Marco, quando ele objeta que as drogas não são farinha (ops!) do mesmo saco. Venham se meter com meu meio litro de vinho ao dia, ou com meu querido cachimbo, que les arrodeio o cu de bala. Aliás, acho que é preciso retomar outro vício dos anos 70: curti muito gás lacrimogênio, e acho que está na hora da gente voltar a encarar essa PM de São Paulo. Antes que seja tarde.

Onde estão meus preconceitos, que você insinuou? 

Hermê.

Também não gosto de deixar de falar o que penso mesmo que vá contra a pessoas do nosso meio.

Só acho que poderias ter uma abordagem mais macia, porém mais incisiva, por exemplo na questão das fotos do outro Tópico, poderias começar da seguinte forma (mas tudo é uma questão de estilo).

"Considero que as fotos acima colocadas estão totalmente fora do objeto deste fórum, e a presença das mesmas desqualifica a discussão, transformando esta discussão em algo baseado num ato de cerceamento ao debate, a medida em que elas dão mais um aspecto de uma publicação de forte apelo visual e baixa qualidade editorial.

Resumindo, chamas as fotos de uma b.... com uma qualidade de m.....para o fórum, mas fica mais elegante.

Depois de colocado este texto, seguirias com o resto que está adequado.

Mas como já disse, é tudo uma questão de estilo.

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