Gostaria de iniciar este tópico, na verdade falando inicialmente de ensino de matemática, esperando contribuições também no ensino de outras disciplinas.

Quem tem mais de 50 anos há de lembrar que o ensino de matemática contemplava as demonstrações de teoremas, mesmo no antigo curso ginasial e principalmente no currículo do científico (colegial), ou seja lá qual for o nome que queiram dar a isto. Houve duas grandes mudanças. A primeira foi a introdução da matemática moderna nos anos 60-70, que tirou os holofotes da geometria e deu grande importância à teoria dos conjuntos (essa mudança foi inspirada pelas ideias do grupo francês Bourbaki). Nos anos 80-90, as demontrações foram praticamente eliminadas dos textos didáticos, talvez por influência construtivista, (Piaget? penso que ele não iria gostar...) ou seja lá qual for o nome que se queira dar a esta radicalizaçao. Os textos construiam as idéias a partir de exemplos, deixando de lado as definições formais, os axiomas, a argumentação lógica e os enunciados formais dos teoremas. Essas mudanças provocaram efeitos negativos e positivos no aprendizado, que gostaria que fossem aqui discutidos.

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Respostas a este tópico

Como dizia um amigo, fingindo seriedade: ''o xadrez desenvolve muito a sua capacidade de jogar xadres''.
Tirando a coisa só do reino da Matemática, vocês se lembram de como foram alfabetizados? E análise sintática, como foram as experiências de vocês com ela? Lembram do tipo de exercícios que eram usados? Seria legal que pudéssemos construir uma reflexao coletiva sobre as experiências didáticas, de como diferentes indivíduos as vivenciam. E isso é algo com que todos podem colaborar...
Eu acho que meu tópico ficou específico demais e ninguém quer colaborar... Voce podia criar este novo tópico que eu vou refletir para poder colaborar...
Ué, mas é o mesmo tipo de conteúdos... O tópico nao se chama "Conteúdos Didáticos Ontem e Hoje"?
Olhe, vou iniciar sobre análise sintática. Quando eu era do ginásio, ainda se fazia análise sintática de Camoes. É um absurdo, é elitista, é contraproducente (tende a fazer com que os adolescentes odeiem Camoes, que para mim é o segundo maior poeta de língua portuguesa). Mas, além da coisa nao ser tao linear assim (vejam em Itinerário de Pasárgada os efeitos disso em Manuel Bandeira... é delicioso), a questao a se pensar, a meu ver, é a conveniência da análise sintática como prática didática. A se chegar a conclusão de que ela é conveniente, entao que se proponham exercícios reais, se nao de Camoes, pelo menos de períodos com várias orações, para que os alunos percebam as relações entre elas. Exercícios só de 2 orações, em que baste decorar as conjunções, pôr a barrinha de separação diante delas e analisar por decoreba, nao servem para absolutamente nada.

Eu teria mais coisas a dizer sobre isso, mas vou esperar para ver se alguém mais se interessa pelo assunto.
Eu me lembro do meu aprendizado de análise sintática com alguma clareza: simplesmente aconteceu, na segunda série do ginásio, que peguei o jeito e não errava mais nenhuma questão. Nem dos versos de Camões, estrófes inteiras. E isto aconteceu mais ou menos na mesma época em que descobri a Lógica através da geometria plana. Sinceramente, o dia em que entendi a idéia do ''necessário porém insuficiente'', me senti iluminado!
Você está me lembrando o tempo em que dei aula de Português para o curso de Direito na Gama Filho, há séculos atrás. Era um programa super sofisticado, cheio de noções de Semiótica e de Teoria da Comunicação. Mas as turmas eram enormes, de aluno com baixo nível de ensino prévio e que estavam fazendo Direito pelos motivos mais terra-a-terra; para se aposentar na categoria tal; para poder ser promovido a delegado; coisas assim. Fui caindo aos poucos na real e saí completamente daquele programa. A aula de que eles mais gostaram foi quando ensinei silogismos. Eles acharam o máximo a diferença entre verdades de fato e verdades lógicas. Que se partirmos da premissa que tudo que nada é peixe, a baleia, já que nada, seria peixe; mas disso nao se deduziria que todos os peixes nadam, porque isso nao está naquela premissa.
AnaLú
Acho que o professor que não sabe que os jovens têm uma forte tendência a se deslumbrarem e se apaixonarem por algumas idéias poderosas... não pode ser um bom professor.
Os "jovens" daquele curso de Direito tinham uma idade média de cerca de 50 anos... Jovem era eu, na época... Foi uma experiência incrível (vista de agora; na época, eu ficava tao deprimida que tinha a impressao de que se alguém me pendurasse num varal como roupa dobrada pela cintura, eu ficaria ali). Estava recém chegada da Suíça, cheia de idéias de como as coisas deveriam ser, e "caí na real" mesmo, literalmente. E a real é dura...

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