“Cupons de Saúde; Sob o pretexto da liberdade e outras coisinhas mais…”

ASSPREVISITE/SAÚDE WEB - 14/02/2012

"Surge no cenário brasileiro da saúde uma nova modalidade de serviços, a de cupons que permitem à pessoa que os adquire “comprar” ou trocar por uma consulta médica.

Historicamente, os primeiros cupons parecem ter surgido nos Estados Unidos, em 1887, numa jogada de marketing da Coca-Cola quando se fundiu com outra empresa e distribuiu 8,5 milhões para os potenciais consumidores, tendo também impresso nas principais revistas do mercado americano o papelzinho de troca. A prática se tornou tradicional no maior país capitalista e até hoje milhões de donas de casa recortam seus cupons para trocá-los por mercadorias.

No período pós-guerra, quando a moeda estava em declínio na Alemanha e muitos morrendo de fome, o Governo distribuiu cupons para que a população pudesse comer. Em outro continente, Cuba, um dos últimos redutos do socialismo, o sistema de cupons limitados por pessoa para alimentos ainda é vigente.

Como podemos ver, os cupons estão em diferentes mundos, ele surge como uma estratégia do mundo capitalista, foi utilizado num período crítico da Europa e, ainda, serve aos princípios da ditadura de Fidel.

Prometer saúde e liberdade parece plataforma de políticos que dizem que vão dar à população o que já é de direito.

O texto de uma das empresas de Vale Saúde, diz:

“Liberdade, bem-estar e qualidade de vida. Cada vez mais, buscamos soluções que tornem nosso dia a dia mais tranquilo, saudável e seguro. Por isso criamos o Vale Saúde, um produto inovador de prevenção à saúde, que oferece tudo o que você e sua família precisa, com muita qualidade e conforto.
Não é plano de saúde!

É um programa de saúde acessível a todos, sem restrições, impedimentos, carências ou limite de idade. É só adquirir o cartão e começar a usar. Todo mundo pode ter o seu!

Não perca mais tempo! Conheça tudo o que o Vale Saúde pode proporcionar, adquira o seu cartão e traga mais saúde, economia e praticidade para a sua vida.”

Segundo matérias publicadas nos jornais nos últimos meses, o Vale Saúde é tão novo que ninguém sabe muito bem a que veio. Além disso, não há nenhum organismo do Governo brasileiro que o fiscalize por enquanto, como não é ligado a Planos de Saúde, a ANS se isentou de assumir responsabilidades e o Ministério diz que está estudando o caso para propor regulamentações.

Alguns médicos ouvidos nas reportagens acham o sistema antiético e outros acham tudo muito natural.

Então, fica a pergunta: O cupom surgiu no Brasil porque o mercado de saúde está em guerra, vivendo uma crise, ou por que na sociedade moderna tudo pode ser comercializado, inclusive a saúde?"

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Eu, tenho opinião formada: Sou favorável! Mas gostaria de "ouvir" (ler) as suas...

Saudações

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Respostas a este tópico

Prezado José

Mais uma safadeza de outras tantas no setor da saúde.

Será possível que não há ninguém no ministério da saúde ou mesmo no MP com vergonha na cara para ver que isto é um descalabro, uma insanidade ????

E o CRM ? Vai ganhar quanto para se calar??

A saúde não pode e nem deveria ser objeto de comércio. 

Esta é mais uma das desgraças do capitalismo, que só dá direito a ser saudável a quem tem dinheiro.

Jose mayo,

tá na cara que é comercialização, assim como todos planos de saúde( TODOS)

por isso, não tenho NENHUM, e uso O SUS, que acho muito bom..indico e luto por ele.

Pois é, meus prezados...

Essa luta entre o desejável e o possível é antiga; seria muito bom se pudesse haver essa "assistência universal e gratuita" que a ideia do SUS preconiza, más não há. A realidade é outra e muito mais triste.

Então, como se diz na roça, "se você não vai fazer, pelo menos não empata" (no sentido de impedir), e o fato é que a ANS "empatou"... e o SUS continuou não fazendo.

Eu explico: Antes da lei 9656/98 (Lei dos Planos de Saúde), e da criação da ANS (que ocorreu em 2.000), vocês devem se lembrar de que existiam muitos "planos de clinicas", principalmente nos subúrbios que ofereciam à clientela do entorno os serviços de que dispunham a preços bem acessíveis.

É claro que não eram "Planos de Saúde", eram "planos de clínica"; só ofereciam consultas, alguns exames básicos, algum exame de Raios X sem contraste e, se o diagnóstico primário assim realizado demandasse maiores recursos, encaminhavam os pacientes ao SUS.

O SUS era o mesmo, ou pior, que é hoje: filas quilométricas nas emergências, falta de vagas nos hospitais, tempos de espera extremamente longos para cirurgias e procedimentos de alta complexidade, mas, se fossem confrontados com um encaminhamento médico bem embasado e algum exame complementar que confirmasse a hipótese... digamos que ficava mais fácil, para o paciente, ter o seu problema solucionado. Pelo menos era atendido a tempo e a hora, ao invés de ficar na fila definhando e alguns morrendo, como várias vezes foi amplamente noticiado.

A ANS acabou com isso. Simplesmente elevou as policlínicas que tinham "associados" à categoria de "planos", ameaçando essas pequenas empresas, meros prestadores de serviços, com multas de DEZ MIL REAIS DIARIOS, por oferecer ou comercializar "planos de saúde" (meus Deus, nunca foram "planos") sem registro e autorização da ANS.

Resultado? Os que ouviram o "canto da sereia" e se registraram, tiveram as suas coberturas estendidas a níveis impossíveis, pela rigidez da legislação, e quebraram!

Os outros desistiram de dar assistência por essa modalidade de pré-pagamento e, a clientela, voltou para a "fila da amargura" que, segundo a ótica da intrépida Agência, é o lugar certo pra quem não tem dinheiro para pagar um "Plano".

Ou seja, você não pode comprar uma batata pra matar a fome. Ou paga e come um "Tournedos Rossini", ou fica jejuando.

Por isso eu sou a favor de qualquer ideia que "flexibilize", ou quebre, a hegemonia dessa regulação mal desenhada que divide, de forma mais cruel ainda do que já se dividia, o binômio assistência/necessitado.  

Saudações

José

Acho que como diversos assuntos, como a educação, a saúde é algo sério demais para deixarmos a discussão somente para profissionais da área, e explico porque.

Tem vários "diagnósticos" que concordo inteiramente com os apresentados pelos médicos e suas associações, tais como, valores de consultas do SUS para os médicos verdadeiramente ridículos, pagamento dos procedimentos também irrisórios, porém tem bem mais coisas do que isto que deveriam ser discutidas por outras pessoas.

Falo por exemplo, da verdadeira expropriação da mais valia do trabalho dos residentes feita pelos chefes dos serviços, não tenho os dados em mão porque os mesmos foram me passados de maneira informal por médicos ao relatar a remuneração de procedimentos mais complexos, era 90% para os "capi" e o resto que ficava trabalhando desde o início ao fim do procedimento ficava só com a rebarba.

Também o que já tivemos chance de comentar, a falta de critério na solicitação de exames que encarecem muitas vezes, sem lucro ao paciente, tanto o SUS como o sistema privado.

Vou acrescentar mais um assunto, o total descontrole do uso do dinheiro para a saúde, nos poucos, porém existentes, municípios que pelo sistema de impostos brasileiros são beneficiados com uma arrecadação muito superior aos demais.

Precisamos trabalhar em duas pontas, primeiro no aumento das verbas para a saúde (sem este aumento nada é possível) e na racionalização das verbas que se conseguir para reforçar a caixa do SUS. Tomando por exemplo a contraposição da medicina Norte-Americana e a Cubana, são dois extremos que deveriam ser analisados com cuidado. Um primeiro de uma medicina cara e sofisticada e de baixíssima eficiência, e um segundo de uma medicina pobre e sem recursos de alta eficiência.

Quanto ao exemplo que colocas nesta discussão sobre estes cupons de saúde é simplesmente um reflexo de uma gestão feita por "profissionais da saúde" (tanto do lado do governo como do lado dessas pequenas policlínicas que faliram). E digo mais, é o exemplo da mentalidade que temos no nosso país, que editada uma lei, automaticamente as coisas começam a funcionar. O que passa, a partir do reclamo popular, como a saúde é um dever do Estado (está na constituição, só não diz da onde sai o dinheiro!), tanto o SUS como agentes privados, tem que fornecer tudo que se deseja (mesmo que os desejos sejam descabidos) e o financiamento... o financiamento....não sei, alguém resolve.

Maestri,

Uma vez mais, concordo com você em gênero, número e grau. Este assunto pertence e é próprio da Sociedade Inteira, não é restrito a nenhum grupo "opiniático" nem a qualquer classe profissional. Algum dia vai ter que ser discutida a Saúde e a Medicina que queremos, mas com profundidade e competência não com a arrogância que hoje se percebe em que, um grupelho de maganos, com óticas totalmente distorcidas por um mercado material (como é o mercado de seguros, diga-se SUSEP, de cuja "base funcional" foi montada a ANS), e convocado para "regular" (de "cagar regras", me desculpe o termo) o "mercado de saúde" (é assim que o tratam), sem considerar que este tipo de "seguro" é muito diferente das apostas que se fazem sobre ser, ou não, um carro incendiado ou pegar fogo, ou bater, ou ser roubado...

O "mercado de saúde" não prevê a alternativa de que algo possa ocorrer ou não. A "álea" (sorte), definidora neste mercado é outra: a "doença" não se reveste da mesma incerteza que o mero "acidente", e a "perda total" (no caso, a morte), não é "uma possibilidade", é uma certeza verdadeira que, ainda que possa, algumas vezes, ser postergada no tempo, sempre chegará no final.

O custo do evento "morte" é desastroso! Qualquer carteira de saúde com mais de 4% (quatro por cento) de idosos na sua composição é "border line",com 5% (cinco por cento) é deficitária e, com mais de 6% (seis por cento) é considerada no jargão do mercado um "carro batido". Ninguém quer e ninguém "compra", só aceita sob pressão e sob condições muito especiais.

Haveria solução? - Sim! - Se alguma vez o SUS entendesse que é melhor dividir "parte da sua carga" (já que a 'responsabilidade constitucional' é do Estado, portanto do SUS, não da Saúde Suplementar) com a medicina privada, ressegurando ou permitindo a limitação de risco em parâmetros manejáveis (em que o SUS assumiria a responsabilidade de cobertura a partir de determinado patamar), ao invés de, ao contrário, bancar o "urubu malandro" e tentar aumentar a "carga" do Sistema, apresentando às Operadoras a "continha" do que gastou (e mais um "por fora" em cima) no exercício da sua OBRIGAÇÃO CONSTITUCIONAL de oferecer atenção de saúde gratuita e universal a qualquer cidadão deste país, ou estrangeiro, que paga impostos e que NÃO ABDICOU DESTE SEU DIREITO, nem o perdeu por qualquer disposição legal, não sendo portanto exigível nem a ele, nem ao Plano de Saúde que, por sua conta e meios, resolveu contratar.

Afinal, este cidadão, assinou apenas um "contrato de plano de saúde", não uma "carta de renúncia" aos seus direitos constitucionais.

Saudações

Mas, José Mayo.

só o que existe aqui  no ceará, são estas pequenas clinicas que vc. menciona aí,

Consultas por 10,00 reais e exames simples entre 10, 15,00 ou mais..

aqui no centro tá super lotado..

eu mesma  fui outro dia pra um otorrino,( R$ 10,00) pois conheço o medico(otimo) eu tava com pressa.

comprei o remedio na farmacia popular ( R4 2,99) enquanto que nas outras  farmacias era mais de 18,00

é assim  mesmo, a gente vai se virando..

hoje em dia uma consulta num Plano de Saúde chega a espera de mais de 15 dias,

tempo igual ao do SUS..

Bom, nos postos de saúde pode ser no mesmo dia..

complicado este negócio de saúde!!

É verdade Estela, as "Clínicas Populares" continuam existindo, mas não oferecem mais aqueles "planos familiares" de consultas e exames simples (restritos aos serviços da clínica), que qualquer família pobre podia pagar e sentir-se mais segura (pelo menos era "melhor" que socorrer-se do balconista da farmácia). A responsabilidade maior era do SUS? Sim, e continua sendo, mas que o sistema reduzia as "filas" nas portas dos hospitais, reduzia.

A ideia de "tudo ou nada" que se implantou no setor, é uma ideia idiota. Qualquer ação que representasse diminuir a "pressão de acesso", as filas na porta, devia ser bem vinda, mas... Fazer o que? Colocar "inteligência" e "política" numa mesma frase, raramente não* é um oximoro (*não estou seguro de que cabe aí o "raramente não").

Saudações

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