No dia 4 de julho de 2012, o psicanalista Christian Dunker e os filósofos Paulo Arantes e Vladimir Safatle se reuniram no Espaço Revista CULT para discutir os novos livros dos filósofos Slavoj Zizek ("Vivendo no fim dos tempos") e Alain Badiou ("A hipótese comunista"), ambos publicados no Brasil pela Boitempo Editorial.
Esta é a gravação integral deste encontro.  

 

Extraído do Blog-mae: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/debate-aborda-novas-fronte...  

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Respostas a este tópico

Só agora podendo assistir aos videos , muito bom,

Excelente!!

engraçado, aqui se usa muito esta expressão " pedra noventa "

eu sabia que era  em ref. ao bom. mas não sabia o sentido exato..

todo dia aprendendo... esta é a beleza da vida..

Boa a discussao, né? Faz pensar... 

é  que isso é pré-isqueiro Bic. Do tempo q se usava pederneira pra fazer fogo ( e atirar, também).

AnaLú, faltou avisar q o debate é um spoiler... kkkkk.... conta o final dos livros...

Um debate sem contrários? Ou Manu entendeu tudo errado e não pede desculpas como aprendeu com Mautner e não com Zizek?

A direita invariavelmente perdia os debates. A direita fascista ganhava na baba espumosa, na falta de recursos intelectuais, ou na bela retórica. Onde havia um Aron, antes havia Sartre . Agora consegue participar de todos como onipresente interlocutora oculta, virou objeto, bicho, caos. Não sei se o inominável é o capitalismo ou o comunismo, quando Zizek apela para Adorno. Antes, eu "sabia" do quê Adorno falava. Detestei a comparação com Primo Levi. Mesmo provocando sono, Levi sem melancolia alguma souber viver para não ser esquecido, e se mandou quando sua obra chegou ao fim. Por mais miserável que pareça a impossibilidade de narrar, ele escreveu com o corpo, como indivíduo.  

Deixo de fora o último livro do Zizek, acabei de ler. Comprem, não há ralação alguma, é escrito para o "povão universitário". Fichinha perto da "Ideologia Alemã", livro essencial da doutrina, é isso aí, marxista.

Os intelectuais do comunismo estalinista, cujo ninho foi a USP, tal qual os banqueiros,  jamais pediram desculpas por acharem que a revolução se cumpriria aqui com o modelo soviético, pregado pelos europeus. Não pedirem desculpas por produzirem uma obra sobre o passado histórico do país igualzinha a de um eugenista direitão antes de nascer. 

A USP odiava Getúlio e esquecia reiteradamente as análises de Olga Benário sobre o Brasil, contrariando as noções de Estaline. Parece a crítica de Zizek em relação à questão da propriedade privada na revolução de 1917.

Esqueceram que a aliança do PCB com Getúlio começou antes de 1930. Defenderam Getúlio em 1930, como fizeram com o PT décadas depois. O pé na bunda foi em 1937 quando Getúlio pôs o PCB na ilegalidade. Getúlio passa a ser ditador.  

Não queiram que Manu ache o intelectual engajado do modelo sartreano mais importante do que o PCB. As convicções marxistas, sólidas, não foram coniventes, com a cachorrada que depôs Jango, mesmo que não concordassem com ele. Ainda prefiro os velhinhos que vi na passeata contra a reforma da Previdência do que esse pássaro da juventude que voa tonto em torno dos brasões acadêmicos. Com se São Paulo de hoje fosse a Sorbonne de ontem. 

Reaparecem, vamos ouvir. Todavia, se há civilidade, permanece o desprezo profundo e perene pela democracia. Há a cara de pau de mencionar a adesão de Lula a um projeto contra Aristide e colocar Chávez com a mesma estatura de Fidel. O desprezo europeu e a tentativa de por os latinos-americanos no seu "devido" lugar é foda demais.  

Serve muito pouco para uma acesso de criatividade na política pensar ainda que a revolução cubana seguiu um paradigma soviético ou alemão. Nada mais americana, da nossa américa bolivariana, do que Cuba.

Quanto à psicanálise, os títulos dos capítulos do livro de Zizek não in-formam, nem dão forma alguma ao  conteúdo, são blagues. Por que não ler rindo também?

Reaparece a velha dificuldade, atávica, da cultura paulistana, de ler Freud. A apropriação da unbehagen é risível. A referência à positividade do fracasso foi lema do anarquismo espanhol. Até Umberto Eco sabe disso. É filosofia de BECKETT.

                                         E NÃO  existe Lacan sem Freud.

Uma vez, na saída de uma palestra de Badiou, fiquei com saudade do Hegel de Kojeve, mais ainda da República de Platão. Desejo e fracasso admiráveis, porém um ideal para ser discutido, destroçado por séculos, sem vontade de manter dinastias. Até os franceses sabem que Platão era grego.     

Manu morre torta dizendo bobagem, todavia o avô não sofreu com o Alzheimer. Morreu do coração, fez um careta e riu se despedindo.  A revolução já acontece, não lá nada do lado de fora para impedi-la. 

Ler Zizek é  importante, MUITO, especialmente esse arrazoado chamado

"Vivendo no fim dos tempos".

                Zizek seduz mas também chacoalha a cabeça.

A vantagem: está mais perto dos russos do que dos alemães, é mais exército vermelho do que bota prussiana, não confunde práxis como crítica a práxis dos "outros".   


                                           Zizek não é para decepcionados.


Não é deleuziano, mas perfeição não existe. 

Manu, bemvinda ao deserto do real. Nénão.?

 Certíssimo, não existe Lacan sem Freud.

Unbenhaguemos todos, ou restaurese a moralidade... ;-)

Manu, uma das melhores críticas que já li. Peço licença para copiar como referência. beijos

"Esqueceram que a aliança do PCB com Getúlio começou antes de 1930Defenderam Getúlio em 1930, como fizeram com o PT décadas depois. O pé na bunda foi em 1937 quando Getúlio pôs o PCB na ilegalidade. Getúlio passa a ser ditador.  "

[...]

O congresso de fundação do PCB realizou-se em Niterói, reunindo alguns poucos operários e intelectuais do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Quase todos os fundadores haviam iniciado sua militância política nos meios anarquistas e só se converteram ao comunismo após a vitória da Revolução Russa de 1917. Apesar da pouca repercussão do congresso de fundação, já em junho de 1922 o governo de Epitácio Pessoa colocou o partido na ilegalidade, condição em que passaria a maior parte de sua existência.

Em janeiro de 1927 o PCB recuperou a legalidade, e formou-se o Bloco Operário, frente eleitoral que elegeu Azevedo Lima para a Câmara dos Deputados. Já em agosto, porém, o PCB voltava a ser ilegal. Buscando ampliar suas alianças, em dezembro o partido enviou seu secretário geral Astrojildo Pereira à Bolívia para conversar com Luís Carlos Prestes, o líder da Coluna Prestes que havia desafiado o governo e se encontrava exilado naquele país. Em outubro, o Bloco Operário Camponês (BOC), nova denominação do Bloco Operário, elegeu dois membros do PCB para o Conselho Municipal do Rio de Janeiro: Otávio Brandão e Minervino de Oliveira.

Em 1929, Prestes foi convidado a disputar a eleição presidencial do ano seguinte na legenda do BOC, mas não aceitou. Disposto a não apoiar os candidatos apresentados - Júlio Prestes, pela situação, e Getúlio Vargas, pela oposição -, o PCB lançou o nome do vereador carioca Minervino de Oliveira, que obteve uma votação inexpressiva. Em seguida o partido se negou a dar apoio à Revolução de 1930, por considerar o movimento uma simples luta entre grupos oligárquicos.

Nessa época teve início, sob o estímulo da Internacional Comunista, um processo de mudanças no PCB caracterizado pela crítica à política de alianças promovida nos anos anteriores, o que levou à dissolução do BOC e à substituição dos intelectuais que estavam na direção do partido por trabalhadores. Esse processo de "proletarização" foi responsável pela rejeição das iniciativas de Luís Carlos Prestes, que desde o início da década de 1930 buscava aproximar-se do partido. Convidado em 1931 a morar na União Soviética pelas autoridades daquele país, Prestes só seria aceito no PCB em 1934, quando sua filiação foi imposta ao partido pela direção da Internacional Comunista.

Em 1933, O PCB participou das eleições para a Assembléia Nacional Constituinte sob a legenda da União Operária e Camponesa, mas não conseguiu eleger nenhum de seus candidatos.

O avanço internacional do nazi-fascismo e de seu similar brasileiro, o integralismo, fez surgir, em 1935, a Aliança Nacional Libertadora (ANL), da qual os comunistas participaram ao lado de outros setores de esquerda. Luís Carlos Prestes, agora membro do PCB, foi aclamado presidente de honra da organização, e seu nome era aplaudido em cada manifestação pública da ANL. Apesar disso, porém, Prestes só retornou da União Soviética em abril de 1935, e aqui chegando manteve-se na clandestinidade, já que trazia instruções da Internacional Comunista para promover um levante armado com o objetivo de instaurar um governo "popular, nacional e revolucionário" no país. No segundo semestre de 1935, após a decretação de sua ilegalidade pelo governo, a ANL perdeu seu poder de mobilização. A partir desse momento, começaram a ganhar espaço em seu interior os comunistas e alguns elementos oriundos do antigo movimento tenentista, que, sob a liderança de Luís Carlos Prestes, passaram a articular um levante armado para assumir o poder. O levante foi deflagrado em novembro, mas foi logo sufocado Aprofundou-se, então, o processo repressivo movido pelas autoridades governamentais e policiais contra os setores oposicionistas, que iria culminar com a instauração da ditadura do Estado Novo, em 1937.

Com a maioria de seus dirigentes presos, o PCB se desarticulou completamente durante o Estado Novo. Em fins de 1941, grupos isolados no Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia empreenderam iniciativas no sentido da reorganização do partido. Foi formada, então, a Comissão Nacional de Organização Provisória (CNOP). Na prisão desde o início de 1936, Prestes mantinha seu prestígio como líder máximo do partido."

Fonte:http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos20/QuestaoSoci...

"[...] Em seguida o partido se negou a dar apoio à Revolução de 1930, por considerar o movimento uma simples luta entre grupos oligárquicos."

Fonte:http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos20/QuestaoSoci...

Acabei de assistir, excelente!!!

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