A vitória de Dilma significa a vitória de lutas que vêm de longe, como eu já escrevi aqui.

 

A vitória de Dilma é a vitória de Lula e de um projeto que aposta na inclusão. É a continuidade de um governo que teve atuação marcante em quatro eixos, pelo menos:

 

- criação de um mercado consumidor de massas (recuperação do salário-mínimo, do salário do funcionalismo, Bolsa-Familia, política mais agressiva e popular de crédito) – teve papel fundamental no enfrentamento da crise econômica mundial, porque o Brasil deixou de depender só das exportações e pôde basear sua recuperação no mercado interno;

 

- respeito aos movimentos sociais – parceria com sindicatos, diálogo com as centrais, com o MST;

 

- recuperação do papel do Estado – fim das privatizações, valorização do funcionalismo, novos concursos públicos, recuperação do papel planejador do Estado (por exemplo, no campo da energia), fortalecimento dos bancos públicos (não mais como financiadores de privatizações suspeitas, mas como indutores do desenvolvimento);

- política externa soberana – enterro da Alca, criação da UNASUL, valorização de parcerias com China, India, Irã; fim do alinhamento com os EUA.

 

Dilma significa que isso tudo pode seguir. Mas a campanha mostrou que há pelo menos uma área onde o governo Lula errou, por timidez: política de Comunicação. Durante a reta final do primeiro turno, o Brasil voltou a ficar refém de quatro ou cinco famílias que ditam a pauta do Brasil. Os blogs e um ou outro meio tradiconal ofereceram certo contraponto. Mas foi pouco. No segundo mandato, com Franklin Martins, Lula mostrou que é possível avançar muito mais nessa área!

 

A vitória de Dilma significa também a derrota de muita coisa. Derrota do preconceito e do ódio expressos em mensagens apócrifas, derrota de quem acredita que se ganha eleição misturando política e religião – de forma desrespeitosa e obscurantista.

 

Dilma no poder significa a derrota de Ali Kamel e seu pornográfico jornalismo de bolinhas na “Globo”. Significa a derrota de Otavinho e suas fichas falsas na “Folha”. Significa a derrota da Abril e de seus blogueiros/colunistas de esgoto.

 

Dilma é a derrota da extrema-direita que espalhou boatos, fotos falsas, montagens grosseiras e – quando desmascarada – saiu correndo (apagando sites, vestígios, provas).

 

A vitória de Dilma é a derrota da maior máquina ideológica conservadora montada no Brasil desde o golpe de 64. Essa máquina mostrou sua cara na campanha – unindo a Opus Dei, o Vaticano e o que restou da comunidade de informações a essa turma “profisional” que espalhou emails, calúnias, spams (e atacou até blogs progressistas na calada da noite).

 

A consagração de Dilma significa a derrota de um candidato covarde: não teve coragem de mostrar FHC na campanha, fingiu ser amigo de Lula e, no desespero, usou aborto e a própria mulher para ataques lamentáveis…

 

Dilma é a derrota de uma política feita nas sombras, nos telefonemas para as redações, nos dossiês.  Dilma significa a vitória de um projeto generoso, e o enterro de uma determinada oposição.

 

Quem torce pela democracia torce também para que uma nova oposição – séria e democrática – prospere, longe dos dossiês e da truculência serrista. Na próxima semana, teremos tempo para pensar a fundo no que pode vir de uma oposição renovada, quais os movimentos possíveis…

 

Mas acho que não devemos ter ilusão. Serra tirou da garrafa a extrema-direita. O tipo de campanha feita por ele, e que obteve mais de 40% dos votos, mostra que essa máquina conservadora está à espreita. E pode voltar a atacar. Os colunistas e os chefetes ressentidos – em certa imprensa pornográfica – seguirão a agir nas sombras.

 

Caberá a nós lançar cada vez mais luz sobre as manobras dessa gente. Derrotada pelo voto e pela força do povo brasileiro.

 

por Rodrigo Vianna

 

publicada domingo, 31/10/2010 às 14:07 e atualizada segunda-feira, 01/11/2010 às 12:02 no blog do Rodrigo Viana

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Respostas a este tópico

Do Blog Terceiro Mandato

Para você que faz parte dos 4% (ou 3%)


Eu sei. Você tentou. Fez de tudo. O pior é que o seu desgosto não é de agora. Vem desde 2002. Em 2002, você investiu bastante tempo em diversos sites e blogs, sempre publicando comentários desancando Lula e o PT. Repassou e-mails para todos os seus contatos tentando mostrar como o Brasil iria afundar, mas nada. O país estava no buraco, mas Sapo Barbudo não ia dar para aguentar. Os empresários sairiam do Brasil e você teria gente do MST morando na sua casa. Não, isso não. Além disso, o seu candidato era economista, preparado, como iria perder para um torneiro mecânico ? Abertas as urnas, Lula foi eleito. Esse aí não termina o mandato – você pensou.

Entra em 2006 e o homem está cotado para ganhar no primeiro turno. Que absurdo. Tudo bem que já tinham sido criados 4 milhões de empregos com carteira assinada, que a pobreza tinha diminuído, que as dívidas com o FMI e o Clube de Paris estavam pagas e que a inflação estava sob controle. Tudo isso era graças ao FHC. Veio o escândalo dos aloprados e com a colaboração do Jornal Nacional, iria ter segundo turno. Logo na primeira semana ia ter debate e o desafiante e preferido dos empresários iria massacrar o presidente. Dito e feito. Terminou o debate e você pensou na hora: Nocaute. Começaram a sair as pesquisas e novamente você viu a vaca ir para o brejo. Lula eleito para mais quatro anos.

No período 2007-2009, você nem sofreu tanto. Afinal de contas, você sabia que em 2010 não teria para ninguém. O seu candidato já estava eleito. Lula não poderia concorrer de novo e o PT não tinha quadros. Tudo bem que o seu candidato estava em todas. Para Presidente era ele. Para Prefeito de São Paulo, ele. Para Governador de SP, ele. Quem não tinha quadros era o PT.

As notícias foram chegando, mas você não se impressionava. Se o crescimento do PIB era recorde, a criação de empregos era recorde e milhões de pessoas entraram na classe média, tudo isso era graças ao FHC e à China. A Copa do Mundo, as Olimpíadas, o Obama chamá-lo de “o cara”, as citações em revistas e sites internacionais levam você a concluir: sujeito de sorte. É claro que você se irritava com toda essa popularidade, mas exibia tranquilidade, afinal de contas, você tinha lido na Veja que o homem não faria o seu sucessor.

Começa 2010 e conforme suas previsões, o seu candidato lidera as pesquisas. O país já está no rumo, mas você pensa: “Agora, o país vai entrar nos eixos”. A Veja lhe informa que inclusive os astros estão a favor.

Já durante a Copa do Mundo, sinal amarelo. A ex-guerrilheira e tecnocrata sem experiência eleitoral estava subindo nas pesquisas. Será possível? Quando veio o empate técnico, você decidiu voltar à ativa. Usou a velha tática de repassar e-mails para os seus contatos, só que desta vez com apresentações mostrando o passado terrorista da candidata do PT, inclusive com apelos da família de uma suposta vítima, ficha falsa, enfim, destilando ódio como só você sabe fazer. Até voltou a marcar presença nas seções de leitores dos jornais. Caralho, em oito anos, você não aprendeu porra nenhuma. É sempre aquele mesmo papo de Cuba, Venezuela, Farc, MST e a liberdade de imprensa. Dois institutos de pesquisa começaram a apontar a mulher na frente. Será que até os institutos de pesquisa foram aparelhados pelo governo ? – você se pergunta. Ainda bem que no DataFolha, estava tudo no seu devido lugar.

Começou a campanha e a mulher começa a disparar em todos os institutos. Você espera o DataFolha e – maldição – a mulher está na frente mesmo. Pior, a cada nova pesquisa a distância aumentava. Foi aumentando, aumentando e começaram os rumores de fechar a conta no primeiro turno. De novo, o “mais preparado” iria perder. Precisamos de uma bala de prata – você pensa. Vale ex-marido, amante, dinheiro na calcinha, sequestrador com camiseta do PT, enfim, qualquer coisa. Prestes a jogar a toalha, requentam uma história de quebra de sigilo de 2009. Ainda bem que existe imprensa atuante, investigativa, responsável e imparcial nesse país. Não tinha nada a ver com a campanha, mas dane-se, a mulher é culpada. Quase duas semanas em cima do assunto e o efeito nas pesquisas é nulo. Ainda precisamos de uma bala de prata – você pensa. A Veja tenta uma. Propina para o filho da ministra da Casa Civil. A corrupção é tão enraizada no governo que eles estão registrando a propina até em contrato. Provas do envolvimento da mãe não existem muito menos da candidata, mas quem se preocupa com provas ? A Folha tenta outra bala. Arranjou uma testemunha qualificada. E daí que o sujeito é ex-presidiário com condenação por receptação e porte de moeda falsa tentando obter um empréstimo de bilhões do BNDES? Se estava falando contra o governo e o PT deveria ser verdade. Ao menos essa serviu para derrubar a ministra.

Enfim, essas balas não surtiram tanto efeito quanto a campanha na internet e nas igrejas sobre o aborto e a eleição foi para o segundo turno. Você ficou animado, mas nem tanto, afinal como a mulher teve 46,91%, ainda assim parecia difícil. No entanto, você voltou à carga mesmo após aquela pesquisa CNT/Sensus dando empate técnico. Aí a campanha virou só isso: igreja, fé e aborto. Economia, Educação, Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Programas Sociais ficaram fora. Só que o assunto cansou, a campanha foi voltando ao normal. O tempo de televisão foi dividido entre propostas e ataques, Erenice de um lado, Paulo Preto de outro, e o pré-sal entrou na pauta graças ao Zylbersztajn. Até que foi finalmente disparada a verdadeira bala de prata: a bolinha de papel. Foi um episódio tão triste e deprimente, comentado aqui e alhures, que depois disso o seu candidato não se recuperou mais. Com o perdão do trocadilho, foi serra abaixo. Aí foi só acompanhar as pesquisas, e verificar na apuração que não houve surpresa.

Hoje você acordou de mau humor e eu compreendo. Aliás, ontem mesmo, assim que soube do resultado, saiu disparando e-mails para manifestar sua indignação. Que democracia é essa? Na sua família, nas suas rodas de amigos, no seu trabalho, no jornal e na revista que você assina, todos concordam com você. O que será que está errado?

Agora que já a contei a sua história, deixe-me dizer uma coisa para você que faz parte dos 4% (ou 3%). Como assim, 4% (ou 3%) ? O Serra teve 44%. Eu sei que teve. O homem está na vida pública há anos. Foi ministro, prefeito, governador, preparou-se a vida toda para ser presidente, enfim aquela coisa toda e é natural que tenha votos. Só que esse post não é para os outros 40% (ou 41%) , é para você mesmo. Você, sua família, suas rodas de amigos, seus colegas de trabalho, os leitores do jornal e da revista que você assina, enfim esse pessoal raivoso só são 4% (ou 3%) e com isso, não dá para ganhar eleição nem de síndico.

Você que tem cara de pau de achar esse governo ruim ou péssimo e que passou esses anos todos esbravejando em sites, jornais e revistas conforme contei acima. Que perdeu seu tempo e me fez perder o meu ao repassar e-mails imbecis. Eu quero que você vá tomar no cu. Você e quem for da sua família, suas rodas de amigos, seus colegas de trabalho, os leitores do jornal e da revista que você assina. Filho da puta! Vai chorar na cama que é lugar quente. É DILMA PRESIDENTE.

Postado por Fernando às 10:36
Maravilha, Serjão! Abs
Adorei o post e quero acrescentar que essa cambada toda...Serra,veja,globo,folha e PIG, e mais Sergio Guerra, Alvaro Dias, Azulaie cobra, Agripino, Osmar Serralho e o maior de todos o Zé Serra, todos sem exceções Já tomaram bem no olho do CÚ e os 3% agora tomam na beirada do Cú.......

quel tal aquela musiquinha...vai tomar no cu...vai...vai...vai tomar bem no miolo dos teus cús...cambada de tucano pig e corja do PSDB e DEM ah é o Neto também....kkkkkkkkkkkkkkkkk
Menos, Célio, menos... Senao comprometemos o Portal. Mas que dá vontade de mandar, dá...
Xiiiiiiii.
merece bis..
" Eu quero que você vá tomar no cu. Você e quem for da sua família, suas rodas de amigos, seus colegas de trabalho, os leitores do jornal e da revista que você assina. Filho da puta! Vai chorar na cama que é lugar quente. É DILMA "
ante tantas tolices ditas, penso, alias nem penso, semi ignorante
assuntos de tanta sabedoria, mas marcado pela historia de vida
ainda que pouco vivida, e desgastante pelos calos, e pelo suor,
da cara ainda suada, e que ainda tera que tantos dias ser surrada
pelo lavoro.consigo VER pouco alem por detras da vida, passados
tempos em que a sofreguidao assolava ainda mais, os menos desfavorecidos
como eu, ainda mais calos so pelo trabalho, mas nao pela recompensa, que
ainda quando no descanso, nem podia ver uma TV, muito menos trocar
palavras de consolo com familia pelo TELEFONE, nem ao menos comprar
uma GELADEIRA , que fosse em 12 ou mais vezes, tempo este que atras
de mim, ainda ressoa o que nao tive, mas que agora depois de retas as
as sinuosas linhas deste nosso BRASIL, tao amado, e que fora orquestrado
com maestria por alguem que hoje é mal falado. PENSO seras que so eu tenha
sofrido a angustia, de nao ter ao menos poder de compra, ou que a cegueira
tomou conta dos olhaos que com certesa, ja virao a escuridao.
OLHEMOS PARA TRAS, MAS SO OS MENOS FAVORECIDO, NAO QUEM SEMPRE
TEVE O SOL SEMPRE EM SUA JANELA.dobrai a lingua mal falada, sabaimos
ver o que tem que ser visto. sem ODIO.
Lembram daquele comercial de leite (não lembro a marca) em que criancinhas vestidas de mamíferos conversavam umas com as outras?
Pois é.
TOMOU?
quem tomou voce a turma do serra midia e tucanos e demos...como disse rogerio magri...um tarugo bem pesado no rabo. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
hehehe... postei no meu Facebook no dia do debate da Band...

Luiza, voce não existe!!
Pior que exito, Stellinha...rs... como dizia minha mãe: já que vc está no mundo que fique, mas que não venha outra igual...kkkkk... calculou a mão de obra?
Hehe! Óteema!

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