Durante muito tempo na política brasileira copiando o modelo da política francesa, esposas de dignitários eram respeitadas, poupando-as da exposição pública das estripulias dos seus esposos.

Era de conhecimento público o caso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com uma senhorita, que por sinal de respeito nem colocarei o seu nome. A ex-primeira dama Ruth Cardoso, enquanto estava viva foi poupada tanto pela imprensa como pela oposição de ser exposta a traição conjugal do seu esposo. O assunto veio a público após o processo de reconhecimento de paternidade que o ex-presidente da república sofreu com todos os desdobramentos que seguiram a este processo.

Esta espécie de acobertamento de toda a nação, não era para que a primeira dama não ficasse sabendo do ocorrido, pois certamente ela sabia, era simplesmente uma forma de não provocar inibições a quem não devia nada em termos de comportamento e não se adotou aqui a política cínica e moralista típica dos anglo-saxões, que criaram a política de abaixo da cintura, onde os políticos, como isto fosse importante para a condução da política devessem apresentar uma conduta sexual restrita aos ditames da tradição, ou seja, se tiver algum caso, este caso tem que ser escondido de tal forma que ninguém o saiba.
Nos países anglo-saxões confunde-se a fidelidade aos princípios republicanos (ou monarquistas, caso Inglês) à fidelidade conjugal, ou mesmo, no caso da Inglaterra a orientação sexual de seus governantes. Neste último caso vários ministros ou outros ocupantes de cargos políticos caíram por “escândalos” vinculados ao homossexualismo, como ser heterossexual fosse condição sine qua non para ser um bom governante.

Pois bem, assim como na França, em que o ex-presidente François Mitterrand (1981-1995), que também possuía uma filha adulterina, foi sempre poupado, junto com os presidentes franceses Valéry Giscard d’Estaing (1974-81), Jacques Chirac e mais uma dezena de outros tiveram suas estripulias extraconjugais ignoradas pela a imprensa, partidos de oposição e população em geral (provavelmente as aventuras extraconjugais das ex-primeiras damas, que certamente existiram, aí nem se fala mesmo depois da morte).
Seguindo o comportamento francês a nossa imprensa e oposição sempre poupou estes casos, tanto dos dignitários como das suas esposas. Temos por exemplo o caso de um ex-presidente falecido a longa data, que era conhecido por toda a sociedade brasileira e apesar de ter tido que evitar golpes políticos que o tentavam tirar do poder, jamais esta oposição feroz e golpista, ousou a utilizar politicamente com descaramento este caso.

A origem de tudo isto pode tanto estar baseado na elegância como também noutro pressuposto nada elegante, mas pragmático, o princípio bíblico básico: Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra.

Infelizmente estamos abrindo um precedente nesta política, e abrindo um precedente não devido ao tipo de ato, mas sim devido ao tipo de personagem que está vinculado a este pseudo-escândalo, uma DONA no lugar de uma DOUTORA, um SENHOR no lugar de um DOUTOR. Podemos dizer com clareza que tanto a mídia, como parte da oposição ao ex-presidente Lula (neste ponto podemos dizer que o seu último opositor, José Serra, que apesar de utilizar alguns golpes rasteiros, nunca utilizou este expediente como objeto de campanha) estão fazendo ilações sobre o comportamento do ex-presidente Lula. Diga-se de passagem, estas ilações são sustentadas por o tipo mais clássico de fofoca, do tipo, alguém (indefinido) ouviu a senhorita fulana de tal se dizer namorada do presidente.

Porém o ponto principal de tudo isto é o preconceito que estão tendo não só contra o ex-presidente Lula, mas principalmente pela Dona Marisa, uma senhora com fortes raízes populares que durante quase toda a sua vida se dedicou a nada mais e nada menos do que dar apoio, suporte e conselhos ao seu esposo.

Parece claramente, que devido à proximidade temporal entre os mandatos dos presidentes que Drª Ruth merecia respeito por ser uma Doutora, enquanto a Dona Marisa, simplesmente uma esposa que apóia e dá sustento emocional e moral ao seu esposo, não merece a mesma consideração?

Falam em até criar uma CPI, acho simplesmente se criado esta CPI ela deveria investigar não só o suposto caso extraconjugal do presidente Lula, mas deveria expandir o seu objeto a verificar a fidelidade conjugal dos ex-presidentes, ex-ministros e também dos atuais Senadores, Deputados Federais e Governadores, aí teríamos inaugurado uma nova fase na política brasileira, a da política abaixo da cintura. Poder-se-ia fazer instituir um disque-infidelidade, onde todos tivessem a possibilidade de anonimamente relatar os casos de políticos(as), institucionalizando a fofoca como instrumento de “moralização de costumes”.

Vamos ser sérios e voltar a nossa sabedoria de outrora, a vida pessoal de políticos deve ser tratada como a vida pessoal de cidadãos normais, ou seja, relações conjugais devem ser resolvidas pelos casais, e segundo e mais importante, não é um título de Doutor(a) que deve reger o respeito as pessoas. Ou seja, devemos parar com a lógica que quem é pobre ou quem tem a origem pobre, pode ter sua vida íntima exposta para a diversão pública, algo que é feito tanto por programas populares de auditório ou por pseudos programas policiais, onde a vida de trabalhadores (ou mesmo criminosos) é exposta a execração pública, como resumo de tudo, devemos respeitar a dignidade de todos.

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Respostas a este tópico

Ótimo texto, Maestri!

Apoiado! Gostei muito. O caso é que parece estarmos vivendo uma época de guerra, de exceção, neoliberal (medieval) ou golpista, não sei qual o melhor adjetivo, em que as regras de decência básica foram rompidas. Quiseram dar um golpe de morte no ex-Presidente Lula; viram que politicamente não conseguiam quebrá-lo, agora intentam arruinar sua vida pessoal. Este, creio, é o objetivo desse noticiário: acabar com o suporte emocional do homem. Conseguirão? 

O objetivo é incriminar o ex-presidente para impetrar processo no STF, torna-lo inelegível e desgasta-lo diante da opinião pública.

 

Em meu computador os links de resposta nao estao funcionando. Estou respondendo ao Webster: você lembra quando houve a cassaçao do governador do Maranhao? Previ golpe jurídico naquela época. DEmorou um pouco...

Lembro, Analú. A cassação do governador do Maranhão foi uma aberração jurídica para favorecer o Clã Sarney. O Lula alijado da política a estrada estará pavimentada para a tomada do poder executivo pela oposição(PSDB, DEM, PPS, grande mídia e demais aliados de plantão). Até surgirem novas lideranças, serão mais duzentos anos para a esquerda retornar ao poder.

 

Não vejo ter um filho fora do casamento o maior de todos os escândalos para um presidente da República, porém o Fernando Henrique Cardoso FHC escondeu de sua honrada esposa Ruth Cardoso todas as suas safadezas e traições e somente depois da morte da esposa é que o malandro corrupto reconheceu o filho, safadeza, covardia, mau caratismo e tudo que se pode falar de um cachorro como esse ex presidente FHC, cuja esposa falecido D. Ruth não merecia.

Excelente texto.

A cada dia me deparo com golpes baixos desta midia safada;

vão minando por baixo, em tudo que tocam..

Maquiavel..perde é feio

Que bom, os links voltaram a funcionar.

Bom te ver Stella, estava sumida. Bjs

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