Uma nação que se quer emancipada precisa, definitivamente, tratar a educação como uma questão de Estado. A educação não pode depender, exclusivamente, da boa-vontade de governos passageiros, de programas eventuais, de projetos específicos, de movimentos sociais com interesses os mais diversos, de receitas milagrosas para promoção do rendimento escolar.

As nações que lograram grandes êxitos colocaram a educação como meta a ser perseguida, independentemente do governo de plantão. Pegue-se o exemplo dos Estados Unidos. Hoje um péssimo exemplo em termos de economia, mas que tiveram, desde a Primeira Guerra, um projeto de nação onde a ciência, a tecnologia, a cultura, a escolarização formaram a base daquilo que ela representou por todo o século 20.

Os Estados Unidos, à despeito do uso político que fizeram das conquistas científicas e tecnológicas ( e isto pode-se fazer diferente) não economizaram. Souberam reunir em torno das suas universidades, privadas na gestão, é verdade, mas com fortes subsídios estatais, os maiores cérebros da ciência em todo o mundo, transformando-as em verdadeiras fábricas de conhecimento. Muitos descontentes não se submeteram a ideologia deste desenvolvimento. Na área da filosofia é conhecido o exemplo dos egressos da Escola de Frankfurt que, fugindo do nazismo, não quiseram se moldar a uma ideologia que tinha na indústria bélica o grande motor do desenvolvimento e, no silenciamento do pensamento crítico, a forma de trabalho.

Não se trata, portanto, de copiar a ideologia americana, mas o conteúdo desta visão. Compreender que educação exige investimento e de longo prazo. Sem retirar a autonomia dos estados, municípios e sem desqualificar experiências exitosas de inúmeros movimentos sociais, o Brasil exige sair desta colcha de retalhos e se impor metas e recursos capazes de dar unidade e garantir a continuidade daquilo que vem se anunciando numa série de medidas eventuais e tópicas.

Somos uma nação que tem tudo para dar certo: território grandioso com lugar para todos, clima propício, povo trabalhador e generoso, cultura vigorosa e extasiante. Só falta coragem para enfrentar a elite perdulária e transformar o Estado num agente capaz de representar o interesse de todos os homens. E, para isto, a educação, no seu sentido mais amplo, é questão estratégica.

Não é esta uma boa plataforma de campanha eleitoral? Fazer do Brasil grande, um grande Brasil?

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Sobre a realidade...

Cobertura da educação parece noticiário policial (do site do Azenha)
Atualizado em 27 de maio de 2009 às 21:46 | Publicado em 27 de maio de 2009 às 21:44

Ação na Mídia


Cobertura da educação se aproxima do noticiário policial
no Observatório da Educação
Qua, 27 de Maio de 2009 22:00

A educação paulista voltou a ocupar espaço na mídia nacional. No período de 12 a 25 de maio, ganhou destaque a divulgação, feita pela Folha de S. Paulo (19/5), da distribuição, para alunos de 3ª série, de um material paradidático inadequado para a idade dos estudantes.

Os desdobramentos foram amplamente repercutidos por outros veículos (Jornal da Tarde (20 e 21), Correio Braziliense (20); Folha de S. Paulo (22), Revista IstoÉ, 27), e o caso foi encerrado com a promessa do secretário de Educação de São Paulo de apurar e punir responsáveis, além da investigação do Ministério Público Estadual.

Outro acontecimento que ganhou espaço na imprensa nacional (O Globo, Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, Jornal da Tarde, em 15 e 16) foi a depredação de uma escola estadual por seus alunos, depois que a polícia retirou dois estudantes acusados de terem “invadido” a unidade e lá estarem “fumando maconha” (O Estado de S.Paulo) ou “passando drogas” (Folha de S.Paulo).

Versão oficial

A cobertura do episódio deixou a desejar. Alguns textos “compraram” a versão oficial sobre um “histórico de envolvimento com drogas” na escola, para justificar o fato de a direção ter chamado a polícia, bem como a ação desta na unidade escolar.

O vocabulário utilizado igualou a cobertura da educação ao noticiário policial, e estudantes e escola pública foram criminalizados. Ainda que fumar maconha seja ilícito, existe uma grande diferença entre dois adolescentes supostamente consumindo a droga e a ação do tráfico. Da mesma forma, pular o muro da escola não é recomendável, mas não pode ser comparado a uma “invasão”.

Impressionou também a falta de vigor nos questionamentos feitos ao poder público. Se “a secretaria admite” problemas anteriores da escola com drogas ilícitas, o que ela fez para apoiar a comunidade escolar?
Não convenceu a relação que se tentou estabelecer entre as festas (classificadas de “baladas”) organizadas no período noturno e o tal envolvimento com drogas ilícitas. No entanto, destacar a realização das festas foi muito oportuno para demonstrar o quanto as comunidades escolares estão entregues à sua própria sorte. Constatação que também pode ser feita no evento da distribuição da revista em quadrinhos.

Desinformação

Incrivelmente, a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo (SEE) diz que não sabia das festas, mesmo tratando-se de um evento que, pela descrição feita, mobiliza a comunidade, assim como não sabe quem comprou os quadrinhos inadequados. A produção de reportagens sobre a responsabilidade e relação estabelecidas entre os órgãos burocráticos e as escolas seria muito bem-vinda. Afinal, qual é o papel de cada uma das instâncias dos sistemas públicos de educação, estaduais e municipais?

No caso da rede estadual paulista, as reportagens poderiam destacar uma aparente contradição. De um lado, a SEE vem sendo acusada de centralizadora e de desrespeitar a autonomia escolar, distribuindo material didático que tenta padronizar conteúdos.

De outro lado, parece haver uma completa omissão ou incapacidade em orientar o funcionamento das escolas, como demonstram os episódios em questão.

Por fim, fica a sugestão para que os profissionais da imprensa atentem para a cobertura do “pacote” que o governo estadual deve lançar em resposta ao que vem sendo chamado de “violência” escolar. As ações já anunciadas, como a instalação de câmeras, parecem seguir a tendência de deslocar os conflitos nas escolas do campo educativo para o da segurança pública. Sempre bom lembrar que escolas públicas não são prisões.
o quadro da violência urbana que se entranha cada vez mais nas escolas exige uma reflexão muito, muito especial. ela mxe com toda a estrutura da sociedade. e a pergunta: como fomos parar tão longe da humanização do homem?
Sim, educação deve ser uma questão de estado e a populuação como um todo tem o direito (diria até o dever) de ser o principal agente influenciador das políticas de Estado.

O ex-ministro da Educação rapidamente disparou o seguinte:

"Se o governo federal oferecer vagas na rede de universidades federais para formação de professores, ótimo, mas se for interferir nas políticas estaduais e municipais eu acho um grande erro porque não temos condições no País de ter um sistema centralizado como o atual governo pretende."

Sim as universidades federais estão entre as melhores opções para formação e aperfeiçoamento dos professores das escolas públicas e devem fazê-lo! assim como as universidades estaduais!

"Devem oferecer" é diferente de "SE oferecer ótimo", pois deixa entender que não vai se comprometer caso volte ao ministério!

Nós queremos um compromisso de que o governo federal vai SIM cuidando da melhoria do Ensino Público! Papel de Estado não pode ser tratado na base do "SE oferecer"...

O modelo e a qualidade do ensino superior e suas consequências no ensino público básico, fundamental e médio chegou à situação atual por um plano de negligência friamente calculado e executado desde 1992!
Divino, AnaLú e Rogério, como o tema estava desatvado, preciso me reconectar...
volto aqui com mais tempo.
O texto da AnaLú aí em cima aponta para onde o governo paulista está indo.
tudo muito complicado.
Analu nos traz um recorte da cobertura da imprensa sobre a educação. Ou denuncia-se a lógica do mercado que domina o material didático ou a violência contra professores e alunos e já escrevi um comentário sobre os professores no ensino público que estão deprimindo por falta de salários e de condições de trabalho. Falta planejamento e gestão e consulta pública. Acredito até que como já se comentou todos já têm noção exata do que é preciso fazer para recuperar o ensino público no país. Mas é preciso definir prioridades, assim como: quem está em primeiro lugar para o ensino? A criança e o jovem. E em segundo? O professor, porque sem ele não há quem transmita conhecimento, a não ser que se eleja o computador ou o ensino à distância como formador. E o que é preciso fazer? Garantir recursos orçamentários que sejam destinados a esse fim. Que serão repassados de que maneira? Se o nosso Estado é federativo, repassa-se através de fundos estaduais ou municipais que podem ser governamentais ou públicos. Quais são os critérios? Elegem-se índices que produzem rankings. Lembro-me de uma época em que o Unicef havia eleito um índice, o IPEA outro, o BID outro. Se um achava que tinha que priorizar os municípios de até 20 mil habitantes, o outro achava que tinha que priorizar as regiões metropolitanas. Acabou-se chegando a um índice comum, depois de uma longa discussão: o índice de desenvolvimento humano. E o MEC construiu no primeiro mandato o IDEB, um índice específico para avaliação do ensino básico. O mapeamento das necessidades é feito por avaliações e a aplicação do índice. E, sem dúvida nenhuma, o que é crucial, a definição do que será transmitido e através de que método. Alguns procedimentos já foram adotados, outros estão em andamento. Agora serão discutidos o conteúdo e o método através da Conferência Nacional da Educação, que já se iniciou de forma descentralizada. O que eu não entendo é por que o Grupo Votorantim assumiu em parceria com o MEC a campanha e a operacionalização. Por que um conglomerado empresarial precisar entrar como parceiro? Para que ter mais unidades de gestão, se já há um Ministério, Secretarias Estaduais, Secretarias Municipais e gestores públicos? Como a mídia pode ser mais bem informada sobre a educação no país? Nem a denúncia compulsiva, nem a propaganda. É preciso escutar pensadores, operadores, pais, professores e alunos. A Carta Capita vem fazendo. Há uma boa pesquisa da UNESCO com o INEP. O que falta é priorizar o tema como o mais importante para o país. Para isso é preciso que a criança brasileira seja a prioridade número um no país. Concordo que deva-se construir estradas e ferrovias, explorar o petróleo, preservar o meio ambiente, mas para que e para quem?
Pois é, esta é a questão: para quê? Para quem?

o grupo votorantim? dá para excplicar melhor, Ivanisa?
E a questão do pré-sal. Foi dito em algum momento que os recursos obtidos a partir da exploração do pré-sal seriam destinados prioritariamente à educação.
Luzete,
Essa notícia saiu essa semana, acho que no Jornal O Globo, teria que pesquisar. Mas achei muito estranha.
Sim, a exploração do petróleo nas camadas do pré-sal contribuirá para a elevação de recursos para o desenvolvimento social. Quando?
É esta a notícia, Luzete e amigos,
Que tal debater a iniciativa?

Sala de Imprensa > Releases e Notícias
07/05/2009 - Votorantim mobiliza municípios pela educação
Depois de realizar a fase piloto em três municípios – Itapirapuã Paulista (SP), Nobres (MT) e Arroio Grande (RS) – ao longo de 2008, o projeto Parceria Votorantim pela Educação está chegando a dezenas de cidades brasileiras onde o Grupo atua.

Com o projeto, o Instituto Votorantim envolve diversos públicos de interesse (pais, jovens, poder público, lideranças comunitárias etc.), sensibilizando-os para temas ligados ao ensino no Brasil e convidando-os a acompanhar a gestão da educação em seus municípios.

Com o apoio das empresas do Grupo que operam nessas cidades, essas redes locais terão tarefas específicas. Uma delas é monitorar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) de cada escola e do município. Também vão estimular a participação da comunidade no acompanhamento de planos de melhoria elaborados pelo poder público, como é o caso do Plano de Ações Articuladas do MEC (Ministério da Educação), fortalecendo movimentos da sociedade civil, como o Todos pela Educação.

O projeto Parceria Votorantim pela Educação pretende ainda promover o interesse dos pais pelo acompanhamento da vida escolar dos seus filhos e colocar a educação na pauta da mídia local, além de motivar jovens e famílias a valorizarem os estudos, como meio de conquistar uma vida melhor
Xii! O que você acha disso, Ivanisa? Em princípio sou a favor do envolvimento da comunidade, mas guiada pela Votorantim e por grupos como o Todos pela Educação? Se nao for para fazer pressao sobre os professores para usar cursos apostilados, e coisas assim...
Analu, sou contra. E não estou entendendo o que está acontecendo. Afinal este tópico que a Luzete iniciou é sobre a educação como questão de Estado. Será que o MEC explicaria essa parceria?
Luzete e demais
Acho que teríamos que lançar uma discussão. Qual o papel dos sindicatos e associações docentes na definição da questão? Seria ético um sindicato que deve lutar mais pela qualidade de trabalho de seus membros tentar definir o que esses devem fazer? Qual é o limite entre o corporativismo e o interesse maior do estado? Deixar para essas associações a tarefa de definir as prioridades dos docentes, principalmente no ensino superior, não seria deixar a raposa cuidando do galinheiro?
Ensino, pesquisa e prestação de serviços, qual a prioridade? Para mim é claro, mas escondido atrás de um discurso de não dissociação do ensino a pesquisa o principal está sendo deixado de lado.

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