ESPANHA QUER REDUZIR A CRISE MANDANDO SEUS DESEMPREGADOS PARA O BRASIL

 Com  um desemprego de 22% em seu país (no Brasil o desemprego é de 6.7%), uma dívida  externa de 160% do PIB (a do Brasil é de 14%), e menos de 30 bilhões de dólares  em reservas internacionais (as do Brasil são de 350 bilhões)a imprensa da  Espanha, talvez com o senso de realidade afetado pela crise, está anunciando,  com grande estardalhaço, que hoteleiros cariocas – muitos deles estrangeiros –  estariam dispostos a trazer milhares de espanhóis para o Brasil para  trabalharem, no lugar de brasileiros, como engenheiros, arquitetos, mestres de  obra - nos projetos da Copa e das Olimpíadas - e como camareiros, garçons, chefs de cozinha e gerentes de hotel, em seus hotéis.
A  matéria, reproduzida em dezenas de veículos espanhóis, diz que estaria sendo  negociado um “memorando de entendimento” entre o governo brasileiro e o espanhol  para abrir o mercado de trabalho brasileiro para os espanhóis e cita uma frase  do Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que teria dito para a Diretora Geral de  Cidadania Espanhola no exterior,Pilar Pin, há alguns meses, que “o Brasil  precisa de dois milhões de pessoas altamente qualificadas, e que a Espanha as  têm.” Vejam o link:
Especialmente interessantes são os comentários, entre  eles o de um cidadão espanhol, indignado, que diz que “enquanto eles nos enviam  prostitutas, nós mandamos mão-de-obra altamente qualificada, que maravilha de  intercâmbio...
Com toda a pressão que houver no Brasil por mão-de-obra, como está acontecendo com  os engenheiros, na indústria do petróleo, acho que, antes de trazer  profissionais de fora, é preciso investir na formação de brasileiros, e  contratar quem está desempregado. O Sr. Carlos Lupi, antes de acertar memorandos  de intenções, deve consultar os sindicatos do pessoal de hoteleria no Rio, e  saber do que precisa o SENAC, por exemplo, para acelerar a qualificação de mão  de obra em sua ampla rede.
A  imprensa argentina mostra que o Brasil está se transformando, de novo, em um  país atraente para os emigrantes, e, entre outras coisas, diz, em uma matéria em  La Nacion, que aumentou, em apenas um ano, de 276.703 para 328.856 o número de  portugueses no Brasil:
Ou  seja, um país que tratou como tratou nossos dentistas, que mandou tantos  brasileiros de volta do aeroporto e no qual a mais recente polêmica contra  nossos emigrantes envolve a exibição em um canal estatal, de um desenho animado  no qual uma prostituta caricata é o único personagem que fala com sotaque  “brasileiro”, não pode continuar a ser tratado com toda essa benevolência na  hora de mandar gente para cá:
Da  Espanha, nem é preciso lembrar da crise das expulsões e da forma com que sempre  se reteve ilegalmente e em condições animalescas, centenas e centenas de  brasileiros no aeroporto de Barajas, a pão e água, antes de serem enviados de  volta, e sem sequer poder sair do prédio, algumas vezes algemados, para o  Brasil.
A  emigração pode ser boa - e temos aí acordos com o Mercosul, que é quem nós temos  que priorizar se precisarmos de mão-de-obra - mas os critérios de reciprocidade  e de respeito à soberania e à dignidade de nossos nacionais, quando no exterior  é que devem nortear nossa política de importação de mão de obra estrangeira.
A foto que  ilustra o post é de Patricia Rangel e Pedro Luiz Lima, dois brasileiros  deportados da Espanha em 2008, direto do aeroporto, apesar de estarem com seus  cartões de crédito e a documentação em dia.

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Respostas a este tópico

Em todas as relações internacionais devemos ter uma palavra como chave, reciprocidade.

Outra coisa, será que profissionais espanhóis são os melhores que podemos trazer? Não vejo a Espanha como um país com tradição fabril e tecnológica, talvez seja preferível os Italianos e Portugueses. A Espanha nunca foi conhecida pela tecnologia, foi mais conhecida pelo turismo, já a Itália não (vide indústria automobilística e outras).

Maestri,

Sinto mais uma vez que o Brasil não dispõe de mecanismos de controle dessas correntes migratórias para absorção de mão de obra. Muitas dessas vagas existentes poderiam ser absorvidas por brasileiros, bastando intensificar os programas de treinamento de mão de obra, o que não se verifica na prática, ainda é lento diante das nossas necessidades. Não estou falando de mão de obra super especializada que demanda mais tempo, como na área de engenharia de petróleo e outras. Mesmo assim, o país precisa intensificar a formação de bons técnicos tb nessas áreas, visando a exploração do pré-sal e outras atividades.

 

 

 

A nossa cultura, muito bem descrita em Raízes do Brasil, tem um certo encanto pela novidade e pelo estrangeiro. Nesse aspecto, as questões de reciprocidade acabam sendo colocadas em segundo plano, especialmente quando vivemos internamente um certo entorpecimento, com o desenvolvimento econômico e atratividade para migração, no mesmo momento em que enfrentamos um problema de falta de mão de obra qualificada.

 

Precisamos ampliar a formação técnica e superior nas áreas de Engenharia, Química, Física e Tecnologia da Informação, mas, para isso, temos que superar o gargalo da educação básica.

 

O prazo para isso é curto, pois a exploração pesada do Pré-sal vai exigir mão de obra, que será trazida de fora, caso não seja encontrada por aqui.

Luiz Fernando

 

Trabalho na pesquisa com empresas de petróleo (não só a Petrobras) há mais de dez anos e posso dizer que para o pré-sal não nos serve receber profissionais da Espanha, pois tecnologicamente este país é bem mais atrasado que o Brasil neste ramo. Se fossemos receber profissionais europeus deveríamos receber Ingleses, Italianos e Franceses, pois estes tem a contribuir na exploração do pré-sal, se for para vir da Espanha é muitas vezes melhor ficarmos com os nossos.

 

Mandam seus desempregados para cá, e nós mandamos os lucros das empresas que eles compraram a preço de banana, tudo financiado pelo trabalhador brasileiro, através do BNDES, com recursos do FAT, Fundo de Amparo ao Trabalhador.

E concordo com o Maestri, os profissionais que precisamos não estão na Espanha que não tem uma tecnologia de ponta, basta ver como funcionam mal suas empresas no Brasil, com péssimos serviços, como na telefonia.

 

Fernando,

Concordo com sua análise, entretanto a decisão de importação de mão de obra vem sendo adotada única e exclusivamente pelas empresas, sem nenhuma interferência governamental.

O Brasil precisa intensificar tanto o treinamento, como a formação de mão de obra especializada para atender as necessidades em diversas áreas, sob pena de assistirmos um forte aumento na contratação de mão de obra estrangeira.

Leia a informação abaixo.     

Em meio ao crescimento da economia e à ausência de  mão de obra qualificada o suficiente, 14% dos empregadores brasileiros  têm buscado no exterior profissionais para preencher suas vagas, segundo  pesquisa da consultoria de RH ManpowerGroup, divulgada nesta  quinta-feira.

A maior demanda é por engenheiros, técnicos,  professores e funcionários para cargos de executivo sênior ou gerente. A  maioria desses empregados vem de países como Estados Unidos, Argentina,  Alemanha, Portugal e Espanha.

O levantamento, feito com 400 empresas que atuam no Brasil, entre multinacionais e companhias brasileiras, mostra que quase 20% das empresas pesquisadas já têm entre 1 e 5 funcionários expatriados ocupando cargos gerenciais; 13% delas têm mais de 20 desses funcionários.

Professores? Eis uma surpresa, existem aqui aos montes e baratim, baratim... (Faltam para algumas disciplinas? OK, mas por causa do salário; é só aumentar um pouco que aparecerao aos borbotoes...)

eu tinha te avisado, lembra, AnaLú?

Nao lembro, Hermê. Mas acho difícil que consigam professores mais baratos que os daqui... Acho que há alguma mutreta aí, ou sao professores de assuntos técnicos altamente especializados. O piso estabelecido para um professor 40hs é de pouco mais de 1.100 reais, e 15 estados brasileiros, parece (houve uma matéria sobre isso nos últimos dias no Blog-mae; nao sei o número direito) se recusam a pagar mesmo isso...

Hoje saiu uma notícia informando que o gerente da Chevron, responsável pela perfuração do poço de campos, não possui visto do ministério do trabalho para trabalhar no Brasil.

Pois é Analú, constataste uma contradição. Desconfio que algumas dessas empresas importam mão de obra para sonegarem obrigações trabalhistas. 

 

A coisa se aproxima do insustentável. Antes, as condições de trabalho não estimulavam muito alguém tomar a decisão de fazer um curso de licenciatura. O que acabava pesando na escolha era o fato de que esses cursos são os mais baratos e para quem tinha de trabalhar pesado de dia para pagar a faculdade a noite, ser professor parecia uma opção a se considerar.

 

Agora, com o aumento das possibilidades (integração de vagas federais pelo ENEM e SISU; Prouni), para maioria dos que antes acabavam nos cursos de licenciatura existe a possibilidade de escolher outra área.

 

Ao mesmo tempo, as condições de trabalho e salários dos professores pioram a cada ano, criando um efeito centrífugo: o estudante passa pela escola, percebe como é a situação do professor, decide que não quer isso para si e tem a opção de escolher outra carreira.

 

Assim, nos últimos dois anos, já se tem notícia de cursos de licenciatura que não conseguiram completar turmas e a cada ano a procura por esses cursos é menor.

 

Somando-se a isso o fato de que a maioria dos professores que hoje leciona na rede pública está em fase de contagem de tempo para se aposentar, estamos diante de um cenário de apagão na educação, por falta de professores.

 

Em São Paulo, na rede estadual, neste ano muitas escolas cumpriram o ano letivo sem que os alunos tivessem aulas com professores de Química, Física, Biologia, Matemática e até Português. Professores eventuais de outras áreas (alguns ainda estudantes) assumiram essas aulas.

 

Quando a situação se tornar insustentável, acredito que a única coisa que os governos possam fazer é aumentar salários e melhorar as condições, para ver se consegue atrair interessados.

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