Balanço cai e mata criança no Grande Hotel São Pedro

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O Grande Hotel São Pedro divulgou uma nota em que classificou a tragédia de "fatalidade" e lamentou a morte da menina. O hotel disse que está tomando as medidas necessárias. "Foram adotadas todas as providências cabíveis nesta situação e o caso está sendo apurado."

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Meu comentário:

Fatalidade?

Fatalidade, considero, ser um acontecimento em que não existe uma responsabilidade direta, uma falha ou omissão de alguém. A quebra de um brinquedo pressupõe que alguma coisa deste tipo ocorreu. Falhou a manutenção ou o brinquedo não possuia a certificação adequada quanto à sua segurança. Em um ou outro caso, a constatação seria quase imediata. Ao contrário das longas, demoradas e convenientes "péricias" e "investigações", que devem ser feitas, mas não como recurso para assegurar a impunidade. Digo isto como engenheiro que sou e perito judicial que fui. 

Tivemos, infelizmente, a ocorrência de três episódios recentes deste tipo de tragédia. No Hopi Hari, na Costa do Sauípe e este caso agora. Não foram três "fatalidades". Casos deste tipo poderiam ser PREVENIDOS. Que se assuma a RESPONSABILIDADE, é o mínimo que se espera.  Que apareçam os responsáveis maiores para falar. Não somente a assessoria de imprensa ou  algum subordinado devidamente instruído pelo setor jurídico da empresa envolvida.  Acontecimentos do tipo não podem se repetir pela falta da apuração devida e as medidas adequadas para preveni-los.  A aceitação prévia da responsabilidade pelo acidente é um primeiro passo, necessário e indispensável, como prova de caráter e real pesar pelo acontecido.

Não há outra forma possível de prestar um mínimo de solidariedade a estas pessoas senão a confissão da culpa. A extensão desta última, é o de menos. Falamos de uma situação onde a perda, NUNCA será reposta. Só existe espaço, restrito, para a reparação. 

Não precisamos da perícia para comprovar a culpa. Os fatos em si são claros o suficiente para demonstra-la.  Ela indicará apenas as causas, principalmente para que casos semelhantes não voltem a ocorrer.

Ao contrário do que parece ser o consenso atual, a verdade seria a melhor e mais adequada resposta aos fatos. Pensar apenas juridicamente a responsabilidade e os danos financeiros resultantes da admissão da culpa, equivale a um gesto de total desprezo pela vida. A fatalidade para os pais decorre da irresponsabilidade implícita na resposta ao fato. 

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Integra da notícia no Estado

Balanço cai e mata criança no Grande Hotel São Pedro

 

Menina de 4 anos morava na França com a mãe brasileira e o pai francês e passava férias; viga de sustentação perfurou seu tórax

 

23 de julho de 2012 | 22h 42

Ricardo Brandt, Especial para O Estado de S. Paulo

CAMPINAS - A filha de 4 anos de um casal de professores, que mora na França, morreu na tarde desta segunda-feira, 23, após uma viga de sustentação dos balanços do playground do hotel em que eles estavam cair sobre ela. O acidente ocorreu no Grande Hotel São Pedro, em Águas de São Pedro (SP).

Veja também: 
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Administração classificou tragédia de 'fatalidade' - Divulgação

DivulgaçãoAdministração classificou tragédia de 'fatalidade'

A família veio ao Brasil passar férias na casa dos avós maternos, em São Paulo, e havia entrado no hotel no último domingo, onde passaria a semana.

Por volta das 12h, a menina (que não teve o nome divulgado) brincava no parque do hotel acompanhada por recreacionistas. Ela estava num dos balanços que conta com três cadeiras. A viga superior do brinquedo, que sustentava as cadeiras, caiu atingindo o tórax da menina. Ela balançava em uma das cadeiras.

Policiais militares chegaram a levar a menina para o Pronto-Socorro de Águas de São Pedro, mas ela não resistiu aos ferimentos. Ela foi atingida no peito e teve um dos pulmões perfurados. O médico que prestou os socorros, Rafael Prota, informou que a vítima sofreu um choque hemorrágico.

A mãe da menina é brasileira, Maria Isabel Gomes Pereira, e o pai francês, Jean Jaques Schaller. Ambos são professores na França. Eles estavam hospedados no hotel junto com os avós maternos. A avó da criança declarou aos policiais militares que o peso da menina, aproximadamente 19 quilos, não seria suficiente para derrubar a viga.

A Polícia Militar informou que só a perícia técnica vai poder apontar se houve problemas com o brinquedo, ou qual a causa do acidente.

O Grande Hotel São Pedro divulgou uma nota em que classificou a tragédia de "fatalidade" e lamentou a morte da menina. O hotel disse que está tomando as medidas necessárias. "Foram adotadas todas as providências cabíveis nesta situação e o caso está sendo apurado."

O corpo foi levado para exames no Instituto Médico Legal (IML), em Piracicaba. Hoje ele deve ser velado e enterrado, em São Paulo.

Referência internacional. O Grande Hotel São Pedro, é um hotel de alto padrão, com campo de golfe e um health club, famoso pelas águas medicinais e os banhos sulforosos. Cercado por jardins projetados na década de 40, tem quadras de tênis, ginásio poliesportivo e um bosque de 330 mil metros quadrados para fazer trilhas. No período de alta temporada, como agora em julho, as diárias vão de R$ 795,00 até R$ 3.195,00.

O hotel é internacionalmente conhecido por abrigar a Escola Hotel Senac, que forma chefs de cozinha, além de garçom-barman e porteiro-recepcionista.

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Respostas a este tópico

Dá uma raiva na gente... Vontade de pegar os responsáveis pelo Hotel e fazê-los se balançarem nos brinquedos que oferecem aos outros... 

Analú,

Eu conheço os pais. A mãe dava aulas na USP e se afastou quando mudou para França. 

A raiva é falar em "fatalidade". Jogue fatalidade no Google e busque notícias. Veja quantos casos de irresponsabilidade são classificados como fatalidade... 

Imagino o desespero dos pais, virem com a filha para o país da mae, levá-la a um lugar caro e com várias comodidades, fazerem de tudo para que ela tivesse prazer, e acontece isso. Agora, espero que eles propaguem isso ao máximo, que o Hotel tenha prejuízo com isso, já que é a única linguagem que essa gente entende. 

e de fatalidade em fatalidades.. vamos vivendo ... digo, morrendo...]

Da realmente raiva,

é uma vergonha, assim tb. ocorre com a construção civil.

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