Flávia Cintra. Mulher, esposa, profissional, mãe de gêmeos e cadeirante. A arte imita a vida

Conheça a jornalista que inspira personagem tetraplégica em novela
G1
Conheça a jornalista que inspira personagem tetraplégica em novela
Brasil - A vida da jornalista santista Flávia Cintra, de 36 anos, daria uma novela. Aos 18, sofreu um acidente de carro e chegou a ficar tetraplégica. Passada a revolta inicial, empenhou-se em tratamento que lhe devolveu parte dos movimentos, tornou-se uma das mais importantes ativistas pela inclusão social dos cadeirantes e, contrariando recomendação de médicos, deu à luz um casal de gêmeos.

Pessoa mais ideal, portanto, não poderia haver para “treinar” Alinne Moraes nas suas cenas em “Viver a vida”. Na novela do autor Manoel Carlos, a atriz interpreta Luciana, uma top model que perde todos os movimentos do corpo em um acidente, mas que dará a volta por cima até o final da trama.

“Alinne e eu somos parceiras”, diz Flávia, que desde maio se encontra frequentemente com a atriz para dar conselhos e esclarecer dúvidas sobre a rotina das pessoas com deficiência, além de compartilhar memórias de sua trajetória de superação.

“Assisti a gravações e ela consegue fazer todo mundo chorar nos bastidores: os câmeras, os outros atores... Ninguém escapa!”, revela. “Eu me emociono também, mas nem é pelo fato de ver tanto da minha história na saga da Luciana, mas por ter a oportunidade de acompanhar de perto o desempenho de uma atriz tão brilhante”.

Na última segunda-feira (16), foi ao ar a cena em que a personagem de Alinne se desespera ao descobrir que não poderá mais andar. A sequência mostrou Luciana reagindo com revolta e derrotismo ao diagnóstico da tetraplegia – tal qual Flávia no passado.

“Acredito que essa seja a reação inicial de todos que passaram por um problema como esse. Andam dizendo por aí que minha história inspirou o autor da novela, mas não é verdade”, ressalta. “Sou apenas a consultora da Alinne. Dizer uma coisa dessas é até injustiça com o Maneco”, opina Flávia, fã do autor bem antes de ser convidada pela produção da Rede Globo para orientar a atriz em cena.

“Não somos heróis, nem vítimas”

Flávia adianta que o vale de lágrimas pelo qual passa a personagem de Alinne dará lugar à perserverança nos capítulos de “Viver a vida” que estão por vir.

“Aceitei com muita alegria o convite para contribuir com a novela, que, enfim, mostrará a realidade dos cadeirantes”, comemora. “Nas minhas palestras, sempre falo que a mídia costuma nos retratar de maneira heróica ou como vítimas. Nós não somos nem uma coisa, nem outra: temos nossos altos e baixos.”

Segundo a consultora, vários aspectos da vida das pessoas com deficiência serão explorados na trama - da escolha da cadeira de rodas à redescoberta da sexualidade.

“A Luciana é linda e vai recuperar sua vaidade. Vai querer voltar a usar roupas da moda e verá que certos modelões ficam ótimos no cabide, mas para uma cadeirante fica um desastre”, explica. “E que mulher nunca passou por uma situação dessas?”, indaga Flávia.

A "parceira" de Alinne não sabe dizer se a personagem, assim como ela, conseguirá a maior das vitórias: a maternidade. “Quando engravidei, um médico chegou a sugerir um aborto, porque meu corpo não seria capaz de suportar um parto. Se eu fosse uma pessoa desinformada, talvez tivesse seguido o conselho”, conta.

“Mas sempre acreditei ser capaz de tudo, por mais que existissem dificuldades”, revela a mãe coruja dos gêmeos Mateus e Mariana, de dois anos e meio.



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Dulce, tenho uma grande amiga ,deficiente fisica , já nasceu assim (taladomida) durante a infância e juventude sofreu muitos preconceitos, foi e é uma vencedora: estudou, casou. teve 03 filhos, separou, voltou a casar, separou, namora, trabalha, se diverte, lê , faz tapeçaria ,é brigenta, pinta o sete.... e enfrenta mil preconceitos ainda, mas não desiste, eu até esqueço que ela é deficiente, e às vezes não a ajudo no caminhar, passamos bons momentos juntos e maus também ,é minha melhor amiga, dá de dez a zero em muitas ´´normais´´. Adorei a matéria, só assim eu falava da minha amiga.
Olá Stella Maris, tenho amigas portadoras de necessidades especiais, também, em graus bem variados. E em vários tipos de deficiência. Todas são AUTO-SUFICIENTES, E PROFISSIONAIS.

Sei de situações absurdas, como uma amiga (casada e GRÁVIDA) ser atendida em um hospital e o jovem médico dizer: " quem foi o "canalha" que fez "isso" com você?". Ela respondeu: "o canalha" FOI MEU MARIDO. Riu e me contou que a "canalhice" era o fato dela estar grávida.

Outra amiga teve um aborto expontâneo, e perguntaram a ela se queria dar queixa na polícia, contra o "violador"... ela disse..."MAS NÃO HOUVE VIOLÊNCIA...ÊLE É MEU NAMORADO".

Outra pegou um táxi, com a mãe, e ouviu do motorista de táxi: "eu matava o desgraçado que fizesse "ISSO" com minha filha", ela respondeu..."não mate não que eu não quero ficar VIÚVA", contou-me morrendo de rir.

Mas o que minhas amigas me ensinam de melhor, é que temos que contar COM O QUE "TEMOS"...E NÃO COM O QUE "NÃO TEMOS".

Não existe limitação quando se tem boa cabeça, acesso a educação, e tecnologias. O resto é EXIGIR o cumprimento de leis normativas que garantem a INCLUSÃO.

Tenho uma amiga cega que é o maior barato...frequentavamos barzinhos, festas, e sempre foi muito cortejada. ;) Está casada, no momento. :)

A deficiência existe...mas torna-se MAIOR ao olhos de quem tem preconceito, por tanto ...é mais ou menos assim: "dEficiênte"... com "E" maiúsculo,que deve ser. Uma pessoa EFICIENTE, com limitação ou não.

Um beijo e obrigada pelo seu comentário.

Dulce.
Como está Dulce? Saudações.
O preconceito (negativo) se dá, muitas vezes, pois a pessoa se espelha na situação e a encara como algo onde ela teria dificuldade em lidar. A opinião preconcebida é quase sempre, baseada na experiência de vida e quando nos falta experiência com uma situação, o mais prudente é permanecer calado.
Sucesso e paz
Dulce,

Fico muito satisfeito, mas muito satisfeito mesmo, quando se oportunisam experiências destas pessoas, que apesar dos adendos das dificuldades físicas, encaram de frente as dificuldades do dia a dia e demonstram que o indivíduo é sua própria escola e guia.

Temos aqui em Poconé um charreteiro, que ao invés de ficar reclamando da sorte, cuida da família e já formou duas filhas com seu trabalho. Detalhe não tem as duas pernas.

Falou Dulce, grande abraço.

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