Governo Anastasia “inova”: Coloca alunos de séries diferentes na mesma classe

Os alunos de escolas estaduais mineiras começam a testar uma novidade que gera controvérsia entre pais, autoridades e especialistas: as turmas unificadas. Por meio de um ofício, publicado em janeiro, a Secretaria de Estado de Educação (SEE-MG) ‘orientou’ as escolas a adotarem a estratégia no caso de turmas com poucos alunos matriculados. Na prática, estudantes de séries diferentes dividem a atenção de apenas um professor.

A medida vale para as turmas de 1º ao 9º ano do ensino fundamental. A subsecretária estadual de Desenvolvimento da Educação Básica, Raquel Elizabete Santos, afirma que a mudança é uma tentativa de melhorar o aprendizado. “Já se sabe que estudantes apresentam melhor rendimento quando os trabalhos são realizados em parcerias ou grupos. Por isso, a unificação de turmas é uma maneira de trabalhar melhor os alunos”, afirmou. A subsecretária garante ainda que antes de unificar as turmas, as escolas deverão levar em conta o estágio de aprendizagem dos alunos.

Já a presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Estado de Minas Gerais (Sind-UTE), Beatriz Cerqueira, afirma que a medida vai dificultar a aprendizagem dos alunos e que é apenas uma maneira de o governo reduzir custos. Beatriz promete acionar o Ministério Público Estadual (MPE) para tentar proibir a novidade.

“Imagina seu filho de 6 anos na mesma sala de um de 9 anos. O conteúdo curricular é muito diferente, isso causa uma dificuldade de aprendizagem. E os professores não foram treinados”. A mesma metodologia foi implementada no Estado do Mato Grosso, onde as entidades de classe também recorreram ao MPE.

Especialistas

Para a psicóloga e professora do Centro Universitário UNA Lecy Moreira, da maneira como ele foi implementado, o modelo dificilmente terá bons resultados. Ela afirma que estudantes, principalmente aqueles em processo de alfabetização, precisam de atenção constante dos educadores, o que ficaria mais difícil com a mistura da conteúdos.

A diretora do Centro Pedagógico da UFMG, Tânia Costa, tem a mesma opinião. De acordo com ela, as novas turmas teriam que ser formadas após serem traçados os perfis dos estudantes. “Os alunos precisariam ter níveis de aprendizado próximos. Isso pode ser feito com o objetivo de desenvolver aptidões dos jovens ou então fazer com que um aluno em um nível mais baixo consiga evoluir em contato com outra turma mais à frente”, explicou.

O Estado ainda não tem o número de escolas que aderiram ao projeto.

Legislação

O Ministério da Educação informou que não se manifestaria sobre a orientação da SEE/MG. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, “os Estados têm autonomia para definir sua organização de ensino”.

Fusão

Aulas começam e pais reclamam

Na Escola Estadual Professora Adelina da Conceição Silva, em Bela Vista de Minas, na região Central, a criação de uma turma unificada tem sido motivo de reclamação de pais de alunos. Eles entendem que os filhos serão prejudicados ao assistirem aula com estudantes de uma série mais avançada.

Desde ontem, 11 alunos de 6 anos, do 1º ano do ensino fundamental, juntaram-se a uma turma do 2º ano, com 23 estudantes de 7 anos, e formaram uma sala com 34 crianças. O filho da doméstica Tatiana Cristina Alves, 24, que entrou na escola neste ano, é um dos alunos.

O menino, com 6 anos, terá a companhia de colegas mais velhos na mesma sala de aula. A situação incomoda a mãe dele. “Meu filho está aprendendo a ler e a escrever. Eu acho que ele vai ter mais dificuldade porque vai ter que conviver com muitas informações diferentes. Vai confundir a cabeça dele”, disse Tatiana.

Para a doméstica, como toda criança que está em processo de alfabetização, seu filho precisa de uma atenção mais próxima com a professora. “Com tantos alunos, ela não vai conseguir ajudar a todos”, reclamou.

A diretora da escola Professora Adelina, Conceição Aparecida Silva, disse que a unificação das turmas foi necessária pelo baixo número de inscrição no 1º ano (11 alunos). Apesar de reconhecer que não houve um trabalho nem de adaptação do conteúdo nem da rotina dos professores, ela afirma que não haverá prejuízos aos estudantes. “Somos da rede estadual e temos que seguir a legislação. Estamos nos planejando para atender os alunos da melhor maneira”, disse Conceição. (RR)

Minientrevista com Raquel Santos, subsecretária de desenvolvimento da educação básica

“O professor não precisa de uma capacitação”

Os professores serão capacitados para ministrar as aulas?

Não há necessidade de uma capacitação. Em sua formação, os professores já são habilitados a trabalhar com grupos diferentes. Mas já estamos distribuindo cartilhas com orientações e também realizando oficinas.

Haverá redução da carga horária?

Não há diminuição da carga horária. Nos ciclos iniciais, os alunos terão as quatro horas e dez minutos como previsto em lei. No caso das turmas do ciclo final, os professores vão lecionar todo conteúdo das matérias normalmente.

O que será feito com o excedente de professores?

Eles serão remanejados para outras escolas e também para atuar em tempo integral.(RR)

por Raphael Ramos, Jornal OTEMPO3 de abril de 2012 às 17:58

Extraído do site Vi o mundo, do Azenha - http://www.viomundo.com.br/denuncias/governo-anastasia-inova-coloca...

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Respostas a este tópico

Até há década de sessenta escolas rurais de turma única eram comuns no interior dos estados brasileiros. Era comum por dois motivos, entre deixar a criança no mais perfeito analfabetismo e ensinar o Bê-a-bá, optava-se pela segunda hipótese, entretanto o rendimento escolar de uma criança da época e, principalmente, os padrões de aferição do aprendizado eram totalmente diferentes. Alfabetizado era alguém que escrevia o seu nome, lia frases curtas, sabia as quatro operações e mais alguns parâmetros mínimos. A medida que evoluiu-se nas práticas de ensino esta métrica de definição de alfabetização, assim como as necessidades do mercado de trabalho foram se sofisticando.

Nesta época a própria formação das professoras era deficiente, mais deficiente do que é hoje me dia com todos os problemas que se encontram nos cursos de pedagogia. Por exemplo no tempo do ex-governador Leonel Brizola no Rio Grande do Sul, ao se implementar uma política de construção de escolas por todo o interior do estado, priorizou-se a dar alguma instrução as crianças do que não ter nenhuma, isto implicou o uso das chamadas professoras leigas, professoras com baixo grau de escolaridade que atingiam o mínimo exigido na época, a alfabetização segundo padrões mínimos.

Com esta mudança de paradigma, as turmas únicas mostraram-se ineficientes para acompanhar as exigências, com isto introduziu-se o transporte escolar com a finalidade de nuclear as crianças e permitir a extinção de turmas únicas. Aqui mesmo neste fórum, várias pessoas defenderam as escolas rurais com um mínimo de alunos, mesmo que este mínimo não atingisse o necessário para criar turmas separadas.

Ao meu juízo, este tipo de proposta do governador de Minas é no mínimo um retrocesso, retrocesso com objetivo de diminuir custos com o ensino não de levar educação conforme as novas necessidades. Pode-se dizer, sem meias palavras, que isto é uma ação criminosa e retrógrada, vai se condenar estas crianças ao mesmo nível de conhecimento que se tinha a 50 anos, condenando-as a ficar fora do mercado de trabalho e a possibilidade de evoluir no aprendizado. Culpo também a frouxidão do governo federal que através do Conselho Nacional de Educação deveria cumprir a sua missão institucional, que é:

"O CNE tem por missão a busca democrática de alternativas e mecanismos institucionais que possibilitem, no âmbito de sua esfera de competência, assegurar a participação da sociedade no desenvolvimento, aprimoramento e consolidação da educação nacional de qualidade."

Me parece que o mesmo, mais preocupado com "a busca democrática de alternativas ", abre mão da parte coercitiva da sua segunda função "assegurar a participação da sociedade no desenvolvimento, aprimoramento e consolidação da educação nacional de qualidade", ou seja, fica passivo perante a descaminhos como o do governo de Minas, mais interessado em diminuir custos do que aprimorar a educação. Democracia, não subtende desmandos, democracia não subtende o pouco caso para ações que irão em sentido contrário ao "desenvolvimento, aprimoramento e consolidação da educação nacional de qualidade", democracia subtende isto sim procurar que todos respeitem a qualidade do ensino, nem que para isto tenha-se que tomar atitudes fortes e coercitivas nesta direção. Não adianta o Conselho Nacional de Educação, estabelecer matrizes de conhecimento e não verificar se as políticas dos Estados da Federação vão ou não na direção das mesmas, há realmente um descomprometimento deste Conselho na fiscalização das próprias secretarias de educação, pois como os cargos de Secretários são iminentemente políticos, a política destas ficaram vinculadas a políticas econômicas dos próprios Estados.

Não entendo como nada boa essa medida do Governo de Minas Gerais. Concordo que é até um retrocesso. Em  minha experiencia nas áreas rurais, até como "último recurso" foi um fracasso.

Uma turma ainda no ciclo de alfabetizaçao com 23 alunos já estava muito grande, na alfabetizaçao as turmas devem ser bem pequenas, para a professora poder acompanhar individualmente os alunos; com 34 É UM ABSURDO! E ainda misturando turmas de níveis diferentes... É mesmo para nao gastar dinheiro com a educaçao do povo.

No  tópico  acima em minha resposta coloquei um "não" indevido...

Mas voltando! Como é que uma coisa destas passou? Foi arbitrário? E os professores de lá estão gostando? No texto, uma professora diz que não haverá prejuízos aos estudantes. Claro que haverá!

Quem afirma que nao haverá prejuízos é a diretora da escola; se ela disser o contrário, perde o cargo... 

É verdade. Não foi uma professora que disse...

Esse é o jeito PSDB de governar.

Pois é. 

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