Em seu artigo desta terça-feira, 02/12, J.P. Coutinho, um reacionário assumido, nos deu um exemplo de como a canalhice no meio jornalístico está disseminada. Seu artigo é uma crítica explícita à figura do escritor José Saramago. Até aí, tudo bem, pois para os informados era evidente, por conta da postura dos dois, que Coutinho nunca elogiaria o escritor português. Mas, quase uma semana depois da Folha ter sabatinado o Nobel de LIteratura, sabatina aliás muito disputada pelos assinantes do jornal, Coutinho chama os leitores de Saramago de iletrados. Porém, numa estratégia textual, começa a elogiar algumas obras do escritor e inicia a abordagem sobre o novo livro, A Viagem do Elefante.

Para o meu estarrecimento, Coutinho conta o final do livro quase no final de seu artigo.

Nada me tira da cabeça que a estratégia de jogar um balde de água fria foi proposital. O livro recém lançado certamente estava a ser lido por muitos leitores, o artigo era chamativo e o autor se utilizou disso para ser desleal. Não sei se estou a fazer "tempestade num copo de veneno", mas fiquei muito indignado, pois eu era um desses leitores que estavam ainda no meio do livro.

Não sei também se há uma ética entre colunistas culturais que proiba a revelação de desfechos de obras, sejam elas literárias ou de cinema.

Mas que até agora eu estou com um azedo na boca por conta de me deparar com uma canalhice textual que me faz ter nojo da grande imprensa, cada vez mais.

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Respostas a este tópico

Calma. Aprecide a literatura de Saramago, pois ela é extraordinária mesmo sabendo que o mordomo morre no final.
Saramago é o que é. Creio que daqui uns tempos o próximo Nobel da Língua POrtuguesa a ser achincalhado será o Mia Couto.
Parabéns por ter lido o artigo do Coutinho até o fim. Cheguei ao início do segundo parágrafo, mas não fui adiante, embora deva confessar não ter tentado com afinco: a última página da Ilustrada, mesmo que ainda faltem jaboures e mainardis, se basta!

Quanto ao Saramago, a gente lê, e lê, e lê...
Eu estava até me divertindo, porém não esperava a extrapolação da canalhice.
Disse tudo!

Abraços.
Olá, Reinaldo,

Prazer em conhecê-lo. Como professor, sua porção masoquista deve estar em ponto de bala e dá pra tirar de letra essas colunas, cujo objetivo penso que é apenas isso: irritar mediante narcisismo enturmado. Pra isso nem precisa chegar até a última página "das amenidades". Já começa a partir das manchetes.
Agora, por que a gente vai lá e lê? Tem algo mesmo a ver com sadomasoquismo... ou tara secreta por sentir uma raiva até que saudável? Por exemplo, leio seção policial, mas totalmente contrariado. Já essa turma, incluindo os sabe-tudos semi-editorialistas, leio com certo prazer, mesmo achando que senhores (e senhoras) adultos deveriam ter um mínimo de honestidade. Cartas também, vou direto, cada uma! Parece que tem um padrão.
É opinião minha, e sua também, parece. Mas eles estão lá, e está "tudo dominado". Alguém lá em cima gosta deles, porque no fundo alguém acha legal o que eles escrevem. Tanto que proliferam correntes repassando a última do Jabor e similares. Então, vende.
Merece um estudo em classe, professor.
É a ditadura da mediocridade.
Pode ser,

Ou a ditadura do mercado, ou auto-condescendência nossa, igualzinho a eles: "são idiotas, nós é que sabemos".
Tem um herói por aí falando em humanismo dialógico, ninguém vai dar atenção, mesmo discordando. Nós mesmos, temos urticária ao contraditório.
Aí, eles dominam tudo.
Quando mencionei estudo em classe, era a sério, professor.
Se já ouviu Raul Seixas.

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