Lula e os sindicalistas que ajudaram a criar o PT: Entre a Reforma e a Revolução!!

Vejo, com muita frequência, pessoas que se dizem de Esquerda cobrarem do Presidente Lula uma postura e uma atitude política mais radical e agressiva, como se ele tivesse a obrigação de se transformar numa versão tupiniquim de um Hugo Chávez, de um Che Guevara ou de um Fidel Castro.

Mas, o fato concreto é que o Presidente Lula SEMPRE foi um reformista, bem como a geração de sindicalistas que lutou por melhores salários e por melhores condições de vida e de trabalho no final dos anos 1970, quando a Ditadura Militar se enfraquecia cada vez mais.

A escola de formação política destes sindicalistas, cujo líder mais importante e símbolo máximo é o Presidente Lula, foram as lutas dos trabalhadores que se desenvolveram no país a partir de 1978/1979. E foi com estas lutas que, de forma gradual e progressiva, estes mesmos trabalhadores foram conquistando inúmeros benefícios e passaram a ser respeitados pela sociedade.

Assim, tais sindicalistas se tornaram figuras políticas cada vez mais respeitadas e importantes da sociedade brasileira, tanto que a sua principal liderança, Luiz Inácio Lula da Silva, se elegeu Presidente da República em 2002 e obteve a reeleição em 2006, derrotando os seus adversários (José Serra, em 2002, e Geraldo Alcimin, em 2006) com relativa facilidade, já que Lula alcançou, em ambas as vitórias, cerca de 60,5% dos votos válidos.

Desta maneira, foi através de uma luta política e social travada dentro das regras legais e constitucionais que essa geração de sindicalistas chegou ao poder. Eles não precisaram, e nem queriam fazê-lo, promover uma Revolução para chegar à Presidência da República.

Portanto, não é de se estranhar que tal geração de líderes sindicais valorizem tanto a prática política e procurem promover reformas graduais na sociedade brasileira, de forma pacífica, respeitando as regras da disputa democrática e procurando dialogar com os legítimos representantes dos mais variados e complexos interesses que existem na atual sociedade brasileira.

Na história, quantos sindicalistas se transformaram em revolucionários? Não conheço nenhum, pelo menos entre os mais importantes. Lênin, Trotsky, Stalin, Mao, Fidel, entre inúmeros outros, não tinham, nenhum deles, origem no movimento sindical.

O historiador Daniel Aarão Reis Filho diz, claramente, no texto que escreveu para o livro ‘História do Marxismo no Brasil – Volume 6’ que nenhum dos sindicalistas da geração que tem em Lula o seu símbolo máximo tinha uma formação marxista ou revolucionária. Eles eram reformistas. Revolucionários, jamais!

Mesmo no Brasil, aqueles que se dizem ‘revolucionários’ são, na sua imensa maioria, originários da pequena-burguesia intelectualizada e radicalizada politicamente. Exemplos históricos que comprovam isso não faltam: A ANL (Aliança Nacional Libertadora), nos anos 1930, e que era liderada pelo ‘Cavaleiro da Esperança’, Luiz Carlos Prestes, era composta, basicamente, por membros das classes médias urbanas. A imensa maioria dos integrantes dos grupos que promoveram a luta armada contra a Ditadura Militar eram, também, originários das classes médias. Sindicalistas, em ambos os casos, tínhamos pouquíssimos.

Assim, entendo que todos aqueles que exigem de Lula e da geração de sindicalistas das quais ele, Lula, é a principal liderança e o seu principal símbolo, uma postura e uma política de natureza revolucionárias estão, na verdade, cometendo um grande equívoco.

Tais pessoas estão querendo que líderes políticos e sociais reformistas façam uma Revolução, o que é um completo absurdo. Os que fazem uma Revolução são, de fato, os revolucionários e não os reformistas. Isso é mais do que óbvio, mas parece que muitas pessoas, simplesmente, se esqueceram disso.

Reformistas fazem reformas, graduais e progressivas, que vão melhorando as condições de vida dos trabalhadores e dos mais pobres. Se isso irá desembocar na construção de uma sociedade Socialista, isso ninguém pode prever. Não esperem que Lula faça uma Revolução, pois o Presidente Lula e os líderes sindicais, que foram fundamentais para a criação do PT e da CUT, NUNCA foram revolucionários.

Logo, a cobrança para que se faça uma Revolução no país deve ser cobrada daqueles que se dizem revolucionários e não daqueles que, como o Presidente Lula, acreditam que a melhor maneira de melhorar as condições de vida dos trabalhadores e dos mais pobres é através de reformas graduais e progressivas da sociedade brasileira.

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Eita que o marquinho brigava com o lado de lá, agora quer brigar com o lado de cá!
Reforma ou rRevolução. Este é o título de um livro famoso de uma mulher igualmente famosa e bonita, né Marcos?
mas Marcos, a análise é mesmo por aí? sei lá... tô só perguntando...
Realmente, luzete, esta é uma discussão bastante antiga, já, não é mesmo?

Mas, estou convicto de que Lula e os sindicalistas que criaram o PT NUNCA foram, de fato, revolucionários. Eles são reformistas. Nesta semana mesmo eu li uma declaração do Lula onde ele falava exatamente isso, ou seja, que os mais pobres, em seu governo, estavam subindo de andar, devagar, mas que estavam subindo, ou seja, melhorando gradualmente as suas condições de vida.

Se isso irá resultar ou não na construção de uma sociedade Socialista isso já é uma outra história.

Mas, veja que, na atual América Latina, o caminho preconizado por Lula é cada vez mais seguido e adotado por líderes como o do recentemente eleito Presidente de El Salvador, Mauricio Funes, da FMLN, e pelo candidato à Presidente do Uruguai, José Mujica, da Frente Ampla. Mujica chegou a declarar que Lula deveria ser clonado e espalhado por toda a América Latina.

Assim, cada vez mais, o caminho escolhido pelo governo Lula, de promover reformas graduais e sucessivas, está sendo considerado como o mais correto para se construir nações mais justas e democráticas.
sei disto, Marcos... foi só para te provocar um cadinho e chamar mais gente prá briga...
gosto prá caramba das coisas que vc escreve, e vc sabe disto, não é?
luzete, valeu pelos elogios... eu também gosto muito quando você participa dos tópicos que eu abro... você sempre contribui muito para enriquecer as discussões. E quando você não aparece, eu sempre me pergunto: ué, cadê a luzete?
Marcos,

Dá até para concordar com quase tudo...
Só tira Marx dessa conversa que ele não disse em momento algum que os zé ninguém da vida alcançariam o poder através de um líder carismático...
Nem aqui, nem na China... nem na Rússia tb...
É que parte da esquerda nacional é meio preguiçosa e quer fazer com que Lula faça por ela o que ela não tem condições de fazer...
E nem sabe defender aquilo que conquistou, porque muito do que foi conquistado se deve a ela...
Uma questão de assumir para si a desvalorização que é feita pelos outros...
Mas a gente chega lá... sem medo da palavra Revolução, que também foi bastante estigmatizada pela mesma classe que fez as Revoluções Burguesas, pacíficas ou não, quando lhes interessava...

Em tempo: o PT não foi criado apenas por sindicalistas... e muitos do que vc chama de revolucionários estiveram (e estão) também no PT... e na CUT...
1) Só tira Marx dessa conversa que ele não disse em momento algum que os zé ninguém da vida alcançariam o poder através de um líder carismático...

R - Aonde foi que eu escrevi isso, Luiza?

2) Sim, tivemos a participação de outros grupos políticos e sociais que ajudaram a criar e a construir o PT e que tiveram um papel muito importante nisto, como foi o caso dos trotskistas, dos membros das CEBs, seguidores da 'Teologia da Libertação', de ex-integrantes de grupos que participaram da luta armada, etc.

Mas, ao que me consta, a iniciativa de criar o PT foi dos sindicalistas da geração de Lula, sim. E quantos deles eram revolucionários? Pelo que sei, nenhum.

Havia propostas de criação de um partido de Esquerda no Brasil antes que os 'sindicalistas da geração Lula' apresentassem o seu projeto neste sentido, como o dos membros da revista 'Debate', publicada por exilados políticos na época da Ditadura Militar, por exemplo, que defendiam a unificação dos Comunistas num único partido político.

Mas, estes eram projetos radicalmente diferentes daquele que resultou na construção do PT.

O PT, desde o início, se definiu como um partido de massas, caminhando numa direção muito diferente daqueles que queriam que ele se transformasse num partido revolucionário ou comandado por uma 'vanguarda iluminada' pelos espíritos de Marx, Engels e cia.

Não penso que os sindicalistas que apresentaram essa proposta de criação do PT desejassem fazer uma Revolução Socialista no país. Eles eram reformistas, mesmo. E foi através do 'reformismo' deles que o PT chegou à Presidência da República.
1) "E nem sabe defender aquilo que conquistou, porque muito do que foi conquistado se deve a ela..."

R - Creio que, neste trecho, você queria dizer algo como "E nem sabe defender aquilo que conquistou, porque muito do que foi conquistado não se deve a ela...".

Posso estar enganado, mas acredito que você esteja se referindo à grande parte da legislação social, trabalhista e previdenciária do país e que foi resultado das lutas dos trabalhadores da época da chamada 'República Velha' e que, durante muito tempo, foram lideradas pelos anarquistas e não pelos socialistas ou comunistas. E tal legislação também foi obra das políticas getulistas, de conceder direitos aos trabalhadores, mas de tentar impor um determinado controle sobre os sindicatos e as lutas dos trabalhadores, estabelecendo limites à atuação dos mesmos.

Eu também penso que já passou da hora da Esquerda brasileira reconhecer que as lutas dos trabalhadores que não se deram sob a sua liderança também foram importantes para a obtenção de direitos importantes para as classes trabalhadores, bem como para a construção de uma nação mais justa e democrática.
Mas a gente chega lá... sem medo da palavra Revolução, que também foi bastante estigmatizada pela mesma classe que fez as Revoluções Burguesas, pacíficas ou não, quando lhes interessava...


R - Luiza, de 'pacíficas' as Revolução Burguesas não tiveram absolutamente nada. A Revolução Francesa e sua guilhotina que o digam...Sem falar da Revolução Inglesa do século XVII, que terminou com o rei inglês sendo decapitado em 1649.
Ué, Marcos, a Revolução Burguesa no Brasil foi violenta?
Não foi não, foi passiva... como de resto tem sido o nosso tradicional espírito...
1) "Ué, Marcos, a Revolução Burguesa no Brasil foi violenta?"


R - Passiva? o que a Burguesia brasileira mais fez foi usar da violência contra as massas populares ao longo da história, justamente para impor o seu projeto político à toda a sociedade. Os exemplos são inúmeros: a repressão contra todos os movimentos sociais, contra as revoltas populares e contra os trabalhadores, confirmam isso.

De passiva, a Burguesia brasileira não tem absolutamente nada, Luiza.
Marcos, aqui temos discordâncias importantes. e acho que a luiza aponta da exata direção.

E vou citar, "de cabeça", uma das passagens mais brilhantes de Florestan Fernandes, no seu livro a Revolução Burguesa no Brasil. Lá ele diz que a revolução no Brasilfoi tão conservadora, mas tão conservadora, que a gente mal viu.

Diz ele que de tão conservadora ela até se esqueceu de fazer a reforma agrária,pedra de toque fundamental das revoluções propriamente burguesas.

E ele diz mais. Diz que foi este fato, isto é, o fato de ser uma "revolução meia -boca " (aqui sou eu falando, viu) que o partido comunista no Brasil se aliou com a burguesia (lembra getúlio vargas?) para fazer algo que ela já tinha feito, igual a cara dela, a cara de uma burguesia burra, medíocre e gananciosa a não mais poder...

por aí... e isto não muda nada do que vc falou, certo?
Marcos,

Vc está confundindo as coisas... a burguesia sempre vai ser violenta contra os trabalhadores, aqui e em qualquer lugar...

Falávamos de Revolução Burguesa... que no Brasil não foi violenta...

Cê comeu alguma coisa que te fez mal é?

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