Lembro bem da sensação de felicidade que experimentei em 2002... Lula lá!... Finalmente.
As expectativas eram muitas. A decepção com o primeiro governo "de esquerda" no Brasil, o deplorável FHC, era total. A sensação generalizada era de mais miséria, mais desemprego, a classe média arrochada, a economia um caos... Talvez o pior presidente do país, levando-se em consideração o apoio que teve, a popularidade inicial nas alturas. Foi fraco! Foi covarde! Foi vaidoso! Só deixou saudades numa minoria preconceituosa, que não aceitava o operário-analfabeto-nordestino como o novo presidente.

Massacrado pela mídia, pela oposição, com um ódio repleto de preconceitos e desprezo a um político, sem precedentes, Lula logo se viu no olho de vários furacões. Parecia fadado a um fracasso retumbante, à desmoralização total, à morte política. "Deixem o porco sangrar até as eleições" - teria dito um despeitado ex-presidente, feliz com a desgraça de seu sucessor.

E apesar das lambanças de seus ministros principais e outros petistas ilustres, Lula fez muita coisa, na minha opinião. Manteve um sangue-frio, uma postura democrática, conciliadora, nos piores momentos. Concordo com quem diz que se há o tal do "animal político", Lula se insere nesse contexto. E aplaudo sim, o operário-nordestino, sem cultura sim, mas com uma intuição política que para mim é simplesmente imbatível. Não vejo no Brasil ninguém como ele.

Ah!... - dirão muitos... - "mas ele usou esse talento natural primeiramente para não cair, em defesa própria, não do país!..."
E daí? E daí?!? Hipocrisia! Que político não coloca sua sobrevivência nessa selva que eles fazem parte, em primeiro lugar? A questão, é que Lula conseguiu governar o país, manter um programa mínimo pelo qual lutou sim, com unhas e dentes, melhorou a gestão pública, "achou" a Dilma e deu a ela praticamente carta branca, e o fato é que a mulherzinha é danada de boa nessa coisa de fazer a administração pública andar.
E fez o PAC, o bolsa-família, o pró-une, na minha opinião suas três maiores obras. Tudo isso, debaixo da chuva de esgoto que a mídia lhe jogava todos os dias sobre a cabeça. Veja, Globo, Estadão, Folha, todos o tratando com um desrespeito que nunca assistimos contra um presidente do Brasil, antes.

Lula manteve os juros altos? Manteve. Deu lucro bilionários aos bancos e especuladores? Sim. E creio que errou em ambas as decisões. Às vezes se aliou a bandidos, a canalhas? Sim! Mas não creio que tivesse outra saída política, após o evento mensalão... E tinha que garantir a governabilidade em seu segundo mandato, o primeiro tinha acabado de forma lamentável, o cheiro do "mensalão" ainda no ar...

Porque todo esse discurso? Apenas para dizer que discordo radicalmente dos que chamam Lula de farsante! Porque seu governo não foi "de esquerda". Sim, concordo com essa parte. Mas ele foi mais governo do que FHC, fez mais pelo país do que seu antecessor, liberou a Polícia Federal para investigar poderosos e ricos, gente que nunca havia tido uma batida policial em sua casa... Segundo o jornalista Bob Fernandes, ele garantiu a operação Satiagraha. E só isso, já é muito para o combate às várias máfias brasileiras, a do DD, talvez a pior delas...

Não sou petista, aliás, tenho um certo enjôo contra o pt e contra os petistas... - me perdoem, mas é verdade... - mas votei em Lula em 2002 (segundo turno, sempre que Ciro Gomes for candidato meu voto é dele) e 2006, e não me arrependo disso.
Lula errou a mão em alguns setores, como câmbio e juros. Mas criou empregos, lutou para o desenvolvimento do país, nos representou lá fora com dignidade, melhorou a imagem do Brasil, estimulou a luta contra a miséria e o preconceito. Está longe de ser um farsante.

Foi fraco às vezes? Sim. Mas não o vejo como covarde, mas excessivamente conciliador, pouco disposto a rixas, como eu mesmo defendi que mantivesse com o insano do Gilmar Mendes, quando "o chamou às falas". Hoje creio que trata-se mais dessa intuição do "animal-político" Lula, talvez ciente de que tudo o que essa oposição odiosa, e essa mídia de esgoto desejavam, era uma "briga-de-rua" entre o presidente e um obscuro sem futuro algum, como esse abjeto presidente do STF.

Escrevi isso algumas vezes, no Blog do Nassif. Talvez o que muitos de nós que "nos decepcionamos com ele" não aceitamos, é que LULA FEZ O MÁXIMO QUE PODIA, NAS CIRCUNSTÂNCIAS POLÍTICAS QUE ENVOLVERAM SEU GOVERNO, E DENTRO DE SUAS CARACTERÍSTICAS E LIMITES PESSOAIS. E se foi isso mesmo, podemos ser tão críticos, tão exigentes?

Será que Lula não foi apenas, humano...?-

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Respostas a este tópico

Confesso que desconheço essa experiência, só ouvi falar "por alto", mas fico feliz que haja cidades em que tenha dado certo... Abço.
Uma das novidades em relação ao OP é que sua difusão está ultrapassando fronteiras. Já existem cidades aplicando o OP em vários países da América Latina, mas também da Europa, Ásia, e se não estiver enganado, também da África.
A importância está MENOS no nome, e mais na apropriação da noção do Estado enquanto propriedade (sic) da soberania popular: isto é a democracia. Evidentemente, são passos, trata-se de um processo pedagógico, mas em andamento. Na complexidade da nossa sociedade, não é possível romper todo alheiamento. Mas, o OP contribui em muito para torná-lo muito menor.

Abraços!
Oi, Tadeu
É apenas uma sigla, Tadeu, de orçamento participativo.
Um abraço
Anarquista Lúcida
Meu caro Eduardo Ramos,deixe-me acescentar que aquele Lula,do tempo do sindicato,das greves,do enfrentamento á classe política herdeira da ditadura,teve que mudar,pois uma coisa é ser "atirador de pedras nas vidraças"e outra bem diferente,é ser eleito,para governar um país de tantas desigualdades sociais,como aconteceu com o nosso Presidente. Como chefe de Estado,virou "vidraça"e mesmo contrariando a alguns dogmas do partido,do qual jamais afastou-se,ele implementou a maior revolução social que este país sofreu,tirando da miséria,2/3 dos até então excluídos do processo;Gerou quase 8 milhões de empregos formais; Promoveu a cidadania aos aposentados e pensionistas; Atualisou o valor real do salário-mínimo; Sua política economica aumentou o poder de compra do assalariado,com o aumento real dos salários; Foram estas e outras ações pouco divulgadas pela imprensa,que deram-lhe o maior índice de popularidade e reconhecimento administrativo em toda a história republicana. Ninguem que consiga tal feito,poderá ser considerado incompetente,insignificante,inoperante ou descompromissado,e apenas humano,pois esta é uma das suas qualidades,um ser humano que jamais esqueceu-se dos compromissos com os mais carentes e de sua base.
Pela enésima vez... - rs - e mantendo o bom humor, meu caro Raí... Por achar que Lula fez muito nesses seis anos, e deixo isso claro, o post defende a idéia de que, em relação a algumas premissas, o que ele fez é humano, inclusive em relação a seus limites. Eu não afirmei nem direta ou sutilmente, que Lula seja incompetente, insignificante, inoperante ou decompromissado, ou "APENAS" humano. O apenas, cabe à ira dos lulistas mais fanáticos ou àqueles que não conseguiram interpretar corretamente o texto. Vou exemplificar o que quis dizer: muitos petistas, no blog do Nassif, argumentaram que "Lula se uniu à escória quando precisou, para salvar seu mandato". E disseram-se decepcionados. Esse é um dos tópicos, em que vejo o Lula humano, mas não "apénas humano", como vc afirma. Humano, porque se eu tivesse a história de vida dele, e recebesse o massacre que ele recebeu, e eu tivesse que eventualmente me unir aos Barbalhos da vida, para impedir o crescimento covarde de um pedido de impeachment, como o DEM e o PSDB chegaram a insinuar, eu faria o mesmo, talvez muito pior... Quando petistas chamaram Lula de "farsante" e "covarde" no blog do Nassif, "nunca mais voto nele" - quando parecia que Lula estava se vendendo ao esgoto e ia melar a Satiagraha, não eram psdebistas se manifestando. Eram pessoas que estavam revoltadas por esses motivos, e porque o Lula não teria feito tudo o que prometeu. É para esses, o lembrete, de que ser humano é também ter limites, é também fazer apenas o máximo que você puder - tanto no post, quanto em inúmeros comentários no blog eu deixo isso claro, que acredito que Lula fez o melhor que podia, nas circunstâncias e com seus limites pessoais. Nada do que você escreveu, sobre o que o Lula fez, é novidade para mim, e não nego qualquer uma delas. Acorda! O post diz apenas: "vocês que se decepcionaram, que chamaram Lula de farsante ou covarde, em alguns episódios, em vez de fazê-lo, deveriam ter compreendido os limites políticos e HUMANOS DO LULA!
Apenas isso.
Obrigado pela forma civilizada e educada que você tem de discordar.
Abço.
Arkx, acho que você vai gostar desse comentário, que está em um dos tópicos do Blog do Mello:
"Enquanto a GLOBO pauta nossa vida com esse tal de César “Tralha”, esconde que a equipe de Barack Obama está usando a internet para manter vivo e ativo o movimento por mudanças que o levou a presidente.
Mas tal como no começo da campanha pelas primárias, a mídia americana e sua correspondente brasileira, finge que não sabe do que está acontecendo nesse momento nos Estados Unidos e de como a informática está sendo fundamental para isso.
Os donos dos jornais decidiram esconder, de qualquer maneira, um fato importantíssimo que está acontecendo depois das eleições.
Já são mais de 2000 reuniões ocorridas nos municípios onde o movimento que elegeu Barack Obama está organizado.Escolas, casas de vizinhos, clubes, foram os locais mais utilizados. Pessoas de todas as condições sociais, origens étnicas e profissões estiveram se reunindo durante esses dois primeiros meses depois da eleição, com um só objetivo: discutir as formas de ajudar Obama a manter atuante o movimento por mudanças que o levou à presidência.
As imagens desses milhares de pessoas reunidas, discutindo o futuro do seu país com seus vizinhos, parentes, colegas de trabalho são emocionantes e qualquer um pode vê-las nesse site:
http://my.barackobama.com/page/content/saying
Apenas para dar uma idéia da mobilização ainda silenciosa devido ao bloqueio da mídia, foram 302 reuniões só na Flórida, 165 na Pensilvânia e 160 em Ohio. Os militantes pró-Obama são ajudados por um programa de computador feito para organizar pessoas e grupos, através do qual os apoiadores do presidente durante a campanha, que cadastraram-se via internet, podem saber qual é o grupo mais próximo, a data da próxima reunião, o nome de quem é o responsável naquela área pelo grupo, os temas discutidos, etc.
David Pouffle, o organizador da campanha vitoriosa, está à frente do movimento.
Nos rostos das pessoas reunidas, nos seus depoimentos nos vídeos, dá para perceber a mesma chama de esperança e de fé no futuro, que qualquer um que tenha participado do processo que levou à fundação do PT e das quatro campanhas de Lula Presidente.
A mesma chama que ainda se sente hoje em vários momentos de nossa vida no dia a dia de um Brasil que cresce, mas que infelizmente, por incompetência ou falta de interesse , não está sendo canalizada nem organizada pela estrutura meramente burocrática em que se tem transformado o PT.
Porque as nossas lideranças não copiam a organização de Barack Obama? Do que terão medo nossos dirigentes? Não interessa a ninguém um PT forte e organizado nas vizinhanças, nos bairros, nas escolas? A quem interessa a desorganização do PT? QUem disse que o movimento dos núcleos “é inviável” , como se apregoa?
Qual é o problema?
Se temos um excelente presidente ,um excelente governo, porque não podemos ter um excelente Partido? Porque não podemos ter uma excelente Frente de Partidos?
Onde está nossa chama de organizadores, de entusiastas, de criativos e dedicados militantes?
Porque deixamos a imprensa brasileira transformar a palavra “militante” num sinônimo de “meliante”, como antes nos chamavam de “subversivos”, “terroristas”, “comunistas”, apenas porque lutávamos por um país sem as enormes injustiças sociais que hoje são tão difíceis de superar, graças aos sucessivos desgovernos que essa mídia ajudou a implantar e sustentar?
Porque não usamos a informática, a tecnologia da informação para organizar o povo e suas lutas, sua conscientização e sua mobilização? Porque estar no governo é incompatível com ser despojado, ser íntegro, pensar na organização e na emancipação das pessoas?
Porque o partido deve ser um problema, um saco de gatos a ser acalmado,mimado e acomodado?E não um instrumento diário de fazer as mudanças na sociedade acontecerem pela base?
Sugiro que acompanhemos de perto o movimento pelas mudanças de Obama.
Só o fato da mídia fazer tanta questão de ignorá-lo e não divulgá-lo, para mim, já é bom sinal.
Se como diz Lula, a mídia hoje só fala em crise, vamos conhecer mais sobre aquilo que ela quer nos esconder: o movimento dos americanos que votaram em Obama para reconstruir seu país, arrasado pelo desgoverno Bush e pela mídia que ajudou a elegê-lo, reelegê-lo e mantê-lo no poder.
Vejam o site. Vocês vão ter saudades do nosso velho trabalho de núcleos...
Um abraço,
Um Velho Militante!
Sem querer desmerecer as críticas do Eduardo Ramos,às falhas humanas,que ele considera normais do Presidente Lula,acho que nos estamos dando espaço demais a quem só desejou(e conseguiu)polemizar com um assunto que toca demais a pessoas como este leitor,que conheceu o Lula,quando ele era apenas, um mero diretor de um até então inespressivo sindicato de uma categoria despolitizada e carente de líderes,e que conforme relata,com todo o poder de conhecimento e vivencia a Suely Pinheiro,que tambem conheceu o futuro líder sindical,n sua formação política,e que soubemos das posibilidades de ver seus sonhos tornarem-se verdades.
O Brasil mudou,a situação política avançou,a direita tentou impedir a vertiginosa subida da popularidade entre os trabalhadores,da capacidade de organização de massas daquele sindicalista,e como não obtiveram sucesso nesta perseguição,agora citicam eventuais acôrdos políticos (necessários,pois não sr.Eduardo?)de quem não mais preside apenas uma categoria,e sim a todos os brasileiros. Agora como nem Jesus Cristo,conseguiu agradar a todos,paciencia com pessoas como o nosso caro companheiro de comunidade !
Anarquista Lúcida,

Você foi militante filiada ao PT em sua origem?
Oi, Edmar

Olha, em princípio nao respondo a questoes desse tipo, porque tem gente nessa Comunidade que se arroga o direito de julgar quem tem ou nao direito de opinar sobre política com base no "pedigree". Mas como você sempre foi muito civilizado comigo, e nunca te vi ser incivilizado com outros, vou te responder: sim e nao. Sim porque colhi muita assinatura por ocasiao da fundação do PT, fui filiada de primeira hora. Mas nao porque nunca participei da militância nos núcleos, àquela altura já nao tinha mais saco para militar.

Até 2003, sempre votei incondicionalmente no PT, até naquele candidato a prefeito de quem já nao lembro nem o nome, e que teve só 0,6% dos votos. Em 2003, jurei que nao votaria nunca mais (mas nao por causa do mensalão, e sim pela Reforma da Previdência). Mas, como diz a música popular, "Ai meu Deu do Céu,/ pra que que eu jurei,/ todo mundo sabe,/ quebrei mnha jura, eu quebrei". Nao só votei em Lula de novo, claro, nao havia opção (como infelizmente ainda nao há), como votei de novo em candidatos do PT para deputado federal e estadual, nao achei outros nomes em que pudesse confiar.

Hoje sou oficialmente filiada ao PSOL, mas só porque achei que era necessária uma oposição à esquerda ao Lula; mas o partido tem sido uma decepção só, nao me sinto filiada realmente a ele. No fundo no fundo, acho que ainda sou mais PT do que qualquer outra coisa, embora tb nao me sinta mais PT. Adoraria ver o PT se reerguer, voltar a ser o partido que ele já foi. Mas confesso que nao tenho muita esperança nisso.
Anarquista, querida, é sempre bom te ouvir por aqui... Como concordo com vc, sobre o desejo de ver o PT virar PT de novo... Mas também não tenho esperanças qto a isso. O stalinismo do Zé Dirceu e outros, contaminou de vez o partido, é o que penso... Pragmatismo é necessário, mas quando vira escravidão, e perde-se a visão original... já era!!!
No PSOL não consigo acreditar, pelo radicalismo ideológico, fora da realidade atual. Eu não vejo outra opção, a não ser votar em homens, e não em partidos - embora simpatize com o PV e o PSB, mas nunca os pesquisei a fundo, tipo programas, nomes de quem está a frente, essas coisas. Enfim, tudo leva a crer que em 2010 será Dilma contra Serra, vou de Dilma, porque o PSDB me é intragável. Mas, sempre, onde Ciro estiver, meu voto é dele.

Bjos!!!
Eduardo
Pois é, Eduardo. Durante anos recriminei quem votava em pessoas, e nao em partidos. E agora chego à conclusao de que, ao menos até termos de novo um partido confiável, estamos condenados a votar em pessoas, e nem ao menos em pessoas que achemos realmente boas, mas apenas em pessoas menos más...
Um abração para você (tb é bom te ver de novo; você nao participa quase mais da Comunidade...)
AnaLú
Desculpe a pergunta. E muito obrigado pela deferência.

Tive sempre, desde o princípio, uma opção pelo PT menos metafísica quanto à sua possibilidade de atender aos meus anseios e ideais. Talvez um certo "pragmatismo" ou "redução" do "sonho"... Mas, não do meu sonho ou minha utopia, e sim sobre o quanto esperar que o PT pudesse dar conta deles.

Em decorrência, o PT nunca me agradou. Por isso, internamente sempre estive em campo de oposição, mas veja bem, não sou trotskista, nunca fui, nunca serei. Nunca me afiliei a corrente interna, nunca exerci funções de liderança e comando. Até porque eu via que uma corrente como aquela de que havia participado o Palocci, por exemplo, podia se subdividir tantas vezes e migrar seu discurso tão acentuamente que acabava se compondo com seu oposto: não esperava que onde chegaram, não, obviamente!

Sempre redigi, participei de grupos responsáveis por redigir teses para o debate local e estadual. Dei minhas contribuições e apoiei setores, mas eu mesmo, nunca me elegi como dirigente de primeiro nível em instância alguma. NO máximo, durante alguns anos, fui do diretório municipal, mas não de sua executiva.

Com a crise de reforma da previdência, entendi que a agenda do governo seria muito mais retrógrada do que eu esperava. Meu anseio era muito mais que a mobilização em torno do Fome Zero pudesse tornar-se empolgante, mas seu aprisionamento nos grotões, na primeira fase, já me revelava que não seria. Mas, ainda assim, não via nas opções dos outros partidos da esquerda e, nem depois, no PSOL, espaço político para se firmar como força social de mudança.

Minhas leituras poucas haviam me feito crer, o que perdura, que os partidos políticos não podem constituir-se idealisticamente. Não está no campo das idéias o espaço para a respiração e o vigor a um novo partido político. Neste sentido, não via espaço para a ruptura com o PT.

Foi o que aleguei ao Plínio de Arruda e seu filho, por exemplo, em debates que ajudei a promover em Ribeirão Preto, expondo os motivos pelos quais acreditava que não se deveria sair do PT para o PSOL. Infelizmente, a leitura deles não foi esta, e perdemos um grupo invejável e íntegro de participantes em São Paulo. Com a crise de 2005, creio que houve um processo que, parcialmente, impediu a linha de deterioração interna que se vinha seguindo. Nada ideal, mas melhor, palatável, compreensível.

Minha impressão é de que um governo constituído a partir da vitória da Dilma, depois das melhorias no campo econômico e social produzidas pelo governo Lula, poderão implicar em fortalecimento interno ao partido de um segmento muito mais sensível aos ideais originais e um fortalecimento no país de um campo de maior vibração com mudanças democratizantes e vitalizadoras dos processos de cidadania.

Acho que temos que dar toda atenção à Economia Solidária, ao Territórios da Cidadania, às Conferências Nacionais e ao Orçamento Participativo. Atenção e força. No campo do conhecimento, ao Software Livre.

Finalmente, pensando nos jogos políticos internos ao partido e suas consequências na política nacional, partindo da posição dos atores diversos, julgo valioso que sejam vitoriosos na disputa interna ao PT e eleitoral o Fernando Haddad, para o governo paulista, o Walter Pinheiro, na Bahia, além do Jacques Wagner, o Patrus em Minas, e o Tarso no RS.

Mas, isto já são conjecturas.

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