“Lulinha Paz e Amor” já era. Começou a luta pra valer

O texto abaixo foi publicado pelo deputado federal Brizola Neto em seu blog. Gostei tanto que resolvi postá-lo aqui:

“Lulinha Paz e Amor” já era. Começou a luta pra valer

por Brizola Neto*, em seu blog

A causa da direita é ruim, é muito ruim. Não lhe é possível dizer o que pensa, claramente. Imaginem um discurso eleitoral de seus candidatos dizendo: “queremos que o Brasil continue a ser injusto, queremos uma elite privilegiada e massas excluídas, adoramos ser os feitores de uma colônia com um núcleo moderníssimo e com uma periferia medieval, selvagem, desumana (desde que não entrem nas nossas áreas, claro), onde se mata e se morre como numa selva?

Impossível, não é? Por isso, o discurso da direita, quase sempre, tem dois temas: competência e terror.

De um lado, são os sábios, os eruditos, os capazes, os preparados. Sabem tudo, embora um rápido olhar já dê para perceber que sua sabedoria nada mais é que aplicar as fórmulas que vêm de fora. Propagam que há uma mão, a mão do mercado, que é capaz de, espontaneamente, trazer a fartura, o progresso, o desenvolvimento, desde que, pacientemente, esperemos o seu milagre.

Essa “fé sem obras”, que exatamente por isso já vinha se erodindo, sofreu o seu mais duro golpe , ano passado. O mundo do mercado ruiu,de forma estrepitosa, e teve de ser “salvo” pelo velho e maldito Estado. Os homens que diziam tudo o que o mundo devia fazer, que nos repetiam ordens para “fazer o dever de casa” direitinho viram-se, de repente soltos no ar, tendo de se pendurar desesperadamente nos tesouros públicos para não virem ao chão.

Os governos saíram em seu socorro. Nem mesmo se pode condenar que o tenham feito, menos por piedade dos “deuses caídos” do mercado, mas porque osefeitos disso foram extremamente cruéis para com os povos. Esta crise ceifou, no mundo inteiro, dezenas de milhões de empregos e isso que dizer dor, fome, abandono. Para os povos e para os países pobres que tinham “feito o dever de casa” que lhe prescreviam e internacionalizado completamente suas economias. As empresas “sem pátria”, “universais”, na hora da crise, drenaram o que puderam das economias pobres para socorrer as “matrizes” que diziam não mais existir.

Graças a isso, à drenagem do dinheiro público e à drenagem da economia mundial, conseguiram sobreviver. Mal e mal, como se vê pela situação da economia americana e inglesa. Lograram, entretanto, algo mais importante: mantiveram o seu templo econômico, o seu modelo, a santidade do mercado como regra e dogma da economia.

Certo que emudeceram por uns meses, mas não perderam a voz. Podem ser e são, a cada dia mais, pregoeiros dos falsos milagres a que antes me referi. Nada diziam, no final do ano passado, quando o país se esvaía com a saída dos dólares dos investidores estrangeiros - livres, como eles diziam ser um “mandamento” do mercado. Tiraram do Brasil, entre setembro e dezembro de 2008, US$ 14 bilhões, afundaram quase 30% nossa moeda, arruinaram em quase um milhão o número de empregos dos brasileiros.

Tudo sem a menor cerimônia. Não fugiram daqui porque o Brasil tivesse tomado medidas protecionistas, criado impostos, estatizado setores da economia. Nada disso. Fugiram daqui seguindo a única lógica que conhecem, que é intrínseca à sua própria natureza: a conveniência dos lucros e dos negócios. A mesma lógica que os faz correr para cá, agora. Perde tempo quem quiser “catequizar” o capital. Ele pode ser disciplinado, mas não “convertido”.

Creio que esse momento foi um ponto de inflexão no Governo Lula. Ao contrário do que diz Fernando Henrique Cardoso, Lula não é um ignorante. Pode ter muitos defeitos, não esse. Ele percebeu que as forças às quais ele próprio, para escapar da força irresistível do “pensamento único”, cedera e concedera muito, se arruinavam.

Essa força é mais significativa ainda porque ela impregnou fortemente o PT, desde a sua fundação. O partido sempre foi adepto de uma visão que era uma espécie de olhar invertido - sentido inverso, mas mesma direção - da “liberdade empresarial”. Se, no mundo das empresas, que vençam os mais fortes, mais organizados e os que estiverem para onde o mercado flui, o PT cansou de reproduzir os mesmos conceitos em relação aos trabalhadores e à questão social: o Estado deveria interferir o mínimo, eram as organizações de trabalhadores que iriam conquistar salário e vida melhores.

Sem querem me estender muito, porque não é meu tema nem minha índole ficar remoendo o passado, por quantos anos trataram com desdém valores como nacionalismo, como a legislação trabalhista, como a personificação da vontade nacional numa figura política? Ia tudo para o “saco” do mesmo populismo que as elites afetadas - de O Globo a Fernando Henrique - diziam que era arcaico e de inspiração fascista.

Nada como os fatos, porém, para mudar a visão preconceituosa e primária e começar a entender a história muito além das teorias acadêmicas das elites. Imaginem como, há dez anos atrás, os intelectual petistas se revoltariam ao ler o que escreveu Emir Sader, em seu blog, para defender Lula dos ataques de Fernando Henrique Cardoso?

“Perón, Getúlio e Lula têm em comum a personificação de projetos nacionais, articulados em torno do Estado, com ideologia nacional, desenvolvendo o mercado interno de consumo popular, as empresas estatais, realizando políticas sociais de reconhecimento de direitos básicos da massa da população, fortalecendo o peso dos países que governaram ou governam no cenário internacional.”

Lula, que ninguém deixe de considerar isso, é um sobrevivente. Percebeu que ali estava sua chance de diferenciar-se e diferenciar o Brasil. Todos os ridicularizaram quando ele falou em “marolinha”, tratando-o como se fosse um tolo, um idiota. Qual nada: como disse, de tolo Lula não tem nada.

Lula sentiu que era hora de fazer o contrário do receituário que o neoliberalismo sempre mandou seguir contra as crises: arrochar gastos públicos, arrochar salários, reprimir o consumo. Fez o contrário.

Isso não é esquerdismo ou anticapitalismo. É apenas antineoliberalismo, e não é novo. Foi o remédio “herético” que Roosevelt e Keynes usaram para tirar os EUA da Grande Depressão, nos anos 30. Volto a citar Emir Sader:

“Perón e Getúlio dirigiram a construção dos Estados nacionais dos nossos dois países, como reações à crise dos modelos primário-exportadores. Fizeram-no, diante da ausência de forças políticas que os assumissem – seja da direita tradicional, seja da esquerda tradicional. Eles compreenderam o caráter do período que viviam, se valeram do refluxo das economias centrais, pelos efeitos da crise de 1929, posteriormente pela concentração de suas economias na II Guerra Mundial, tempo estendido pela guerra da Coréia.”

Não se está comparando pessoas - antes que me venham com subjetividades sobre a natureza de cada um deles e de Lula -, mas situações. Elas são muito mais importantes que os homens, embora eles sejam decisivos nos momentos agudos. Mas é curioso notar que todos seguiriam a política da moderação, da composição com a direita, dos pactos de governabilidade se não fosse - e como foi e é! - mesquinha, furiosa, intransigente e egoísta a nossa elite. E mais: como ela é incapaz de aceitar que o povo faça parte - mesmo que não seja o protagonista - da vida deste país.Aliás, o próprio país e seu povo não passam de uma mercadoria a ser vendida.

Desculpem se me estendo antes de explicar o título desta postagem. O que motivou esta reflexão foi o tom que o discurso de Lula - e ontem, no Congresso do PC do B - também o de Dilma Roussef vai assumindo a cada dia.

Os tempos do “Lulinha Paz e Amor” se foram. Os marqueteiros, agora, passarão a se ocupar de tentar “conter os danos” do enfrentamento que virá. E virá de forma dura, aguda, passional.

Faz algum tempo que venho afirmando isso, aqui no blog. As próximas eleições não serão, como pretende a direita, uma comparação de currículos, nem de simpatia pessoal, nem de “competência”. Nem mesmo será um concurso para ver quem apresenta um projeto melhor ou mais simpático para o Brasil.

O que está em jogo não é se o país precisa de uma mudança neste ou naquele sentido. A disputa eleitoral é sobre se a mudança que está em curso - não importa se nos desagrade a velocidade ou a profundidade que ela tem - vai continuar ou vamos retroceder.

Esta questão é mais importante que as pessoas, como indivíduos. Mais relevante que nossas queixas, mágoas, críticas, senões. É o nosso povo e o nosso país que estão em jogo. Vamos assistir, e logo, uma crescente polarização. Isso não quer dizer que percamos nossa identidade, nossa independência de análise e de ação, muito menos nossa admiração e simpatia por pessoas, dentro ou fora do PDT, que acham ser possível, de forma isolada do processo social, imprimir uma inflexão à esquerda nesta mudança.

O essencial, porém, é perceber por onde caminha o povo brasileiro,aquilo que Leonel Brizola chamava de “o processo social”. Perceber quer dizer agir sem pretensão de sermos os “doutos”, que sabemos melhor que o povo para onde e como caminhar. Esta é a pretensão da direita e, por extensão, leva a este campo quem se crê capaz de dar lições ao nosso povo.

Há um processo em curso e não serão muitos os dias que ele levará até expressar-se de maneira crua. E que vai exigir de nós uma definição muito clara, sem vacilações. Mas também ela, a definição, só será correta, sábia e justa se inspirar-se em tal processo social.

Aí está o exercício de sabedoria política que, este sim, precisamos ter. Se estivermos ao lado do povo - não da eventual simpatia de marketing, mas dos seus sentimentos profundos, na hora das decisões históricas - estaremos do lado certo. Do contrário, ficaremos à margem. Pouco importaria, se fosse apenas isso. Mas isso implicaria na deserção de uma luta que juramos travar pelo povo brasileiro.

* Brizola Neto é deputado federal (PDT-RJ)

Link:

http://tijolaco.com/?p=5779

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Respostas a este tópico

Sim. Lula é maior do que o PT.

Mas, Vargas também era muito maior do que o PTB e este não apenas sobreviveu à morte do seu fundador, como também cresceu consideravelmente nos 10 anos seguintes. Quando do Golpe de Estado de 1964, o PTB já era o maior partido do Brasil.

Barrar o crescimento do PTB foi uma das razões que levaram a Direita reacionária e troglodita do país a organizar o Golpe contra Jango.
O leitor Fernando Trindade publicou um excelente texto no blog do Emir Sader, na parte de comentários, e gostei tanto que decidi reproduzí-lo aqui no blog:

06/11/2009

É isso mesmo. Emir está certo.

Por isso tenho dito que a contradição central na política brasileira, desde as eleições de 2006, voltou a ser entre populistas (ou populares) à esquerda e elitistas à direita.

Retornou, assim, a contradição que foi se avolumando no período da Constituição de 1946 (a cada eleição as forças populares cresciam eleitoralmente) e foi fator determinante para o Golpe de 64, facilitado, em boa medida, diga-se, por erros de avaliação de muitos setores de esquerda de origem mais na elite, que não entendiam o simbolismo e o poder de aglutinação popular do populismo de então, sem embargo dos seus limites.

A propósito, certa sociologia uspiana elitista desancou o populismo, no pós-golpe, culpando-o por todos os males e acusando-o até - pasme! - de ser o maior responsável pelo golpe. E onde estão hoje politicamente dois dos principais expoentes dessa sociologia uspiana, os Srs. FHC e Weffort?.

Ernesto Laclau, que tem dado imensa contribuição para que possamos entender o processo político do Mundo de hoje escreveu mais ou menos recentemente um livro - La razón populista -em que demonstra exatamente que não podemos ter preconceitos com o que o termo populismo representa. Seria bom ver esse livro publicado no Brasil.

Enfim para mim popular e populista podem ter uma ou outra contradição, mas não têm nenhum antagonismo, como querem a direita que quer dividir a esquerda e certa esquerda de base elitista

O grande erro da esquerda no pré-64 foi exatamente não ter entendido a importância de isolar a direita oligárquica (inclusive os seus setores modernosos como os bacharéis da UDN) e deixar romper a aliança com o centro fisiológico, representado então pelo pessedismo.

Lula, de forma genial como que intuiu isso (na verdade, trata-se da experiência acumulada da luta popular) e buscou - acertadamente - um acordo de convivência com o centro fisiológico de hoje (representado especialmente pelo PMDB).

A direita oligárquica sabe que a aliança esquerda/centro impede o seu retorno ao Governo, essa a razão por trás dos ataques ao Congresso, que é hegemonizado pelo centro fisiológico.

Outra coisa, fisiologica não é sinônimo de corrupção. o fisiológico pode ser corrupto ou não. Não fazer a distinção entre o fisiológico (que quer dizer apenas não ideológico) e o corrupto é outra lição errada da sociologia acadêmica que serviu para deixar a esquerda isolada por muito tempo.

Enfim, o Emir acerta na mosca e o tema por ele posto estimula toda uma sorte de discussões de interesse para todos que (como eu) estão animados com a recuperação de um projeto democrático-popular para o Brasil, principal ativo construído e que será a principal herança do Governo Lula.

Link:

http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&am...
Já não era sem tempo, não é Marcos?
Paz e amor com o nosso povo, com nosso país, não com com os elitistas cheios de empáfia e sem projetos para o país, mas apenas para seus patrimônios.
Agora é que as coisas vão começar a ficar mais claras... se vamos ficar nos discursos de retórica duvidosa, sem compromisso com a vida real, em espaços etéreos da indignação fake, do apolitismo fake, do discurso fake...
Está em jogo o avanço do que já construimos ou o retrocesso dos que só nos venderam.
Mais do que Lula, do que PT, é o futuro do Brasil e de seu povo que temos que defender dessa elite apodrecida.


Abs
Acabei de ler há pouco esse texto no blog do Azenha; é realmente muito bom. Temos uma chance desse país se desenvolver, nao podemos perdê-la. E há tb uma recuperação da auto-estima, que vem junto, de apreço pelo que é nosso; tudo isso é que queremos.
Se o ''líder carismático'' assume a tutela das massas, escanteando os movimentos organizados e os partidos, o governo popular se torna governo populista.

O populismo, historicamente, só deu em merda.

Quando a oligarquia (mesmo que tenha sido só minimamente contrariada no governo populista) chama a gorilada para restaurar o sistema de capitanias hereditárias, encontra o campo livre. O populismo já rebaixou o nível de consciência popular para o patamar do culto à personalidade.

Não vejo populismo no Lula nem no Morales.
Hermeneuta, estou lendo um livro, que recomendo, chamado 'O Populismo e sua História' e nele há um capítulo muito interessante, escrito pelo historiador Daniel Aarão Reis Filho (que foi um dos membros do MR-8 que sequestrou o embaixador dos EUA em 1969), no qual ele faz uma severa crítica à esta visão de que as políticas trabalhistas de Vargas e sua forma de se relacionar com as classes trabalhadoras fosse vista como 'Populismo', que é uma tese consagrada por pensadores como Weffort, Ianni, entre outros.

Daniel destrói com essa visão que classifica como 'Populismo' tal fenômeno, mostrando que essa expressão tinha uma forte conotação negativa.

E os governos nacionalistas e reformistas de Vargas, Perón, entre outros, fizeram muito mais do que apenas 'contrariar minimamente' as 'oligarquias'. Eles enfrentaram uma dura resistência destes setores capitalistas retrógrados de seus países para colocar em prática a legislação social, trabalhista e previdenciária que criaram. E muitas vezes acabaram derrubados por isso.

Tanto isso é verdade que a história da América Latina do período 1945-1976 é recheada de Golpes de Estado, que se alastraram por toda a região, financiados e organizados pela CIA e pelas burguesias ultra-reacionárias da região que não aceitavam a incorporação das classes trabalhadoras ao processo político-eleitoral.

Isso de atacar os governos nacionalistas e reformistas da época e de responsabilizá-los pelos Golpes me parece ser um grave equívoco. É como culpar a vítima pelo crime cometido contra ela.
Meu amigo Donizete

O projeto foi de incorporação das classes trabalhadoras urbanas ao processo político eleitoral sob tutela do Estado.

Tanto na Argentina como no Brasil, o combate aos socialistas e comunistas foi constante.
Felinto Muller e Lopez Rega foram equívocos desnecessários? Olga Benário um erro inadvertido?

O populismo desorganiza as massas pelo paternalismo e pela perseguição implacável às organizações de esquerda. Quando a burguesia chama a gorilada para reaver os anéis (que entregou contrariada para não perder os dedos), o golpe acontece diante da massa desorganizada, sem possibilidade de resistir.

Foram ditaduras sem tirar nem por.

Tinham projeto nacional? Claro que sim, décadas à frente da política do café com leite. Mas a ditadura militar também tinha projeto nacional, e nem por isso deixou saudades.
1) "O projeto foi de incorporação das classes trabalhadoras urbanas ao processo político eleitoral sob tutela do Estado.".

R - No início, foi mesmo.

Mas, depois, durante o período 1945-1964, os sindicatos começaram a se organizar e a mobilizar os trabalhadores de maneira muito mais independente em relação ao Estado. Tanto que Jango foi acusado, durante toda a sua vida pública, de ser muito próximo dos comunistas, pois não reprimia a atuação dos mesmos no movimento sindical.

Mas, tal projeto varguista não se limitou a incorporar os trabalhadores sob tutela do Estado. Os empresários também foram tutelados. E eles reagiram duramente à criação das leis sociais, trabalhistas e previdenciárias pelo governo Vargas.

O projeto que você chama de 'populista' (expressão equivocada, a meu ver) não foi estático. Ele foi se alterando com o tempo. Na época, tivemos, por exemplo, a criação da CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), algo que não deveria existir pela legislação trabalhista que vigorava naquele momento. Outro exemplo desta crescente autonomia dos trabalhadores naquele período democrático de 1945-1964: Jango, desde a época em que foi Ministro do Trabalho, se recusava a intervir nos sindicatos para afastar as direções que agissem de maneira independente em relação ao Estado, que fossem controladas pelos comunistas ou que, ainda, contassem com a participação destes.

Com relação ao Golpe de 1964, não foram apenas os trabalhadores que não reagiram ao mesmo... Ninguém reagiu! Nem os trabalhadores, nem os estudantes, nem os camponeses, nem os trabalhadores rurais, nem os intelectuais, nem o suposto ‘Esquema Militar’ de Jango nas Forças Armadas, nem o PCB, nem o PC do B... Ninguém!

Portanto, o erro não foi apenas dos ‘populistas’, mas de todos os grupos políticos nacionalistas, socialistas e comunistas da época.

Nenhum destes movimentos, de fato, se preparou para resistir a um Golpe de Estado organizado pela Direita.


2) “Tanto na Argentina como no Brasil, o combate aos socialistas e comunistas foi constante.Felinto Muller e Lopez Rega foram equívocosdesnecessários? Olga Benário um erro inadvertido?”

R – Novamente, você insiste em ignorar o que eu escrevi a respeito, quando condenei, logo na mensagem de abertura do tópico, as violências cometidas pela ditadura do ‘Estado Novo’ varguista.

Releia o meu texto e confira você mesmo. Em NENHUM momento eu sequer insinuei isso que você está dizendo. Portanto, use tais expressões para aqueles que costumam defender e justificar as Ditaduras, o que não é o meu caso.


O que eu disse foi outra coisa, ou seja, que não havia NENHUM grupo político, no Brasil, no período 1930-1945, que fosse verdadeiramente democrático. Todos os projetos políticos em disputa naquele momento eram autoritários, mesmo o dos comunistas.

Aliás, é difícil conceber um regime mais autoritário do que o stalinista, não é mesmo?
Aliás, quero apenas chamar a atenção para o fato de que os comunistas brasileiros não eram contra o atrelamento dos sindicatos ao Estado, tal como feito pelo governo varguista. Até porque foi exatamente isso que os regimes stalinistas fizeram e de uma forma ainda mais violenta.

3) “Tinham projeto nacional? Claro que sim, décadas à frente da política do café com leite. Mas a ditadura militar também tinha projeto nacional, e nem por isso deixou saudades”.

R – Sim, mas eram projetos radicalmente diferentes. Não vejo como comparar o projeto de Jango com os dos ditadores militares.

E já explicitei algumas das principais diferenças entre eles: Jango era um democrata, que convivia democraticamente com as forças políticas e sociais contrárias à ele, criou o Estatuto do Trabalhador Rural (que Caio Prado Jr. considerou como sendo mais importante do que a Abolição da Escravidão), estimulou a sindicalização dos trabalhadores rurais, criou a Universidade de Brasília, que era um projeto para renovar o ensino superior brasileiro, mas que foi interrompido pelo Golpe de 1964, entre outras iniciativas de forte conteúdo progressista e democrático.

Além disso, uma coisa é colocar os trabalhadores e os empresários sob tutela do Estado, como fez Vargas. Outra, bem diferente, é massacrar as organizações dos trabalhadores para permitir que estes pudessem ser explorados de uma maneira muito mais intensa e brutal pela Burguesia, que foi o que fez a Ditadura Militar.

Não vejo como comparar tais projetos, portanto.
Veremos até onde Lula vai devolver as porradas que leva. Confesso que em muitos momentos ele me desesperou, me chateou, pois eu achava que ele não devia engulir certos sapos que lhe enfiaram goela abaixo, muitos outros tambem se revoltaram, se indignaram. Paulo H. Amorim o chamou de o "presidente que tem medo". Mas aí eu paro para pensar no quanto o governo dele se diferenciou de outros, ao menos os que acompanho a quase quarenta anos, nas ovações da imprensa no exterior, da execração da imprensa nacional, no orgulho de uma grande parcela do povão, e então penso e reconheço, que é ELE quem está lá no olho do furacão, enquanto que eu e minha inteligente indignação, estamos cá sem a menor perspectiva de fazer as coisas acontecerem como ele faz. Sendo assim, ele deve estar certo, e confio que suas reações provavelmente serão as mais acertadas em cada ocasião. Ele é o cara e não eu, rsrsrs. Abraços.

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