MAIS MÉDICOS: E QUE VENHAM MAIS MÉDICOS

 

            O programa mais médicos do governo federal é uma necessidade. Quer seja por razões “eleitoreiras” ou não, ele faz muito bem aos milhares de brasileiros que vivem em lugares distantes onde só contam com a generosidade de alguém ou com a proteção divina, já que muitos poucos médicos recém-formados ou não se dispõem a trabalhar nesses lugares ou muito menos a residir neles. O motivo já bastante conhecido de todos: faltam estrutura, problema com logística e atrativos maiores que façam com que alguém se disponha a viver nesses lugares ou trabalhar neles.

            Mas e daí essas pessoas precisam de médicos e há de se fazer com que eles cheguem até lá de qualquer forma vindo de onde vier não importa. A nossa média é de 1,83 médicos por cada 1000 habitantes um pouco maior que a média mundial de 1,4 por cada 1000 habitantes (dados do Ministério da Saúde), sendo que o nosso gargalo maior é a má distribuição, enquanto no Sudeste e especificamente na cidade de São Paulo, a média é de 2,4 e 4,33 médicos por 1000 habitantes, aqui no Norte a situação é de (0,98), por cada 1000 habitantes com o agravo de as cidades maiores concentrarem a maior parte desses profissionais deixando o restante dos lugares à mingua. Aqui no estado do Amazonas é um exemplo muito bom daquilo que estamos falando. Um estado de dimensão continental com uma péssima logística onde as pessoas levam até oito dias em uma viagem de barco pra chegar à capital, onde se concentra o maior número de médicos; porém, sem a certeza de que terá seu problema solucionado, já que número de especialistas é muito escasso e quanto mais complexa for a especialização mas demorado é o atendimento.

           Por essa e outras razões mais, o programa Mais Médicos já justificaria sua existência e ainda mais na falta de uma política que fixe de fato esses profissionais nessas localidades, o Mais Médicos cai como uma luva vindo ao encontro das necessidades dessa população tão sofrida que todos os dias espera por uma solução que ao menos amenize parte desse sofrimento. Agora, a crítica do Demétrio ao programa é devido a origem dos médicos, se eles fossem dos Estados Unidos, Costa Rica, México ou de qual quer outro lugar não teria problema mas, como são cubanos aí a coisa muda. Essa história de dizer que o governo quer esconder “seu compromisso ideológico com Havana” é ridículo pra não dizer burra! Qual a relação humana desprovida de ideologias? O governo do PT nunca escondeu tal relação, que diga-se de passagem vai muito além dessa questão, assim como o grupo de reacionário do qual ele faz parte nunca escondeu sua relação ideológica e de subserviência para com Washington. Mas, qual é problema? Não os critico por isso, todo mundo tem um lado bem definido quando se trata de política ou qualquer outra atividade, o que não é admissível é que alguém que tem um lado bem definido ideologicamente, queira desqualificar um programa da envergadura do Mais Médicos também por questões ideológicas.

        E mais, é de amplo conhecimento que a medicina cubana alcançou um nível de excelência reconhecido mundialmente até pelos mais ferozes opositores do sistema cubano como os Estados Unidos. Prova disso é a recomendação dos médicos franceses, escandinavos, holandeses e até do Reino Unido, a medicina cubana em várias especializações como: traumatologia, dermatologia, oftalmologia, transplante de fígado etc. Contudo, a direita brasileira golpista da qual o Demétrio faz parte, só vê crime de lesa-pátria em tudo que o governo faz. Na ótica opaca do Demétrio, Cuba arranjou um jeito de “exportar a revolução” através do programa Mais Médicos como se isso fosse possível. Na verdade, o que se vê infelizmente depois de tanto tempo (quase 50 anos depois do golpe), é o mesmo discurso batido de que o país estaria “sendo invadido por doutrinas comunistas e que isso colocaria em cheque a nossa parca democracia etc, etc”. Entretanto, se Demétrio está tão preocupado assim com a nossa democracia vai aqui algumas sugestões que ele poderia encampar uma luta e que faria muito bem ao país inteiro. Que tal lutar pela democratização dos meios de comunicação de massa, pela reforma agraria, pela aprovação do financiamento público de campanha, por uma reforma no sistema financeiro, etc. Creio que se conseguíssemos essas reformas estaríamos dando de fato dando um salto qualitativo no aprimoramento da nossa democracia e ampliando nossa justiça social. Também é muito estranho essa recente “indignação” do Demétrio acerca do atual “Estado de exceção” que estaria ocorrendo no governo Dilma, por que não me lembro de ter observado nenhuma reação de igual modo por parte dele na festa da Privaria Tucana ocorrida no desgoverno do PSDB, onde as mais lucrativas empresas brasileiras foram “vendidas” pela metade do valor para abrir exceções para os amigos adquiri-las, como o caso da Vale do Rio Doce e do sistema Telebrás pra ficar só nestas duas. Portanto, essa conversa de Estado de exceção, compromisso ideológico do governo, relação desastrosa prejudicial a democracia, não passam de palavreado amargo de que está por baixo a bastante tempo e que tenta se reerguer da pior forma possível destilando veneno pra todos os lados. É isso por enquanto.

 Kleiner Michiles Sociologo.      

                     

               

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