Mesmo com secas e cheias - It's a privilege to live in Semi-árido of Brazil‏

Comparando o nosso sertão com outras regiões do planeta azul, acho que o semi-árido do Nordeste brasileiro é um excelente lugar para se viver. Por exemplo, o norte do Estados Unidos, Inglaterra, Rússia, o Canadá, Islândia, Finlândia, Escócia, Suécia e outros países escandinavos, cuja diversidade do clima rigorosamente frio, não foi, e não é, o principal fator limitante para o desenvolvimento destas regiões que passam pelo menos três meses por ano cobertas de neve e gelo. Neste período a agricultura é impraticável. Os cidadãos desses países de clima temperado e frio apresentam elevado padrão de vida e gastam expressiva quantia em dinheiro em energia luminosa e calorífica para amenizar os rigores do frio em suas residências. No Nordeste brasileiro, as inevitáveis secas periódicas que comumente ocorrem nessa região, em intervalos de tempo nem sempre inferiores há 4 anos, atualmente com menos freqüência, também não deve ser fator que possa limitar o seu desenvolvimento, haja vista que praticamente nenhuma atividade econômica paralisa-se totalmente nesse período, nem mesmo as atividades agropecuária param neste período de escassez e irregularidade de chuvas. Não é preciso também nenhum gasto adicional com energia por parte da população em decorrência de uma seca.

Para reforçar a informação de que o nordeste é um maravilhoso lugar de se viver, em relação a esses países de clima temperado e frio acima citados, o engenheiro agrônomo do DNOCS, Paulo de Brito Guerra, em uma viagem de conhecimento científico a cidade de Denver, Estado do Colorado, EUA, descreve, em seu livro A Civilização das Secas, Nordeste uma história mal contada, DNOCS, 1981. página 125, conta que abrindo todas as manhãs as páginas do jornal Denver Post, observava a seguinte propaganda do governo estadual dos EUA:

"It's a privilege to live in Colorado?"

e ficava a matutar com sua equipe de pesquisa: Depois de matutar, matutar e matutar bastante escreveu:

"Por que seria privilégio viver em um lugar onde durante meses e meses não se pode parar na rua, pois os pés doem, as mãos enrijam, os ouvidos sofrem? Onde está o privilégio em viver em uma cidade, se as calçadas são escorregadias, se é um perigo dirigir na neve sem correntes nos pneus dos carros, e a prefeitura espalha areia nas ruas? Qual o privilégio no campo dessa região se durante vários meses a natureza está morta, as árvores estão nuas, as sementes não germinam, as plantas não crescem nem produzem, e os animais devem ser guardados dentro dos estábulos?"

Na página seguinte, agora se referindo ao nosso querido nordeste brasileiro, o eminente agrônomo, escreveu:

"Não seria maior privilégio viver onde as plantas não dormem jamais, se lhes é dado um pouco de água e onde os agricultores podem plantar e colher o ano inteiro, em vez de se trancarem meses e meses, preparando suas maquinas? Não seria maior privilegio viver onde os animais podem viver sempre ao ar livre e engordar, se não lhes faltar comida e água? Não seria mais privilégio viver onde é possível voar sempre em céu azul com os aeroportos oferecendo teto trezentos e sessenta e cinco dias por ano, como no nordeste?"

Já uma pessoa do meu convívio, matuta e simples como eu, nascida nas brenhas do sertão de Jucurutu -RN, agora morando em Orem, estado de Utah na região Centro Oeste dos EUA, próximo a capital, Salt Lake City, a 1.400 metros de altitude em relação ao nível do mar, também me relata as mazelas do clima frio daquele rico país. Ela me conta que sente zunido nos ouvidos, dores nas juntas das mãos e dos pés, sente palpitações no coração, falta de ar, dorme de luvas e tem medo de dirigir nas estradas cobertas de neve no período de inverno. Manda fotos e postais do aspecto geológico da região, as famosas montanhas rochosas e me comunica que os pequenos rios e lagos naquele pedaço de chão se congelam no inverno, o que torna o ambiente cinza a branco e monótono. Acha a cidade e população esquisita, com pouquíssimas pessoas nas ruas, casas sem muros e um povo no geral obeso, desconfiado, materialista e que apesar de serem ricos parecem não serem felizes, o que nem parece o povo pobre, sofredor e feliz do nosso Vale do Açu - RN.

Assim sendo, juntando e concluindo o raciocínio do eminente engenheiro agrônomo do DNOCS Paulo Brito Guerra, o meu raciocinio e de Lucia Maria Bezerra de Araújo, que me convida para morar naquela região, que eu não aceitei morar lá, pois eu acho que Se é um privilégio morar no Estado do Colorado ou no Estado de Utah nos EUA, muito maior é o privilégio em morar em nosso semi árido brasileiro?.

Outra evidência de que parece não existir nos quatros cantos do mundo lugar igual ao nosso para se viver, pode ser deduzido a partir de uma exclamação de uma irmã religiosa européia a outra irmã ou noviça religiosa também natural daquele velho continente, ambas fazendo parte da congregação Filhas do Amor Divino, que em missão religiosa visitavam a cidade do Assu (RN), na qual ficaram hospedadas no Colégio Nossa Senhora das Vitórias, aqui em nossa cidade, fundado por uma madre austríaca que assim exclamou:

- É um povo diferente, é um povo pobre, mas é um povo feliz.

E é mesmo. Em nossa região este povo simples, pobre, sofrido, festeiro e feliz com qualquer mudança positiva de vida fica a rir a toa e não se acanha em sorrir, mesmo mostrando a boca ?abanguelada?, com apenas duas presas de dentes e alguns cacos de dentes a mostra.

Veja abaixo um comentário a respeito


Olá, Eugenio............Tambem sou gestora ambiental em Jucurutu e conheço Lucia, com tambem a sua familia. Concordo com vce em não trocar nossa moradia aqui neste sertão quente e de tanta coisa boa, pelo frio dos Estados Unidos. Quando encontro-me em Natal, que chove muito, corro para Jucurutu. Já morei em Açú e é outro pedacinho no nosso semi arido que adoro................Ioneide


From: mioneide@hotmail.com
To: eugenio.pimentel@hotmail.com
Subject: RE: [gestores_ambientais_do_rn] - Convivência com Seca X enchente no semi árido do Brasil

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Respostas a este tópico

Se em cada casa tiver uma cacimba, energia elétrica e banda larga o sertão pode ser ótimo. O sertão onde morei é meio diferente do seu aí. Morei na Chapada Diamantina. Ria não! Lá, no inverno faz um frio do cão e no verão, ninguem dorme de ventilador. Não precisa. O problema do sertão é, resolvida a questão da água e do ciclo econômico primario (roçado ou criação), o isolamento. Cidade grande é isso aí que a gente vê, se sair e voltar vivo, o teatro e o cinema são ótimos. Mas afora umas escapulidas na "capital" o melhor é viver numa cidade onde todo mundo dá bom dia para todo mundo...
Muito bem. Conheci a sua região em 1984 na viagem que fiz na disciplina curricular denominada Geologia de Campo IV. É um lugar agradável e bonito como poucos no Brasil. As belezas do Brasil abençoado por DEUS e bonito por natureza não estar somente no litoral. O luar do sertão é por demais mais belo que o luar do litoral, onde se concentra as maiores cidades do Brasil. Conheci também a região do Morro do Chapéu e região da Cruz das Almas aí na Bahia. Minha ex companheira está de volta dos EUA. La praticamente não existe calor humano e pouquíssimas pessoas dão bom dia aos seus vizinhos.

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