Prezados,

         Neste mês da ´Consciência Negra´ de 2012, para a nossa reflexão, uma mensagem do notável e mais prestigiado ator afro-americano e talvez, a meu sentir, o maior ator afrodescendente de todos os tempos.

         Num vídeo de menos de 1 minuto:

         https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=BOPcy...

         Mês da ´Consciência Negra´, o que acha disso? Ele responde: ridículo.

         Na condição de ativista contra o racismo, defendo a destruição do conceito de ´raça humana´ e mais ainda, compreendo que somente racistas aceitam o estado patrocinando a ´raça estatal´ e as políticas públicas em bases raciais, que vulgariza e torna costumeiro o uso de critérios e causas raciais.

         O conceito de ´raça´ e a prática de classificação racial dos humanos deve ser estigmatizado e repudiado, cabendo ao estado, a abstenção de sua prática.

         Ao contrário do que pensam os defensores de políticas raciais, prefiro o racista constrangido e envergonhado de sua má formação e de seu defeituoso caráter.

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Respostas a este tópico

Valquíria.

Comecei a ler o texto que colocaste o link. Entretanto logo no início surge uma frase que me deixou extremamente preocupado. "O pressuposto da superioridade branca, como argumento justificativo para um modelo de colonização com pequena propriedade familiar baseado na vinda de imigrantes europeus – portanto distinto da grande propriedade escravista – foi construído mais objetivamente a partir de meados do século XIX."

Acho que historicamente esta frase não se sustenta, idéias racistas foram a maneira que os Europeus acharam para justificar a escravidão que havia deixado de existir na Europa há mais de sete séculos no fim do Império Romano, que substituiu a escravidão pela vassalagem (não havia muita distância entre ambos). A escravidão negra retoma a Europa em 1444 quando um dos navegadores portugueses, Lanzarote de Freitas, regressa a Portugal com 235 escravos negros (História de la esclavitud por Benedicto Cuervo Álvarez, http://www.monografias.com/trabajos91/historia-esclavitud/historia-...)

Diga-se de passagem que em nenhum momento o mundo ficou sem escravos até meados do século passado, havia a servidão na Europa (e também escravidão para derrotados em guerras), a semi-escravidão no Islã, e outras variáveis na Ásia. É importante destacar que a escravidão não era necessariamente de africanos, tendo no Islã um exemplo disto, onde grande parte dos escravos eram obtidos por sequestro e em todas as regiões costeiras do mediterrâneo segundo Robert David ( Christian Slaves, Muslim Masters: White Slavery in the Mediterranean, the Barbary Coast, and Italy, 1500-1800) entre 1500 a 1800 mais ou menos 1,25 milhões de Europeus foram escravizados nas regiões dos Mussulmanos (ATENÇÃO, este livro deve ser tomado com o maior CUIDADO, pois se trata de um pouco de revisionismo histórico, e como tal passível de mais mentira do que verdade). Agora é importante destacar que não havia no direito árabe e islâmico o conceito romano de escravidão hereditária, sendo que quem nascia de mãe escrava, no direito romano (e brasileiro) era escravo e no direito cerâmico não.

A escravidão ganha seu aspecto racial de forma teórica, não no século XIX, como indica o trabalho que enviaste, mas já na famosa Controvérsia de Valladolid, onde o Frei Bartolomeu de Las Casas defende os Índios da escravidão, porém o mesmo teólogo espanhol, para defender os índios da escravidão, sugere que os Negros por serem mais resistente e fortes podem substituir os primeiros (Memorial de remedios para las Indias de 1518. BAE, t. 110, Obras escogidas de fray Bartolomé de Las Casas , Madrid, 1958, vol. V, p. 34), também Frei  Bartolomeu de Las Casas, que é defendido por muitos como quem inicia a luta por direitos humanos, classifica os negros como os verdadeiros infra-homens ("Los pueblos que Tolomeo dice que son semejantes a las fieras, viven en Mauritania en África." LAS CASAS, Apología, cap. LVI, p. 341). Esta afirmação conforme Jean Dumont (El amanecer de los derechos del hombre , p. 176.) classifica os negros como feios, bestiais e cruéis, verdadeiros servos por natureza, conforme a concepção Aristotélica adotada pela Igreja.

Este teólogo espanhol, muda sua opinião no fim de sua vida (entre 1552 e 1559) escrevendo no seu livro mais importante "Historia de las Indias" um texto denominado "Brevísima relación de la destrucción de África" que culpa os Portugueses pela bestificação dos Africanos. Porém isto chega tarde, pois a interpretação de Las Casas e outros teólogos espanhóis e portugueses, leva a aceitação da escravidão negra dentro das regras do direito natural.

Pois voltando ao texto inicial da Profª Giralda Seyferth, ignorar o arcabouço teórico e filosófico que justificava a escravidão negra é algo extremamente grave, pois como a escravidão era exclusivamente negra (talvez?), deveria se ter um substrato jurídico e filosófico para tal. Apesar de colocar a observação da ausência de escravidão branca no Brasil deve-se relativizar esta informação, pois se o há fontes de meu conhecimento que indiquem isto, não quer dizer que não se praticava a escravidão "branca", principalmente porque baseado no direito romano a nossa legislação dizia que filho de escrava era escravo.

 

 

Falei tanto que esqueci de um fato importante.

Toda a ideologia e filosofia que levava a aceitação da escravidão dos Africanos era derivada de conceitos Aristotélicos de guerra justa e a necessidade cristianizar outros povos. Logo como estes conceitos foram emitidos pala Igreja, eles foram no último século tirados de evidência.

A questao nao é raça negra ou nao raça negra. A questao é que houve escravidao no Brasil, ainda há preconceito, e os negros tiveram desvantagens históricas (e atuais...) que os prejudica(ra)m. Entao se justificam açoes afirmativas, compensatórias. A motivaçao nao é racial, mas histórica.
Agora, dia da raça negra é bobagem mesmo. Melhor seria se comemorassem diretamente Zumbi como um herói nacional. Dia de Zumbi, pronto.

Exatamente por ainda haver preconceito que não devemos criar mais. As cotas sociais que beneficiarão os mais necessitados, na sua maioria negra, não retirando desses últimos a sua autoestima. Já as cotas raciais colocarão sobre estes uma visão de pertencimento (palavra que todos gostam) fazer parte de uma “raça” que deve ser assistida diferencialmente de pessoas com o mesmo estado de necessidade, por não conseguir atingir os índices de conhecimento necessário a todos.

As cotas “raciais” num meio de crianças e adolescentes é algo extremamente perigoso, pois se torna mais um motivo para o “bulling” (palavra moderna para uma prática antiga) daqueles que deveriam ser considerados como iguais.

Só para exemplificar vou colocar uma parte de um texto retirado de um livro sobre o assunto denominado Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz (224 págs., Ed. Verus):

Além de um possível isolamento ou queda do rendimento escolar, crianças e adolescentes que passam por humilhações racistas (o grifo é meu), difamatórias ou separatistas podem apresentar doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da personalidade.

Como fica claro, já sem nenhuma causa real, além do preconceito que ainda existe na nossa sociedade, o racismo é causa destacada por um especialista no assunto como motivo para o "bulling".

Agora me parece que as pessoas que estão propondo e legislando sobre o assunto, não estão levando em conta outros aspectos que não os de dar acesso às universidades públicas. Não se interessando por aspectos correlacionados a isto.

Que saco, os links do Portal nao estao funcionando no meu computador.

@Rogério: é a sua opiniao, nao é a minha. Acho que, queiramos ou nao, a cor ainda é o fator de discriminaçao. Vá explicar a um policial que nao existe raça negra... Uma açao compensatória é justa e necessária.

Cara Ana Lu

Em nenhum momento disse não haver discriminação no Brasil, isto seria uma farsa!

O que falo que vamos institucionalizar a diferença de "raças", uma branca (rica ou pobre), mais inteligente (atenção isto é ironia!) e outra mais burra (de novo leiam como ironia) que mesmo tendo as mesmas condições econômicas que os "brancos" de mesma classe social, necessitam de uma mãozinha para entrar na Universidade. Este será o discurso de muitos, e por mais que não queiramos ele realimentará a discriminação no Brasil.

Agora ação compensatória deveria ter sido feita durante a abolição dando terras aos ex-escravos, mas isto não foi feito. Hoje em dia até não teria mais sentido, pois a maior parte da população é urbana. Se tivéssemos uma sociedade baseada no "apartheid" seria possível ainda hoje estabelecer ações compensatórias aos grupos que estivessem separados, mas felizmente com a miscigenação fica difícil estabelecer quem e quanto cada um tem direito. Estou falando de uma compensação pelo trabalho não remunerado, e não pelo indivíduo pertencer ou não a um determinado grupo.

Maestri

A ação "compensatória" foi feita com os imigrantes brancos -italianos, alemães e outros - que, no Brasil, receberam terras de graça, e/ou, incentivos fiscais para se fixarem aqui. Até dinheiro. Tudo para se manter a farsa da miscigenação/branqueamento brasileira. 

Abs.

Antonio.

Se olhares os documentos da época, verás que era pior do que isto, não escondiam vários legisladores os razões racistas clara, e inclusive era proibido a imigração africana para o Brasil.

É interessante notar, que a república no Brasil conseguiu o imenso feito de ser mais racista que o Império.

Maestri

Não pode haver racismo durante a escravidão. O negro não era gente, não era cidadão, logo, como objeto, ou parte do inventário da fazenda, do senhorio ele, negro, não existia e, nesse sentido, não podia nem ser ignorado.

Com o fim da escravidão o negro ganha visibilidade e incomoda. "Nasce" o racismo made in Brazil.

A imigração de negros para o Brasil, assim como [até o início do século XX] dos japoneses, judeus, indianos e outros era proibida por que eles não se encaixavam na política de branqueamento do Brasil. Essa estratégia eugenista e euro-centrista brasileira continuou até o fim do Estado Novo.

Ou seja, de meados do fim do século XIX, no Brasil, até os anos de 1950, privilegiou-se a vinda e permanência de europeus brancos e católicos.

Abs.

Antônio.

Não esqueça que a monarquia brasileira era parlamentarista, e que por exemplo a lei Áurea só foi assinada pela Princesa Regente depois que foi aprovada no parlamento.

Também esqueces que grandes nomes abolicionistas da época não estavam nos partidos que eram contra a monarquia.

Quanto a imigração negra, judaica e oriental durante a república foram elaboradas leis que as impediam.

Poderia citar vários casos em que a ignóbil política do "branqueamento" de determinadas áreas importantes da vida nacional foi aguçada e incentivada pela república.

A algum tempo atrás, neste mesmo blog, foi relatado o "branqueamento" que a jovem-velha república fez no ensino no Brasil, sugiro que leia dentre outros trabalhos este, que tomei ao azar, http://educere.bruc.com.br/CD2011/pdf/5288_2522.pdf

Se analisares com cuidado, verás claramente que a ideologia do branqueamento por aspectos "eugênicos" é introduzida pela a república, pois com a proclamação desta, motivada em muito pela abolição, é que se começa de forma sistêmica e "científica" a se introduzir o conceito.

Maestri

Sim a eugenia foi introduzida pela República. Dentre muitas razões, talvez a mais importante tenha sido o fato de que a eugenia é de 1883.  Nesse período os escravos, no Brasil, ainda, não tinha sido libertados. Configura-se, então, a coisa da mercadoria, isto é, do negro como parte do patrimônio do senhorio e, nesse sentido, ele, senhorio, dispõe da sua mercadoria como quiser. Ou seja, não era um incomodo.

A teoria do branqueamento surge em função de "limpar" ou "higienizar" a população brasileira do elemento estranho e indesejável, que agora era considerado cidadão brasileiro - o negro. Nasce a teoria do branqueamento. Eu só discordo que tenha partido, só,  "de determinadas áreas importantes da vida nacional". Infelizmente,  o neo racismo, hoje em dia, no Brasil, incorpora muito dos elementos de branqueamento e eugenia. Só mudou o nome: agora dizemos que somos miscigenados.

A ideologia da miscigenação dilui as diferenças [negros, indígenas e outros] e apresenta o povo brasileiro como a massa amorfa e sem etnia. No entanto, a cultura, a econômia e a história são inequivocamente euro-centrista, isto é, branca e, na sociedade brasileira, as diferenças, ou os negros, indígenas e outros são, com efeito, invisíveis. Ou seja, no Brasil, o branco é hegêmônico. Livros como "Não somos racistas" ajudam a manter essa ideia eugênica e neo racista. 

Abs.

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