Prezados,

         Neste mês da ´Consciência Negra´ de 2012, para a nossa reflexão, uma mensagem do notável e mais prestigiado ator afro-americano e talvez, a meu sentir, o maior ator afrodescendente de todos os tempos.

         Num vídeo de menos de 1 minuto:

         https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=BOPcy...

         Mês da ´Consciência Negra´, o que acha disso? Ele responde: ridículo.

         Na condição de ativista contra o racismo, defendo a destruição do conceito de ´raça humana´ e mais ainda, compreendo que somente racistas aceitam o estado patrocinando a ´raça estatal´ e as políticas públicas em bases raciais, que vulgariza e torna costumeiro o uso de critérios e causas raciais.

         O conceito de ´raça´ e a prática de classificação racial dos humanos deve ser estigmatizado e repudiado, cabendo ao estado, a abstenção de sua prática.

         Ao contrário do que pensam os defensores de políticas raciais, prefiro o racista constrangido e envergonhado de sua má formação e de seu defeituoso caráter.

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Bom dia!

   Em contenho os vídeos totais de Milton Santos, no meu ver é o Pelé e será "Ad infinitum" da geografia. E o senador Paulo Paim é que coloca mais projetos no Congresso Nacional - para saberem. E duvido um jogador que de um dible de corpo no goleiro como o Pelé brilhantemente jogou. Tais exemplos mostra que tez é a produção de melanina fruto da exposição solar e ponto. O resto é café com bobagem. Abaixo preconceito infundados!!!

ROGÉRIO,

Não esqueceram do prof. MILTON SANTOS. Sua poderosa voz precisa ser abafada:

http://www.youtube.com/watch?v=xp9_fPuYHXc

Depois deste vídeo em um de seus últimos depoimentos, questionando a tendência politica de desconsideração de nossa miscigenação e da relativa tolerância racial, que considerava virtuosas e um ponto de partida, bem à frente dos EUA.

Boa Noite! Prezado Rogério

    Assisti o vídeo do Prof. Milton Santos. Um dado que desejo que saiba, por exemplo, a pecha de hinduísmo impingiram pelos conquistadores. Antes não havia, pois conceitos estreitos divide. O que Milton Santos fala é a exclusividade apartada como vida branca. Ao criar um revista para negros não seria o caminho contrário, inseri-lo na revista brasileira, mais um exemplo. Independentemente de cor? É o que o Prof. Santos exprimiu e eu o considero. 

   Thomas Paine fala que estamos numa humanidade, somos um povo. Se o sol entrou em produção de melanina. Ou os europeus, por não receberem tanto, são alvo. É detalhe. A divisibilidade são acrescenta. A compreensão, une.

Bom dia! Prezados(a) Senhores(a)

   Eu acabei de assistir o vídeo do cantor Seu Jorge quando de passagem em gravação em Itália. É extremamente chocante! Trataram-no como pedaço de pano. Eu trabalho nos Correios e já vi relatos de parentes de italianos serem tratados maus. Mas no caso de Seu Jorge é racismo puro e o país inteiro. E não desejam se quiser abrir discussão para amenizar a situação. Simplesmente terrível. 

   Assistam, mas - advirto-vos - necessita-se de um certo estômago...

Militão

Eles se fazem de desentendidos, Milton Santos diz claramente, a dita "democracia racial" não o satisfaz ele a considera bem longe do ideal, mas ele coloca claro que a integração deveria partir daí esta é a diferença. É aproveitar os poucos, porém importantes pontos positivos, e seguir adiante. Negá-la e partir de um ponto mais baixo, que até a longo prazo poderia levar a alguma coisa, é desperdiçar algo que existe.

Insisto, sendo até chato, deveríamos trabalhar no aumento da auto-estima, e isto deveria ser feito com uma educação efetiva das origens dos nossos antepassados Africanos, colocando-os em pé de igualdade no estudo dos nossos antepassados europeus.

Tenho nos últimos tempos me dedicado a estudar um pouco mais da história pré-colonial da África, e há fatos que deveriam ser ressaltados, como por exemplo outro fator, além do eurocentrismo, que inibe o estudo da história da África. Este fator é que a Islamização de grande parte da África quase sempre criou condições objetivas para o desenvolvimento de sociedades sofisticadas e organizadas sobre o comando dos africanos, enquanto que a cristianização da África sempre colocou o comando sobre as mãos do colonizador. Um estudo mais apurado da história da África, vai revelar, por exemplo que na Tanzânia, até a chegada dos portugueses, havia uma próspera e autóctone civilização africana, com suas mesquitas e palácios que viraram ruínas devido a intervenções estrangeiras e curiosamente só foram redescobertos em 1950. Esta civilização swahili incomoda os "africanistas" ocidentais que tentam estabelecer sua historiografia só depois do advento da cristianização. Inclusive há uma tentativa de associar a prosperidade desta sociedade ao mercado de escravos, algo que não corresponde a verdade a medida que a época áurea desta civilização foi nos séculos XI e XII, antes dos portugueses, estes sim os verdadeiros mercadores de escravos só chegam ao sultanato que havia na região no século XVI.

Jose Roberto,

Isto é defesa do preconceito ou revanche chinfrim?

http://youtu.be/1uC_a0lskfY

São coisas como esta que tenho medo e sinceramente pergunto, a que dimensão isso chegar quando isto for a praxe? É a típica proposta do nivelamento por baixo, é a demonstração explicita do complexo. É por isto que sempre conclamo: Negros! não tenham vergonha de sua cor, fique indignado quando tentam lhe tirarem a dignidade.

Falou...

Cara Valquíria.

O trabalho "Mapa da Violência 2012: A cor do homicídio no Brasil" está dentro do grupo de trabalhos inconsequentes que não mostram a verdadeira realidade da violência no Brasil, a violência contra o pobre e dentro deste grupo estão os negros e pardos, como definido no trabalho.

O trabalho, que tratando de um tema polêmico deste tipo deveria ter um rigor científico para mostrar o recorte real da violência e lendo-o se verifica com clareza os sérios erros metodológicos deste trabalho.

O primeiro erro o próprio autor confessa no item "1.2. Da População" onde literalmente ele escreve:

"As taxas elaboradas relacionando número de homicídios por cor/raça (contidas nas bases de dados do SIM) com os respectivos contingentes populacionais das pesquisas do IBGE, apresentam problemas metodológicos que devem ser levados em conta. A fonte para a população por raça ou cor são as entrevistas da PNAD e/ou do Censo, que coletam esse dado por auto classificação do entrevistado, que escolhe uma entre cinco opções: Branca, Preta, Parda, Amarela ou Indígena. Já nas certidões de óbito, nossa fonte para homicídios, a classificação é realizada por um agente externo ou documentação preexistente utilizando as mesmas categorias do IBGE. Ambas as classificações nem sempre são coincidentes. Por tal motivo, não são os números absolutos, mas as taxas de homicídio e os índices de vitimização os que devem ser tomadas com cautela; são mais aproximativos do que assertivos."

Em resumo o que ele diz é que usa dois bancos de dados com diferentes definições, um primeiro por autodefinição e um segundo por julgamento de um burocrata que define o recorte "racial" de cada grupo, daí por diante ele já poderia parar sua pesquisa pois não dá para se fazer qualquer trabalho estatístico com dados discrepantes.

Além desse erro metodológico, há outros tão graves como este, vamos a ele.

O autor de novo mostra a fraqueza de seus argumentos quando simplesmente mostra que a criminalidade está crescendo em determinados estados (os mais pobres do nordeste) e que nestes estados a maioria da população é segundo sua classificação "negra ou parda", isto quer dizer que nestes estados onde a criminalidade sobe, e sobe por problemas sociais, por a maioria das pessoas serem classificadas dentro de um grupo logicamente este grupo em termos absolutos terá um aumento de criminalidade. Com este viés de criminalidade maior em determinados estados ele soma todos os crimes e utiliza como principal argumento de seu trabalho o aumento da criminalidade contra "negros e pardos" no Brasil.

Além de todos este problemas no seu trabalho ainda a coisas piores que podem ser retiradas do trabalho em termos de conclusões. Ele mostra a criminalidade em municípios mais violentos comparando com o percentual da população negra. Para ficar mais claro vamos aos dois municípios mais violentos que ele enumera.

Ananideua (Paraíba): População - brancos 112.480 (23,8%), negros e pardos 355.118 (76,2%). Homicídios, 33 brancos (4,4%) e 706 negros e pardos (95,6%)
Simões Filho (Bahia): População - brancos 14.313 (12,1%), negros e pardos 101255 (87,9%). Homicídios, 14 brancos (7,2%) e 180 negros e pardos (82,8%)

A qualidade destes dados se repete quase em toda a amostra de municípios, municípios pequenos ou capitais do nordeste (única que não está neste grupo é Vitória no Espírito Santo) onde em todos a população autodeclarada negra é maioria (em nenhum momento ele tentou no trabalho verificar se a definição dada pelos agentes que classificam os mortos por homicídios se igualam!).

As conclusões que saem desses dados podem inclusive ter um viés racista ao extremo, por exemplo, em Simões Filho (Bahia) onde a população branca está em minoria significativa (população autodeclarada branca, isto não quer dizer que ao olhar do agente público que classificaria as mortes não fosse registrado como "preto ou pardo") é somente 12,1% da população geral. Salvo se tivéssemos grupos de extermínio tipo KKK, que com 12,1% não poderiam existir, os dados indicam que os "negros e pardos" são mais assassinados e mais assassinos que os brancos, pois em cidades mais "brancas" como Curitiba no Paraná a taxa de homicídios é bem menor.

Um racista que lesse este trabalho poderia dizer que quando se concentram "não brancos" (usei o não branco com o objetivo de mostrar como um racista típico agiria de forma dissimulada) dentro de uma cidade naturalmente aumenta a criminalidade. Ou seja a leitura deste trabalho, devido à sua má qualidade pode servir como uma arma perigosa a favor do racismo.

Vou colocar outra colocação racista que poderia sair deste estudo, em Curitiba, onde 78,8% da população é branca e por consequência 21,2% são "negros e pardos" 88,9% dos homicídios são contra brancos, e somente 11,1% são contra negros, ou seja, se a quantidade de "pessoas de cor" (velho eufemismo racista) é mantido dentro de um determinado limite, os "brancos" conseguem combater a criminalidade aumentando a segurança dos não brancos.

Em resumo, um trabalho como este serve para qualquer coisa, menos para combater a discriminação e o preconceito no Brasil, porém como era necessário aos burocratas de plantão algo para motivar as campanhas de salvar a "raça negra" da ignomínia dos racistas "brancos" tudo é válido, mesmo que isto sirva para aumentar a distância entre os brasileiros.

ANTONIO,

A nossa questão crucial é que existe uma parcela da população que sofrem com o racismo. E o estado tem optado, nos últimos anos, sair do imobilismo e da omissão em nome da falaciosa ´democracia racial´, e o tem feito com adoção de políticas públicas também em bases raciais.

Já são centenas de programas estatais de PROMOÇÃO DA IGUALDADE ´RACIAL´, e assim procedendo, tal como fez os EUA, estará consolidando para o povo um conceito equivocado que é o de ´pertencimento racial´. Alguns por assumir a ´raça negra´ receberão privilégios. Outros, considerados da ´raça branca´ perderão oportunidades.

Portanto, o que debatemos é qual a melhor opção de combate ao racismo. Esse ´post´ a que você está contribuindo, tem origem na opinião radical de um afro-americano que não quer ser designado por ´Mr. Blcak´, mas pelo nome próprio. Ele também não quer se continue falando em racismo.

Eu concordo com ele. Acho que devemos continuar apenas combatendo o racismo e o conceito de ´raças´, pois esse conceito é a base das discriminações e exclusões injustas. E as vítimas continuam sendo vítimas não em razão da ´raça´, mas da cor, e a questão que você coloca é como vamos nos referir a essas vítimas? Eu uso designa-las por ´afrodescendentes´, afro-brasileiros, afro-cubanos, afro-venezuelanos, afro-americanos.

Por que isso? Para não usar o que fazem a maioria: não me refiro a ´raça´ das pessoas e a própria designação de pessoas ´negras´ já é uma definição racial.

Você afirma: "raça"/racismo, como construção sociológica ou não, está relacionado à cor ou a alguma característica cultural ou religiosa. Judeus, por exemplo, não obstante serem brancos sofreram com o anti-semitismo.

Essa afirmação não é verdadeira. A base ideológica do racismo é a ´raça´ e não a cor. Se fosse a cor o fenômeno seria o ´colorismo´ e não racismo. Portanto, para não me referir à ´raça´, se eu me refiro a afro-descendentes o meu interlocutor já sabe que me refiro a pretos e pardos e não preciso do adjetivo racial.

A outra coisa, é que ´raça´ sempre foi uma construção social, e nunca foi uma criação da ciência. A ciência foi utilizada para justificar a ideologia, mas fracassou e a própria ciência vem atestando a inexistência de diversas raças humanas pois a nossa espécie tem a origem comum africana conforme nos informa a genética.

De outro lado, as leis que tem sido adotada no Brasil, se referem objetivamente a classificação e ao pertencimento racial, sendo que a Relatora do PLC 180/2008 - Senadora ANA RITA-PT/ES se refere expressamente a esse objetivo da lei: induzir os jovens a assumirem o seu pertencimento racial.

Considero isso uma perversidade. Pois a identidade racial estatal para a ´raça negra´, em especial, por imposta pelo estado, significa a imposição de uma condição presumida de inferioridade pois, segundo a ideologia do racismo, a ´raça negra´ é a base inferior da pirâmide racial. O estado não tem esse direito. Bem ao contrário tem o dever de não submeter seus cidadãos a qualquer constrangimento e o dever maior de assegurar a todos a inteira ´dignidade humana´, inscrita no artigo 1, da CF/88

Bom dia Militão!

Ninguém é estigmatizado pela "raça". 

O negro é estigmatizado pela cor da sua pele e não por pertencer à "raça" negra.  A mulher sofre com o preconceito por ser mulher. Semântica, isto é, usar palavras diferentes para se designar negros e mulheres, em absoluto, mudará o fato de que são mulheres e negros e que, por serem mulheres e negros, eles/elas sofrem com a discriminação.   

Um humorista stand up americano, negro, fez uma piada/critica à comparação dos movimentos negro e LGBTs. Segundo ele, os LGBTs podem se "esconder no armário": negros e mulheres não. Ou seja, a discriminação acontece pela identificação visual e não pelo DNA ou orientação sexual.

Quanto ao conceito de "raça", além da construção social, setores mais conservadores, reducionistas e deterministas da ciência contemporânea, em especial os neo darwinistas, defendem a ideia de "raça". É só ler caras como Steven Pinker e David Eagleman.  Esses setores xiitas da ciência estão mais afeitos à neo-eugenia; é só ver a solução que eles apresentam para lidar com criminosos. Qualquer semelhança com Lombroso e lobotomia não será mera coincidência. Ademais, esses setores mais xiitas da ciência são extremamente racistas e misóginos. A família de Richard Dawkins, por exemplo, fez toda a sua fortuna explorando explorando a escravidão e tráfico de navios negreiros.

Militão, ao criar ações afirmativas/cotas para negros o Estado está sim garantindo que  "o dever maior de assegurar a todos a inteira ´dignidade humana´, seja de fato inscrita no artigo 1, da CF/88".

O que você chama de "pertencimento 'racial' ", eu, prefiro chamar de identidade. Ou, orgulho de ser o que se é: negro e, sobretudo, não tentar ser mais branco ou diluir-se em tons de miscigenação. Seria mais ou menos como as mulheres, para evitar serem chamadas de sexistas trocarem o mulher por: pertencimento ao gênero humano.

 

Abs.

Antônio.

Eu, tu, o Militão e a Ana Lú, sabemos diferenciar o que é cor de pele e "raça", porém se olhares com cuidado a cada ação "racial" que o governo incentiva mais vai se criando algo mais parecido com raça e distante do conceito de cor da pele.

E digo mais, o teu último parágrafo conforme a forma que é lido pode deixar uma impressão de um novo neo-racismo, ou seja, um racismo em que se identificando numa identidade qualquer, européia, africana ou asiática, procura-se num segundo momento as "diferenças" dessas "raças", e quem procura acha, acha geralmente errado, mas que acha, acha.

A miscigenação é algo que não deve ser tomada como política oficial para a resolução de problemas históricos, entretanto a anti-miscigenação como política de grupos ou do estado, pode reforçar por outro lado sentimentos de segregação. Temos que levar em conta que grande parte das situações a miscigenação é mais produto afinidades pessoais do que de um ideologia de "branqueamento" ou melhor "pardeamento" internalizada nas pessoas, não acredito que a maioria dos casais com diferentes tons de pele, se casem para produzir filhos dentro do ideal propalado oficialmente por longo tempo, isto é reduzir demais os sentimentos das pessoas.

São sutilezas que em discursos políticos não alcançamos, e se perdermos estas sutilezas vamos cair num discurso meramente racista.

Boa tarde Maestri!

Sobre o último parágrafo, eu falo, dentre muitas coisas, do orgulho dos ítalo-descendentes tão altivos e briosos da sua origem e história e, sobretudo, de suas festas e tradições que foram trazidas por seus antepassados.  O fato de terem apreço por sua identidade italiana, grosso modo, não os antagoniza com os outros brasileiros e está longe de ser considerado racismo. Os "italianos", do Brasil/EUA, e de qualquer outro país, têm orgulho de serem o que são. De suas nonas  etc. As comunidades "italianas", no Brasil, são tão italianas que torcem para a seleção italiana de futebol.

Como defendes a teoria da miscigenação, eu o convidaria a fazer, no Brasil, um levantamento do índice de casamentos entre italianos brasileiros/as e negras/os ou indígenas. Ou, qualquer outra etnia que não seja europeia e branca. Verás que o índice será, com efeito, inexistente. A comunidade italiana no Brasil é uma das mais fechadas e conservadoras e, no entanto, nunca foram acusados [italianos] de serem racistas ou separatistas. Eu o convidaria a fazer esse mesmo levantamento de miscigenação contemporâneo/século XX em outras comunidades; os alemães/poloneses do sul do Brasil. Ou, os japoneses/chineses e coreanos de São Paulo. Verás que mais de 90% dessas comunidades, no Brasil, das supracitadas nacionalidades/etnias, não se misturam. Maestri, quantos afro-descendentes, proporcionalmente, você tem na sua família - do seu bisavô até o seu bisneto?  

Prezado Maestri, o discurso da miscigenação, no Brasil, não se sustenta. É, grosso modo, pura ideologia e neorracismo.

Por que os negros, no Brasil, deveriam ser chamados de separatistas e nazistas [o italo brasileiro Magnolli chamou os negros do Brasil de racistas e nazistas] por quererem ações afirmativas/cotas?

Acho que esse discurso de racialização, no fundo, contrafaz preconceito e negação de ações afirmativas para negros. O discurso da miscigenação, no Brasil, só seria válido se houvesse paridade, econômica e social, entre negros e brancos. Infelizmente, um negro, não raro, no Brasil, ganha 61% do salário médio de um "italiano" brasileiro branco; ou, de qualquer outro branco brasileiro.

Como já disse, via de regra, a miscigenação, no Brasil, tem local e data: período da escravidão - com estupro de negras e índias - e do branqueamento [final do século XIX e início do século XX] com maciça propaganda governamental do governo brasileiro  de que ser branco era [é] melhor.

Sem paridade econômica e social, o discurso de miscigenação é, de fato, parte da ideologia do neorracismo. O neorracismo, usa a miscigenação como discurso politico e ideológico de negação do racismo e exaltação da democracia "racial" brasileira. Na verdade, o neorracismo, é uma teoria do branqueamento/eugenia repaginada. Coisa de Ali Kamel e amigos.

Abs.

 

Antonio

Eu sou em parte descendente de Italianos logo posso dizer com a maior tranqüilidade que, os ITALIANOS SÃO EXTREMAMENTE RACISTAS. Também posso dizer isto dos descendentes de alemães.

Não sei da onde tiraste que por exemplo o racismo é tolerado em todos os meios. Aqui no Rio Grande do Sul, por exemplo, temos um caso clássico de um pseudo-escritor de origem alemã, que tentou duas vezes literatura revisionista anti-semita, na primeira vez ele ganhou cadeia e na segunda por pouco não foi linchado.

Quanto à miscigenação tenho um exemplo fantástico, de um descendente de italiano "puro sangue" que não tinha o mínimo pudor de manifestar suas idéias racistas, ele hoje em dia não é mais racista, pois se continuasse teria que ser racista com seus filhos e com a sua esposa! Este, é um exemplo, mas conheço vários, este é o mais notável porque o discurso racista desta criatura era algo que agredia a todos.

Acho que esta falta de miscigenação é mais devido ao isolamento das comunidades, como no interior do Rio Grande do Sul, do que qualquer coisa. No momento em que tu moras numa cidade em que 90% são descendentes de algum povo e não tem contato com outros, não há com quem se miscigenar!

Devias conhecer o Rio Grande do Sul para verificares que o que falas não corresponde à verdade. O que há forte mesmo é um elitismo principalmente no interior do estado, ou seja, pobre casa com pobre, e rico casa com rico, este sim é a maior pressão, e aí que se encaixa a diferença de renda com a não miscigenação.

E depois de tudo isto ainda repito, política governamental de integração via ideologias de branqueamento ou negação da discriminação, acho deplorável. Porém achar que o fortalecimento de um ou outro grupo, será conseguida com a negação da possibilidade de livre orientação das pessoas na escolha dos seus parceiros, é além de racista é uma violação dos direitos individuais de cada um.

Quanto a diferença de renda eu te pergunto uma coisa, um médico ou um engenheiro descendente de italiano, ganha mais que um médico ou um engenheiro afro-descendente?

Se responderes com sinceridade esta pergunta verás que o problema antes de tudo é social.

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