Prezados,

         Neste mês da ´Consciência Negra´ de 2012, para a nossa reflexão, uma mensagem do notável e mais prestigiado ator afro-americano e talvez, a meu sentir, o maior ator afrodescendente de todos os tempos.

         Num vídeo de menos de 1 minuto:

         https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=BOPcy...

         Mês da ´Consciência Negra´, o que acha disso? Ele responde: ridículo.

         Na condição de ativista contra o racismo, defendo a destruição do conceito de ´raça humana´ e mais ainda, compreendo que somente racistas aceitam o estado patrocinando a ´raça estatal´ e as políticas públicas em bases raciais, que vulgariza e torna costumeiro o uso de critérios e causas raciais.

         O conceito de ´raça´ e a prática de classificação racial dos humanos deve ser estigmatizado e repudiado, cabendo ao estado, a abstenção de sua prática.

         Ao contrário do que pensam os defensores de políticas raciais, prefiro o racista constrangido e envergonhado de sua má formação e de seu defeituoso caráter.

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Respostas a este tópico

Militao, como você responderia a esses resultados da Síntese de Indicadores Sociais de 2012:

Frequência de jovens estudantes pretos e pardos nas universidades triplicou em dez anos

A proporção de jovens estudantes de 18 a 24 anos que cursavam o nível superior cresceu de 27,0%, em 2001, para 51,3%, em 2011. Observou-se uma queda expressiva na proporção dos que ainda estavam no ensino fundamental, passando de 21% em 2001 para 8,1% em 2011. Jovens estudantes pretos e pardos aumentaram a frequência no ensino superior (de 10,2%, em 2001, para 35,8%, em 2011), porém, com um percentual muito aquém da proporção apresentada pelos jovens brancos (de 39,6%, em 2001, para 65,7% em 2011).
ANA-LÚ,

O fato de ter triplicado o número de pretos e pardos nas universidades é um fator positivo, sem dúvida alguma. Sempre lutei por isso. Através de cotas SOCIAIS. Por entender que o mecanismo das cotas com segregação de direitos por privilégio racial produzirá efeitos colaterais terríveis. Se 70% dos pobres são pretos e pardos, a reserva de 50% das vagas significam o acesso a 35% pelos afro-brasileiros.

Por outro lado, a melhor distribuição de rendas e a elevação de 30/40 milhões para a classe C, dos quais 70% são pretos e pardos, também induz a que seus filhos tenham mais oportunidade e interesse pelos estudos, sendo outro fator para o aumento. Ainda não analisei todos os dados e vou procurar fazei-lo nos mpróximos dias.

Acredito que as cotas sociais alcançariam o mesmo resultado sem os efeitos colaterais que demoram, uma, duas, três gerações mas não tenha dúvida aumentará o sentimento de pertencimento racial tanto dos beneficiários quanto dos que estiverem sendo preteridos.

Conforme o óbvio, quem perde vagas pelo critério racial, são os piores classificados nos vestibulares e eles são brancos jovens, do mesmo ambiente social da mesma escola, da mesma rua, do mesmo Cingapura/Coha, portanto, amigos, primos e até irmãos.

Considero uma perversidade os ricos nada perderem e o estado, sem novos investimentos, faz a manipulação da escassez, e passa a promover uma disputa racial entre os mais pobres. Evidente que o resultado disso não será bom. É temerário. Semente de ódios raciais, cujos frutos venenosos, somente produziram tragédias e genocícios.

A principal razão, porém, é que as cotas raciais são políticas que legitimam o discurso racista e traz consigo, implícita, a afirmação de uma inferioridade presumida reservada à ´raça negra´ aquela que o racismo diz ser a raça inferior.

Isso viola a dignidade humana do beneficiário, especialmente das criaçna e dos jovens imaturos.

Sou muito convidado para debates nos colégios e procuro sempre me reunir com os jovens pretos e pardos após os debates. São centenas de depoimentos. Milhres que afirmam o constrangimento disso.
Obrigada pela resposta, Militao (a que eu nao estou podendo responder no lugar certo, saco isso). Mas discordo de você em pelo menos um ponto (quanto a outros, tenho dúvidas): nao é verdade que o sistema de cotas a negros e pardos corresponda a uma visao de que eles seriam menos capazes, reconhece apenas que eles têm menos chances por causa do preconceito racial. É bem diferente...

Ana Lú.

Uma coisa é o discurso público e oficial, outra coisa é a reação das pessoas. Não adianta fazer uma lei:

- Não deve ter discriminação contra os alunos que ingressarem nas Universidades pela política de cotas raciais.

Parece até má vontade da tua parte de reconhecer algo que é simples, cria-se um "privilégio" (botei  entre aspas pois não considero um privilégio, mas sim uma retratação, que gostaria que fosse feita de outra forma), se há um "privilégio" haverá aqueles que não conseguirão seus objetivos, ou conseguirão com um teórico maior esforço de sua parte.

Logo serão criados dois grupos, os "privilegiados e os não privilegiados". Se as cotas fossem sociais não haveria um corte definido por raça, mas sim por status social, o resultado final seria praticamente o mesmo, mas o aluno não se acharia "assistido" por questão de raça, nem o seu colega o veria de mesma forma.

Há um aspecto que ressalto como o Militão, mas com outras palavras, a AUTO-ESTIMA. Uma coisa é se ter um "privilégio" porque seus pais não tinham dinheiro, outra coisa é ter este mesmo "privilégio" por ser "racialmente" diferente (hipoteticamente inferior - aí está a raiz do problema), e no que se concentra este "racialmente", na capacidade intelectual, algo extremamente subjetivo que pode demolir parte da auto-estima de um jovem.

Coloquei outro dia um trecho de um especialista em Bulling, e o mesmo cita como um dos principais motivos do Bulling nas escolas os insultos raciais. Agora Ana Lú, tenha um pouco de imaginação e boa vontade, e pense de que será chamado alguém por seus colegas que se sentem prejudicados pela política de cotas raciais. Note, a nota do aluno poderá ser bem abaixo do outro para entrar no mesmo curso!

Rogério, esse blablablá todo sobre os embates entre "privilegiados" e nao privilegiados ainda seria plausível de ser IMAGINADO se as cotas fossem começar agora. ELAS JÁ EXISTEM HÁ DEZ ANOS em algumas universidades, e NADA DISSO ACONTECEU... (Leciono para alunos cotistas e nao cotistas, e nunca vi sinal disso...)

Não é na UNIVERSIDADE é no SEGUNDO GRAU. QUER QUE EU DESENHE?

Pelo que eu saiba, o Bulling escolar é característico de ADOLESCENTES!!! Não de adultos.

Tá difícil!

Ah, tá. E por acaso você tem dados sobre o fato do bullyng no segundo grau ter aumentado, e ser por causa disso? JÁ HÁ DEZ ANOS QUE AS COTAS EXISTEM. QUER QUE EU DESENHE? Ora vá passear!

     ANA,

     Veja o perigo de debates ´raciais´... até aqui, pessoas de nível diferenciado como vc. e o Rogério, já estão brigando..... rss.

     Mas, falando sério: o problema não se dará dentro do campus. Pois ´dentro´ estão somente os incluídos: cotistas e não-cotistas.

     Portanto, já vejo o debate na fase ´pré´ ingresso. Onde jamais teve o debate de diferenças e pertencimentos raciais passou a ser tema que obrigam os professores a tratar disso, a chamar debates, a discutir inclusive as estratégias para seus alunos.

     Desculpe, nao sou técnico da área pedagógica. Sou acima de tudo um ativista contra o racismo e nessa condição, meu olhar é político e vejo que tudo isso não existia a dez anos e que sua introdução, veja, lideradas por Garotinho e Sarney, não representam o que há de melhor, nem de progressista, no ambiente social e político na parte do Brasil que ambos influenciam e governaram. As cotas raciais é uma forma tosca, fácil, rudimentar e manipuladodra de política pública. O estado sem novos investimentos, retira vagas de um e entrega a outra, em escala de dezenas de milhares todos os anos produzirá gerações de milhões de pessoas algumas portadoras de privilégios estatais e outras pessoas, lamentando exclusões estatais, ambas pela razão racial.

    Considero uma perversidade que o estado/as universidades tenham colocado essa agenda para a sociedade brasileira, e pior ainda, para a juventude, imatura, insegura nessa fase de extrema fragilidade emocional, entre a adolescencia e a maturidade, passou a ter uma agenda de direitos raciais. Vivi isso, exatamente nesse período em que participei tão intensamente dos debates políticos. Tenho um filho com 22 entrou na USP e outro com 21 na UFABC, e vi bem a ansiedade deles na fase pré-vestibular.

    A outra coisa é que os efeitos disso, demoram para se transformar em ódios raciais. Uma, duas, três gerações. O exemplo de Ruanda, demorou cem anos para aqueles povos que viviam no mesmo território a mais de mil anos, passaram a se odiar após receberem dirietos distintos outorgados pelo colonizador alemão e belga. Foi o maior genocídio da história africana.

    Também a questão da auto-estima, anotado pelo Rogério, demora para produzir efeitos. Nos EUA já tem sido constatado com o niilismo social que está destruindo a juventude afro. Vários intelectuais afro-americanos não têm dúvidas: os jovens perderam o orgulho das conquistas de seus pais. Em alguns estados, mais de 50% de jovens 16-30 estão sob custódia da justiça. No total cerca de 6% dos afro-americanos cumprindo penas. Em 1970 eram apenas 0,1%.

    Para piorar as projeções para o futuro, esse nível de criminalizaçao da juventude, já repercute de forma negativa em outro dado: em 1970 nos EUA, 13% das crianças em filhas de mãe-solteira, em 2010 mais de 70%, a única diferença estrutural ocorrido em 1970 e 2010, foram as políticas de cotas raciais empregadas intensamente nos anos 1970-1990.

    Ora, ANA, o estado não tem o dever de empregar esse tipo de política pública que produzirá danos irreparáveis em toda a nossa juventude: nos brancos inspira o conflito racial. NOs pretos e pardos a baixa-estima. Não é esse o papel do estado.

   WEBER já nos sintetizou as responsabilidade ética do homem público com as consequências e efeitos de suas ações. Não creio que Garotinho e Sarney, tenham pensado nisso.

Militão

Não te preocupes quanto a briga, não estamos brigando sobre este assunto, nós brigamos já por hábito, brigamos até por disputa de campeonato de jogo de botão, somos dois chatos de galocha e impertinentes, principalmente a Ana Lú!

Militão, acho que colocaste certo, estes problemas agem a longo prazo, assim como a discriminação demora gerações para ser eliminada, o ódio "racial" é um processo também de geração a geração, e é necessário pais com extrema consciência social para explicar porque da necessidade de política de cotas.

Talvez o que Ana Lú não perceba é a ação que causa este tipo de discriminação positiva age na cabeça de alunos de segundo grau, e posso dizer com certeza que agora mesmo com pouco tempo de existência dessas políticas públicas, um neo-racismo está surgindo. Cada jovem que "perder uma oportunidade" de ingressar na Universidade Pública se gesta um futuro multiplicador de mentalidade racista que será transmitido com maior vigor para a próxima geração.

Mas como bem disseste, Sarney, Garotinho e do outro lado, vários elementos de "esquerda" não avaliam com cuidado o que estão fazendo a longo prazo.

Se prestarem a atenção este item já teve mais de 600 ingressos de pessoas, e somente quatro o discutem, simplesmente porque as pessoas socialmente não acham correto assumir posições contra ou a favor do que estamos discutindo, mas certamente tem opiniões bastante sérias sobre o assunto.

Bom, Militao, até parece que nao houve outros fatores nessa história das prisoes americanas... Assim você transforma as cotas em causas universais de todos os problemas, até de unha encravada...

E tá difícil de debater assim, sem poder usar os links de resposta. Vou deixar de acompanhar o tópico. Vocês estao super convictos do que pensam, nao têm muita porosidade... Me sinto falando com uma parede. Nao sou sectária nessa questao. Embora concorde com as cotas em abstrato, acho a implementaçao difícil em vários aspectos. Francamente acho que essa seria uma discussao mais produtiva do que ficar imaginando coisas que ainda nao aconteceram e que possivelmente nao aconteçam.

Abs a você, numa boa

Antonio

Eu sou descendente em parte de Italianos e também tenho nacionalidade italiana e posso dizer com a maior tranquilidade, os ITALIANOS SÃO EXTREMAMENTE RACISTAS. Eu combato já combati isto exatamente várias vezes em que me encontrava num meio não miscigenado, e onde as manifestações racistas não eram veladas, e este meu combate já me gerou grandes problemas.

Também posso dizer que os descendentes de alemães, também são racistas, e também posso te dizer que no passado este tipo de comportamento de questionar de forma mais enfática comportamentos racistas, por pouco não entrei em atritos físicos com elementos racistas alemães (quando brigava com descendentes de italianos, eles me reconhecendo como "Italiano" tinham mais tolerância ao que eu falava, mas quando eram descendentes de alemães eu sofria um racismo e não aguentava).

Não sei da onde tiraste que por exemplo o racismo é tolerado em todos os meios. Aqui no Rio Grande do Sul, há um pseudo-escritor de origem alemã, que tentou duas vezes literatura revisionista anti-semita, na primeira vez ele ganhou cadeia e na segunda por pouco não foi linchado.

Quanto a miscigenação tenho um exemplo fantástico, de um descendente de italiano "puro sangue" que não tinha o mínimo pudor de manifestar suas idéias racistas, ele hoje em dia não é mais racista, pois se continuasse teria que ser racista com seus filhos e com a sua esposa! Este, é um exemplo, mas conheço vários, este é o mais notável porque o discurso racista desta criatura era algo que agredia a todos.

Acho que esta falta de miscigenação é mais devido ao isolamento das comunidades, como no interior do Rio Grande do Sul, do que qualquer coisa. No momento em que tu moras numa cidade em que 90% são descendentes de algum povo e não tem contato com outros não há como se miscigenar, tanto que quando as comunidades aqui no Rio Grande do Sul, tem várias origens, é difícil encontrar alguém que não é miscigenado.

Devias conhecer o Rio Grande do Sul para verificares que o que falas não corresponde a verdade, há isto sim um elitismo, ou seja, pobre casa com pobre e rico casa com rico, este sim é a maior pressão, e aí que se encaixa a diferença de renda com a não miscigenação. E é interessante se notar que as maiores manifestações de racismo oficializado (clubes e bailes segregados) que vi, foi exatamente na região de fronteira do RGS, onde a presença do imigrante italiano e alemão na época não era significativa (décadas de sessenta e setenta), nesta região, região tipicamente pastoril, há duas espécies de pessoas, os donos do gado e o gado.

Eu sou muito observador em termos de comportamento de pessoas, e tenho uma boa facilidade de identificar comportamentos racistas discretos e velados, e vejo que a componente social é o mais forte nisto tudo.

Com tudo isto ainda repito, política governamental de integração via o branqueamento ou negação da discriminação, acho deplorável. Porém achar que o fortalecimento de um ou outro grupo será conseguida com a negação da possibilidade de livre orientação das pessoas na escolha dos seus parceiros, é além de racismo uma violação dos direitos individuais de cada um.

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