NEONAZISTAS DO PARANÁ ESPANCAM IDOSO NEGRO DE 71 ANOS, EM RIO CLARO, SP.

NEONAZISTAS DO PARANÁ ESPANCAM IDOSO NEGRO DE 71 ANOS, EM RIO CLARO, SP

 

Agressores são transferidos para Itirapinapor Carlos Marques - publicada em 8. 4. 2013 - atualizada 8h57Os dois jovens, presos na madrugada de sábado após agredirem um idoso de 71 anos, serão conduzidos ao presídio de Itirapina nesta segunda-feira. Internado na UTI da Santa Casa, Benedito de Oliveira sofreu traumatismo craniano
 
 
Detidos pela Guarda Municipal na Rua 1 com Avenida 2, um terceiro elemento continua foragido. Foto: Globo News

O ataque aconteceu em frente ao Grupo Ginástico Rio-clarense, onde o idoso Benedito Santana de Oliveira, residente em Ipeúna, atuava como guardador de carros. A vítima ficou gravemente ferida no rosto, sofreu traumatismo craniano e segue internada no leito 8 da UTI da Santa casa de Rio Claro com sangramentos internos.

O delegado de plantão, diante da gravidade das lesões sofridas pelo senhor Benedito optou por não arbitrar fiança, o que faz com que os rapazes permaneçam presos até que outra ordem, agora judicial, possa determinar fiança.

Veja o vídeo feito pela Globo News na matéria Idoso de 71 anos é espancado por rapazes em Rio Claro (SP).

O que narra o relato da Guarda Civil

Por volta das 02h21 de 06/04/2013 o Centro de Operações da GCM recebeu solicitação noticiando que havia um homem caído em via pública vítima de agressão, no local a viatura encontrou  Benedito Santana de Oliveira, de 71, anos caído ao solo desacordado e com várias lesões pelo corpo, populares que presenciaram o ocorrido informaram que os autores da agressão eram dois jovens que se evadiram logo em seguida, em posse das informações os patrulheiros com a ajuda das demais viaturas intensificaram o patrulhamento na região e lograram êxito em localizar H.A.C., de 20 anos, e A.L.R., de 21 anos, ambos oriundos do estado do Paraná.

Com a presença de testemunhas do fato foi dado voz de prisão aos indivíduos que foram conduzidos até o plantão permanente juntamente com outra vítima, S.G.O., de 57 anos, e várias testemunhas que presenciaram as agressões. Durante o trajeto, o s agressores demonstraram ser bastante preconceituosos, pois afirmavam que “paulistas são todos burros”, “os pobres tinham que morrer” e que “não gostavam de velhos”, deixando evidente suas intolerâncias.

A autoridade de plantão entrou em contato com autoridades do município de Ponta Grossa, no Paraná,e obteve informação que esses dois indivíduos são suspeitos de ingressarem uma facção neonazista daquele estado. Em razão de Benedito Santana de Oliveira encontrar-se internado em estado grave, com risco de morte, os indivíduos foram autuados em flagrante por lesão corporal grave e lesão corporal leve já que o segundo agredido apresentava apenas lesões leves no corpo, é o que informa o RDO/PC 5510/2013 e o RO/GM 0468/2013.

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Respostas a este tópico

Stanley Burburinho atualizou seu status:

"Queria ver esses neonazistas aqui no Rio.

Na década de 80, depois do show dos Ramones no Maracanãzinho, um grupo de skin heads de SP começou a agredir negros enordestinos. Só que havia um grupo enorme de gente da Rocinha que pegou os caras e quebrou de pau.

Depois disso, os neonazistas foram levados para uma delegacia e o delegado fez questão de colocar os caras numa cela onde só havia negros e nordestinos e ainda fez questão de dizer que os neonazistas não gostavam de negros e nordestinos.

Você pode imaginar o que aconteceu dentro da cela a noite inteira. Na manhã seguinte, encontraram os caras desmaiados na cela. Apanharam muito."

AGRESSOR LIDERA GRUPO NAZISTA EM PONTA GROSSA / PR

Agressor lidera grupo nazista em Ponta Grossapor Carlos Marques - publicada em 9. 4. 2013 - atualizada 9h16Em uma rápida busca pela internet é possível localizar documentos da Polícia Civil onde Axel Ramos, um dos rapazes presos por agredir um senhor negro de 71 anos é apontado como organizador de grupo nazista no Paraná
Foto fornecida pela Guarda Civil Municipal

Em agosto de 2012, a Polícia Civil do Paraná cumpriu mandados de “busca e apreensão em duas residências localizadas no núcleo Santa Terezinha, em Ponta Grossa, onde foram apreendidos socos-ingleses, punhais, cartas e anotações com referências ao nazismo, suásticas, capas, coturnos, peruca, máquina fotográfica, celulares e computadores. A operação policial foi coordenada pelo delegado Marcus Vinicius Sebastião, do 2º Distrito Policial, e resultou no indiciamento de Axel Ramos, 20 anos, e de Edson Felipe Junior, vulgo ‘Capeta’ ”.

Mesmo com esses antecedentes, e tendo como vítima um senhor negro de 71 anos, as informações passadas no boletim de ocorrência lavrado na Delegacia de Polícia de Rio Claro não dão conta de o crime possa estar associado a algum tipo de racismo, restringindo a agressão corporal grave.

Sem arbitrar fiança por entender que as lesões foram graves, os dois rapazes capturados pela Guarda civil foram transferidos para a unidade prisional de Itirapina, onde aguardam o pronunciamento da justiça.

Terceiro elemento

Segundo informações, a polícia ainda não teria localizado o terceiro elemento que participou da agressão a Sebastião Santana Oliveira, negro e com 71 anos de idade. Com tantas câmeras pelo centro da cidade, públicas ou não, difícil acreditar que o trio não teria sido capturado por algumas, até por que, segundo consta, os elementos teriam deixado as dependências do Grupo Ginástico pouco tempo antes de cometer o crime.

Veja abaixo, na íntegra, o comunicado postado no site oficial da Secretaria de segurança Pública do Paraná:

Policia Civil indicia suspeitos de liderar grupo neonazista em Ponta Grossa

"Conforme informações repassadas pelo Delegado Marcus Vinicius, a investigação sobre a existência do bando skinhead começou em maio, depois que um rapaz integrante de um grupo punk sofreu tentativa de homicídio na área central da cidade. “Na oportunidade o jovem foi atacado por neonazistas e recebeu sete facadas. Quem o atendeu achou que ele não conseguiria sobreviver”, como explicou Doutor Marcus. Desde então, os policiais descobriram que os skinheads costumam se comunicar pelas redes sociais onde colheram várias informações postadas por eles na internet, incluindo fotos de armas e roupas usadas nos ataques. Além da tentativa de homicídio, há outra queixa de agressão contra o grupo neonazista.

Alguns objetos apreendidos chamaram a atenção da polícia. Numa máquina fotográfica, foram encontradas fotos de um dos suspeitos com o corpo flagelado. Nas residências foram encontradas ainda imagens e símbolos do nazismo, além de uma revista sobre matadores em série. Segundo o Delegado Marcus Vinicius, “os dois jovens indiciados são os líderes do movimento”. Ele suspeita ainda que outras dez pessoas façam parte da gangue neonazista e que estejam ligadas a uma rede que age em todo o país. “Descobrimos que eles mantêm contato com grupos do Rio Grande do Sul e outras regiões. Vamos apurarar a participação do grupo em outros crimes e acredito que, se a polícia não agisse para desmantelar a quadrilha, uma tragédia era iminente, pois o que encontramos na casa de um dos rapazes, que tem o apelido de ‘Capeta’, é assustador. Ele aparenta ser um psicopata, daqueles que poderiam entrar num cinema e atirar nas pessoas”, comentou."

BENEDITO, O NEGRO ESPANCADO EM RIO CLARO, SP,

POR NEONAZISTAS DO PARANÁ.

Texto novo: NOS PERDOE, BENEDITO. “Um idoso de 71 anos ficou gravemente ferido após ser espancado na madrugada deste sábado (6), em Rio Claro (SP). Os suspeitos do crime, um rapaz de 20 anos e outro de 21, foram presos e a polícia diz que ambos são integrantes de um grupo neonazista de Ponta Grossa, no Paraná. A vítima corre risco de morte” Benedito de Oliveira tem uma história. Teve amores, tem filhos, provavelmente netos e alguns sonhos. Benedito é negro. Negro, idoso e trabalhador. E foi espancado. Um soco seria muito, dois me machucariam também. Vários me mataram. Mataram com o horror por fazer parte de uma sociedade elitista, excludente e podre. Podre em espírito, em falta de amor, em muito de egoísmo e em escassez de compaixão. Mataram com a verdade de eu fazer parte de uma sociedade em que simplificar a diversidade ainda parece ser a solução para a vida de indivíduos, que, no fundo, não são seguros sobre si mesmos. Uma sociedade em que fazer parte de um mundo fechado em suas próprias convicções deixa seus membros confortáveis: assim não há o medo, não há o temor do confronto, do inesperado, da possibilidade de mudança. Dói perceber doer nos outros o diferente, o oposto, o outro. Perceber que não é visto que a singularidade de ser nos iguala. Que afronta a identidade de alguém, uma identidade que não seja a dele mesmo. Dói, como doeram em Benedito as pancadas, ver que as pessoas vêem o mundo apenas pela sua ótica particular, e que rejeitam aquilo que não se enquadre nela. Mais fácil, deve ser, mas não menos triste. E, por fim, dói saber que tantos anos após o fim da escravidão ainda somos escravos das aparências, de nosso orgulho, da nossa prepotência. Ainda somos escravos de nossa desumana violência. O filho tenta entender o porquê da agressão. Não tente, José. Benedito foi espancado pela ignorância. Foi violentamente atacado por três jovens que, ao contrário da pele negra, têm seus corpos tatuados de racismo e os corações marcados de ódio. Benedito cometeu um pecado mortal: ser diferente. E então penso que Beneditos e Beneditas, Josés e Marias, são açoitados diariamente às escuras. São humilhados, esquecidos, rejeitados. Hematomas invisíveis são causados pelo sistema sujo, corrupto e segregacional em que vivemos cegamente. São causados pelo descaso do serviço público, pela falta da educação, pela rejeição e pelo medo. Por olhares de reprovação, por desvios nas calçadas, por desprezos diários e insultos sofridos. Causados pelas não oportunidades, pelas não vagas nas universidades, pela não distribuição de renda e pelas não moradias. Pela necessidade de trabalhar aos 70 anos no meio da noite para sustentar a família. Pela omissão da sociedade, pelos gritos velados. Causados pelo passado de preconceito, ainda tão presente. Benedito foi espancado por ser negro, idoso, trabalhador, humilde. Enfim… Por ser brasileiro. E então, meu Deus, o que estamos fazendo com o nosso povo? Os golpes que açoitaram sua face acertaram a minha alma. Nos perdoe, Benedito(s). Susana Berbert. http://emminhasentrelinhas.wordpress.com/2013/04/07/1544/
Texto novo:

NOS PERDOE, BENEDITO.

“Um idoso de 71 anos ficou gravemente ferido após ser espancado na madrugada deste sábado (6), em Rio Claro (SP). Os suspeitos do crime, um rapaz de 20 anos e outro de 21, foram presos e a polícia diz que ambos são integrantes de um grupo neonazista de Ponta Grossa, no Paraná. A vítima corre risco de morte”

Benedito de Oliveira tem uma história. Teve amores, tem filhos, provavelmente netos e alguns sonhos.
Benedito é negro. Negro, idoso e trabalhador. E foi espancado.

Um soco seria muito, dois me machucariam também. Vários me mataram. Mataram com o horror por fazer parte de uma sociedade elitista, excludente e podre. Podre em espírito, em falta de amor, em muito de egoísmo e em escassez de compaixão. Mataram com a verdade de eu fazer parte de uma sociedade em que simplificar a diversidade ainda parece ser a solução para a vida de indivíduos, que, no fundo, não são seguros sobre si mesmos. Uma sociedade em que fazer parte de um mundo fechado em suas próprias convicções deixa seus membros confortáveis: assim não há o medo, não há o temor do confronto, do inesperado, da possibilidade de mudança.
Dói perceber doer nos outros o diferente, o oposto, o outro. Perceber que não é visto que a singularidade de ser nos iguala. Que afronta a identidade de alguém, uma identidade que não seja a dele mesmo. Dói, como doeram em Benedito as pancadas, ver que as pessoas vêem o mundo apenas pela sua ótica particular, e que rejeitam aquilo que não se enquadre nela. Mais fácil, deve ser, mas não menos triste. E, por fim, dói saber que tantos anos após o fim da escravidão ainda somos escravos das aparências, de nosso orgulho, da nossa prepotência. Ainda somos escravos de nossa desumana violência.

O filho tenta entender o porquê da agressão. Não tente, José. Benedito foi espancado pela ignorância. Foi violentamente atacado por três jovens que, ao contrário da pele negra, têm seus corpos tatuados de racismo e os corações marcados de ódio. Benedito cometeu um pecado mortal: ser diferente.
E então penso que Beneditos e Beneditas, Josés e Marias, são açoitados diariamente às escuras. São humilhados, esquecidos, rejeitados. Hematomas invisíveis são causados pelo sistema sujo, corrupto e segregacional em que vivemos cegamente. São causados pelo descaso do serviço público, pela falta da educação, pela rejeição e pelo medo. Por olhares de reprovação, por desvios nas calçadas, por desprezos diários e insultos sofridos. Causados pelas não oportunidades, pelas não vagas nas universidades, pela não distribuição de renda e pelas não moradias. Pela necessidade de trabalhar aos 70 anos no meio da noite para sustentar a família. Pela omissão da sociedade, pelos gritos velados. Causados pelo passado de preconceito, ainda tão presente.

Benedito foi espancado por ser negro, idoso, trabalhador, humilde. Enfim… Por ser brasileiro. E então, meu Deus, o que estamos fazendo com o nosso povo?

Os golpes que açoitaram sua face acertaram a minha alma.
Nos perdoe, Benedito(s).

Susana Berbert.

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