NOSSO LAR : O UMBRAL KARDECISTA

 

Os evangélicos costumam colocar o kardecismo na mesma esfera de práticas teurgícas como o candoblé e a umbanda. Isto denota uma profunda ignorância e contribui com o preconceito e a
intolerância em relação a estes. Antes de tudo, nenhuma intolerância pode
representar a vontade divina, seja contra kardecistas, umbandistas e ou
seguidores do candomblé, pois, a intolerância só gera ódio, conflito e desamor
e isto está muito distante de algum princípio divino e humano digno.

 

Quem conhece a prática beneficente e altruístas dos kardescistas não pode deixar de se comover. Sem dúvida, um dos maiores humanistas que o Brasil, por exemplo, conheceu nos
últimos tempos fora o grande Chico Xavier.

 

Enfim, o kardecismo merece o maior respeito e admiração. Afinal, o espiritismo kardecista tem contribuído para o refinamento de seus membros e na disseminação da bondade.

 

No entanto, em relação a verdadeira busca espiritual o kardecismo está completamente contaminado de fragrantes e enormes equívocos.

 

O kardecismo se pretende filosofia, mas filosoficamente apresenta erros básicos. O kardecismo se pretende ciência, contudo, está recheado de superstições. Enfim, o kardecismo
nem contém filosofia e/ou ciência.

 

Ele está baseado em meras crenças e, assim, o kardecismo não passa de uma religião. O kardecismo não é uma via de conhecimento, mas de crença, como toda e qualquer religião conhecida.

 

Num exame simples constatamos os graves equívocos do kardecismo. Na verdade, na busca mística o kardecismo representa um umbral, um empecilho que atrapalha a vida de muitos buscadores,
já que estes costumam confundir uma prática com a outra.

 

Por exemplo, o tempo e o espaço são frutos de nossa consciência objetiva, ou seja, de nossos cinco sentidos físicos (visão, audição, tato, paladar e olfato). Evidentemente, a apreensão
(ou existência) do tempo e espaço está condicionada ao mundo físico através
destes nossos sentidos. Há quem afirme que, em virtude disto, vivemos
mergulhados num mundo de ilusões já que nossos sentidos físicos estão limitados
a este mundo material e, portanto, não podem apreender a transcendência da criação
e de planos mais elevados (de consciência).

 

Lógico, portanto, que ao fazermos a transição, ou seja, ao morrermos, perdemos os nossos sentidos físicos e, consequentemente, perdemos qualquer apreensão do tempo e espaço. Assim,
evidentemente, nos planos espirituais não existem tempo e espaço, ou seja,
ninguém é velho ou moço (não tem idade cronológica e biológica). Nos planos
espirituais não há a passagem de tempo (tantos anos, meses, etc). Não existe
consciência objetiva nestes planos e, portanto, não há apreensão de passagem de
tempo. Numa simples(?) meditação já perdemos a noção de tempo e espaço ao
conseguirmos transcender os nossos sentidos físicos, ou seja, nossa consciência
objetiva.

 

De fato, a maioria dos mortos sequer sabe que esta morta (ou que existe). Vive num estado de dormência. É por esta razão que necessitamos encarnar para pudermos despertar a consciência. Ou
melhor, precisamos morrer conscientes. Este estado é chamado de iluminação.
Sedo assim, os falecidos não interferem e não podem interferir no mundo físico
porque boa parte não sabe de sua condição, segundo, que não podem interferir
com a Lei Cármica (de causa e efeito), mudando completamente a vida de alguém
encarnado.

 

Por que precisamos encarnar? Um castigo? Um castigo cármico, tipo punição?

 

Precisamos encarnar porque só através do tempo e do espaço a nossa consciência se move e, portanto, pode evoluir. Ou seja, não encarnamos por castigo, mas pelo privilégio de termos a
oportunidade de crescimento.  É por esta
razão que devemos agradecer diariamente a oportunidade que o cósmico nos está
dando.

 

Não existem ações nos planos espirituais. A ação só pode ocorrer no tempo e espaço e como o tempo e o espaço são noções de nossa consciência objetiva (de nossos sentidos físicos), ela não
existe nos planos espirituais. A ação só existe no mundo material, manifesto.

 

Qualquer crença contrária é tão-somente uma crença e não passa disto.

 

Ao morrermos nossa consciência enfrenta seus medos. A este momento chamamos de umbral. Os nossos medos estão atrelados aos maiores equívocos. Precisamos vencer nossos medos e o fazemos
através do conhecimento. E, um dos maiores equívocos que nos prendemos são as
superstições. Temos medo de coisas que não existem. Não nos elevamos
simplesmente porque somos prisioneiros destes equívocos. Assim, muitas vezes
não avançamos porque não nos libertamos de nossas crenças. Precisamos retornar
para abrirmos a nossa consciência.

 

Como afirmou Hermes Trimesgistos: “assim como é em cima, é embaixo. Assim como é embaixo, é em cima”. Mas, óbvio que ele não estava afirmando que a vida pós-morte, por exemplo, é igual a vida
material. Esta idéia são fantasias que transferimos ao idealizarmos uma vida
além. Hermes, na verdade, fala em seu axioma das Leis. Assim como visualizamos
em nossa mente, assim será em nosso mundo físico, manifesto. Os princípios
herméticos, um grande guia na jornada espiritual, através do autoconhecimento, é
um dos primeiros livros conhecidos escrito pelo homem que expõe detalhadamente
as Leis pelas quais o universo se manifesta. Reconhece aí, portanto, uma
inteligência primeira criadora das Leis Universais contrárias ao caos.
Posteriormente, o grande filósofo grego Pitágoras chamará esta inteligência de
Grande Arquiteto do Universo, reconhecendo existir uma estrutura precisa na
criação.

 

Alguns argumentam, no entanto, que este raciocínio é muito “lógico”, cartesiano e, portanto, limitado. Mas, não existe nada mais LÓGICO que Deus e suas Leis.

 

Para se afirmar que um determinado conhecimento contém ciência, que seja ciência é necessário que este conhecimento não seja apenas nomeado de ciência. Tanto física quanto
metafisicamente (ou seja, material ou abstratamente) o universo, tanto físico
quanto espiritual, é regido por uma Lei única: Causa e Efeito.

 

Um místico, assim que começa sua jornada espiritual, e à medida que vai aprofundando, começa a conhecer perfeitamente os aspectos psíquicos e psicológicos do ser humano e sabe que
algumas manifestações psíquicas não fenômenos sobrenaturais e percebe que tanto
o mundo físico quanto o espiritual são regidos por Leis imutáveis.

 

O kardecismo ocupa o seu devido lugar enquanto religião e, assim, não é uma via de conhecimento, mas de crença. Ele, tanto quanto as demais religiões ocupa uma determinada etapa na evolução
humana e, consequentemente, precisa do maior respeito.

 

HIDERALDO MONTENEGRO

http://rosacruzhideraldomontenegro.spaceblog.com.br/

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Respostas a este tópico

Hideraldo, acho que a única coisa verdadeiramente científica é que obviamente, Deus não existe! e o resto é tudo "religião". O resto é "tese por tese"... é uma opção religiosa por outra. Mas talvez ter uma opinião do espiritismo através dos seus "seguidores" e suas livres interpretações (Nosso Lar é uma interpretação), seja um equívoco.
Deus existe? 


Nesta altura da vida, este questionamento nos parece tolo e inútil. Contudo,
ele é determinante em relação às nossas posturas, às nossas ações. 

Mas, será que científica e/ou filosoficamente podemos chegar a alguma conclusão definitiva a respeito desta questão? 

Primeiro, precisamos refletir que “Deus” estamos questionando. 

Sabemos que este
assunto está recheado de superstições e é por esta razão que pessoas
questionadoras, com espírito filosófico e científico repudiam de
imediato qualquer reflexão séria a respeito deste tema. 

Contudo, abandonado a mera crendice, filosoficamente, por exemplo, podemos
refletir de forma lógica e isenta de superstições e fazermos deduções no
mínimo curiosas e convincentes. 

Óbvio que nada neste campo pode ser definitivo, pois, sempre se tratará de uma vivência pessoal e,
portanto, nenhuma conclusão pode ser imposta. Afinal, trata-se de
deduções (tanto no sentido negativo quanto positivo à resposta). É
evidente que qualquer resposta sobre este assunto será completamente
pessoal e intransferível, porém, podemos obter dados que podem
contribuir para a reflexão das mentes abertas. 

Antes de falarmos do absoluto precisamos pensar sobre o relativo. Por questões óbvias
temos muitas dificuldades em
pensarmos o absoluto, afinal, tudo que vivenciamos está sujeito à
relatividade. Nada do que nos defrontamos na vida material é permanente.
A partir desta dedução podemos concluir de imediato que a priori não
existe o absoluto. Porém, esta é uma conclusão simplista, apressada. 

Quem melhor falou sobre a relatividade foi o grande gênio Albert Einstein.
Na verdade, só a partir do tempo e espaço é que podemos pensar e
constatar a manifestação da relatividade. 

No entanto, a primeira conclusão óbvia que podemos fazer do relativo é que se ele existe é
porque existe um absoluto, caso contrário, o relativo seria absoluto e,
portanto, não seria relativo. Não se trata de um mero jogo de palavras. A
lógica é exata: só existe o relativo se houver o absoluto. 

Ora, seguindo o raciocínio dialético de Platão, onde a existência de algo
necessariamente também impõe a existência do seu oposto. Assim, o
absoluto tem que existir já que inquestionavelmente existe o relativo
(o tempo e o espaço). Se existe a matéria tem que existir o imaterial, o
abstrato. Vivemos num universo onde prevalece o dualismo. Por que então
haveria de existir alguma exceção? 


Ora, se o relativo é o efeito do tempo e espaço (ou seja, o tempo e espaço se manifestam
relativamente), então, a dedução lógica é que o absoluto é aquilo que
está além do tempo e espaço, ou seja, da matéria. Aqui já estamos do
campo abstrato, metafísico. Contudo, este assunto desperta muito
ceticismo. Muitos já o eliminam de imediato por confundir que ele
deságua simplesmente no território da mera superstição, pois,
inevitavelmente vai cair no universo da espiritualidade. Mas, esquecem o
grande marco do pensamento moderno, grande mestre da metafísica e da
lógica: René Descartes. Descartes trouxe à metafísica a lógica ao seu
extremo. Com Descartes foi
sepultado o obscurantismo religioso que prevalecia até então. 

As religiões orientais, principalmente o budismo, incorporam em sua
filosofia ou têm como base e premissa o pressuposto da existência do
absoluto. 

Seja como for, científica e filosoficamente não podemos negar a sua existência. Ora, ao admiti-la precisamos, então,
repensar as conseqüências que esta existência tem em nossas vidas. 

O relativo é produto (no tempo e espaço) do absoluto? O visível é fruto do invisível, como disse Platão? 

Quais Leis este absoluto impõem? Como devemos nos postar e agir a partir
desta conclusão? Estamos falando aqui de uma Mente Universal, Deus? Que
Deus, ou Absoluto estamos admitindo? Este Absoluto elimina as Leis
Universais abrindo as portas para todas as superstições ou, ao
contrário, confirma inevitavelmente estas Leis ajudando a eliminar as
superstições? 

O fato é que podemos afirmar: o absoluto existe! 

E, este fato muda tudo completamente, inclusive as religiões como meio de se chegar à verdade,
pois, afinal elas estão condicionadas pelas heranças culturais
limitantes e dogmáticas. Por outro lado, podemos concluir também o fim
do materialismo.
No meu quintal tem um pé de jaboticaba. Quando as frutinhas estão bem maduras, ao comê-las, sinto um Êxtase da existência de... Deus.   Porém, preciso comer uma todo dia e assim tentar subir um degrauzinho dessa "escada".  Acho que a resposta pra isso só depende da observação do "óbvio".
Sou espirita kardecista, lí parte da obra psicografada por Chico Xavier, lí os 16 livros da obra de André Luiz, lí os principais de Kardec, "evangelho segundo espiritismo", "livro dos espíritos", "livro dos mediuns", entre outros. Creio que a intenção de kardec não era de criar crenças ou religiões "paralelas", ou seja, alternativas. Quis apenas provar que havia vida após a morte. Segundo os livros que lí, portanto posso estar errado afinal não sou um estudioso, há tempo sim quando espíritos, mas a relação é diferente da relação quando encarnados. Não vivemos do lado de lá em estado letárgico à espera de outra encarnação, mas vivemos de forma um pouco diferente da forma de vida que conhecemos, afinal estamos encarnados. Quanto à questão sobre se Deus existe ou não, muitas vezes levantada durante debates, eu sigo apenas a observação: Acho difícil que à partir do "caos" possa ter aparecido sobre a terra tantas coisas inexplicavelmente maravilhosas. Veja uma maça, a cor, o formato, o sabor...totalmente diferentes de uma laranja, igualmente bonita e saborosa. Vamos mais adiante, e olhamos o ser humano, extremamente complexo, e dificil de "ser copiado". Então, eu na minha total falta de capacidade e conhecimento científico, passo por mero observador e olho o que existe e o que o homem até hoje foi capaz de criar.... O dia que o homem criar, à partir do "caos" algo, que seja uma simples bacteria...vou mudar o foco das minhas observações....Hoje a física quântica não nega a existência de "algo" superior....inteligente....

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