O Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania vem a público prestar irrestrita solidariedade ao companheiro Dirceu Greco*, sumariamente demitido da Secretaria de DST, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, nesta terça-feira (04/06/2013).  O que levou à sua demissão foi, mais uma vez, a rendição do governo federal ao fundamentalismo e conservadorismo extremo da bancada evangélica. Esta tem sido potencializada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, presidida pelo pastor homofóbico e racista Marcos Feliciano. 
       Ruy Burgos Filho e Eduardo Barbosa, diretores adjuntos da Secretaria de DST, AIDS e Hepatites Virais, se demitiram em solidariedade a Dirceu e por não concordarem com a linha conservadora consolidada no Ministério da Saúde. Também eles têm todo o nosso apoio.
        A sanha do fundamentalismo evangélico se abateu, desta vez, sobre campanha de prevenção de HIV/AIDS com foco nas prostitutas, lançada no último final de semana pela Secretaria de DST, AIDS e Hepatites Virais.  Esta campanha foi construída pelas próprias prostitutas em oficina comunitária nacional.  Ao demitir o Dr. Dirceu Greco, o ministro da saúde Alexandre Padilha e o governo Dilma confirmaram sua condição de reféns do que há de mais reacionário e deletério na sociedade brasileira. 
        O governo federal mantém, assim, a sua prática de criminalização dos movimentos sociais e de institucionalização do preconceito contra a diversidade: repudiamos com veemência mais esta ofensiva contra a construção dos direitos humanos e da cidadania.
Belo Horizonte, 6 de junho de 2013
Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania – IHG/BH
*Dirceu Greco é professor titular de do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG e um dos pioneiros da Bioética no Brasil. É filho de D. Helena Greco e apoiador do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania.

 

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Do Brasilianas (LNO):

http://oglobo.globo.com/pais/ex-diretor-de-aids-diz-que-ha-pressao-...
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/06/1291126-com-mudancas...

Viomundo:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/dirceu-greco-a-resposta-bra...

Sem desconsiderar a importância do pesquisador, inegável, a questão complica-se porque mistura coisas importantes e diversas.

1- A AIDS está ou não está sob controle no país? Não me refiro à erradicação. Se aumentou, é preciso de programas educativos especiais, o que não impede que "fundamentalistas" usem o fato como pretexto para associá-los à "degradação moral" da sociedade. É estranho porque o programa de combate à aids no Brasil foi pioneiro e muito elogiado.

2- Qualquer programa de saúde/educação não se faz apenas preventivamente, é necessário agregar a política de redução de danos, o que carece a inclusão de várias "tribos" (não temos mais classes sociais), incluindo fundamentalistas. Um exemplo: conheçi um trabalho excelente, com bons resultados,  de uma psicóloga especialista, orientando pais de adolescentes grávidas de escolas públicas: ela foi  diretamente ao ponto crítico: as famílias evangélicas Imagine um programa desse mais avançado alcançando famílias com filhos gays no âmbito da escola pública!

3- Houve um problema de comunicação entre os promotores da campanha e o gabinete do Ministério da Saúde. Seja lá qual foi o motivo ísso é inadmissível na administração pública. Acho que o Dr. Greco quis deixar o cargo. Talvez, como resposta à injunção conservadora que assinala.

4- O cartaz "sou feliz sendo prostituta" é de uma infelicidade gritante: associa a campanha contra aids às prostitutas como grupo de risco. Foi o que fizeram com os gays. A aids é um problema de todos, as campanhas de carnaval, na escola, seja lá o que for, devem incluir todos os segmentos sociais.

http://f.i.uol.com.br/folha/cotidiano/images/13155311.jpeg

5- Quanto à questão eleitoral, para o bem ou para mal, a organização política dos evangélicos com 25% do eleitorado será considerada por qualquer partido político. A reforma polític é coisa de URGÊNCIA para o futuro do país. Não dá para contar com o Congresso, mas com um imensa mobilização popular em relação a vários aspectos, não uma guerra religiosa, evidentemente.

Não sei o que gays ou prostitutas têm a ver com o Ministério da Saúde, mesmo numa campanha sobre doenças. O erro do Ministério da Saúde é esse, não cabe a ele dirigir oficinas. 

No Brasilianas (Nassif OL) há um comentário perfeito sobre esse assunto, fazendo referência à maravilhosa Gabriela Leite, dentre outras coisas, a inventora da DASPU, pioneira na defesa das prostitutas. Tenho ainda um afeto especial por ela, pois meu amigo Ricardo Costa foi "ghost writer" do seu livro. Tenho com muita honra a primeira edição autografada por ela.

O comentário de "Almeida" transcrito do Brasilianas (   http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/ministerio-faz-mudancas-e-...):


"Até agora,não ouviram a mais expressiva liderança das prostitutas, Gabriela Leite. Ela diz aí no vídeo, a partir de 5:30, que não conversa com o Ministério da Saúde, enquanto o assunto for só AIDS:

"prostituta é mulher e não tem doença só da cintura pra baixo, saúde da mulher é saúde da mulher. Não queremos, não participamos mais, é uma decisão política, de nenhum edital do Ministério da Saúde. Não queremos isto; enquanto a questão for só AIDS. O dia que se pensar na mulher como mulher, nós voltamos a conversar".


Corretíssima, são as mesmas políticas sanitárias para as prostitutas, que se tem desde o século XIX. Os burocratas da saúde pensam na prostituta, apenas como um vetor de DST, alguma coisa não muito diferente do mosquito da dengue."

simone,

não consigo acessar o brasilianas hoje,

mas amanhã vou tentar.

obrigada 

Enquanto, houver o intuito segregativo e, claro resultados negativos , para inspirar a vertente da luta de classe; enquanto os agentes públicos se revestirem apenas de ideologias  e transporem-na para as ações de governo; enquanto membros do governo se ativerem à apenas a ideia de manutenção do poder e agirem conforme esta agenda, não estão contribuído para o país, mas para o seu egocêntrico projeto de poder. Simplesmente nojento, abjeto e irresponsável.

A tônica dos ministérios de Educação, Saúde e de ciência e tecnologia, vem tomando decisões apenas para aprimorar sua agenda partidária, esse uso continuado do público em favor de partidos é lamentável e não ajuda em nada o país, somente aos apaniguados de plantão. Simplesmente vergonhoso.

 

Falou...

É, falou. Um monte de bobagens preconceituosas. 

Analú.... rsrsrsrs Parabéns!!!

Nao por isso, Stellinha. Cristóvam nao dá para levar a sério mesmo, é o direitismo e o conservadorismo em forma de pessoa. 

concordo.

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