Ninguém em sã consciência desconhece o poder que os homens têm de manipular o uso das palavras visando atribuir-lhe conotações que acentuam, mudam ou deformam seus significados originais. Daí o desafio permanente com que se enfrentam os dicionaristas para se manterem atualizados em matéria vernacular.
Essas mudanças no significado atendem a necessidades da comunicação e muitas vezes ocorrem graças a uma intencionalidade que visa atingir objetivos muito claros vinculados à criação de preconceitos, a discriminação de pessoas ou grupos de pessoas, raças, atividades, cultos, ideologias e, assim, por diante.
Um caso emblemático é o da palavra ateu. Quantas e quantas vezes, não temos visto seu uso com o propósito explícito de rotular alguém como malévolo, irresponsável, inimigo dos bons costumes, adepto do diabo, sem princípios morais etc. Durante minha infância, sob a influência do fundamentalismo protestante de minha avó, aprendi a associar a referida palavra ao demônio. Em minha cabeça mal informada o ateu era um indivíduo que tinha um pacto com Diabo para atrair os inocentes para a prática do mal.
São freqüentes na História as campanhas e movimentos patrocinados pelas religiões para combater os ateus, do que resultaram perseguições, assassinatos e massacres, com muitas vítimas ao longo do tempo. Ainda hoje, associar a uma pessoa o nome de ateu pode significar desacreditá-la como candidato a um posto de trabalho, a uma amizade. à entrada para uma família. Vale a pena, portanto, gastar algumas linhas para desmistificar o que é o ateísmo.
O ateísmo nada mais do que uma doutrina filosófica que defende a não existência de Deus, em sua condição de Ser Único e Superior, onisciente, criador do céu e da terra, não aceitando nem as explicações racionais que procuram justificar sua existência, nem as justificações que se baseiam na fé. É uma doutrina filosófica, à semelhança de muitas outras, como o teísmo, o deísmo (ás quais se opõe frontalmente), o agnosticismo (que não afirma, nem nega a existência de Deus) e outras, que acreditam na existência de um (monoteísmo) ou vários deuses (politeísmo). O número de personalidades famosas no mundo nos campos da ciência, das artes, da filosofia e da política tidos como ateus é, possivelmente, maior do que o dos crentes em Deus. A enciclopédia Wikipédia, na internet, relaciona por ordem alfabética aproximadamente, 1.500 personalidades tidas com atéias. Ora, mas o que interessa aqui é desconstruir a conotação malévola do ateu, fruto a meu ver de posições fundamentalistas das religiões, visando a tão somente combater outras visões de mundo e, até mesmo, desacreditar ou destruir discordantes.
Não acreditar na existência de Deus não é, obviamente, uma ofensa a Deus por parte de quem não acredita em sua existência. Não justifica, portanto, qualquer penalização por má conduta ou outra razão. O ateu não pode se sentir culpado por não acreditar em Deus. Isto é muito diferente de não acreditar em outro ser humano, para o qual a desconfiança é uma ofensa, pois ambos sabem que existem. O problema surge por que o crente coloca-se na posição de defensor de Deus, contra o filho ingrato que ofende ao pai com sua descrença, ou por não aceitar que o ateu não se submeta a sua crença. O crente precisa lembrar que o preço que o ateu poderá ter a pagar por sua descrença é um assunto da esfera divina, na qual não lhe cabe interferir. Deus é que cobraria a conta após a morte do ateu, ou mesmo durante a vida, não afetando os interesses do crente em nada. Não se trata de uma questão que tenha interesses materiais envolvidos, que possam implicar perdas ou ganhos para qualquer das partes, as discordâncias são puramente no plano das idéias.
Do ponto de vista pessoal, acreditar em Deus pode ser realmente mais vantajoso do que não acreditar, pois o custo de acreditar é mínimo e o risco de não acreditar é muito grande. Esta visão foi denominada de “a aposta de Pascal”, referindo-se ao que pensava o grande filosofo a respeito do assunto. Caberia, entretanto indagar se acreditar não envolveria outros custos vinculados a menor confiança nas forças interiores para conduzir a vida e na própria atitude diante da vida, por conta da fé na ajuda divina e na perspectiva de uma vida posterior à morte.
Ser ateu não significa não ter valores, nem princípios. No passado, já se chegou a supor que acreditar em Deus e ter religião era indispensável na formação e conduta ética dos indivíduos. O grande escritor russo, Dostoiesvsky, autor de um dos romances mais famosos do mundo “ Crime e Castigo”, teria colocado na boca de um de seus personagens a expressão: “se Deus não existe, tudo é permitido”. Na vida real não é assim, o grande filósofo Kant já havia mostrado que os valores morais são construídos pelos homens, como forma de regular suas existências. A famosa “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, produzida pela Revolução Francesa, que ainda hoje serve de referência ética para o mundo Ocidental, pode ter sido inspirada em valores cristãos, mas é um produto dos homens. Por conseguinte, ser um bom cidadão e, como tal, respeitador da ética e das leis, nada tem a ver com a crença em Deus ou em deuses. É perfeitamente possível não acreditar na existência de Deus, como já aconteceu com tantas figuras importantes da Humanidade e ser capaz de dedicar toda a vida à busca da Justiça e do bem-estar para os seres humanos.
O ateu adota uma atitude de autonomia frente ao mundo e à vida, porquanto se acostuma a não depender da existência de um ou mais seres superiores, voltando-se para suas próprias forças interiores como suas armas para enfrentar os desafios da vida e descartando a possibilidade de uma vida após a morte. Diferentemente, o crente em Deus, necessita do apoio de forças externas, encontradas em um Ser Superior que lhe apóia na vida terrena e lhe assegura outra vida depois da morte. São duas visões de mundo diferentes, mas que não necessitam fazer dos seus seguidores inimigos.
Portanto, abaixo o preconceito contra os ateus e mais respeito por sua atitude filosófica diante da Religião, da Fé e da existência de Deus, que consiste apenas numa maneira diferente de ver o mundo e a vida. O princípio cristão de “amar o próximo, como a si mesmo” deveria ser aplicado pelos crentes em relação aos ateus, que apenas pensam diferentemente, sem que isto os impeça de agir solidariamente com os que são crentes e religiosos, na busca de objetivos terrenos comuns e necessários ao bem-estar da Humanidade.

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Respostas a este tópico

Escassez, minino!!!
De acordo com a tablita de zezita, se houver escassez é certo que o tal do Espírito Santo aprontou outra!
Vade retro.
Não tinha ativado este link até hoje, e não sei porque, mas posso dar uma pequena contribuição que talvez esclareça como eu penso:

SE EXISTE DEUS, CERTAMENTE ELE NÃO TEM RELIGIÃO.
se ele existisse, como tudo o mais, não deveria ter o direito à existência?
ô marco, por que tamanho radicalismo?
eu mesma, cá do meu cantinho, não condeno a fé de cada um, o que me intriga é o uso da fé como mais uma mercadoria, como um salvo conduto que autoriza pessoas a cometerem atos bárbaros. por aí, marco...

(vc não acha que, desse jeito, eu vou prô céu?)
"Ciência pede lá certa solenidade canônica às borboletas rasas como zezita, non?"
A mesma solenidade, a mesma cerimônia, que tantos padres, rabinos, imãs, xamãns, gurus e etc *exigem* de quem se dirige a eles? Arrogância é um problema do ser humano em geral, não específico de cientistas ou religiosos.


"Zezita pergunta, porque a ciência tem seu lado de promover terra arrasada contra culturas que desenvolviam quietinhas sua religiosidade que não fazia mal a ninguém... Mas vai saber, né?"
Nomes por favor?
Até lá, posso falar das cruzadas, das guerras santas, das missões "colonizadoras", e de todo o tipo de FDPtice cometida "em nome de deus" ?
"Ciência, essa bela crença imperialista que fabrica vacinas no mesmo laboratório em que produz o napalm. O Evangelho da ciência positivista atende ao extermínio da idéia e à ideologia da panacéia mercadológica. Os novíssimos Torquemadas portam laptops e acendem fogueiras diárias onde incineram a abstração possível, a liberdade possivel, a arte impossivel."

Bla bla bla, o mercado é malvado.
Bla bla bla, cientistas não tem coração nem emoções.

Esse discursinho comunista já tá gasto faz tempo ...
Acalme-se dom, não saque a pistola, quaquá.

Era domingo à noite e estávamos cometendo um relax.
Mas é mais ou menos isso mesmo: o mercado é uma merda, cientistas tu aponta pra o lado onde disparar; e nem tava posto no sentido Ciência oh's ou religião específica, mas religiosidade.

Quer um exemplo? Tá. Uma das queixas da época atuante teologia da libertação, Deo's Lib (quiqui), foi o fato de que uma certa liga de convivência cultural e política foi se diluindo quando se instalaram aparelhos de tv nas pracinhas. Ou tv em rede nacional não é braço da "ciência" pra signore? Pergunta pros chinas neocomunas. Estão enchendo os morros de antenas.

Mas tudo bem, não vos irritais, tá? Tamos desarmando a barraca.
e o discurso ufanista do capitalismo vige (não é de vixenossassenhora) tá em vigor, com todos os seus penduricalhos, desde o século XVI e desse discursinho infame não há reclamações a fazer? e olha que ele já detonou sociedades e povos e sentimentos...

Parabéns Flávio pela postagem. Aqui vai um comentário sobre a existência de Deus.

 


Bom para mim não tem como provar a existência de tal Deus por meio da razão, filosofia ou mesmo ciência, pois para mim não existe tal Deus, e não há como provar a existência de um coisa inexistente.

Penso que quando se escreve "pois para mim não existe tal Deus", uma vez que este tal "Deus" tem formas e personalidades distintas, dependendo o individuo, é um "Deus" possível, semelhante ao homem, até mesmo em seus defeitos e necessidades.

Lembro aqui da necessidade do deus Sol egipcio de ser ajudado contra seu inimigo Apepi, e evoco a característica semelhante a todos as demais divindades, claramente discernidas como comportamento-criação humana, na obra Totem e Tabu de Freud.

Entretanto, fora deste universo onde "para mim não existe" existe Um que é independentemente do que penso, e não necessita ser provado, defendido, representado ou analisado e compreendido.

Para Esse, nossa filosofia é vã e termina quando em nosso coração esgota-se aquilo que Dele recebeu, ansiando-se por beber novamente.

Este Deus que se faz amigo de quem assim deseja é subjetivo e longe dos templos de pedra, revolucionário, como o foi no princípio de tudo que conhecemos.

Abraços César

 

 

Deus não existe!

 

É claro que a frase diz o que é!

 

Deus não existe. Ele é Ele mesmo pra além de toda essência e existência. Portanto, argüir acerca da existência de Deus é o mesmo que negá-Lo.

 

Deus não existe. Ele é. Eu existo. Pois existir não é algo que seja pertinente ao que É. Existir é o que se deriva do que sendo, É de si e por si mesmo.

 

Deus não existe. O que existe tem começo. Deus nunca começou. Deus nunca surgiu. Nunca houve algo dentro do que Deus tenha aparecido.

 

Deus não existe. Se Deus existisse, Ele não seria Deus, mas apenas um ser na existência.

 

Se Deus existisse, Ele teria que ter aparecido dentro de algo, de alguma coisa, e, portanto, essa coisa dentro da qual Deus teria surgido, seria a Coisa-Deus de deus.

 

Existem apenas as coisas que antes não existiam. Existir surge da não existência. Deus, porém, nunca existiu, pois Ele é.

 

Sim, dizer que Deus existe no sentido de que Ele é alguém a ser afirmado como existente, é a própria negação de Deus. Pois, se alguém diz que Deus existe, por tal afirmação, afirma Deus, e, por tal razão, o nega; posto que Deus não tem que ser afirmado, mas apenas crido.

 

Deus É, e, portanto, não existe. Existe o Cosmos. Existem as galáxias. Existem todos os entes energéticos. Existem anjos. Existem animais e toda sorte de vida e anima vivente. Existem vegetais, peixes, e organismos de toda sorte. Existem as partículas atômicas e as subatômicas. Existe o homem. Etc. Mas Deus não existe. Posto que se Deus existisse dentro da Existência, Ele seria parte dela, e não o Seu Criador.

 

Um Criador que existisse em Algo, seria apenas um engenheiro Universal e um mestre de obras cósmico. Nada, além disso. Com muito poder. Porém, nada além de um Zeus Maior.

 

Assim, quando se diz que Deus está morto, não se diz blasfêmia quando se o diz com a consciência acima expressa por mim; pois, nesse caso, quem morreu não foi Deus, mas o “Deus existente” criado pelos homens. Tal Deus morreu como conceito. Entretanto, tal Deus nunca morreu De Fato, pois, como fato, nunca existiu — exceto na mente de seus criadores.

 

Assim, o exercício teológico, seja ele qual for, quando tenta estudar Deus e explicar Deus, tratando-o como existente, o nega; posto que diz que Deus existe, fazendo Dele um algo, um ente, uma criatura de nada e nem ninguém, mas que também veio a existir dentro de Algo que pré-existia a Ele, e, portanto, trata-se de Algo - Deus sobre o tal Deus que existe.

 

A Escritura não oferece argumentos acerca da existência de Deus. Jesus tampouco tentou qualquer coisa do gênero. Tanto Jesus quanto a Escritura apenas afirmam a fé em Deus, e tal afirmação é do homem e para o homem — não para Deus —; pois se fosse para Deus, o homem seria o Deus de Deus, posto a existência de Deus dependeria da afirmação e do reconhecimento humano. Tal Deus nem é e nem existe; exceto na mente de seus criadores.

 

Deus não existe. O que existe pertence ao mundo das coisas que existem OU não existem. Deus, porém, não pertence a nada, e, em relação a Ele, nada é relação.

 

Defender a existência de Deus é ridículo. Sim, tal defesa apenas põe Deus entre os objetos de estudo. Por isto, dizer: “Deus existe e eu provo” — é não só estupidez e burrice; mas é, sem que se o queira, parte da profissão de fé que nega Deus; pois se tal Deus existe, e alguém prova isto, aquele que apresenta a prova, faz a si mesmo alguém de quem Deus depende pra existir... e ou ser.

 

O que “existe”, pertence à categoria das que coisas que são porque estão. Deus, porém, não está; posto que Ele É.

 

Ser e estar não são a mesma coisa, como o são na língua inglesa. O que existe pertence ao que é apenas porque está. Deus, entretanto, não está porque Ele É.

 

“E quem direi que me enviou?” — perguntou Moisés. “Dize-lhes: Eu sou me enviou a vós outros!” — disse Ele.

 

Desse modo, Deus não diz “Eu Estou”, mas sim “Eu Sou”. Ora, um Deus que está, não é, mas passou a ser. Porém o Deus que É, mas não está; não pertence ao mundo das coisas verificáveis; posto que Aquele que É, não está; pois se estivesse, seria —, mas não Seria Aquele de Quem procedem todas as existências, sendo Ele apenas um ele, e não Ele; e, por tal razão, fazendo parte das coisas que existem — mas sem poder dizer Eu Sou!

 

Jesus também falou da sutileza do ser em relação ao estar. Quando indagado acerca da ressurreição pelos saduceus (que não criam em nada que não fosse tangível), Ele respondeu: “Não lestes o que está escrito? Eu sou o Deus de Abraão, eu sou o Deus de Isaque, eu sou o Deus de Jacó. Portanto, Ele é Deus de vivos, e não de mortos; pois para Ele todos vivem”. Assim, os que vivem para sempre são os que são em Deus, e não os que estão existindo. A vida eterna não é existir pra sempre, mas ser em Deus.

 

Assim, para viver eternamente eu tenho que entrar na dissolvência da existência, a fim de poder mergulhar naquilo que está pra além do que existe; posto que É.

 

A morte pertence à existência. A vida, porém, se vincula ao que não existe, pois, de fato É.

 

O que existe carrega vida, mas não é vida. A vida, paradoxalmente, não pertence ao que é existente, mas sim ao que É.

 

Quando falo de vida, refiro-me não às cadeias de natureza biológica que constituem a vida dentro da existência. Mas, ao contrario, ao falar em vida, refiro-me ao que é para além da existência constatável.

 

Portanto, Paul Tillich tem razão quando diz: “God does not exist. He is being itself beyond essence and existence. Therefore to argue that God exists is to deny him”.

 

Ora, usando uma gíria de hoje, eu diria: Tillich tem razão quando diz: “Deus não existe!” — pois é isto que hoje se diz quando algo está pra além da existência: “Meu Deus! Esse cara não existe!”. Assim é com Deus: Não existe! Pois é de-mais!

 

Um beijo pra você!

 

Ame-o, e nunca o deixe!

 

Nele, que não existe, pois É,

 

Caio

 

Site: www.caiofabio.com

............................

 

Caros amigos: Parabéns pelos textos! Eles revelam que vocês praticam a atividade do pensar. Tão rara atualmente entre os crentes. É fundamental formar nossas convições a partir de uma atitude crítica sobre o mundo em que vivemos e não aceitarmos acriticamente as idéias que pretendem colocar em nossas cabeças. Um forte abraço.

Flávio, uma feliz oportunidade para discutirmos o direito à liberdade de expressão e defender o sagrado direito à consciencia tão perseguida e manipulada pelo poder, nós brasileiros infelizmente nos transformamos em objetos de lavanderia cerebral imposto pelas Leis do país que faz do nosso povo em sua maioria, escravos do Poder político, tanto que vivemos momentos em que o assunto é "GOLPE" coisa que o Brasil não precisa se submeter porque os quase 200 milhões de filhos desta pátria se dispostos a defender sua pátria e sua família, não necessariamente usando de violencia, pode anular essa meia dúzia de terroristas existente no Governo que vive do estado de apodrecimento moral que tomou conta do Brasil. Golpe, qualquer que seja, no Brasil, jamais e se necessário, vamos sair de nossos lares e partir para um ponto certo de encontro que é a Praça dos milhares de Poderes em Brasília. Avante brasileiro.

Caro Ariston: Nosso maior problema é que a maioria da população é escrava de uma minoria que controla a riqueza e o poder. Mas, essa situação vem mudando. Os que estão agora no poder andam mais preocupados em usar o Estado para melhorar a condição de vida dos mais pobres.

Ainda vivemos num mundo em que tudo está montado para uma minoria explorar a maioria. Só com a organização da maioria é possível combater e vencer essa situação.

Um abraço.

Tema complexo, atordoante e enlouquecedor para os frágeis, mas eu acredito SIM materialmente como que ELE invisivelmente esteja em tudo que é real, tudo que posso tocar e ver, pois sentir, eu O tenho 24 horas por dia e O tive mais frequentemente em 2001 quando me submeti a uma grande cirurgia coronária complicada e da sala de cirurgia para um leito de UTI que após algum tempo eu teria que retornar urgentemente para a sala de cirurgia para abrir novamente o meu peito (à época era assim, abria-se o peito como se abre um animal qualquer) se dentro de instantes eu não conseguisse responder aos estímulos pois estava com pulso e pressão zerados porém totalmente inerte fisicamente, de olhos fechados porque não tinha força para abri-los, ouvia tudo que o médico e pessoal paramédico dizia ao redor do leito e pensava que se eu fosse levado novamente para ser reaberto, aí sim eu morreria, mas nesse intervalo que não permitia tempo para nada, nem mesmo para ouvir alguma sugestão da minha esposa alí ao meu lado, já se movimentavam para me levar novamente e dessa vez, fatalmente para a morte, eu vi coisas estranhas ao meu redor, inclusive o meu médico morto em uma maca colocada no chão perto de mim e vi um outro médico vestido de preto alí perto de minha cama com um estetoscópío no percoço, que achei que seria o médico que iria me atender desta vez e assim, em questão de segundos minhas insistentes súplicas à DEUS e à Nossa Senhora Aparecida para que meus esforços para dar um sinal de que eu estava vivo acontecesse e aconteceu quando consegui mexer com os dedos e depois com uma das pernas enquanto a enfermeira anunciava feliz ao médico que o meu pulso estava voltando e depois, tudo se acalmou e até hoje e enquanto vivo estiver, choro quando me lembro dessa feliz passagem em minha vida. DEUS é voce, somos todos nós, é tudo que enxergamos e tocamos, eu sou ELE.

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