O banqueiro Pedro Conde e as estrepolias de seus herdeiros

A notícia é um exemplo do comportamento típico de parte de nossa elite. Invadir o espaço público e passar por cima das regras das instituições.

A propósito, sobre  Pedro Conde, o homenageado que daria nome a sala: Antigo dono do BCN, foi banido do mercado bancário pelo Banco Central.

O diretor da FD USP na época do acordo era João Grandino Rodas.

Do Estado

Justiça condena USP a devolver doação de R$ 1 milhão

Família considerou que instituição descumpriu acordo de doação ao não batizar sala

Sábado, 21 de Abril de 2012, 18h00
Carlos Lordelo/AE-29/9/2011
Justiça condena USP a devolver doação de R$ 1 milhão
Sala chegou a receber o nome de Pedro Conde, mas Congregação voltou atrás e revogou contrato

O Estado de S. Paulo

A família do banqueiro Pedro Conde (1922-2003) obteve na Justiça a devolução de cerca de R$ 1 milhão que havia doado à USP para construção de um auditório para 90 pessoas na Faculdade de Direito do Largo São Francisco.

A contrapartida da doação previa que a sala fosse batizada com o nome do banqueiro – pela tradição, as salas da São Francisco só recebem nomes de professores da casa. Um quadro com o retrato de Pedro Conde também deveria ser colocado no local.

O contrato foi assinado em abril de 2009, época em que o atual reitor da USP, João Grandino Rodas, era diretor da Faculdade de Direito. A doação foi aprovada pela Congregação da faculdade, órgão deliberativo com representação de diretores, professores e alunos, e a sala chegou a ser batizada.

No entanto, um ano depois, com uma nova direção da faculdade e após protestos de estudantes, a congregação recuou, alegando que não sabia da obrigação de batismo do auditório. Muitos alunos e professores comemoraram a mudança, alegando que uma sala não poderia homenagear alguém que nunca lecionou na universidade.

O nome do banqueiro foi retirado da sala e a família de Pedro Conde considerou que houve ruptura de contrato. Em abril de 2011, eles entraram com ação judicial contra a USP pedindo a devolução dos recursos e uma indenização por danos morais.

Na sentença proferida na semana passada, o juiz Jayme Martins de Oliveira Neto, da 13.ª Vara da Fazenda Pública, afirmou que “a justificativa de que o ato de nomeação dependeria de aval da congregação da universidade jamais se apresentou na superfície do contrato, permitindo-se inferir aos doadores que se tratava de hipótese aparentemente formal, sem maior profundidade”.

Ele condenou a USP a ressarcir a família em R$ 1 milhão, com juros e correção. O juiz não acatou o pedido de danos morais.

“A família entende que o acordo assinado com a universidade não foi cumprido, portanto o dinheiro deve ser devolvido”, afirma Vicente Ottoboni Neto, advogado de Pedro Conde Filho.

A USP afirmou, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que seu compromisso na doação era apresentar a proposta de batismo do auditório à Congregação, que deveria decidir, sem a obrigação de nomear a sala. A universidade informou que vai recorrer da decisão.

Um contrato semelhante de doação foi assinado por Rodas também com o escritório Pinheiro Neto. A sala reformada com o dinheiro deveria ser batizada com o nome do advogado José Martins Pinheiro Neto.

O escritório, no entanto, optou por não entrar com ação judicial, nem questionar a USP pela doação.

Os dois contratos alimentaram uma crise entre a atual direção da Faculdade de Direito e o reitor da USP, que chegou a ser declarado persona non grata pela Congregação.

Da Época

Banidos do mercado

Banco Central proíbe 216 ex-banqueirose executivos de atuar no setor financeiro nos próximos 20 anos

Foi uma correria poucas vezes vista no Banco Central. Tudo para fazer andar processos abertos contra banqueiros e grupos financeiros esquecidos nas gavetas dos burocratas do departamento de fiscalização. Assim, o BC conseguiu começar o segundo semestre aplicando multas em 50 empresas. Também proibiu 216 pessoas de exercer qualquer função executiva no sistema financeiro, por períodos diferenciados. Somadas, as penas totalizam 1.200 anos de vetos à atuação no mercado. Em alguns casos, a autoridade monetária aplicou a pena máxima, de 20 anos de interdição. Aconteceu com o ex-presidente do Banco Nacional Marcos Magalhães Pinto e o ex-vice-presidente do banco Clarimundo Sant’anna. As multas chegam a R$ 1,168 bilhão, dos quais R$ 1 bilhão por operações irregulares na área cambial. Todos os punidos ainda podem recorrer ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro, mais conhecido como Conselhinho.

A limpeza de gavetas no Banco Central foi provocada pela Lei nº 9.873, de novembro do ano passado. Nela fixou-se o prazo de três anos para os processos administrativos serem concluídos. Os casos abertos até 1º de julho de 1998 deveriam ser encerrados em dois anos, ou seja, até o último 30 de junho. Antes dessa lei, não havia limite de tempo para a conclusão de uma investigação do BC. Bastava a um banqueiro aflito recorrer à boa vontade de um burocrata no setor de fiscalização. Os processos eram trancados na gaveta e dormitavam inconclusos.

Às pressas, o BC intimou 12 banqueiros e executivos por editais publicados em jornais, procedimento inédito na instituição. Entre eles estavam o ex-dono do BCN, Pedro Conde, e o do Banco Garantia, Jorge Paulo Lemann, investigados em processos sobre o desvio de US$ 1,7 bilhão, como noticiou Época na semana passada. Sem a convocação formal para a apresentação das respectivas defesas, os inquéritos sobre supostas irregularidades cometidas em operações com moeda estrangeira nesses bancos acabariam prescritos, remetidos ao arquivo.

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Respostas a este tópico

E o Rodas cada vez subindo mais nos cargos paulistas... Imagina, dar a uma sala da USP o nome de um banqueiro condenado por desvios... Essa notícia da Época é de quando, Gil? 

Não sei de quando Analú. Tem outra aqui , datada de 2010, do site novo da Época que não permite o copia /cola. Mas acho que a data que aparece (2010) está errada. 

A busca na web é difícil pois o Filho, Pedro Conde Filho, também aparece na pesquisa sem que usem o Filho. O Pedro Conde (pai) foi também conselheiro do Banco Central...imagine o tipo de conselhos que deve ter dado. Ao que parece, morreu em 2003 e o caso arquivado pelo BC, por esta razão, no início de 2004.

Só estava querendo saber se já era público na ocasiao que o Rodas fez o contrato. JÁ, nao? Que cara de pau! 

Sabia, sem dúvida.

O Pedro Conde pai estudou na FD USP, o filho também. Pessoa muito grata, não?

Recebi de Marise, e achei ótimo este vídeo. É meio off-topic, mas nao vi outro em que pudesse pôr. E nao deixa de ser sobre "estrepolias": 

A inversão de sempre, de forma muito clara. É a USP que é o atraso...

da Folha

21/04/2012 - 10h24

USP na vanguarda do atraso

Esse episódio da doação de dinheiro à Faculdade de Direito da USP mostra como setores acadêmicos vivem na vanguarda do atraso --e como, no final, quem sai perdendo é a educação.

Um banqueiro deu dinheiro para reformar um auditório da faculdade, pedindo em troca uma placa com seu nome. É exatamente assim que algumas das melhores universidades do mundo ganham doações e fazem extraordinárias pesquisas.

Existe aqui uma questão de ego? Existe. Mas quem sai ganhando no final com esse exercício de ego? Muitas cátedras nos EUA têm o nome do doador. Nem por isso (pelo contrário) o ensino é prejudicado. Lá, é onde mais se produz inovação no planeta.

Se o banqueiro quiser doar para Harvard, MIT ou Stanford esse mesmo valor, certamente terá uma contrapartida. Todos ficariam felizes.

No Brasil, é mais fácil pedir mais dinheiro ao contribuinte do que buscar formas de financiamento na sociedade. Perverso é que, nas universidades públicas, os mais ricos são maioria. E os mais pobres é que vão para faculdades privadas.

Dito isso, a família do banqueiro Pedro Conde, montado nos seus milhões, pode até ter razão legal para pegar o dinheiro de volta (como está pegando). Mas também poderia demonstrar um mínimo de generosidade e deixar a doação lá, mesmo sem placa.

Gilberto Dimenstein

Gilberto Dimenstein ganhou os principais prêmios destinados a jornalistas e escritores. Integra uma incubadora de projetos de Harvard (Advanced Leadership Initiative). Em colaboração com o Media Lab, do MIT, desenvolve em São Paulo um laboratório de comunicação comunitária. É morador da Vila Madalena.

É. Mas esperar o quê, desse cara e da Folha? 

gilberto,

esta elite é mesmo o ó do borogodó, como diria um filósofo amigo de isabeau.

vergonha alheia é o que eu sinto, tamanha a pequenez... uns ladrões sem classe!

O Brasil e mesmo o pais do atraso e do discurso pronto. Um monte de moralistas nao aceitando a doação ( alunos e professores) e outro tanto dando uma de purista. Va ao hospital Sírio Libanês e Albert Einstein e veja as placas. Estas doações os ajudaram a serem os melhores hospitais deste pais. Recber dinheiro de ex alunos ou instituições que em contrapartida querem aparecer e um excelente caminho para captar dinheiro para coisa seria (pesquisa, instalacoes decentes)nas faculdades. Veja a FEA na USP. O Brasil ao invés de olhar os exemplos dos países que se desenvolveram , prefere ficar neste papo miserável, atrasado, invejoso, medíocre de terceiro mundo.vamos continuar com o lixo de universidade, mas com o orgulho que nao botamos plaquinha. Que legal!

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