Pessoal, falar em indignação não reflete mais o sentimento que nós estamos passando com a via crucis que o delegado Protógenes vem sofrendo, pelo simples fato de cumprir o seu dever como funcionário público. A única diferença é que ele ousou investigar e prender um banqueiro bandido poderoso, gestado na era FHC. Ele foi o rei dos arremates das privatizações. Tornou-se a fonte provedora do financiamento da campanha de muitos políticos, na época, todos ligados a base aliada do governo FHC.

Foi também o caixa do mensalão cujo administrador era o senador Eduardo Azeredo, presidente do PSDB. Pelo o que a gente percebe tudo se encaixa. O "grande" idealizador da proposta de perpetuação do PSDB no poder - falava-se na época em vinte anos - foi do Serjão Motta, conhecido também como trator, que por coincidência era ministro das Comunicações, justamente o setor em que aconteceram as maiores bandalheiras.

Como o governo FHC foi um desastre, Lula veio a sucedê-lo, e estranhamente houve a transição do poder de maneira "civilizada" tendo o novo governo Lula todo o acesso as informações do governo que se encerrava.

Esse fato na mídia foi comemorado como fato inédito, "exemplo" para o mundo civilizado. Pura enganação de trouxas. Dava-se ali o "El grande acuerdo".

O esquema do mensalão continuava funcionando a todo vapor e o senhor Daniel Dantas tinha que se aproximar de Lula a todo custo. Não sei se conseguiu. Fala-se que Lulinha tem negócios com ele. Não vi nenhuma prova. Se considerarmos a doentia campanha da mídia contra o governo Lula, acho muito estranho que ela não tenha produzido mais um factóide.

O mesmo não podemos dizer do governador Serra. A mídia alternativa divulgou documentos, nunca contestados, da sociedade da sua filha em uma empresa em Miami, com a irmã do banqueiro bandido. E lógico, com dinheiro deste.

Quero acreditar na boa fé de Lula, que ele não esteja envolvido nesse lamaçal de corrupção. Sempre vejo ele num jogo estratégico mexendo as peças do xadrez para poder driblar o cerco covarde da mídia.

Acabo de assistir um vídeo (blog cidadania. com) o presidente em Telêmaco Borba PR comentando a difusão de pessimismo pela grande mídia, Existem jornalistas escalados nos grandes meios de comunicações exclusivamente com essa tarefa. Cito alguns exemplos mais notórios: Mirian Leitão e Ricardo Noblat do Globo, o patético Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi do esgoto chamado Veja, Eliane Cantânhede e Clóvis Rossi da Folha e outros.

O fato é que no noticiário hoje informa que o delegado Protógenes foi afastado da PF, embora não de forma definitiva, mas que se pressupõe que o será. O delegado escalado a dedo para conduzir o processo nada mais é do que o sr. Amaro, um desafeto de Protógenes. Já vi essa história. Quando dentro de uma instituição o chefe quer pegar o seu subordinado, é só escalar o seu pior inimigo. Foi o que aconteceu.

Quem perde é o país. Desta forma conclamo que todos aqueles que se mostram indignado com essa situação se levantem numa corrente para que possamos expressar a nossa insatisfação com essa patifaria. Punir funcionário público honesto, via de regra não deixa de ser exceção, principalmente quando mexe com interesses muito escusos. Enquanto isso o banqueiro bandido condenado continua solto.
Vamos aceitar isso bovinamente?

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Atualizado e Publicado em 17 de abril de 2009 às 10:04
Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

A grande tomada de poder

A crise econômica global não é sobre dinheiro – é sobre poder.
Como iniciados de Wall Street utilizam o resgate para um golpe de Estado

por Matt Taibbi, no Resistir (com adaptação para o português do Brasil do Viomundo)

Está acabado — nos [EUA] estamos oficialmente e realmente enrolados. Nenhum império pode sobreviver tornando-se objeto de riso permanente, como aconteceu há poucas semanas, quando os bufões que dirigem as coisas neste país finalmente deram um passo demasiado grande.

Aconteceu quando o secretário do Tesouro Timothy Geithner foi forçado a admitir que ele ia mais uma vez ter de encher com bilhões de dólares do contribuinte a gigante moribunda dos seguros chamada AIG, ela própria um símbolo profundo do nosso declínio nacional — uma corporação que ficou rica segurando o betume e o aço da indústria americana no auge do país, só para destruir-se atrás de fortunas fantasmas nas mesas de jogo da Wall Street, tal como a nobreza dissoluta dissipava a fortuna da família na decadência do Império Britânico.

O salvamento mais recente chegou quando a AIG admitiu ter acabado de registrar a maior perda trimestral na história corporativa da América — uns US$61,7 bilhões. Nos três meses finais do ano passado, a companhia perdeu mais do que US$27 milhões por hora. Isto significa US$465 mil por minuto, um rendimento médio anual de uma família média dos EUA a cada seis segundos, ou seja, cerca de US$7.750 por segundo.

E tudo isto aconteceu no fim dos oito anos em que a América se dedicou freneticamente a perseguir em vão a sombra de uma ameaça terrorista, oito anos gastos a deter todo cidadão em todo aeroporto para revistar toda bolsa, mala, cueca e pasta à procura de pasta de dentes.

Mas no fim, o nosso governo não teve qualquer mecanismo para revistar os balanços das companhias que mantiveram poder de vida ou morte sobre a nossa sociedade e foram incapazes de reconhecer buracos na economia nacional do tamanho da Líbia (cujo PIB total no ano passado foi menor do que as perdas da AIG em 2008).

Assim, chegou a hora de admitir: nós somos tolos, protagonistas numa espécie de comédia pavorosa acerca do casamento da cobiça com a estupidez.

E a pior parte quanto a isto é que ainda nos recusamos a admitir — ainda pensamos que isto é alguma espécie de acidente infeliz, não algo que foi criado pelo grupo de psicopatas de Wall Street a quem foi permitida a pilhagem contínua do Sonho Americano.

Quando Geithner anunciou o novo salvamento de US$30 bilhões, o ponto de partida era que a pobre AIG era apenas uma vítima de um bocado de azar — mau ano de negócios, você sabe, com a crise financeira e tudo o mais.

Edwar Liddy, o presidente da companhia, realmente comparou a coisa a pegar um resfriado: "O mercado é um lugar ruim para estar agora", disse ele.

"Quando o mundo pega pneumonia, nós também pegamos". Numa patética tentativa de se limpar com outros, ele choramingou mesmo que a AIG era "consumida pelas mesmas questões que derrubam os preços das casas, as declarações 401K [planos de aposentadoria] e a carteira de investimento de Warren Buffet".

Liddy fez a AIG parecer um órfão mendigando numa fila da sopa, famélico e doente por ter sido abandonado na tempestade financeira.

Ele convenientemente esqueceu de mencionar que a AIG passou mais de uma década maquinando a evasão aos reguladores dos EUA e internacionais, ou que uma das causas da sua "pneumonia" foi fazer apostas colossais, afundando no mundo US$500 bilhões, com dinheiro que ele não tinha, num tóxico e completamente não regulado mercado de derivativos.

Nem ninguém mencionou que quando a AIG finalmente levantou da sua cadeira no casino da Wall Street, quebrada e arrebentada à luz da alvorada, devia dinheiro em toda a parte da cidade — e que um enorme bloco dos seus dólares do contribuinte neste salvamento-fraude seria para pagar os outros grandes parceiros na sua mesa. Ou que isto era um casino único entre todos os casinos, um em que contribuintes da classe média cobrem as apostas dos bilionários.

O povo está irritado com esta crise financeira, e com este salvamento, mas não está irritado o suficiente. A realidade é que o colapso econômico mundial e o salvamento que se seguiu foram ao mesmo tempo uma espécie de revolução, um golpe de Estado. Eles cimentaram e formalizaram uma tendência política que tem sido uma bola de neve durante décadas: a tomada gradual do governo por uma pequena classe de iniciados em conluio, os quais utilizam dinheiro para controlar eleições, comprar influência e enfraquecer sistematicamente as regulações financeiras.

A crise foi o golpe de misericórdia: dando virtualmente rédea solta à economia, estes mesmos iniciados primeiro arruinaram o mundo financeiro, a seguir maliciosamente garantiram para si próprios poderes de emergência quase ilimitados para limpar a sua própria confusão.

E assim os líderes viciados no jogo de companhias como a AIG acabaram sem um tostão e na cadeia, mas com uma morte em estilo exótico agarrada ao Tesouro e à Reserva Federal — "nossos parceiros no governo", como disse Liddy de um modo displicentemente chocante, após o salvamento mais recente.

O erro que a maior parte das pessoas comete ao olhar a crise financeira é pensar dela em termos de dinheiro, um hábito que pode levar a olhar a confusão que agora se desdobra como um enorme prêmio-assassino deprimente para a classe da Wall Street.

Mas se se olhar em termos puramente maquiavélicos, o que se vê é uma colossal tomada de poder que ameaça transformar o governo federal numa espécie de Enron gigante — uma enorme e impenetrável caixa negra recheada de iniciados em transações para si próprios cujo esquema é conseguir lucros individuais às custas de um oceano de acionistas involuntários, anteriormente conhecidos como contribuintes.
(do Blog do Azenha)
Normalmente tenho bastante ressalvas quanto ao estilo do PHA. Mas esse tópico dele de ontem está bom, e deixa bem claro qual é o câncer que assola o país:

Qual o papel de Itagiba e Jungmann na CPI?

Que país é esse que dá a Daniel Dantas o direito de dizer o que bem entende diante da uma comissão de deputados ?

. Que pais é esse em que o PiG (*) “repercute” as gravíssimas acusações de Dantas, sem nenhuma ressalva ?

. Dantas pode dizer que os juízes de primeira instância são corruptos.

. Que o Ministério Público o acusou com provas forjadas.

. Que a Polícia Federal forja provas.

. Que a Justiça (de primeira instância) o acusa com provas forjadas.

. E não acontece nada ?

. Só há uma explicação – como diz a revista Carta Capital – Dantas é o dono do Brasil.

. Dantas é um câncer cuja metástase corroeu TODAS as instituições: no Executivo, no Legislativo, no Judiciário e na imprensa.

. Sobre os efeitos deste câncer, ler (**)

. Como disse a corajosa senadora Heloísa Helena, quando se recusou a fazer perguntas a Dantas na malfadada CPI do mensalão: Dantas é o maior corruptor do Brasil.

. Ou seja, um passador de bola, que o presidente da elite branca e separatista (no caso da elite de São Paulo) chama de “brilhante”.

. Esse país sob metástase convoca Bernard Madoff para depor na Câmara dos Representantes e no dia seguinte o New York Times publica:

“Dantas acusa Protógenes de forjar prova e fazer escuta legal.” Folha (***) pág. A6

“Dantas diz à CPI que foi vítima de grampo ilegal”, Globo, pág. 10.

“Delegado fraudou grampo, diz Dantas”, Estadão, pág. A10.

. É mais ou menos assim o que diriam o Estadão, a Folha (***) e o Globo:

“Al Capone diz que Eliot Ness fraudou provas”.

. Ou seja, para que Eliot Nesse tivesse fraudado as provas, seria preciso contar com a criminosa cumplicidade do Ministério Público e da Justiça do Estado de Illinois, que o levou ao banco dos réus.

. Ou seja, Dantas e seus aliados – os amigos dele na CPI e no PiG (*) – maculam a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça que pune os crimes de colarinho branco de forjar provas contra um santinho do pau oco .

. Qual o papel do PiG (*) e dessa CPI circense ?

. O que fazem lá o deputado serrista Marcelo Lunus Itagiba e Raul Jungamnn ?

. Os dois, como se sabe, receberam dinheiro para a campanha de um sócio de Dantas, Dório Ferman.

. Foi dinheiro legal.

. Mas por que o Dório Ferman não financiou a campanha da Luciana Genro ? Do Chico Alencar ? Do Biscaya ? Do Ivan Valente ? Do José Nery ?

. O papel de Jungmann e de Itagiba na CPI é o mesmo do presidente que tem medo, o presidente Lula; de seu ministro da Justiça, Abelardo Jurema; do Supremo Presidente do Supremo Tribunal, Gilmar Dantas, segundo Ricardo Noblat; de Nelson Jobim, o ministro da Defesa que produziu uma babá eletrônica para enforcar o ínclito delegado Paulo Lacerda; e do suspeito de torturar, o diretor geral da Polícia Federal, que nomeou o delegado Amaro para prender o ínclito delegado Protógenes Queiroz e o repórter da Globo, César Tralli (porque não pode prender um sem prender o outro …).

. (Tomara que prendam o Protógenes !)

. O papel deles todos é melar a Satiagraha.

. Melar a Satiagraha significa: absolver a elite branca, de olhos azuis, deste país.

. Ali na Satiagraha e nos HDs que a equipe do ínclito delegado Protógenes Queiroz pegou no apartamento de Dantas em Ipanema estão a lavagem de dinheiro da elite branca brasileira.

. E isso tem que morrer antes de nascer.

. Na própria Satiagraha, quando o delegado Ricardo Saadi acabar o serviço (tá demorando, hein, delegado ?) já dá para pegar muita gente.

. Por exemplo, o ínclito delegado Protógenes Queiroz deixou lá dentro da Satiagraha toda a escuta da transação que resultou na patranha da BrOi.

. O que fizeram Jungmann e Itagiba, naquele picadeiro central da CPI dos Amigos de Dantas ?

. Enfiaram no mesmo saco: a Satiagraha, Protógenes, Paulo Lacerda, De Sanctis, e o procurador De Grandis.

. E no mesmo saco cabe o Daniel Dantas, já condenado por um crime menor: o suborno de autoridade federal.

. Disso aí, Jungmann e Itagiba não podem mais salvar Dantas.

. E por isso aí, esse crime menor (na escala Dantas de crimes), por isso aí, com chicanas e a simpatia de juízes, ele jamais irá em cana.

. O negócio de Itagiba, Jungmann e Dantas é usar a CPI para melar a Satiagraha.

. Papel decisivo desempenhará aí o relator Nelson Pelegrino, que ainda não atravessou a rua para pegar as 250 caixas que estão na Brasil Telecom, com a história dos grampos de Dantas em parceria com a Kroll.

. A estratégia política de Itagiba e Jungmann foi fazer com que todos os gatos ficassem pardos: De Sanctis, Lacerda, Protógenes, Maddoff, De Grandis, Al Capone, John Dillinger, Fernandinho Beira-Mar etc e tal.

. É tudo uma coisa só – e nada vai acontecer.

. Se o amigo navegante pensa que aquela CPI é apenas um patético exercício circense, de deputados à busca de visibilidade, engana-se.

. Aquilo ali tem começo, meio e fim.

. O fim é o de sempre: salvar Dantas.

. Ele é o dono do Brasil.

Paulo Henrique Amorim

Duas perguntas: quem fez o power-point do Itagiba ?

Outra pergunta: aquela senhora loura com crachá do STF, que deu cola ao Itagiba, foi em missão oficial ?
Uma funcionária do Supremo, Andrea Mesquita, disse ao Conversa Afiada que não foi ninguém do Supremo lá. E se houver uma foto ? Uma imagem, sra Mesquista ? Essa é uma resposta oficial do Supremo ? A senhora pode mandar essa resposta por escrito ? Ela bateu o telefone.

O Conversa Afiada vai enviar, de novo, a todos os ministros do Supremo a pergunta: foi o senhor quem mandou uma funcionária à CPI dos Grampos ?

(*)Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista

(**) No dia 8 de novembro de 2008, o Conversa Afiada publicou o seguinte:

O câncer de Daniel Dantas saiu da cápsula e se espalhou pelo PiG.
. Contaminou o Governo Fernando Henrique.
. Contaminou o Governo Lula (e BNDES, Anatel, CVM)
. Contaminou a Polícia Federal.
. Desmoralizou a ABIN.
. Contaminou o Congresso.
. Contaminou a Justiça.
. Desmoralizou o Supremo Tribunal Federal.
. Como disse Mino Carta: ele é o dono do Brasil.
. Até quando ?
. Já se sente o cheiro.
16.04.2009
A decisão de afastar Protógenes


Tem um trem errado aí. Claro que tem. É comum que servidores públicos que respondem a inquéritos administrativos, ou disciplinares – como vem sendo chamado o que se instaurou contra o delegado Protógenes Queiroz – sejam afastados de suas funções até que a conclusão dos trabalhos. Não significa que seja necessariamente uma atitude correta.

No caso em espécie, como costumam dizer os juristas, está evidente que se trata de tentativa de intimidação do delegado. E por extensão quem se atreva a exercer a função policial sem medo de intocáveis. Protógenes enfrentou um dos maiores gangsters do País, o banqueiro Daniel Dantas. Amigo de FHC, figura proeminente no processo de privatização do Brasil, Dantas tem, como denunciou Protógenes, mais de mil concessões para explorar o subsolo brasileiro. Vale dizer, vender boa parte do que ainda pode ser vendido no País.

E Dantas tem muito mais. Nos oito anos de FHC construiu uma rede de poder no serviço público que se estende ao STF – STF DANTAS INCORPORATION LTD – sob a batuta de Gilmar Mendes. Doublé de presidente da “empresa” e representante do esquema FIESP/DASLU junto aos franqueados do grupo no dito mundo institucional.

A reviravolta dentro da Polícia Federal desde a intervenção branca consentida e executada por Lula diante das pressões de Gilmar pode fazer com que a instituição volte a ser vista com desconfiança pelos brasileiros.

A história da Polícia Federal tem altos e baixos e o momento sinaliza na direção dos baixos. Surgiu no governo do presidente João Goulart, mas foi construída nos anos da repressão dos ditadores militares. Custou a livrar-se da influência de figuras no mínimo misteriosas como o senador Romeu Tuma (era assistente de Sérgio Fleury, sabia de tudo, mas não fez nada, falo de tortura. Difícil de acreditar). Viveu momentos de jogo político nos governos que antecederam a FHC e transformou-se numa instituição opaca e contida durante o governo tucano.

Com Lula revelou-se capaz de ser um poderoso instrumento no combate ao crime em todas as suas modalidades. Em poucos anos de governo Lula já conseguira colocar políticos até então intocáveis em condições reais, ou seja, passíveis de serem punidos pela Justiça.

Isso não acontecera antes.

E assim foi até a Operação Satiagraha desfechada pelo delegado Protógenes Queiroz e sua equipe. A prisão de Daniel Dantas mostrou que ainda existem e continuam existindo os intocáveis.

Caíram Paulo Lacerda (ABIN – Agência Brasileira de Informações) o diretor superintendente da PF e agora o delegado Protógenes. A alegação que Protógenes participou de um comício em Poços de Caldas falando em nome da Polícia Federal é uma ofensa à inteligência do cidadão comum. O delegado jamais cometeria um erro primário desses. Foi apenas o pretexto para a arbitrariedade.

Fica a sensação que os corruptos do Brasil podem respirar aliviados. Gilmar Mendes com sua reação, seus habeas corpus, garantiu a impunidade de todos. O juiz De Sanctis, que se atreveu a condenar Dantas é outro que está na alça mira.

O que mais desvaloriza a instituição Polícia Federal nesse processo todo, ponto por ponto, é que entre esses pontos está um episódio de tentativa de compra de um delegado. Flagrado e comprovado. A Polícia Federal está dando um tiro no pé justo quando se transformava na única polícia respeitada e respeitável no Brasil.

Ganha sentido o raciocínio ou dedução que uma espécie de tampa foi posta sobre a panela das trapalhadas e corrupção de Daniel Dantas e toda a sua turma – deputados, senadores, prefeitos, vereadores, governadores, banqueiros, empresários, latifundiários e mais, muito mais – e deixa mal o presidente da República. Lula caiu de quatro diante das pressões de Gilmar, porta voz desses criminosos.

O inexplicável está aí. A porta aberta para mostrar todo o processo corrupto do governo FHC, envolver – porque é criminoso – o governador de São Paulo José Serra e o presidente vai e fecha por conta dos berros do “ministro” – cúmulo da esculhambação – Gilmar Mendes.

Volta a campo para um jogo de mentirinha democrática o time dos amigos e inimigos cordiais que dividem o poder no Brasil. E vendem o Brasil.

Não se trata de endeusar o delegado Protógenes Queiroz, mas de pura constatação que o trabalho sério, íntegro e preciso de um policial que seja sério, é punido exatamente porque o policial é sério, e por aí se descobre que o Brasil está em mãos de bandidos.

Mais de mil concessões para exploração do subsolo do território brasileiro. É um dado estarrecedor. E até que Dantas esteja na cadeia, Protógenes reintegrado e toda a quadrilha Dantas, inclusive Gilmar Mendes esteja presa, é lícito duvidar do chamado mundo institucional.

Comentários (2)

__________

> Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, trabalhou no Estado de Minas e no Diário Mercantil.
Pessoal,
segue um texto muito esclarecedor da Janice Agostinho Barreto Ascari, membro da comunidade.
Existem outros textos excelentes postados por ela em seu blog aqui no Portal.
http://blogln.ning.com/profiles/blog/list?user=1ki3h9642thzh


Indiciamento pela CPI - esclarecimento

A CPI é, por natureza constitucional, um procedimento eminentemente político-administrativo. É constituída para apuração de um fato certo e determinado e suas conclusões não têm nenhum poder de vincular, processar, julgar ou mesmo responsabilizar quem quer que seja. Concluídos os trabalhos, a CPI deve apenas encaminhar suas conclusões para que outras instituições tomem as medidas que entenderem cabíveis.

Desta forma, o indiciamento feito (ou o não feito) pelas Comissões Parlamentares de Inquérito não significa absolutamente nada e não tem efeito jurídico nenhum em termos penais. O relatório final de uma CPI, com ou sem indiciamentos, servirá tão somente como peça de informação ao Ministério Público, o único órgão a quem a Constituição Federal outorga, expressamente, a titularidade da ação penal e o controle externo da atividade policial.

Só o Ministério Público tem a prerrogativa constitucional de analisar os elementos pela CPI e denunciar, ou não, as pessoas que entender penalmente responsáveis pelos crimes que vislumbrar cometidos. Apenas o Ministério Público tem o poder de avaliar se e qual crime foi cometido (tipificação), quem o cometeu e em quais circunstâncias. As conclusões da CPI não vinculam a atividade do Ministério Público.
A convicção do Ministério Público, seja ela qual for - pelo arquivamento ou pela denúncia, pela responsabilização criminal de A, mas não de B - será submetida ao Poder Judiciário, que irá aceitá-la ou não.

1) Se o pedido de arquivamento for rejeitado, o processo será enviado ao Procurador-Geral da República (nos casos da Justiça Federal) ou ao Procurador-Geral de Justiça (nos casos da Justiça Estadual). Se o(a) chefe do MP concordar com a manifestação de arquivamento, o juiz será obrigado a acatar. Se discordar, designará outro membro do MP para oferecer denúncia ou complementar a investigação.

2) Se o MP oferecer a denúncia e o juiz aceitar, inicia-se a ação penal, que é o processo propriamente dito. Se a denúncia for rejeitada, cabe recurso do MP ao Tribunal, que decidirá se a ação penal deve começar ou não.
a janice precisa abrir como tópico, vc não acha?
dá mais visibilidade.
Matéria que mostra bem a "equidade de tratamento" na PF:

Delegado Bruno não foi punido por vazar fotos do dinheiro; pegou 9 dias de suspensão por mentir a superior
Atualizado em 27 de abril de 2009 às 21:51 | Publicado em 27 de abril de 2009 às 21:30

por Luiz Carlos Azenha

O relatório do delegado Amaro Vieira, já devidamente vazado para a imprensa, traz indícios fortes de que o delegado Protógenes Queiroz entregou para a TV Globo informações sigilosas sobre a Operação Satiagraha. Também já não é exatamente uma novidade que uma equipe da emissora foi a responsável pela gravação de vídeo da tentativa de suborno a um delegado federal por parte de prepostos de Daniel Dantas -- crime pelo qual o banqueiro já foi condenado.

Pessoalmente, já disse que sou contra essa história de jornalista ter "delegado de bolso". Nunca tive um. Relação íntima com autoridade nos leva, quase sempre, a terreno pantanoso: o repórter se deixa usar hoje de olho no furo de amanhã. Mas minha opinião pessoal não elimina um fato: se forem investigados TODOS os vazamentos de informações sigilosas muita gente vai perder o emprego.

O que nos leva de volta ao delegado Protógenes. Ele não responde apenas a inquérito sob acusação de vazar informações sigilosas. Já foi "afastado" do cargo enquanto responde a processo administrativo, acusado de participar de campanha política. O delegado corre o sério risco de perder o emprego.

Vejam só como são as coisas. Lembram-se do delegado Bruno, aquele que vazou as fotos do dinheiro dos aloprados petistas na véspera do primeiro turno das eleições presidenciais de 2006? Ele continua firme e forte, servindo à Delegacia de Repressão aos Crimes Fazendários, em São Paulo.

Se o vazamento de Protógenes ainda está em investigação, o do delegado Bruno nunca foi investigado pela imprensa. Perguntas básicas sobre o caso nunca foram respondidas. O que Bruno foi fazer na perícia de um caso do qual já não cuidava? Ele entregou as fotos do dinheiro primeiro para a TV Globo; foi a Globo que sugeriu a ele que vazasse, no dia seguinte, para os demais órgãos de imprensa? Por que o delegado, ao entregar as fotos a um grupo de jornalistas, disse 'essa aqui é a foto da Globo'? Por que Bruno insistiu tanto, na conversa gravada com os repórteres, em disseminar as imagens no maior número possível de meios? Ele agiu por conta própria ou a mando de algum grupo político?

O delegado Bruno, de fato, enfrentou um processo administrativo interno. Depois de muito fuçar descobri a "sentença" a que ele foi "condenado", no dia 21 de outubro de 2008: 9 dias de suspensão.

O superintendente da PF em São Paulo justificou a punição "por restar comprovado nos autos que o servidor, por suas próprias razões e sem autorização de quem de direito, por meio da mídia, trouxe a público fatos que estariam ocorrendo no âmbito do Departamento de Polícia Federal e no de sua vida funcional, bem como concedeu entrevistas controversas, provocando perplexidade pública, em razão dos seus conteúdos contraditórios; e por ter faltado a verdade no exercício de suas funções, na medida em que afirmou ao Sr. Superintendente Regional em São Paulo que um CD contendo fotos havia sido furtado de seu poder, sendo tal afirmação inverídica, praticando, desta forma, as transgressões disciplinares previstas nos inc. VIII e XVII, do art. 43, da Lei no. 4.878, de 03.12.1965".

Bruno foi punido pelos artigos 8 e 17:

VIII - praticar ato que importe em escândalo ou que concorra para comprometer a função policial;

XVII - faltar à verdade no exercício de suas funções, por malícia ou má-fé.

Ou seja, o delegado Edmilson Bruno não foi punido internamente nem mesmo por vazar dados de um inquérito que corria sob segredo de Justiça, embora isso esteja previsto na lei 4.878 mesmo para documentos oficiais não reservados:

XLIII - publicar, sem ordem expressa da autoridade competente, documentos oficiais, embora não reservados, ou ensejar a divulgação do seu conteúdo, no todo ou em parte.

No Brasil, como se vê, até alguns vazamentos são "mais iguais" que outros. Bruno fez o "vazamento certo" -- com conhecimento e cumplicidade da mídia. Pegou nove dias de gancho por mentir ao superior -- com a conivência de quatro repórteres que ouviram que ele faria isso e ficaram caladinhos. Ouça aqui e aqui a gravação.

Protógenes fez o "vazamento errado", daqueles que desagradam ao patrocinador. Pode perder o emprego e ir em cana.
Gente, mais do que nunca é preciso resistir. Nao é possível que nos desinteressemos de perseguições feitas a um funcionário público pelo fato de ter feito bem o seu trabalho, mesmo contra poderosos. Indiciar o Protógenes por um vazamento que outro delegado já confessou (ver sobre isso no tópico a respeito do Blog-mãe), e ainda por cima com tantos outros vazamentos que nunca foram nem ao menos investigados, como o do delegado Bruno e o do próprio delegado que investigou Protógenes, é demais. Quanto à pretensa edição da fita ele diz que adicionou a fita como a recebeu (vejam no site do PHA).

Protógenes denunciado por vazar (do site do Azenha)
Atualizado em 08 de maio de 2009 às 21:31 | Publicado em 08 de maio de 2009 às 21:29

08/05/2009 - 20h18
Procuradoria denuncia Protógenes Queiroz por violação de sigilo e fraude processual
da Folha Online

Atualizado às 21h02.

O MPF (Ministério Público Federal) ofereceu para a 7ª Vara Federal de São Paulo denúncia contra o delegado Protógenes Queiroz pelos crimes de violação de sigilo funcional e fraude processual. Protógenes chefiou a primeira fase da Operação Satiagraha --que apura supostos crimes financeiros atribuídos ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Ele foi afastado das investigações e é alvo de inquérito da PF que investiga desvios cometidos à frente da operação.

Para os procuradores da República, Protógenes cometeu violação de sigilo funcional ao convidar um produtor de TV Globo para gravar a tentativa de assessores de Dantas --Humberto Braz e Hugo Chicaroni-- de subornar um delegado da PF para excluir o nome do banqueiro das investigações da Satiagraha. A tentativa de suborno foi gravada em 19 de junho de 2008, em um restaurante de São Paulo.

A assessoria de Protógenes informou que ele não vai comentar a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal.

Por meio de nota, a TV Globo diz que não vai comentar o caso "em respeito ao sigilo da fonte, que é um princípio assegurado pela Constituição. "Como a TV Globo disse desde o primeiro dia, a credibilidade do jornalismo da Globo faz com que ela tenha fontes na sociedade civil em geral e em todas as esferas do setor público. Não foi diferente na cobertura da Operação Satiagraha", diz a nota.

O crime de fraude processual, segundo a Procuradoria, foi cometido com a edição do vídeo da tentativa de suborno para excluir das imagens os jornalistas. Para a Procuradoria, a alteração foi feita para não revelar que o vídeo não foi feito pela PF.

Os procuradores da República Fábio Elizeu Gaspar, Roberto Antonio Dassié Diana, Ana Carolina Previtalli e Cristiane Bacha Canzian Casagrande, que assinaram a denúncia, entenderam que os jornalistas que fizeram as imagens não cometeram nenhum crime.

Abin

A Procuradoria concluiu que não houve crime na participação da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na Operação Satiagraha, que apura supostos crimes financeiros atribuídos ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.

Para os procuradores, a participação da Abin é prevista na lei do Sisbin (Sistema Brasileiro de Inteligência).
Protógenes foi suspenso por 60 dias (e a notícia que chegou é que seria demissao; depois que os blogs bombaram, a demissao foi "desmentida"). Vamos ficar em silêncio diante disso?
Anarquista,

Vamos primeiramente colocar as coisas no prumo: quem noticiou a demissão, em mais uma barriga mal intencionada foi a Folha força Serra Presidente.
Não houve portanto nenhum desmentido, mas uma mentira inicial.
Mentira repercutida pelo PHA.
Acho que o delegado Protógenes precisa se situar nessa manipulação política feita em cima de sua atuação com muito clareza.
Ademais, com o afastamento de Protógenes das investigações o propagado fim das investigações não se concretizaram, tendo o bandido Dantas sido condenado por um de seus crimes.
É evidente que a punição de Protógenes por eventuais deslizes em sua ação, coisa tão comum nas atividades de todos funcionários públicos e privados, está sendo maximizada por interessados na utilização política dele para objetivos contrários ao que ele deseja.
Então, é preciso muita calma nessa hora para não fazer o jogo dos Amigos de Dantas e dos que se utilizam de Dantas para defender muitos dos beneficiários de seus esquemas.
Inclusive Aécio.

Abs
Gente, nao duvido das intenções da Folha. Agora, qualquer um, submetido à perseguição que o Protógenes está sendo submetido, recebe essa notícia, tem mais é que berrar mesmo. Mesmo a suspensao é um absurdo, e nada me garante que nao foi apenas um "remendo" quando viram que a coisa nao poderia ficar abafada.

Nenhuma conveniência política me fará compactuar com uma indignidade. Perseguir um funcionário público por ter feito o seu trabalho -- porque é disso que se trata -- é inadmissível. Neste caso, o modo de combater os métodos dos Amigos de Dantas é exigindo justiça para Protógenes.
O próprio Protógenes informou que não obteve qualquer confirmação oficial de sua demissão, nem mesmo de sua suspensão até o momento.
Exigir justiça para Protógenes é não fazer o jogo dos que querem utilizá-lo políticamente contra ele próprio, a base de toda a indignidade.

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