Junte algumas dúzias de velhos impertinentes e ranzinzas, com alguma experiência em debates. Acrescente a estes sua vontade de se expressar e colocar para fora o que durante muitos anos estava sendo ruminado, mas não digerindo. Coloque ao gosto uma pitada de vaidade, pavonice, certa intolerância e vontade de aparecer. Coloque os ingredientes numa bela panela nova, porém no mesmo e velho fogão. Cozinhe em fogo brando até que cresça, mas não deixe muito tempo no fogão que queima. Esta é uma imagem de nosso fórum (minha imagem, pelo menos).

 

Agora, mais uma vez se volta a conclamar o retorno de antigos colegas aqui assíduos que se encontram distantes. Desistiram, desapareceram, faleceram, foram tomados pelo mal de Alzheimer?, Não sabemos exatamente o que aconteceu. Alguns  desencontros e incertezas do uso de identidades secretas e do relacionamento virtual causa esta desorientação parcial do destino dos pares. As saídas são compensadas em pare por outros, que em menor quantidade, mas boa qualidade, substituem os tradicionais debatedores, saem cinco e entram dois, esta é a realidade do fórum, e talvez alguém possa pensar: O último que sair apaga a luz.

 

Como outros, sentindo estas perdas, proponho uma autocrítica que tente explicar esta debandada. Eu tenho algumas opiniões e pretendo compartilhá-las e discuti-las com os remanescentes (ou até com os desertores de nossas hostes de escreventes, que se tornaram leitores).

 

Primeiro, a verdadeira AUTOcrítica! Nós mesmos (em que me incluo), na batalha de nossos egos, tentando provar nossas verdades, expulsamos de forma mais ou menos involuntária, ou como diria o grande filósofo mexicano Chaves, “sem querer, querendo” outros debatedores que ousam cruzar à nossa frente! Ficamos alegres quando ganhamos, ou achamos que ganhamos, dada discussão e, ao vencedor, as Batatas. A nossa agressividade e combatividade, que em alguns momentos é preciosa, no dia a dia torna-se perniciosa voltando-se contra nós mesmos.

 

Porém não precisamos nos fixar no primeiro ato, pois a peça não é de ato único e partes mais emocionantes ainda não começaram.

Outro motivo do descenso do Fórum está na forma do mesmo que (felizmente) envelhece mais rápido que os autores! O formato, que na época de seu lançamento era brilhante e satisfazia a todos, agora é vetusto e franciscano para os padrões atuais, tanto nos seus recursos como na forma de apresentação. A chefia, interessada em outros vôos, deixou de lado o Portal como está para ver como ele fica. São três longos anos, e isto para a Internet é uma eternidade.

A forma do fórum vai cansando os que escrevem, mas por mais incrível que pareça não cansa os leitores. Tenho um blog pessoal que nos últimos meses não escrevo nem 10% do que escrevia no ano de 2010, porém as pessoas continuam a visitação aumentou em muito neste ano se seca intelectual. Aqui não temos um contador absoluto, mas tenho quase certeza que o número de entradas não tem diminuído!

 

Também é importante lembrar que estamos perdendo o hábito de escrever e ler grandes textos (em tamanho, é claro), os tuíteres da vida provam o sucesso das informações em pílulas. E talvez esteja aí uma das estocadas finais. Para produzir um texto de uma página perdem-se algumas horas, e as pessoas (salvo a velharia, como eu e outro) não tem mais disposição para tanto, preferem ficar girando pela Internet e olhando os mesmos textos de sempre. Tenho visto que o número de Blogs, togs e outros ogs tem aumentado sobre-maneira, entretanto a cópia de um lado para outro tem virado uma tônica e o conteúdo não aumenta (desconfio que está diminuindo). As pessoas nem se dão o trabalho de comentar, para elogiar ou falar mal, copiam e curtem, colocam uma frase curta ou uma foto, e só.

 

Na última frase talvez esteja a grande resposta, a forma de comunicação está mudando, o esforço de escrever algo com princípio, meio e fim, fica reduzido a uma só frase que tem nela o princípio, o meio e o fim.

 

Agora vamos ao ou.... do título, por que coloquei um ou...? Por um motivo muito simples, o número de pessoas que escreve está diminuindo, porém o número de pessoas que lêem está aumentando! E aí que está a contradição, ou a aparente contradição, há um mercado de ler algo novo. Feio, errado, mal escrito, mas novo, e talvez quando estas pessoas perderem suas inibições de leitores e passarem para escrevinhadores, o movimento pendular faça retornar mais vida a este ambiente.

Exibições: 2882

Responder esta

Respostas a este tópico

Eu gosto de tudo no Natal e também do Ano Novo. Montar presépio (um antigo de gesso que tínhamos quando eu era adolescente repintei peça a peça), fazer enfeites de isopor (eu bolei um anjo muito bacana com poucas peças e materiais), inventar coisas (como fazer um coqueiro de Natal, guirlandas com CDs de instalação abandonados à guisa de bolas), ver desenhos animados ou filmes correlatos (há uns anos comprei o Schreck de Natal), como alguma coisa baseada em Dickens ou filmes de Frank Capra.

Ver se tem presente pra todo mundo da família, comprar comidas especiais (no mercadão há uma banca de produtos espanhóis), colocar cds natalinos (tenho um da G. Estefan só de músicas latinoamericanas de Natal), quebrar nozes e frutas secas de todos os tipos, ver trenzinhos nos shoppings. A gente já convidou pessoas conhecidas mas sós pra data.

O que eu não faço: ver o especial com Roberto Carlos e ler passagens da Bíblia.

Este ano infelizmente estou sem infra, a casa não ficou pronta a tempo, mas vamos ver se ano que vem fazemos um amigo secreto com os amigos daqui (participação na lista do amigo secreto será opcional, na festa não!)

Gunter, você critica -- com razao, a meu ver -- a caricatura que é feita da idéia de politicamente correto. Mas acho que cai nela um pouco (acredita um pouco no que é dito pela caricatura) ao colocar essa dúvida sobre as cançoes, filmes, etc. É claro (para mim...) que, se a cançao ou o filme etc nao nao eles mesmos reacionários, no conteúdo em que passam, que nao tem nada a ver o c. com as calças deixar de postar a cançao ou de ver o filme, etc. Agora, o que pode acontecer é a gente tomar tal antipatia pelo autor que vê-lo desagrada. Isso nao é problema no caso de filmes, mas pode ser no caso de cançoes.
Eu me lembro de uma época em que o Gil andou fazendo propaganda para ACM e Caetano bombardeando as m. que ele diz a torto e a direito. Aquilo me dava náuseas, porque, de um certo modo, traía vivências minhas, da época em que eu adorava os dois. Hoje ainda sinto isso ao ouvir Caetano dizer besteiras, mas nao mais quando ele canta. E do Gil nao só voltei a gostar como gosto cada vez mais a cada vez que ouço. O Nassif colocou outro dia no blog-mae uma interpretaçao dele de Lamento Sertanejo tao linda que dava vontade de chorar.

Mas então, eu coloquei como questão para checar se a opinião de vocês bate com a minha, mas eu tenho já minha opinião.

Seria politicamente correto dissociar artista de sua obra. Eu faço isso, não deixo de consumir nenhuma produção artística que eu goste em função de religião ou ideologia do autor.

E artistas mudam de ideia quando aprendem mais ou ganham experiência de vida (alguns nunca) A Elba de 2010 não é a Elba de 2002. Ninguém é, diga-se.

Aqui nossas opiniões batem.

Mas talvez não seja educado (2a. parte da pergunta) perturbar os outros à toa. Eu tenho como curtir Gloria Estefan em tantos lugares, e há tantas músicas para se desejar Feliz Natal, que, por que iria colocar aqui? 

Não é incomum que o ambiente seja incorreto, no caso também acontece a incorreção de associar comentarista ao comportamento político do autor da obra que é postada por comentarista. Já vimos esse filme.

Até fiquei surpreso que no post sobre Walt Disney não houve bafafá.

Para Gunter: vou esperar meu técnico vir amanhã, e discutir com ele o que fazer.
Para Gunter: nao provoca 2... (rs, rs - tive vontade uma provocaçao parecida, mas me contive... )

Mas eu fiquei curioso, a conversa andou tanto que eu me perdi. Só lembro de 1 provocação proposital rsrs.

Para Gunter: em Artes Plásticas, sou MUITO conservadora... Parei no Expressionismo, e algum Surrealismo. Depois disso, para mim nao faz o menor sentido.

Eu também sou bem conservador pra artes, não muito, mas um tanto. Eu também só digo que gosto até o surrealismo. Mas posso perceber que há questionamentos da arte moderna válidos. A arte pop, muitas instalações recentes. 

Já li um post em que se falava que pra arquitetura, dança e música é diferente, que há tantas coisas "gostáveis" hoje como dantes. E concordo.

Mas há muita coisa que eu não assimilo mesmo. Daria um tópico do Géber : "Arte Moderna. E isto existe?"

Tem uma coisa que eu aceito pros outros mas não pra mim, que é a "body art". Fico pensando se algumas pessoas não se irão arrepender no futuro dessas demonstrações de personalidade. Talvez não, talvez sim.

O máximo que eu aceitaria fazer seriam 3 tatuagens pequenas, furar a orelha direita (a esquerda já é furada) e tirar as bolsas sob os olhos kkk

Gunter, eu sempre digo que a gente acredita naquilo que nos dá conforto. Cada pessoa, cada ser humanao toma uma atitude que lhe deixa satisfeito.

O problema é que, na sociedade em que vivemos, no coletivo, algumas coisas depõem contra isso, contra a tal "civilidade".

Pode ser interessante discutir, Alexandre. Que comportamento você acha que depõe contra o coletivo? A percepção dos outros pode variar.

Meu companheiro não consegue aceitar a ideia de alguém entrando na praia com um carro cheio de alto-falantes mas eu considero que isso é cultural e que não dá pra fazer muito contra isso. Isto é, não gosto, mas acho que sou quem deve se adaptar não quem faz o barulhão.

Muita gente grande envolvida nestas privatarias, inclusive muitos do PT/SP, e 80% da ALESP, 80% camara municipal, Parte podre da policia federal, ministerio publico federal, stf, stj,  toda grande midia, enfim.....o ultimo que sair apaga luz mesmo, .....o negocio é podrissimo!!!! Nunca vi ladrao prender ladrao......Ditadura dos Ladroes????

Você quer dizer que podemos tanto ter empatia com as emoções do outro como com as motivações do outro? E isso se aplicaria a uma motivação que julgamos comum, como a construção de conhecimento?

Então teríamos empatia tanto com intenções como com estilos e/ou ambos.

RSS

Publicidade

© 2021   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço