Hoje, faço um paralelo de como as chamadas "reformas liberais" - interferiram no cotidiano do cidadão, via escola pública.

Curiosamente, nesta quarta feira (26/11), o jornalão Folha de S. Paulo, publicou um artigo de Dagmar Maril Leopoldi Zibas, mestre em psicologia da educação pela PUC-SP, que no entender "dela", a depredação da Escola Estadual Amadeu Amaral, num bairro, classe média da Zona Leste de S. Paulo, pelos alunos, foi um ato de "revolta pela má qualidade do ensino". Veja: uma escola, que tinha quase 250 alunos em "situação de liberdade assistida" - sem que direção e professores tenham qualquer preparo para isso!!!

Em alguns momentos da vida, eu, "especialista em nada" - fico pasmo, com o academicismo dos intelectuais, que como dizia o educador Paulo Freire, "parece que falam, simplesmente pelo prazer de ouvir a própria voz" - pois uma fala dessas, vindo da boca de um especialista, nos leva a perguntar: o que ele fez na academia a vida inteira?

Acompanho bastante, e com muita atenção notícias veiculadas na mídia, sobre educação, e nunca participei da academia, à não ser certa vez, a de capoeira que existiu na rua da minha casa, mas uma analogia dessas vinda de quem é estudioso do assunto, é no mínimo uma temeridade!

Já lí muito, participei se seminários e congressos cujo tema era educação, o que posso comentar é que, chegamos ao seu limite de abandono e descaso, devido ao cumprimento de "recomendações" do FMI (Fundo Monetário Internacional - Banco Mundial - (Bird), em toda a América Latina nos anos 90.

O resultados da tais recomendações, podem ser medidas, especialmente na Argentina, Brasil, Chile e México, a análise é objeto de estudos de duas pesquisadoras, uma na área da Educação e outra da área de História, que deram uma entrevista na revista Fórum nº 68 desse mês, dando conta disso, são elas: Nora Rut Krawczyk e Vera Lúcia Vieira, que publicaram um livro, "A Reforma Educacional na América Latina - Uma Perspectiva histórico-ideológica" - Editora Xamã.

O que esses países têm em comum, com relação a adminstração da educação, é que adotaram a valorização a gestão privada, em detrimento da gestão pública e ganha força a idéia de que a educação tem um poder transformador sem necessidade de outras medidas estruturais. Observem a tragédia causada em 15 anos de administração tucana, transformando o ensino público no Estado de S. Paulo, em um barril de pólvora e cumprem à risca as "recomendações" (FMI x BIRD).

Outro dado curioso que as estudiosas abordam é o discurso que esses países assumiram, no sentido de justificarem a abertura da educação para setores privados. Passa-se a dar responsabilidades para o "mercado, para a família"

NESSA REFORMA, COMO O PROFESSOR FOI ATINGIDO?
A tal reforma, tem como centro as mudanças no interior das escolas. Uma das características comuns a todos os países é a burocratização do cotidiano de cada escola, que recebe funções antes concentradas (nas secretarias de governo). Isso significa um aumento do trabalho administrativo e da gestão financeira para os professores e para a equipe de direção. Esse aumento da responsabilidade significa que os professores têm que procurar outras fontes de recursos além do financiamento público.

É para a implementação dessa política neoliberal, que eles agora, exigem "projetos para tudo" dentro das escolas, a fim de justificarem suas movimentações nesse sentido - tudo isso, agregado a provinhas para professores, e medição de competência, tudo para produzir o chamado "ativismo institucional" além de criar uma "competitividade entre as escolas" - medidas que a imprensa vive elogiando, em especial o jornalista da Folha de S. Paulo, Gilberto Dimenstein, como se fosse a panacéia salvadora da educação em geral.

Enquanto isso, escola, professores e alunos, estão abandonados à própria sorte, e não se espantem se em um dado momento, aparecer um "iluminado" - propondo uma privatização das escolas públicas, ja implantaram a 'PPP" - Parceria Público Privada - o que já um grande ensaio nessa direção. Quem viver, verá.

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Respostas a este tópico

Neste ano, o ano em que o massacre foi imensurável, adotaram as cartilhas. Cartilhas de um vazio pedagógico total. Há coisas ali que me fizeram até chorar.

Por exemplo, sou professor de Literatura e estou concluindo o meu mestrado na área, e numa aula desta cartilha eu deveria passar um poema sobre a lua, Luar de Verão, de Álvares de Azevedo para os alunos do Segundo ano do Ensino Médio. Logo em seguida, deveria passar a letra da canção A lua que te dei, interpretada pela Ivete Sangalo.

Vejam o exercício proposto pela cartilha:

a) Qual dos textos você gostou mais?
b) Em qual dos textos é mais fácil entender o significado da lua?
c) POr que acha que isso ocorre?
d) Isso é vantajoso para o autor?

e) Agora, talvez, seja interessante que toda a turma cante o sucesso de Ivete Sangalo.

É isso, para o governo, Ivete Sangalo é mais poeta do que Àlvares de Azevedo. Porém há de se notar o nível das perguntas e da discussão proposta. Não beira o literário nunca.

Digo mais: se estas cartilhas fossem adotadas nas escolas privadas, estas abririam falência rapidinho.

Ou seja, o que há é a classe pobre presa a uma educação que não dá cidadania.

As escolas privadas agradecem.
Paulo, não entendi a sua bronca com a autora do citado artigo. Não fiquei sabendo desta depredação nem qual foi o motivo. Poderia explicar melhor?

Valeu!
Prezado Pedro Luiz,

Quarta feira, (12/11), na Escola Estadual Amadeu Amaral, na Zona Leste de S. Paulo, sem motivo claro, 30 alunos começaram a destruir a escola. ''Meninos embrulhavam os pulsos em camisetas para estourar os vidros com socos. Cadeiras foram arremessadas do 2º andar, depois de arrebentar as janelas'', contou uma aluna da 7ª série.

O quadro agravou-se porque, dez minutos depois de iniciada a depredação, duas adolescentes, uma de 15 anos e outra de 18 anos, começaram uma briga violenta de unhadas e puxões de cabelos. A rivalidade entre as duas existe desde o início do ano e piorou quando uma acusou a outra de ''prostituta''. Enquanto a destruição se propagava por todo o prédio, os professores, com medo, trancaram-se em uma sala de aula.

E nesta escola, estudam pelo menos 247 alunos, em situação de "liberdade assistida" - ou seja, são alunos infratores, que vieram da Fundação Casa, (antiga FEBEM).

O Estado, obriga as escolas a receberem esses alunos, sem que tanto direção, quanto professores, estejam preparados para lidar com eles, (são alunos diferenciados), no entanto, o Estado, trata todo mundo, como se fosse um linha de produção.

Diante do exposto, veja que a professora Dagmar Maril Leopoldi Zibas, que alegou, o fato ter ocorrido por conta de um protesto em relação a má qualidade do ensino, é um exagero, eu diria uma distorção dos fatos.
Professor Reinaldo,

Profundas, e graves as colocações que faz. Para nós, fica a pergunta: O que será dessa geração que está sendo formada agora? Como estão sendo "preparados", para a vida, para o mercado, para constituirem famílias?

Hoje os valores são todos dentro na filosofia "fast-food" - tudo é elaborado para durar pouco, tudo é descartável sob todos os aspectos. É triste essa constatação, mas estamos assistindo a uma derrocada de uma geração inteira, e ninguém faz nada!!!

Um abraço.
E o pior é que pela lei eu posso ser demitido por vir aqui denunciar tais barbaridades.

Abraços.
Prezado Professor Reinaldo,

Ainda mais essa, estar sujeito às leis da ditadura, e em outros estados, leis recentes, tratam o assunto da mesma forma, veja abaixo:

"Artigo 242 – Ao funcionário é proibido: I - referir-se depreciativamente, em informação, parecer ou despacho, ou pela imprensa, ou qualquer meio de divulgação, às autoridades constituídas e aos atos da Administração, podendo, porém, em trabalho devidamente assinado, apreciá-los sob o aspecto doutrinário e da organização e eficiência do serviço; (...) VI - promover manifestações de apreço ou desapreço dentro da repartição, ou tornar-se solidário com elas."

O problema não está só em São Paulo. Em 18 estados brasileiros foram encontradas legislações semelhantes. O texto, em alguns casos, apresenta diferenças, mas o caráter proibitivo é o mesmo. Em algumas dessas regiões do país, as normas não remontam à época da ditadura. Ao contrário de São Paulo, são legislações recentes, posteriores à Constituição, o que nos deixa apreensivos quanto ao caráter de algumas autoridades que legislam no Brasil atualmente. No Amapá, o estatuto foi promulgado em 1993. No Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Pará, em 1994. O da Paraíba está mais fresco ainda: é de 2003.
Oi, Reinaldo
Se você é novo na Comunidade (ainda nao encontrei você aqui antes) e nao tiver já dado muitas contribuições que nao gostaria que fossem apagadas (quando se sai da Comunidade tudo o que se postou desaparece), eu aconselharia você a sair e voltar com pseudônimo e uma imagem ou foto identificatória que nao seja o seu rosto. Assim você poderá se comunicar sem perigo. Temo que já tenhamos perdido um membro da Comunidade de muito valor, professor do Estado de S. Paulo, porque ele se arriscou muito com o próprio nome e rosto, e depois deve ter se sentido pressionado.
Um abraço
Anarquista Lúcida
Oi, Maria Dirce
Claro que temos que falar. Só falei isso pro Reinaldo pra ele se proteger, nao para deixar de falar. Você se lembra do Luís Carlos, nao lembra? Nao posso ter certeza que ele saiu porque se sentiu exposto, ele também estava manifestando sinais de desilusao com a Comunidade. Mas ele se arriscou, porque era professor temporário, pôs fotos da escola na Comunidade, isso com o nome e foto dele. É exatamente para garantir a liberdade de fala sem pressoes indevidas do meio profissional que os pseudônimos servem.
Um abraço
Anarquista Lúcida
Olá, Anarquista Lúcida.

Não farei isso, não. Não porque quero ser mártir, mas é que o governo mesmo não está nem aí para o que é dito. A desfaçatez é tanta que nem passeata de professor incomoda mais, imagine uma opinião num Blog. E mesmo que haja perigo, nossa categoria tem de parar de abaixar a cabeça e começar a se utilizar de qualquer meio para denunciar as mazelas da educação brasileira. A própria imprensa oficialista é cúmplice de tais crimes.

Abraços.
Tá certo, você tem todo o direito de decidir, afinal o risco é seu. E você nao deixa de ter razao de que eles nao têm tanto controle assim, o poder deles fica maior se os tememos.
Um abraço
Anarquista Lúcida
Paulo, obrigado pelas suas explicações sobre o caso, que agora consigo entender um pouco melhor. Que bom que demorei para te agradecer, pois assim posso aproveitar e me manifestar totalmente solidário aos dois membros da Comuna que me antecederam: Reinaldo e Maria Dirce. Parabéns pela posição corajosa e visionária de vocês dois. Chega do medo egoísta diante da injustiça.
No caso específico dos professores, se este pensamento vigorasse nas suas atitudes há mais tempo, talvez uma situação como a desta escola nunca viesse a ocorrer, pois os próprios professores não aceitariam tal situação.
Mas sem pânico que estamos no caminho da mudança.

Valeu!
Prezado Pedro Luiz,

A nação como um todo, está precisando urgentemente parar e discutir os rumos da educação. Sem terrorismo barato de digo: "estamos administrando um geração perdida" - o Estado faliu, a família faliu, a escola faliu, o ensino faliu, a educação faliu. A próxima década, será a década do desastre dos resultados plantados hoje. Infelizmente é a realidade nua e crua.

Um abraço

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