O que está errado na educação: professores despreparados ou alunos desinteressados?

Gostaria de saber a opinião de voces a respeito do assunto.
Um abraço.

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Respostas a este tópico

Não fui eu que escrevi em caixa alta, foi o Alzamore, mas qual é o problema? Não é assim que aprendemos quando somos alfabetizados?
Quáquáquá!!!
Minina esperta não entra em ordem unida!
Evoé! Zezita rende homenagens!

Eu respondi para ele, é que como você respondeu primeiro, a minha resposta ficou abaixo da sua. O problema é só que dificulta a leitura de quem lê. Pessoalmente estava com pouco tempo e pulei por causa da dificuldade visual, a gente nao pode usar o automatismo que já tem para a leitura, tem que ler palavra por palavra, é muito chato e lento.
Adendo de resposta. Há teóricos da alfabetização que defendem a alfabetização com letras maiúsculas (Cagliari, por ex.). Pessoalmente sou contra. Concordo com o uso inicial só de letras do tipo letra de imprensa, porque as letras sao destacadas umas das outras e evitam-se problemas devidos à incompreensão da letra do professor. Mas devem ser usadas letras minúsculas e maiúsculas nos contextos devidos, assim os alunos já vão informalmente aprendendo quais sao esses contextos (além de ajudar a aprendizagem informal da noção de frase).
Eu também concordo, mas é assim que aprendemos né? Minha filha por exemplo está sendo alfabetizada com todos os tipos de letra, mas aí é já e outra questão. Obrigada por estar participando das discussões.
Bianca,não sou da área da educação e deixo os palpites sôbre os remédios para os especialistas que aqui na comuna existem em relativa abundância. Mas lendo a sua frase título,eu com certeza sei que ela descreve sintomas e não causas. Um abraço,Sérgio.
Não tem problema não ser especialista da área, até seria importante ter uma opinião "de fora", de repente a possamos ver algo que não estamos conseguindo.
Obrigada.
Afirmar que os professores estão despreparados implica em nos perguntarmos, então, o que seria um professor bem preparado. Penso que esta seria uma pergunta que daria uma discussão acalorada.
Do mesmo modo, dizer que os alunos estão desinteressados nos levaria a perguntar qual é o interesse dos alunos. Isto também daria outra discussão sem fim.
Por outro lado, me preocupa um certo entendimento que está sendo construído hoje na mídia em torno desse ponto. Tenho reparado que o pêndulo parece que está se dirigindo para o lado da culpabilização dos alunos pelos problemas da educação. Até algum tempo atrás (e não faz muito tempo assim) os professores eram apontados como o problema. Aliás, os professores continuam a ser apresentados como os responsáveis pelo baixo rendimento da educação mas, agora, em função do corporativismo (e atacar sindicatos, sabemos, não se faz de modo inocente).
De outro modo, contudo, alunos (especialmente aquele grupo genericamente apontado como "indisciplinado") são abertamente demonizados.
É preocupante que o debate gire em torno desses dois personagens (professores e alunos). Dá a impressão que tudo andaria muito bem desde que não houvesse professores e/ou alunos inconvenientes.
Será que isso é verdade?
Fico com uma idéia na cabeça, de que uma mudança nos curriculos, que preparasse professores e alunos para o exercício da cidadania, talvez fosse do interesse de ambos os grupos. Professores e alunos são dois grupos de uma sociedade que ainda não é, na minha opinião, adequadamente informada sobre direitos e deveres, o que diz a nossa constituição, o que significa uma democracia representativa, qual é o papel de cada um na construção da sociedade, fazer com que as pessoas se apropriem dessas informações e apliquem em suas vidas. Acho que esse conteúdo poderia motivar a todos, inclusive no aprendizado das disciplinas tradicionais. Instrumentalizar alunos e professores com noções de cidadania poderia ser um recurso interessante pra potencializar os esforços para a melhora da educação.
Ninguém quer ver o papel da instituição escolar nisso... Nos currículos baseados só na tradição, completamente fora do mundo de hoje. Visão de disciplina em que bom aluno é o que fica sentado ouvindo as lições e fazendo os deveres, e fala pouco, e só quando o professor manda. Visão do professor como detentor do saber, e dos alunos como "vasos vazios" em que o saber tem que ser despejado. Visão mecânica de aprendizagem, baseada na repetição e no treino, que nao leva em conta o sujeito que aprende. Uso de uma variante lingüística muito diferente da usada pelos alunos de classes populares e, além do mais, repressao ao uso das outras variantes. Desprezo pela cultura que os alunos já trazem de casa quando diferente da "cultura oficial" valorizada pela escola. Tempo escolar todo compartimentado em disciplinas estanques. Etc., etc., etc.
Pois é, voce tem razão, as discussões em relação à educação sempre giram em torno de professores/alunos, e a sociedade toda onde entra aí?
Mas o que estamos chamando de sociedade?
Há um risco de cairmos numa abstração que não diz nada.
Talvez uma boa medida seria nomear quais elementos que participam na construção do entendimento do que é educação e, especialmente, dos problemas desta.
Vou colocar uma questão para tentar mostrar o papel de um desses elementos: qual o papel da mídia nesse processo?
Para discutir isso vou me reportar a um fato ocorrido há dois anos. Na época observei que o portal G1 (da Globo) pautou o tema violência nas escolas. Todos os dias havia notícias de episódios ocorridos em várias partes do país em que alunos eram agressores. Escolas depredadas, professores e funcionários agredidos eram as matérias comuns naqueles dias de junho e julho de 2007.
Me perguntei: por quê? O que fazia o portal na internet da maior emissora de tv do país pautar esse tema?
A resposta: a rede globo estava lançando uma novela na qual uma das heroínas era diretora de uma escola pública que enfrentava alunos e professores problemáticos. Ou seja, o noticiário servia de meio para nutrir um suposto debate promovido no interior da trama da novela.
Vi alguns trechos da novela (cujo título era, se não me engano, 7 pecados). Tanto alunos como professores (incluindo a diretora/"mocinha") eram caricaturas esteriotipadas. Havia professores que "enrolavam", que tinham "perdido a esperança", que tinham medo dos alunos. Quanto aos alunos, eram apresentados como seres infantilizados (crianças em corpo de adulto).
Você pode dizer: mas o autor da novela apenas apresentou uma realidade que existe.
É, existe. Mas será que é assim mesmo?
A realidade é assim tão formatada?

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